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Rasjonalitetens begrensning: den kulturelle faktor

Com base em leituras e reflexões e nas informações obtidas, identificamos e construímos, antes e durante a pesquisa de campo, alguns eixos para análise dos dados coletados neste estudo.

Os eixos são, concomitantemente, emergentes com e por meio de leituras anteriores e da e na riqueza dos dados coletados. São construídos com base em regularidades, modelos e temas observados nos dados, os quais são representados por meio de frases-chave que expressam seus teores (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Os autores afirmam ainda que alguns eixos podem emergir na medida em que os dados são coletados, sendo decisivo o desenvolvimento dos eixos para a organização dos dados.

Tomando-se por base leituras e reflexões anteriores, pensamos em alguns possíveis eixos, ainda no mês de abril de 2012 (um mês antes do primeiro contato com a participante), os quais ficaram assim delimitados: “natureza da atividade”; “relação professor-aluno”; “relação professor especialista30-professor de classe31”; “relação aluno-

aluno”; e, “conteúdo escolar”.

No entanto, ao final do mês de agosto de 2012, após duas semanas de observações realizadas nas duas Unidades Escolares (UE) e de posse de informações diversificadas sobre as práticas da participante, refletimos sobre os eixos e realizamos uma nova categorização, também para direcionar nosso olhar nas próximas inserções em campo.

Assim, não pensando ainda em frases-chave definidas, organizamos nossos pensamentos em tópicos, agrupados por afinidades: “práticas interdisciplinares, contextualizadas, que revelam o comprometimento com a alfabetização e o letramento”; “fundamentação teórica e organização da prática” (influências de livros, cursos de formação e outros espaços formativos); “relação professor-aluno”; “intervenção externa” (de inspetores, direção, indisciplina, apoio pedagógico e, sobretudo, das relações entre professor especialista e professor de classe); “dificuldades pedagógicas” (dificuldades da professora especialista e dificuldades de compreensão dos alunos); “dilemas docentes”; “práticas avaliativas” (de que forma avalia); “conteúdo escolar”; “diferenças entre os anos de escolarização” (nesse caso, diferenças entre os alunos); e, “diferenças entre as escolas”.

30 Referimo-nos, em alguns momentos, ao Professor de Educação Básica – II (PEB-II), de Educação Física e de Arte, como professor especialista.

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No início do mês de outubro de 2012, com a pesquisa de campo em andamento, pensamos na síntese desses possíveis eixos e na relação com nossa revisão de literatura. No intento de realizamos esse exercício, os agrupamos da seguinte maneira: “conteúdo escolar”; “natureza da atividade” (tratamento pedagógico dos conteúdos,

estratégias); “natureza das práticas” (concepção de Educação

Física/interdisciplinaridade/contextualização/transversalidade/comprometimento com a alfabetização e com o letramento/competência leitora e escritora/articulação entre as linguagens escritas e gráficas subsidiadas pela linguagem corporal/dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais/aluno-sujeito/professor-mediador); “práticas avaliativas” (quando, como e porque avalia); “fundamentação teórica/organização da prática”; “dificuldades pedagógicas”; “dilemas docentes”; “diferenças didáticas entre as escolas”; “diferenças entre os alunos ao longo dos anos de escolarização”; “intervenção externa”; “relação entre os vários atores do ambiente escolar”; e, “visão da Educação Física nas escolas” (pela direção, coordenação, inspetores, professores, alunos, pais e demais atores do contexto escolar).

Para melhor agrupar os dados, realizamos, simultaneamente, uma atenta leitura dos registros no diário de campo, nas transcrições das entrevistas e nos documentos e os alocamos nos eixos por meio de um cruzamento entre as informações coletadas e conforme as especificidades dessas informações, revelando, desse modo, sobre quais perspectivas teóricas os elementos observados nas práticas foram por nós apreciados. Nesta mesma seção, os dados foram apresentados e analisados.

Consideramos que a forma como organizamos os dados nos eixos contribuiu tanto para explicitar nosso processo de análise quanto para apresentar as discussões resultantes dessas análises. Ademais, promoveu visibilidade à apreciação e ao debate das informações identificadas nas práticas observadas, bem como aos referenciais teóricos por nós adotados. Igualmente, a heterogeneidade das situações de ensino inerentes ao trabalho da participante também contribuiu para a definição dos eixos.

Destas leituras e reflexões, optamos pelo agrupamento de alguns eixos em razão das inter-relações identificadas entre eles. Realizamos tal agrupamento e sintetizamos as ideias principais por meio dos títulos dos tópicos, os quais apresentaram as concepções basilares pelas quais os dados coletados foram alocados, considerando suas especificidades. Sem perder de vista o foco inicial desta pesquisa, assim os delimitamos: “conteúdo escolar”; “natureza das práticas pedagógicas: organização, fundamentação e avaliação”; “dilemas docentes”; “desafios da Educação Física: intervenções, relações e perspectivas no ambiente

escolar”; “diferenças discentes no processo de escolarização”; e, “diferenças entre escolas”.

Não obstante, no exame de qualificação, decidimos por reorganizar os eixos, ficando então, com quatro eixos para análise (com alguns ajustes nos títulos), a saber: “conteúdo escolar”; “natureza das práticas: organização, fundamentação e avaliação”; “dilemas docentes”; e, “desafios da Educação Física na escola: intervenções, relações e perspectivas”, os quais são apresentados no próximo capítulo deste estudo.

Para melhor explicitarmos nossos processos de decisão, o quadro 3, a seguir, expõe, de forma resumida, quais dados foram agrupados em cada eixo de análise, considerando que essas informações se manifestam, de uma forma ou de outra, em todos os eixos, em razão das inter-relações entre eles. A construção deste quadro também nos orientou para a subdivisão dos dados, representados por meio de frases-chaves, dentro de cada eixo, nos quadros-síntese apresentados nas considerações finais desta pesquisa. Além disso, acreditamos que o quadro torna observável, ao leitor, a forma como os dados foram organizados, alocados e analisados.

Quadro 3: Agrupamento dos dados nos eixos de análise

Eixos de Análise Dados

“Conteúdo escolar” O que ensina, como ensina e porque ensina. “Natureza das práticas:

organização, fundamentação e avaliação”

Características das atividades, formas de organização das práticas, diálogos com subsídios teóricos e metodológicos e critérios avaliativos adotados nas aulas.

“Dilemas docentes” Situações dilemáticas, percepções em relação aos dilemas e formas de resoluções.

“Desafios da Educação Física na escola: intervenções, relações e

perspectivas”

Dificuldades pedagógicas e estratégias para superá-las, intervenções externas, relações entre os vários atores e visão da Educação Física na escola.

Em nossas considerações finais, apresentamos, sinteticamente, as discussões sobre e com os eixos e um quadro-síntese para cada eixo de análise. Cada quadro contém os dados alocados em cada eixo, em razão de suas especificidades e inter-relações. As informações contidas são registradas mediante frases-chave. Nesses quadros, algumas informações são suprimidas em virtude das inter-relações e da recorrência dos dados entre os eixos, como, por exemplo, informações relativas às dificuldades da participante, que se manifestam em todos os eixos.

Com o propósito de tornar os quadros mais sintéticos e informativos, subdividimos as frases-chave dentro de cada eixo em cada quadro, considerando quais dados foram alocados em cada eixo, conforme ilustrou o quadro 3. Atribuímos títulos às subdivisões, os quais representam o conteúdo do eixo ao qual pertencem. As frases-chave foram agrupadas de acordo com suas semelhanças (em virtude da natureza dos elementos que apresentaram) e pela correspondência ao subtítulo, estando ainda, de certo modo, em conformidade com o encadeamento das análises realizadas em cada eixo no quarto e próximo capítulo.

Assim, o quadro 4 - “conteúdo escolar” – foi subdivido em “o que ensina”, “como ensina” e “por que ensina”. O quadro 5 - “natureza das práticas: organização, fundamentação e avaliação” - em “características”, “organização”, “fundamentação” e “avaliação”. O quadro 6 - “dilemas docentes” - em “situações dilemáticas”, “como se percebe em relação aos dilemas” e “como tenta resolvê-los”. E o quadro 7 - “desafios da Educação Física na escola: intervenções, relações e perspectivas” -, em “dificuldades e estratégias de superação”, “intervenções externas”, “relações entre os atores” e “perspectivas”.