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2. KRAFTSYSTEMET, OPPBYGGING OG REGULERING

2.2 R EGULERING

Apresentaremos uma análise discursiva das manchetes e chamadas dos textos jornalísticos12 (prioritariamente de notícias e reportagens), sempre relacionada com o texto em

toda sua constituição.

Verificaremos como se inscreve o sujeito da enunciação jornalística a respeito dos diversos temas que de algum modo aparecem vinculados enunciativamente ao estado do Pará. Assimiladas ou não ao que diz esse sujeito, veremos também as demais posições sujeito mais ou menos materializadas nos enunciados, tanto das manchetes e chamadas quanto dos textos como um todo. Então, para além da enunciação, da posição do jornalista, quais posições se manifestam nos textos, quais seriam esses sujeitos?

Também estudaremos como se relacionam internamente os enunciados que articulados produzem as manchetes; a relação de sentido entre as chamadas e as manchetes. A partir dos

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A classificação do gênero se faz secundária pelo fato de adotarmos o ponto de vista de Chaparro, trazido por Navarro-Barbosa (2004a), apresentado na quinta seção deste trabalho. Nesse caso, para além do texto jornalístico ser uma notícia ou editorial, por exemplo, o que importa é evidenciar o caráter informativo/opinativo característico da prática discursiva jornalística.

enunciados das manchetes e chamadas, procuraremos verificar ainda as relações de sentido desses com o texto jornalístico em sua totalidade: os diversos enunciados que produzem um efeito discursivo de unidade temática.

Para verificarmos ainda as relações de sentido entre os vários textos que constituem determinada categoria temática, consideraremos a relação entre os enunciados dos diferentes textos que a compõem. No intuito de atender à problematização proposta por esta pesquisa, ou seja, a busca do discurso do jornal impresso “Folha de S.Paulo” acerca de uma ou algumas identidade (s) paraense (s), procuramos realizar uma descrição/interpretação dos vários enunciados que constituem as diferentes categorias temáticas selecionadas para análise.

Considerando-se também que os efeitos de sentido se realizam pela disposição em que o texto jornalístico aparece na formatação/diagramação do jornal, não deixamos de verificar a localização dos textos na semiologia visual do jornal. Demos, porém destaque para a materialidade gráfica dos enunciados na constituição de cada texto.

Conforme dissemos na descrição metodológica deste estudo, trabalharemos com três eixos temáticos no sentido de se buscar a construção da (s) identidade (s) construída (s) pelo discurso do jornal “Folha de S.Paulo” sobre o estado do Pará. Buscaremos fazer, então, uma descrição/interpretação dos enunciados em sua “irrupção” de acontecimento, considerando-se a regulação de saberes e práticas discursivas.

Analisar os saberes próprios de uma formulação discursiva13 requer verificarmos o

conjunto de formulações linguísticas que se fazem aceitas por uma dada formação discursiva (FD), bem como as excluídas. Pelo domínio do saber a formação discursiva fica delimitada. Tal delimitação, porém, é marcada pela instabilidade, inscrita “entre diversas FD como uma fronteira que se desloca, em razão dos jogos da luta ideológica, nas transformações da conjuntura histórica de uma dada formação social” (COURTINE, 2009, p. 100).

A formação discursiva em que se coloca, por exemplo, a disciplina histórica a ser abordada na próxima seção irá ter seus limites instáveis em conformidade com a perspectiva teórico-metodológica encaixada pelo fazer historiográfico. Esse saber poderá produzir distintos pontos de vistas acerca, por exemplo, do papel do índio na formação cultural paraense.

Pelo interdiscurso, a todo momento, o saber de uma dada formação discursiva estará se reconfigurando, assumindo ou transformando elementos pré-construídos de outras formações, também podendo estar lembrando ou esquecendo elementos comuns à sua própria

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Nos pautaremos para realizarmos a análise do corpus prioritariamente na proposta metodológica de Courtine (2009), dada a estreita relação teórica deste autor com as propostas arqueológicas de Michel Foucault(2008a).

formação. Nesse processo de retomada, um determinado enunciado pode aparecer repetido por uma rede de formulações. Assim, pode ser realizado por diferentes formulações, numa rede vertical de discursos adeptos a uma certa FD.

Partindo-se de um dado, pode-se buscar seu aparecimento numa série de discursos, apresentando-se sob diversas formulações. Também a partir de um conjunto de formulações chega-se a um saber de uma dada formação discursiva. Para que o saber de uma dada formação discursiva se apresente na forma de enunciados independentes do sujeito enunciador, tudo o que se diz pelas formulações que constituem o enunciado apresenta-se como pré-construído, uma “verdade” universal.

É pelo intradiscurso que se realiza a sequencialização dos elementos do saber, em que o enunciado vindo de outros discursos se realiza linearmente sob o modo de formulações linguísticas, iguais, menores ou maiores que a frase. Do plano vertical do interdiscurso o enunciado passa ao plano vertical do intradiscurso, sendo então apropriado por um sujeito enunciador. Relacionando-se o enunciado em sua verticalidade interdiscursiva e horizontalidade intradiscursiva, pode-se chegar a descrever e interpretar um discurso. Também teremos substituindo a noção de “sujeito do discurso” a noção de “forma- sujeito”, a partir da relação entre um dizer geral (um sujeito universal) e o dizer de uma dada enunciação, bem como a partir da relação entre um enunciado que percorre vários discursos e uma formulação assentada no intradiscurso. Enquanto esta última se delimitaria no curto tempo atual de uma enunciação, aquele se faria circunscrito ao tempo longo de uma memória discursiva. Esta compreenderia a “existência histórica do enunciado no interior de práticas discursivas regradas por aparelhos ideológicos” (COURTINE, 2009, p. 105).

Os textos jornalísticos a serem analisados serão descritos e interpretados como sequências discursivas de referência. Assim, se buscará a sequência considerando que sujeito a enunciou, quando, em que circunstâncias e para quem. As sequências discursivas que constituem o corpus construído por este trabalho, por estarem inclusas no meio jornalístico impresso, apresentam uma certa regularidade subjacente a esse meio.

Utilizaremos para denominar as sequências discursivas dos textos jornalísticos a referência determinada pelo “âmbito institucional e as circunstâncias enunciativas dessa produção” (COURTINE, 2009, p. 108). Assim, aparecerão os termos notícia, reportagem, entrevista, coluna, seguindo, como já falamos, uma concepção que implica informação e opinião em todos esses textos. Na análise serão consideradas as manchetes, as chamadas, relacionando-se os seus sentidos à análise de cada texto. Tendo-se ainda em conta a disposição dos textos no jornal, teremos o caderno e a seção.

Assim como se têm as condições de produção de uma determinada sequência discursiva realizada numa leitura intradiscursiva, horizontal do discurso, também haverá as condições em que uma determinada formação discursiva se forma. A formação discursiva de referência se fará numa relação de dissociação com uma diversidade de formações discursivas próximas ou antagônicas. Assim atravessará sob a formação discursiva de referência uma variedade sistemática de condições de produção.

A formação discursiva de referência associa-se às condições de produção de uma determinada sequência discursiva de referência, assim, materializando-se, por exemplo, num conjunto de textos que poderá estar constituindo um discurso nela inserido. Daí se constitui o

corpus a partir de uma plural e contraditória sequência discursiva de referência: uma

dispersão em torno de um ponto.

Desse modo, a análise se fará por entre a dispersão e a unidade, propondo-se interpretar a rede de sentidos em que se inclui uma formação discursiva. Daí se faz importante verificar a relação entre sequências discursivas delimitadas ou não à formação discursiva em referência, no caso, aquela em que se insere o discurso da grande mídia.

Entretanto, não é pela rede dispersa das formações discursivas que se analisa um discurso, mas sim pela disposição dessa rede concentrada no eixo de um conjunto de sequências discursivas referentes a um determinado objeto. Assim, se o propósito maior é analisar o discurso jornalístico, deve-se fazê-lo considerando-se os seguintes questionamentos: Qual o jornal? Quais os textos deste a ser analisado? O que nele será analisado?

Levando-se em conta a relação entre enunciado e enunciação que será bastante ressaltada a partir da análise, um outro aspecto a ser trabalhado será o que Fiorin (2005) chama de debreagem, ou seja, a projeção da pessoa, do espaço e do tempo da enunciação sobre o enunciado. Meios pelos quais as marcas da enunciação ficam ‘disfarçadas’ no enunciado, produzindo um efeito de afastamento do sujeito daquilo que diz. Há recursos linguísticos que retiram a pessoa da enunciação, substituindo-a por termos que irão evidenciar as pessoas do enunciado, no caso, o “ele”. Também podem substituir termos relativos ao espaço do “agora”, tais como aqui, neste lugar, por outros como “lá”, “acolá”, “na semana passada”.

Daremos maior destaque à projeção temporal, pelo fato de ser um dos fatores que mais produz efeitos de sentido no propósito de relatar, aproximar, distanciar, evidenciar, apagar um acontecimento. Então, para um tempo que não é da enunciação, há um tempo do enunciado. Um tempo que não se assimila ao “agora” da enunciação. Relativo a cada tempo antes e

depois do presente da enunciação, ou seja, a algo que ocorreu num passado, anterior ao tempo do dizer ou num futuro, posterior ao tempo do dizer, haverá um valor temporal diferenciado indicando “se um acontecimento é concomitante, anterior ou posterior em relação a um momento de referência presente, pretérito ou futuro” (FIORIN, 2005, p. 61).

Tendo-se como ponto de referência um passado, haverá uma ação temporal concomitante ao que foi dito nesse passado. Referindo-se a um processo acabado, é expresso pela forma verbal no pretérito perfeito14. Caso seja inacabado, virá expresso pelo verbo no

pretérito imperfeito. Ainda relativo ao passado, caso a ação não seja concomitante a esse momento de referência. Caso seja algo anterior ao verbo expresso, estará no pretérito mais- que-perfeito; caso seja posterior, estará no futuro do pretérito.

Quando se tem como ponto de referência o futuro, também teremos relação de concomitância ou não relativa ao que se dirá. Havendo concomitância, teremos o verbo no presente do futuro. Não sendo concomitante, se antes daquela referência futura, marca-se esse valor temporal com a forma do futuro anterior; se depois, virá expresso com o futuro do futuro. Na referência do presente, se terá a forma verbal no presente marcando a concomitância e um acontecimento não concomitante ao presente; se antes, se marcará com o verbo no pretérito perfeito 1; se depois, com o verbo no futuro do presente.

Ainda muito produtiva para nossa análise será a consideração dos três domínios pelos quais uma determinada sequência discursiva se enuncia. Para Courtine (2009, p. 112), pelo domínio da memória “poderemos apreender os funcionamentos discursivos de encaixe do pré- construído e de articulação de enunciados”, ou seja, seria o interdiscurso como um discurso transverso, constituindo-se na condição de produção pelo qual a sequência discursiva se realiza.

No domínio de atualidade, teríamos “um conjunto de sequências discursivas que coexistem com a sequência discursiva em uma conjuntura histórica determinada” (COURTINE, 2009, p. 112). Seriam os enunciados que se ressaltam no próprio discurso em similaridade ou oposição à sequência discursiva em análise. Por último, propõe-se o domínio de antecipação, pelo fato de que uma sequência discursiva antecede a outras, aquelas que estão por vir. “Se existe um sempre-já do discurso, pode-se acrescentar que se terá um sempre-ainda” (COURTINE, 2009, p. 112).

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Segundo Fiorin (2005, p. 61), há dois usos para o pretérito perfeito, um que é dito em anterioridade em relação ao momento de referência presente (pretérito perfeito 1), e outro, em concomitância a um marco temporal pretérito (pretérito perfeito 2).

Então, chamaremos a História como perspectiva discursiva de atribuição de sentidos ao lugar demarcado (ao mapa estabelecido). Pela História buscaremos identidades construídas em percurso de longo período. Dada a similaridade entre o discurso histórico e midiático, por fazerem o passado construir o presente, chamaremos para os enunciados historiográficos de notícias. Assim, seria a enunciação de alguns discursos historiográficos no presente acerca do estado do Pará. “Notícias históricas” que possam em retornos e rupturas dialogar com a enunciação midiática.

3 A ENUNCIAÇÃO HISTORIOGRÁFICA

Pautados na perspectiva foucaultina do poder fragmentado, verificamos que os poderes em circulação na sociedade aderem a vários procedimentos de controle do saber. A mídia produz representações em conformidade com a posição de poder que mais ou menos assume acerca daquilo que fala, buscando, dessa maneira, “estratégias discursivas de manipulação da memória e da história” (NAVARRO-BARBOSA, 2004a, p. 12). Pela mídia ordena-se o que deve estar em pauta, assim fazendo-se lembrado. Por ela também escondem- se eventos de uma realidade construída discursivamente.

Ao assumirmos a ótica de Navarro-Barbosa (2004a, p. 12) em “aproximar o discurso da mídia ao da história, bem como construir seus enunciadores a partir de um lugar que, via de regra, ocupam os historiadores”, traremos também para a reflexão desta seção um olhar memorialístico da história acerca do estado do Pará. Na memória esquecida pelo apagamento de uma história que interessa a alguns contar. Por essa memória, se reflete acerca da mobilidade do poder que se faz na história de uma cultura.

No seu estatuto de disciplina, a História controla o discurso. Esse se faz delimitado em torno de um objeto, de métodos e definições. “A disciplina é um princípio de controle da produção do discurso. Ela lhe fixa os limites pelo jogo de uma identidade que tem a forma de uma reatualização permanente das regras.” (FOUCAULT, 2008b, p. 36).

No entanto, o fazer disciplinar se modifica, tanto pelo lugar em que se coloca o objeto quanto pela posição do sujeito historiador. O que mais se repercute nessa modificação parece ser o método, ou seja, o modo de perceber, delimitar e enunciar o objeto. Daí, pela Nova História, o saber historiográfico se constrói por entre mobilidades atuantes numa permanência, isto ao captar os acontecimentos, em que “para além de seu clarão, a obscuridade permanece vitoriosa” (BRAUDEL, 2007, p. 23).

No destaque do evento, a que muito a história mais tradicional procurava se prender, escondia-se o vivido, forjando-se um cenário para que o cotidiano ficasse submerso. O acontecimento sob o prisma da Nova História se produz não na horizontalidade que o separa no tempo, mas na verticalidade que o atualiza. Busquemos, sem desconsiderar os eventos e individualidades, inscrever a história no acontecimento da produção de uma identidade paraense.

Segundo Le Goff (2003, p. 419), “A memória remete-nos [...] a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas”. A identidade se constrói entre o passado e o

presente, se faz no hoje pelos tecidos de uma memória. Por aí se mobilizam representações imaginárias de uma nação, de uma cultura identificada, por exemplo, a um território geográfico e político.

Na construção de uma identidade cultural, depara-se com uma rede simbólica que se tece por meio do tempo, num redimensionamento da relação entre passado e presente. A memória social histórica tende a se aproximar do passado. De um passado que na visão da teoria do discurso se faz inscrito no presente dos discursos que circulam por entre enunciados.

Nesse caso, podemos evocar o entendimento já encontrado em Aristóteles: “a memória propriamente dita, mera faculdade de conservar o passado, e a reminiscência, a mamnesi, faculdade de evocar voluntariamente esse passado” (LE GOFF, 2003, p. 435). Retirando-se a memória de um pedestal sagrado e por isto conservada num passado, pode-se revelar seu vigoroso sentido para um modo de dizer, uma enunciação necessária ao presente.

3.1 “NOTÍCIAS” HISTÓRICAS PRODUZINDO IDENTIDADES

Ao estudarmos o discurso historiográfico acerca do estado do Pará, nos deteremos em algumas perspectivas discursivas referentes ao modo como se deu a tensa colonização portuguesa nesse estado, já iniciada sob o signo do dúbio (BEZERRA NETO, 1999). Por entre esses pontos de vistas, destaca-se a afirmação de um discurso que evidencia a presença e circulação indígena nessa região, bem como a maior preservação cultural e linguística dessa população. Também daí se verifica uma maior aproximação e mesmo assimilação dos brancos à cultura dos índios do que no Sudeste e Sul do país (RODRIGUES, 1994).

Ainda por esses discursos, demonstra-se a reação do governo português em se promover políticas de desestabilização à cultura nômade do índio como modo de garantir o domínio português sob o extenso e fluvial território amazônico, ameaçado por outros países (SOUZA JÚNIOR, 1999). Daí verifica-se a instituição de estratégias colonizadoras diferenciadas daquelas dirigidas aos negros.

Pelo discurso do historiador, pode-se enfatizar a maior proximidade desta parte do Brasil em relação ao centro administrativo português (RICCI, 2010). Isto considerando-se tanto o aspecto geográfico e os transportes predominantes na época quanto o próprio caráter peculiar da colonização na região amazônica que se mostrava mais complexo aos portugueses. Essa maior proximidade com a matriz portuguesa se coloca como suporte de um outro discurso (não mais na época da colônia), trazido pela escritura do historiador (FONTES, 2002). Seria o discurso oficial da prosperidade do estado do “Grão-Pará”. Esse discurso se

coloca como resposta, “encomendada” aos especialistas, à existência de um divulgado discurso “centralizador” e etnocêntrico do Sul do Brasil em relação a esse estado. No intercruzamento desses discursos, produzem-se identidades do estado: submissão que institui fortes resistências, preservação e transformação, proximidade que produz diferenças e afastamento promovendo proximidades.

Foi no período da unificação da Península Ibérica que se efetivou o início da colonização do estado do Pará, com a fundação da cidade de Belém pelos portugueses no dia 12 de janeiro de 1616. Diante da unificação, o Tratado de Tordesilhas, anterior a esse período, que delimitava se os territórios seriam dos espanhóis ou dos portugueses, perdia sua validade. Assim esses, não se distinguindo dos espanhóis, poderiam ocupar daquela área qualquer parte a que chegassem.

Desse modo, mesmo dividindo-se novamente os países, os espaços ‘conquistados’ permaneciam sob a garantia de cada um. Então: “Foi com a assinatura do tratado de Madrid, em 1750, que a Espanha reconhecera formalmente o direito português sobre a vasta região amazônica anteriormente pertencente aos espanhóis.” (BEZERRA NETO, 1999, p. 14). Dado o reconhecimento, pelo menos por parte da Espanha, da colonização portuguesa sob a Amazônia, vejamos no prisma de um linguista, inserido nas preocupações históricas relativas à colonização, os impactos culturais desse movimento.

Ao tratar da expansão cultural e política da Europa, por onde se constituiu o mundo ocidental, diz Aguirre Rojas (2008, p. 154): “é sobretudo no Novo Mundo, e precisamente durante o ‘longo século XIV’, que se constitui a primeira etapa das grandes incursões da Europa ‘fora de sua casa’, onde se constrói lentamente essa ‘Europa fora da Europa’ por excelência que é o mundo americano”.

Percebe-se o quanto a expansão europeia se fez relevante para a constituição de um paradigma cultural europeu. Isto foi resultante de um projeto de implementação por parte dos europeus de um mercado capitalista mundial. A exploração do metal latino americano se constituiu num vigoroso empreendimento econômico da Europa, liderando uma mediação comercial com o mundo. Esse processo foi determinante na constituição de uma história moderna universal.

No século XVI, o movimento colonizatório empreendido pelos espanhóis e portugueses se fez prioritário. A ocupação europeia provocou uma dizimação das culturas indígenas, ou pelo combate direto dos índios, ou ainda por meio da assimilação da cultura do colonizador. Sobre isto, diz Aguirre Rojas (2008, p. 156):

[…] a América vive esse clima de século europeu na medida em que suas populações autóctones parecem querer ‘desaparecer’ de seu próprio território, deixando o espaço livre para os conquistadores, devido à incapacidade de aceitar o profundo choque traumático dessa conquista européia (sic).

No século XVI, esse movimento colonizador europeu direcionado à América Latina se fez contundente diante das riquezas dos metais dessa parte da América, fazendo-a mais próspera e rica do que a América do Norte, relegada, então, a uma segunda posição. Os espanhóis, estando à frente do projeto de colonização da América Latina, ao estarem cooptados pelos italianos, que se faziam líderes da economia europeia, levaram sua área