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2. ARAB FOREIGN AID: VOLUMES, TYPES, AND RECIPIENTS

2.1 A RAB AID VOLUMES OVER TIME

[...] remodelar o padrão das relações sociais é reordenar as coordenadas do mundo experimenta- do. As formas da sociedade são a substância da cultura [...] (GEERTZ, 1989, p.20)

É

consenso entre os especialistas - Adriana Andrade Braga, Raquel Recuero e Alex Primo, entre outros - que as relações estabelecidas na Internet têm como princípios - principalmente - a busca por afi nidades, interesses comuns e a interação social. Princípios que segundo Howard Rheingold são a base de uma Comunidade Virtual e parte dos espaços da rede - listas de discussões; blogs; Orkut - pretende satisfazê-los. No entanto, cabe observar a necessidade de diferenciá- los - dentro do ciberespaço - quando refere-se à sociabilidade.

Sherry Turkle em entrevista a Federico Casalegno (1999) analisa como as pessoas optam por estabelecer víncu- los na Internet ao frequentar - e por vezes criar - espaços não transitórios. Da mesma forma outros optam por frequentar apenas espaços de passagem - ou transitórios - que a pesquisadora exemplifi ca citando as salas de bate-papo. Assim, pontua-se que não é a toda interação na Internet que cabe o entendimento de formação de vínculos ou estabelecimento de uma comunidade virtual. No ciberespaço também existem os contatos propositalmente efêmeros.

Ao acessar uma página na Internet, por exemplo, para informar-se - jornais, bibliotecas, empresas prestadoras de serviços - logicamente é outra a intenção que move o internauta. Ainda que, atualmente, muitos dêem a opção de expressão a quem o acessa, por meio de comentários, não se confi gura a relação de afi nidade ou interação social.

Entende-se que o termo comunidade virtual cabe perfeitamente ao se relacionar - e adotar-se por extensão - o termo pela referência e entendimento de comunidade como algo que:

[...] signifi ca uma vivência em sociedade onde a pessoa [...] tem possibilidade de participar, de dizer sua opinião, de manifestar seu pensamento. [As relações comunitárias] implicam [...] que todos sejam reconhecidos em sua singularidade [...] implicam, também, a existência de uma di- mensão afetiva [...] (GUARESHI, 2002, p.81, p.83)

Este estudo apoia-se na concepção de comunidade como rede de sociabilidade caracterizada por interesses co- muns, sentimento de pertencimento, permanência, ligações emocionais ou afetivas. Como opção estende-se a concepção às comunidades virtuais, conforme Danielle Reule, que também assim o diferencia:

“Este estudo apoia-se na concepção de comunidade como rede de sociabilidade caracterizada por interesses

comuns, sentimento de pertencimento, permanência,

ligações emocionais ou afetivas.”

Na rede, o indivíduo busca pessoas que têm os mesmos interesses, afi nidades e valores que ele, seja nas salas de bate-papo (chats) ou em comunidades virtuais [...] visto que geram sociabilida- de, relações e redes de relações humanas [...]. O mesmo acontece com qualquer blog, site pessoal, fórum de discussão ou ambiente de produção coletiva. Nessa linha de raciocínio [...] dentro de uma comunidade virtual, ainda são pessoas “de verdade” que ali se encontram, mesmo estando fi sicamente distantes e invisíveis, graças à tecnologia.(REULE, 2007)

Pesquisa concluída pelo Instituto Pew Internet, nos Estados Unidos, e divulgada recentemente pela BBC Brasil (2006), ressalta a importância do estabelecimento de redes sociais na Internet, por tratar-se de rede que não depende de territórios defi nidos ou ligações locais. Pelo contrário, os usuários cada vez mais fazem parte de redes espalhadas geografi camente. A pesquisa chama a atenção para o fato de que o estabelecimento das ligações virtuais é a base para o surgimento de uma nova comunidade. Em vez de depender apenas de uma comunidade para apoio social, os usuários - com frequência - ampliam experiências, procuram e relacionam-se ativamente com uma variedade de pessoas e recursos apropriados para diferentes situações.

Chama a atenção e deve ser pontuado - embora não seja foco deste trabalho, porém é elemento importante na discussão proposta - que ainda não há termos e denominações específi cas abrangendo a nova realidade, as novas formas de relações sociais estabelecidas no ciberespaço. Como exemplo, os termos convívio/conviver, utilizados quando se refe- rem às relações nas comunidades. Ambos defi nem o ato ou efeito de conviver, viver em proximidade com outro, compar- tilhar o mesmo espaço (DICIONÁRIO HOUAISS, 2001). Parecem ser essenciais outras expressões, pois a proximidade física é dispensável para o convívio em uma comunidade virtual. O que deve ser redefi nido? A palavra ou a “coisa”?

Fatores que atuam conjuntamente na sociedade e que causam transformações e/ou alterações nas relações so- ciais podem ocasionar o surgimento de novas possibilidades e formas de contatos sociais.

O ciberespaço hoje reorganiza - democratiza? - as relações sociais por prescindir do local físico e, em consequ- ência, do contato físico entre as pessoas. O ciberespaço reordena o espaço social, nele desconstrói-se a noção convencio- nal de lugar material como se conhece e também se rompe a noção do tempo de sucessão cronológica. Nele, as distâncias são transpostas em tempos “imediatos” e as relações se pautam pelo tempo da interação.

Os velhos já constataram a importância do recurso e apropriaram-se da ferramenta, estabelecendo relações no Orkut, criando blogs, comunicando-se pelo correio eletrônico. O velho expõe-se no ciberespaço, faz parte e integra redes sociais na Internet, se conecta com pessoas e forja novos laços sociais. Embora ainda marcados por estereótipos, vistos como excepcionalidade ou encarados como raridade, os velhos fazem uso e estabelecem relações sociais pela Internet, como mostram os exemplos dos blogs pesquisados.

“Fatores que atuam conjuntamente na sociedade e que causam transformações

e/ou alterações nas relações sociais podem ocasionar

o surgimento de novas possibilidades e formas de

A análise dos blogs recai sobre os posts, publicados pelo blogueiro; sobre os comentários, publicados por quem acessa o blog e, também, sobre os posts e comentários de blogs relacionados - os nós - que conectam essa rede45 de socia-

bilidade.

Registram-se alguns elementos observados na escrita/discurso - posts e comentários - considerados relevantes, para caracterizar a ação do velho no ciberespaço e perceber a nova sociabilidade:

• A apropriação e autonomia na utilização desse espaço de forma particular e distinta para cada um; • A visibilidade propiciada pela Internet, visibilidade do velho e consequentemente da velhice; • Interação social e a possibilidade de troca afetiva;

• Espaço de aprendizado e troca de informações.

Cada uma das características surge compondo um cenário de formas e potencialidades, distanciando-se dos modelos tradicionais de comunicação e de sociabilização. Apreendidas, particularmente pelo velho, demonstram sua potencialidade de inserção e promotor de transformações sociais. Na análise desses elementos, discute-se se podemos entender - ao olhar-se para essas comunidades - a proposta de uma nova forma de se vivenciar a sociabilização.

Castells assinala:

A comunicação consciente [...] é o que faz a especificidade biológica da espécie humana. Como nossa prática é baseada na comunicação, e a Internet transforma o modo como nos comunica- mos, nossas vidas são profundamente afetadas por essa nova tecnologia da comunicação. Por ou- tro lado, ao usá-la de muitas maneiras, nós transformamos a própria Internet. Um novo padrão sociotécnico emerge dessa interação (CASTELLS, 2003, p.10).

O autor evidencia como a dinâmica de relações entre os planos da tecnologia, da sociedade e da cultura - como exemplo, a Internet modificando as formas de comunicação e, ao mesmo tempo, sendo transformada pela ação do homem - abre espaço para o aparecimento de outros padrões - diferentes do inicial - em um movimento contínuo de interação e transformação.

A atuação do velho não se faz de forma isenta de pretensão. O velho opta por criar seu espaço, opta por comu-

45 Por ser uma rede um

conjunto de nós interco- nectados, usa-se essa ex- pressão para uma visua- lização, possível, das relações entre os blogueiros.

nicar-se e estabelecer essa convivência, opta pela escolha do discurso que transpõe para a rede. A Internet possibilita - apesar do controle exercido por conglomerados e outros - um espaço de experimentação importante. Em uma socie- dade tão repleta de contrastes, a Internet é apenas mais uma expressão das contradições, e cabe aos homens destiná-la e transformá-la, como propunha Milton Santos (2006, p.174):

Na sua forma material, unicamente corpórea, as técnicas talvez sejam irreversíveis, porque ade- rem ao território e ao cotidiano. De um ponto de vista existencial, elas podem obter um outro uso e uma nova signifi cação. (grifo nosso)

O que os blogs podem contar?