2 Teoretisk bakgrunn
2.1 Psykogene ikke-epileptiske anfall
O teste de Desenvolvimento de Denver, elaborado por Frankenburg & Dodds, em 1967, tem uma versão mais recente, o Teste de Triagem do Desenvolvimento Denver II (FRANKENBURG, 1994), para triagem de crianças com atraso no desenvolvimento. Ele apresenta 125 itens, distribuídos por faixa etária, do nascimento até seis anos de idade e é considerado de fácil execução. Este teste é acompanhado de um manual de orientações para sua aplicação. É um dos testes mais utilizados na triagem de atrasos, inclusive em nosso país (MAGALHÃES, 1999; MANCINI et al., 2000; SANTOS, 2008).
O Denver II abrange quatro áreas do desenvolvimento: motor fino, motor grosso, pessoal/social e linguagem. O manual do teste mostra claramente a forma de interpretação da marcação e, de acordo com as falhas apresentadas pela criança, poderá ocorrer um resultado normal, suspeito ou anormal.
Nesta pesquisa, o Denver II foi utilizado apenas com as crianças das creches, já que ele não foi adaptado para crianças com baixa visão. Das 31 crianças avaliadas, 20 apresentaram resultado normal e entraram para o grupo controle. Os pais e professores das 11 crianças avaliadas com Denver II, que mostraram alterações, foram avisados e receberam orientações para observá-las mais e estimular-lhes o desenvolvimento.
Das crianças submetidas ao Denver II, uma apresentou troca de algumas letras na fala, mas, mesmo assim, o teste foi considerado normal porque, segundo as instruções do manual, a criança “Passa” no item chamado “fala totalmente compreensível”, se o examinador entender tudo ou quase tudo que ela disse.
4.2.6.5 Avaliação da Visão Funcional
Todas as crianças foram submetidas à Avaliação da Visão Funcional (AVIF–2 a 6 anos), conforme orientações do manual do teste. O termo avaliação da visão funcional, de acordo com a definição de Colenbrander (2003, 2005), é a forma como a pessoa executa atividades relacionadas à visão, o que pode ser avaliado
tanto em um consultório, quanto por informações dos pais sobre o desempenho visual no ambiente rotineiro.
No Hospital São Geraldo, o ambiente foi padronizado para todas as crianças: na frente, parede branca; nas laterais, paredes azul-acinzentadas. Os estímulos que pudessem desviar a atenção foram retirados do campo de visão da criança. Nas creches, a padronização do ambiente foi feita em salas pintadas de cor clara (branco ou cinza), com poucos estímulos visuais e sonoros. Essas condições foram fundamentais na escolha das creches. As medições do nível de iluminamento foram realizadas por um Luxímetro ICEL modelo LD-500, conforme normas do Sistema Internacional de Unidades (FIG.2). O nível de iluminamento na parede situada em frente à criança, nos três ambientes, foi semelhante ao recomendado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas para quarto de criança (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992). Já o iluminamento sobre a mesa de trabalho foi inferior no Setor de Baixa Visão Infantil. Porém, não houve diferença, com significância estatística nas tarefas realizadas sobre a mesa, entre os grupos com baixa visão e sem baixa visão, o que nos permite inferir que esse fator não interferiu nos resultados.
FIGURA 2 – Medição do iluminamento na parede
Cada criança foi posicionada sentada no colo do acompanhante ou sozinha na cadeira, de acordo com a forma que ela apresentasse melhor resposta. Inicialmente, foi explicado que seriam mostrados alguns objetos para verificar como a criança utilizava a visão. Às vezes, foi necessário brincar um pouco de “faz-de- conta” com algum material do teste, para melhor participação da criança.
A Avaliação da Visão Funcional (AVIF–2 a 6 anos) é composta por sete domínios, subdivididos em 47 itens:
1) fixação visual em objetos padronizados (pontuação máxima = 18);
2) seguimento visual de objetos padronizados (pontuação máxima = 28);
3) campo visual de confrontação (pontuação máxima = 12); 4) coordenação olho-mão (pontuação máxima = 20); 5) visão de contraste no plano (pontuação máxima = 36); 6) deslocamento no ambiente (pontuação máxima = 6); 7) visão de cores
(pontuação máxima = 9).
Os objetos do kit são apresentados na Fig. 3.
FIGURA 3 – Objetos do kit da AVIF–2 a 6 anos
Durante a avaliação, foram registradas a presença de postura compensatória de cabeça, presença de compressão ocular, ou lacrimejamento dos olhos, e descrita a situação de iluminação do ambiente (iluminado, semi-escurecido, outro). Para todas as crianças, neste primeiro estudo decidiu-se manter o mesmo nível de iluminação, com as cortinas fechadas e a luz acesa. Ao final, foi efetuada a somatória da pontuação em todos os itens. A pontuação máxima a ser obtida na
Avaliação da Visão Funcional (AVIF–2 a 6 anos) é de 129 pontos. O tempo de duração da aplicação do teste variou de 30 minutos a 40 minutos.
Doze das crianças com baixa visão foram avaliadas pelas duas autoras do teste, para estabelecer a confiabilidade interexaminadores. A confiabilidade de 10 crianças foi também realizada entre a pesquisadora principal e uma acadêmica do nono período de terapia ocupacional, que tinha cerca de três meses de experiência em baixa visão. O objetivo foi detectar se haveria diferença na confiabilidade entre profissionais com ampla e pequena experiência na área de baixa visão. Cabe ressaltar que as duas autoras já aplicavam a primeira versão do teste desde 2002 e, por isso, o treinamento delas fez-se com a aplicação da nova versão, em apenas cinco crianças. A acadêmica, após estudar o manual do teste, acompanhou a realização dele em diversas crianças do Setor de Baixa Visão Infantil, como parte da rotina de atendimento de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Essas crianças não fizeram parte deste estudo. Dez crianças com baixa visão, cujos pais se dispuseram a retornar para repetir a avaliação, foram reavaliadas pela pesquisadora com um intervalo de sete a quinze dias entre a primeira e a segunda avaliação, para estabelecer a confiabilidade teste-reteste.
Nas creches, o teste foi aplicado com a colaboração de uma acadêmica do 10º período de fonoaudiologia, que contribuiu também nas orientações dos professores e pais das crianças com alteração no teste Denver II. A acadêmica também realizou o exame fonoaudiológico de oito crianças da Creche das Rosinhas e destas, duas crianças foram encaminhadas para tratamento o qual foi realizado por uma fonoaudióloga voluntária na própria creche.
Uma das crianças da Creche das Rosinhas, com exame oftalmológico alterado, devido a erro refracional, passível de correção com o uso de óculos, recebeu-os como doação, após o que foi submetida à Avaliação da Visão Funcional (AVIF–2 a 6 anos) já com os óculos. Quando necessária qualquer orientação, os pais dessas crianças receberam retorno pessoalmente ou por contato telefônico.