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Psykososiale faktorer i forhold til overvekt

Após anos de pesquisa em cognição ambiental e preferência ambiental, Rachel Kaplan, filósofa e doutora em psicologia, desenvolveu, juntamente com seu esposo Stephen Kaplan (Kaplan & Kaplan, 1989; Kaplan, 1995), uma teorização que denominaram de teoria da restauração da atenção (attention restoration theory – ART).

Os Kaplan postularam que, após horas de atenção concentrada, poder-se-ia experimentar fadiga no processo de atenção e a necessidade de descanso para o cérebro. Apesar de moldada pelas temáticas em voga nas décadas de 1970 e 1980, a proposta teórica de restauração da atenção foi influenciada pelos estudos de William James e sua publicação de 1892 (Wells, 2000). James enfatizou em seus estudos e publicação o conceito de atenção voluntária e atenção involuntária; no entanto, não incluiu nesses estudos a possibilidade de a atenção voluntária ser suscetível à fadiga (Ouellette, Kaplan, & Kaplan, 2005; Wells, 2000). Similar à proposta sugerida na restauração da atenção – ART, Rueda (2009) classifica os processos não conscientes, automáticos, como atenção implícita; e os processos

controlados como atenção explícita ou direta. Utilizamos no texto, como sinônimos de atenção direta, os termos atenção voluntária e atenção concentrada.

Outra contribuição importante foi o estudo de Kaplan (1987) sobre os componentes cognitivos na avaliação ambiental. Esse estudo sugere que muitas decisões humanas são tomadas de modo não consciente. Para o autor, a qualidade da inter-relação de um sujeito com o ambiente está relacionada às ações do indivíduo e aos parâmetros de informação oferecidos pelo ambiente, enfatizando assim as características físicas e as respostas associadas a elas.

Kaplan (1995) argumentou que os indivíduos necessitam de um esforço constante para não perderem o foco de sua atenção direta para algo considerado interessante/importante. Essa luta diária para manter a concentração acaba desencadeando um processo de fadiga. O autor enfatizou que, só no mundo moderno, a divisão entre o importante e o interessante tornou-se extrema, porque, anteriormente, o que era importante para a evolução humana era igualmente interessante ou fascinante por sua própria natureza e, portanto, não necessitava de atenção concentrada.

Parte-se, portanto, do principio da existência de um processo de atenção concentrada e da possível fadiga desta atenção. Posterior, segue o processo que visa a amenizar a fadiga da

atenção. Este implica em um processo de longa duração, no qual o indivíduo pode passar por diferentes estágios ou níveis (Korpela & Hartig, 1996). A restauração da atenção demanda um tempo diferente, para não dizer superior, do que é proposto por Ulrich (1983). Essa

compreensão, por sua vez, enfatiza o ser humano e os acontecimentos após a fadiga da atenção localizados em um determinado intervalo de tempo.

Segundo a ART, a experiência de restauração da atenção pressupõe alguns processos que, na ocorrência simultânea, produzem maior efeito restaurador. Berto (2005), por sua vez, enfatiza que a exposição a ambientes restauradores, quando comparados a outros ambientes, além de restaurar a atenção, estimula o aumento da capacidade de atenção. Kaplan (1995) sugere, como fatores promotores de restauração, os processos: Fascination, being away, extent,e compatibility, aqui traduzidos por fascinação, afastamento, extensão e

compatibilidade.

Esses processos são detalhados em algumas pesquisas (Herzog, Black, Fountaine, & Knotts, 1997; Herzog, Maguire, & Nebel, 2003; Karmanov & Hamel, 2008; Perrin & Benassi, 2009; van den Berg, Koole, & van der Wulp, 2003), apontando tanto para as experiências restauradoras quanto para os ambientes restauradores (Kaplan & Talbot, 1983).

Fascinação é a atenção involuntária, que não exige esforço ou inibição de estímulos concorrentes, que permite ao sistema de atenção fatigada descansar, restaurando, dessa forma, a capacidade de atenção concentrada. O processo de fascinação, basicamente, consiste em permitir que a atenção voluntária se sobressaia à atenção concentrada. A fascinação pode ocorrer em uma diversidade de cenários e situações interessantes, não demanda esforço e pode variar em intensidade com dimensões soft ou hard (Kaplan, 1995).

A fascinação soft é caracterizada por uma intensidade moderada e, geralmente, centrada em estímulos esteticamente agradáveis, que permitem a oportunidade de reflexão, promovendo de maneira mais eficiente à restauração da atenção (Felsten, 2009). A beleza

estética, desencadeadora de fascinação soft, deve gerar uma correlação positiva entre preferência e restauração. Fascinação soft é caracterizada por níveis moderados da atenção “sem esforço” que se agregam aos aspectos relacionados à beleza estética do cenário (Kaplan et al., 1998; Kaplan, 1995). O estudo de Herzog et al. (1997) sustenta a distinção entre fascinação hard e soft, bem como entre os diferentes benefícios restauradores associados à fascinação soft. Fascinação soft é comum em ambientes naturais, como, por exemplo, o pôr do sol, ou o suave balanço dos galhos de árvores ao vento. Com esta exemplificação, sugerimos que o processo de fascinação assemelha-se à proposta de Ulrich (1984), e sua descrição dos ambientes físicos visualmente prazerosos.

A distinção em relação à fascinação hard é que esta aguça a atenção e, geralmente, não permite reflexão. Fascinação hard pode ocorrer ao se visualizar um evento esportivo muito competitivo, por exemplo. Essa forma de atenção não permite alcançar os benefícios mais profundos de uma experiência reparadora, como a fascinação soft, como, por exemplo, a possibilidade de reflexão sobre questões importantes.

Rachel Kaplan e Stephen Kaplan (1989) conceberam que o primeiro processo, fascinação, sozinho, não causa restauração da atenção, sendo necessário um segundo processo, o afastamento.

Afastamento envolve possibilidades geográficas e/ou psicológicas de o sujeito estar afastado do contexto usual, das experiências da vida cotidiana, da necessidade de atenção direta, focalizada. Mas o que parece ser necessário para um ambiente ser restaurador é proporcionar uma sensação de distância aos seus frequentadores, mais conceitual do que física, já que um ambiente novo, ou a novidade, por si só, não é restaurador, mas se torna restaurador caso promova uma mudança nos pensamentos, relacionada ao alívio das pressões e obrigações da vida cotidiana. Na definição da ART, o afastamento apresenta um

ou escape das lembranças das obrigações diárias). Segundo Laumann, Gärling e Stormark (2001), o afastamento aproxima-se mais do componente psicológico de fuga do que do componente de novidade.

A ideia de afastamento proposta na ART apresenta similaridade com o estilo de coping que sugere a distração para proteção cognitiva contra as fontes de perigo, isso é, afastar-se da ameaça, distrair-se, postergando uma ação. Também guarda semelhança com a estratégia de coping de distanciamento e evitamento (fuga).

Um terceiro processo, extensão, torna necessária a imersão em um ambiente físico coerente ou em um ambiente suficientemente planejado para possibilitar exploração e

interpretação, ou seja, um ambiente que possua alcance suficiente para manter a interação sem provocar tédio. Extensão refere-se às propriedades de conectividade e alcance de um

determinado ambiente. Em primeiro lugar, um ambiente restaurador é percebido como um todo, no qual cada um dos elementos está relacionado de forma coerente. Em segundo lugar, é abrangente o suficiente para engajar a mente, porque promete muito mais para explorar do que aquilo que é imediatamente percebido. “│...│ não se refere necessariamente à extensão física, mas envolve o senso de pertença │...│ assim como o conhecimento de que esse ambiente é rico e dá margem à futura exploração” (Alves, 2011, p. 46).

Em nosso entender, os autores incluíram o processo extensão buscando enfatizar as questões ligadas ao tempo e ao espaço, pois tanto a atenção voluntária (fascinação) quanto o afastamento psicológico podem representar apenas estados mentais, portanto, frágeis no que se refere a sua “manutenção/sustentação/duração”. O afastamento geográfico, por si só, não justificaria a redução da atenção. Com a inclusão da extensão, acreditamos que os autores destacam a percepção do ambiente físico, emoldurando as relações cognitivas recorrentes e enfatizando um período de tempo mais longo para os processos de fascinação e afastamento psicológico ocorrerem. Com isso, na descrição de um ambiente coerente ou suficientemente

planejado, os autores sugerem a diminuição do estado de atenção vigilante ou as chances deste ser ou não interrompido, intensificando, assim, as possibilidades do processo de relaxar. Não respondida pelos pesquisadores, está a questão sobre a possibilidade de a extensão contribuir para a causa ou consequência dos processos de afastamento e fascinação.

O quarto e último processo de restauração da atenção é compatibilidade e refere-se à correspondência entre as inclinações e propósitos pessoais e o suporte do ambiente para determinadas atividades e possíveis ações, o que pode evitar o esforço mental exaustivo. Esse processo guarda semelhança com o conceito de affordance, isto é, a relação recíproca entre ambiente e ser vivo, observando a complementaridade (Günther, 2011).

Esse processo salienta o indivíduo e toda sua “bagagem” cognitiva e emocional no processo de escolha, abrindo a possibilidade de compreensão do ambiente restaurador sob a perspectiva de lugar.

O terceiro e o quarto processos, extensão e compatibilidade, fazem referência às características do ambiente que pode promover restauração e bem-estar. Este deve ser

suficiente para possibilitar exploração e ser coerente o bastante para fazer sentido, além de dar apoio à atividade proposta pelo indivíduo, que deve ter inclinação e capacidade para tal atividade. Resulta em um encontro das necessidades e capacidades do indivíduo com o que o ambiente proporciona e possibilita. Para Rachel Kaplan e Stephen Kaplan (1989), quanto mais eficiente esse encontro, maior será o poder restaurador.

Alguns estudos tentam compreender os quatro processos. Laumann et al. (2001) distinguiram o papel dos quatro componentes da ART e, para os autores, o processo afastamento implica em relaxamento. Por sua vez, Herzog et al. (2003) forneceram dados empíricos ao mostrar que os quatro componentes têm eficácias relativamente diferentes como preditores do potencial de restauração. Os autores sugerem que compatibilidade e afastamento são mais poderosos que extensão e fascinação.

Em um dos estudos, Laumann et al. (2001) verificaram que o potencial de fascinação, de afastamento, de extensão e de compatibilidade poderiam ajudar a prever as preferências dos indivíduos por determinado ambiente. A partir de um estudo utilizando vídeos de passeios na floresta, no parque, em áreas próximas ao mar, na cidade e em montanhas com neve, os autores concluíram que as avaliações das características restauradoras dos ambientes

permitem predizer a preferência dos indivíduos, sendo a compatibilidade o processo preditivo mais importante em todos os casos. Em síntese, compreendemos os resultados do estudo de Laumann et al. (2001) como fascinação – fico deslumbrado; afastamento – me afasto;

extensão – me identifico; e compatibilidade – posso fazer as atividades que me agradam; eles predizem preferência ambiental, sendo compatibilidade – fazer o que gosto, o processo mais importante.

Utilizando como base o conceito de ambientes restauradores, foram desenvolvidas diferentes escalas que avaliam os processos sugeridos na ART, como a fascinação, o afastamento, a extensão e a compatibilidade:

Escala de restauratividade percebida (Percived restorativeness scale– PRS) elaborada por Hartig, Korpela, Evans, e Gärling (1997). É utilizada para medir as

propriedades percebidas no ambiente quanto à capacidade de restauração.

Escala revisada da restauração percebida (Further development of a measure of perceived environmental restorativeness) elaborada também em 1997 por Hartig, Kaiser, e Bowler (1997).

Escala de componentes restauradores (Restorative components scale – RCS) proposta por Laumann et al. (2001) sob o argumento de que os quatro itens avaliados são construtos factíveis de serem analisados separadamente.

A escala de autorrestauração (Self-rating restoration scale - RS) proposta por Han (2003) visa medir as qualidades restauradoras do ambiente, levando-se em consideração as questões emocionais, fisiológicas, cognitivas e comportamentais.

Escala dos componentes restauradores percebidos por crianças (Perceived restorative components scale for children- PRCS-C) desenvolvida por Bagot (2004). Após análise fatorial dos itens, Bagot indicou um modelo com os fatores correspondendo à proposta de ART.

Questionário das características restauradoras percebidas (Perceived

Restorative Characteristics Questionnaire- PRCQ), elaborado por Pals, Steg, Siero, e van der Zee (2009), os quais utilizaram como base os fatores propostos na escala de Hartig et al. (1997). Busca investigar as diferentes atrações em um zoológico e a possível relação com a ART. No estudo, a fascinação e o afastamento foram preditores significativos de preferência em relação às atrações, e a compatibilidade não apareceu como um fator separado.

Estas escalas indicam, principalmente, a diferenciação entre os processos sugeridos na ART, e buscam compreender os elementos restauradores e uma possível relação entre

restauração e preferência ambiental.