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Readership,  reputation,  and  reception  among  Donne´s  contemporaries

Chapter  1:   Introduction

2.1   Readership,  reputation,  and  reception  among  Donne´s  contemporaries

O setor de bens de capital no Brasil não difere muito da estrutura do setor de bens de capital no resto do mundo, podendo ser caracterizado como muito heterogêneo, concentrado em empresas de grande porte que, na maioria das vezes, são multinacionais, mas também com forte presença de pequenas e médias empresas (AVELLAR, 2008).

De acordo coma a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ, 2007), no Brasil o setor corresponde a um parque industrial com cerca de 4.000 fabricantes, que produzem 4.300 tipos diferentes de máquinas, para os mais diversos setores produtivos e emprega mais de 212.000 trabalhadores.

Segundo Valença (2001), o Brasil apresenta diversas vantagens para a consolidação de uma forte indústria de bens de capital: disponibilidade de oferta interna de aço; mercado interno diversificado e demandante de equipamentos; legislação trabalhista razoavelmente flexível, permitindo a utilização de mão-de-obra de forma mais adequada às variações exigidas por esse tipo de indústria, tanto em relação à carga de trabalho, como a alocação do trabalhador para a execução de diversas tarefas. Esses fatores, no entanto, são freqüentemente mascarados por uma variável negativa de forte influência: o câmbio. Alem e Pessoa (2005) apontam também como vantagem competitiva para a indústria de bens de capital no Brasil, o baixo custo de mão-de-obra para as empresas que instalaram unidades produtivas no país. No entanto, já existem sinais de escassez de mão de obra qualificada para atender essa indústria, o que, por exemplo, está acontecendo, atualmente, com os fornecedores de equipamentos para o setor sucroalcooleiro.

O setor exporta mais de 35% de sua produção, o que em 2005 representou cerca de U$ 8,6 bilhões, sendo os principais compradores os EUA, União Européia e Argentina. A Figura 3.1 ilustra o destino das exportações brasileiras.

0 10 20 30 40 33 29 26 7 4 1 Po rc en ta g em d a s ex p o rt a çõ es

Destino das exportações

América Latina EUA / Canadá Europa Ásia África Oceania

FIGURA 3.1. Destino das exportações de máquinas e equipamentos brasileiros. Fonte: ABIMAQ (2007)

Quanto à dispersão geográfica no país, os fabricantes de máquinas e equipamentos encontram-se localizados, predominantemente, na região sudeste, como indica a Figura 3.2. 0 20 40 60 80 73 25 2 0 0 P o rc ent a g em de e m pr es a s Regiões do país Sudeste Sul Nordeste Centro-Oeste Norte

FIGURA 3.2. Distribuição dos fabricantes de máquinas e equipamentos por região. Fonte: ABIMAQ (2007)

Quanto ao porte das empresas, tendo por base o número de funcionários, predominam as empresas de porte médio, como apontado na Figura 3.3, com as porcentagens da distribuição de empresas no setor.

Segundo dados da ABIMAQ (INFORMAQ, 2008), as importações de bens de capital registraram aumento de 44,6%, enquanto as exportações apresentaram aumento de 5,1% no primeiro trimestre de 2008, em comparação ao primeiro trimestre de 2006. Os EUA continuam sendo o principal país de onde o Brasil compra máquinas e equipamentos (aumento de 35%, no período de 2006 a 2008), seguido pela Alemanha (com aumento de 40,3%) e pela China (que apresentou aumento de 95,3%).

0 20 40 60 80 70 23 7 P o rc ent a g em de e m pr es a s Porte (número de funcionários)

Médias (de 101 até 499 empregados) Pequenas (até 100 empregados) Grandes (mais de 500 empregados)

FIGURA 3.3. Tamanho das empresas. Fonte: ABIMAQ (2007)

De janeiro a abril de 2008, o setor de bens de capital registrou um faturamento 30,3% maior em relação ao mesmo período de 2007, atingindo a cifra de R$ 23,5 bilhões e o consumo aparente (faturamento – exportação + importação) saltou de R$ 20,3 bilhões em 2007 para R$ 28,3 bilhões nos quatro primeiros meses de 2008. O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 86%, com um aumento de 3,3% no período e o número de semanas para atendimento dos pedidos em carteira aumentou 0,8%, passando de 19,3 para 19,4 semanas para seu atendimento (INFORMAQ, 2008).

Em 2007, o setor de bens de capital faturou R$ 61,5 bilhões, dos quais 30% corresponderam às exportações. Apesar dos bons resultados e das perspectivas otimistas, nos últimos vinte anos, a indústria nacional viu reduzir de forma drástica e paulatina o seu poder de competitividade em relação aos demais países do mundo (INFORMAQ, 2008).

Alem e Pessoa (2005) apontam que as principais deficiências encontradas nas indústrias do setor no Brasil são: baixa escala produtiva, maquinário desatualizado, pouco conteúdo tecnológico, falta de certificação para colocação dos produtos no mercado dos países desenvolvidos, estrutura de capital desequilibrada, métodos de gestão ineficazes e estrutura de assistência técnica deficiente, principalmente no caso de exportações. Entretanto, por sua sinergia com as demais atividades produtivas, o setor tem características que o tornam capaz de transmitir modernização e avanço tecnológico para quase todas as cadeias produtivas da economia. Avellar (2008) acrescenta, ainda, alguns outros fatores, que dificultam os países em desenvolvimento a superarem a sua condição de subordinação no mercado internacional como: financiamento e fornecedores de peças e componentes nacionais com baixa tecnologia e qualidade.

Segundo um diagnóstico apresentado pelo governo brasileiro, Avellar (2008) aponta os seguintes gargalos do setor:

- parque de fornecedores de componentes pouco desenvolvido; - baixo nível de automação eletrônica de processo;

- excesso de diversificação de produtos por parte de alguns fabricantes; - verticalização excessiva em alguns segmentos;

- especialização em bens de menor sofisticação tecnológica (intensivos em insumos e mão-de- obra);

- baixo nível de produtividade do trabalho, comparado aos padrões internacionais.

A atual Política Industrial Nacional, lançada em maio de 2008, tem como um dos setores prioritários a indústria de bens de capital. Fernando Bueno, diretor de Competitividade da ABIMAQ (INFORMAQ, 2008), discorreu sobre a importância desta nova política para a competitividade do setor e elencou as seguintes necessidades prioritárias: - estabelecer políticas públicas e estratégias para elevar a posição competitiva da indústria nacional de bens de capital e de suas cadeias produtivas, valorizando as vocações regionais e ampliando sua participação no mercado internacional;

- estabelecer trabalho conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ministério da Fazenda, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Receita Federal;

- melhorar as condições de crédito para estimular a demanda de bens de capital;

- melhorar as condições de financiamentos para a produção de máquinas e equipamentos, incluindo financiamento para melhoria da gestão e projetos de inovação, permitindo a modernização do próprio setor de bens de capital e a conseqüente melhoria de sua produtividade;

- aumentar a inserção internacional das empresas nacionais de bens de capital; - reduzir a carga tributária, estimulando a demanda e a oferta de bens de capital;

- mudança na Lei 8666, para que dispositivos previstos em leis recentes (p.ex: Lei de Inovação e Estatuto das Micro e Pequenas Empresas) possam ser aplicados de maneira a atender seus objetivos;

- combater a concorrência desleal.

A ABIMAQ sugere a criação de pólos de tecnologia regionais (clusters), como tentativa de criar e fortalecer parcerias com institutos de pesquisa locais e empresas localizadas em determinadas regiões. O estado de São Paulo é apontado como um possível

cluster de máquinas agrícolas, máquinas para a indústria de alimentos e de bombas (AVELLAR, 2004).