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%r,D,B; hw"hy> %a;l.m; bCey:t.YIw: aWh %leAh-yKi ~yhil{a/ @a;-rx;YIw

: 22

`AM[i wyr'['n> ynEv.W Antoa]-l[; bkero aWhw> Al !j'f'l.

22. E esquentou [se inflamou] o nariz [a fúria] de Deus [Elohim], pois o que [porque o que] andava [ia] ele, e se postou [posicionou] o anjo [mensageiro] de YHWH no caminho; por satan [como adversário, opositor] a ele [dele]; e ele montado [o que cavalgava] sobre sua jumenta; e [os] dois de seus jovens [dele] com ele.

Ady"B. hp'WLv ABr>x;w> %r,D,B; bC'nI hw"hy> %a;l.m;-ta, !Ata'h' ar,Tew:

23

!Ata'h'-ta, ~['l.Bi %Y:w: hd,F'B; %l,Tew: %r,D,h;-!mi !Ata'h' jTew:

`%r,D'h; Ht'Joh;l.

23. E viua jumenta o mensageiro de YHWH postado [o que se posicionou] no caminho e sua espada [a espada dele] desembainhadaem sua mão e desviou a jumenta desde caminho e andou [foi] pelo campo; e feriu Balaão a jumenta para fazê-la desviar ao caminho.

`hZ<mi rdeg"w> hZ<mi rdeG" ~ymir'K.h; lA[v.miB. hw"hy> %a;l.m; dmo[]Y:w:

24

24. E postou-se [permaneceu] o mensageiro de YHWH em desde esquerda vereda [na trilha de] as vinhas [vinhedos]; parede [muro de pedra] desde daqui [de um lado] e parede [muro de pedra] desde aqui [de outro de pedra].

#x;l.Tiw: ryQih;-la, #xeL'Tiw: hw"hy> %a;l.m;-ta, !Ata'h' ar,Tew:

25

`Ht'Koh;l. @s,YOw: ryQih;-la, ~['l.Bi lg<r,-ta,

25. E viu a jumenta o mensageiro de YHWH e [se] apertoupara [contra] a parede; e apertou o pé de Balaão para [contra] parede; e acrescentou [continuou] para feri-la.

%r,D,-!yae rv,a] rc' ~Aqm'B. dmo[]Y:w: rAb[] hw"hy>-%a;l.m; @s,AYw:

26

`lwamof.W !ymiy" tAjn>li

26. E acrescentou [continuou] o mensageiro de YHWH passar atravessar; e postou-se [permaneceu] em lugar [local] estreito, que não havia caminho para se desviardireita e esquerda.

138

`lQeM;B; !Ata'h'-ta, %Y:w: ~['l.Bi

27. E viu a jumenta o mensageiro de YHWH deitou-sedebaixo de Balaão e esquentou nariz de [e se inflamou a fúria] Balaão e feriu a jumenta com o bordão [bastão].

yKi ^l. ytiyfi['-hm, ~['l.bil. rm,aTow: !Ata'h' yPi-ta, hw"hy> xT;p.YIw:

28

`~ylig"r> vl{v' hz< ynIt;yKihi

28. E [então] abriuYHWH boca a jumenta e dissea Balaão: que fiz para ti, pois me feristeseste[a] três pés [vezes]?

yKi ydIy"B. br,x,-vy< Wl yBi T.l.L;[;t.hi yKi !Ata'l' ~['l.Bi rm,aYOw:

29

`%yTig>r;h] hT'[;

29. E disse Balaão para [à] jumenta: pois [porque] zombastes [ultrajaste] a mim! Se existisse [tivesse] espada na minha mão pois [que] agora te mataria.

yl;[' T'b.k;r'-rv,a] ^n>toa] ykinOa' aAlh] ~['l.Bi-la, !Ata'h' rm,aTow:

30

rm,aYOw: hKo ^l. tAf[]l; yTin>K;s.hi !Kes.h;h; hZ<h; ~AYh;-d[; ^d>A[me

`al{

30. E disse a jumenta para Balaão acaso [porventura] não eu [sou] a tua jumenta que montas [cavalgaste] sobre mim desde a ti [que tu] até hoje [dia este?] Acostumar [acaso estar habituada] acostumar-me [estive habituada] para fazer assim contigo [para ti] assim? E disse: não.

%r,D,B; bC'nI hw"hy> %a;l.m;-ta, ar>Y:w: ~['l.bi ynEy[e-ta, hw"hy> lg:y>w:

31

`wyP'a;l. WxT;v.YIw: dQoYIw: Ady"B. hp'luv. ABr>x;w>

31. E [então] descobriu YHWH os olhos de Balaão, e viu o mensageiro de YHWH postado [o que se posicionava] no caminho, e a espada desembainhada na sua mão; e se inclinou e se prostrou para seus narizes [nos rostos dele].

vAlv' hz< ^n>toa]-ta, t'yKihi hm'-l[; hw"hy> %a;l.m; wyl'ae rm,aYOw:

32

`yDIg>n<l. %r,D,h; jr;y"-yKi !j'f'l. ytiac'y" ykinOa' hNEhi ~ylig"r>

32. E disse para [a] ele o mensageiro de YHWH sobre [porque] que feristea tua jumenta esta três pés [vezes] eis que eu saí para opositor [como adversário] pois fincaste [porque empurrou] o caminho diante [como defronte] de mim;

139

yn:P'mi ht'j.n" yl;Wa ~ylig"r> vl{v' hz< yn:p'l. jTew: !Ata'h' ynIa;r>Tiw:

33

`ytiyyEx/h, Ht'Aaw> yTig>r;h' hk't.ao-~G: hT'[; yKi

33. E [mas] ela me viu a jumenta e se desviou das minhas faces [de perante mim], está[s] três pés [vezes]; talvez [se ela não] se desviasse desde minhas faces [de perante mim] pois agora a ti teria ferido [mataria] e a ela deixaria [faria] viver.

hT'a; yKi yTi[.d;y" al{ yKi ytiaj'x' hw"hy> %a;l.m;-la, ~['l.Bi rm,aYOw:

34

`yLi hb'Wva' ^yn<y[eB. [r;-~ai hT'[;w> %r,D'B; ytiar'q.li bC'nI

34. E disse Balaão ao mensageiro de YHWH errei [trangredi, pequei] não sabia que [estavas] postado (posicionava] para me encontrares no caminho; e agora se parece [foi], mau aos teus olhos, eu voltarei-me [retornarei] por mim..

rb'D'h;-ta, sp,a,w> ~yvin"a]h'-~[i %le ~['l.Bi-la, hw"hy> %a;l.m; rm,aYOw:

35

`ql'b' yref'-~[i ~['l.Bi %l,YEw: rBed;t. Atao ^yl,ae rBed;a]-rv,a]

35. E disse o mensageiro de YHWH para [a] Balaão: vái com os homens e [mas] somente a palavra que eu disser [falar] a ti a ele diráse foi-se Balaão com os sarim [chefes, príncipes] de Balaque.

Segundo alguns estudiosos, a função literária do conto da mula era, talvez, de se

zombar de Balaão. Barton506acredita que: “Deus aqui usa de ironia e humor para com

Balaão. A mula tornar-se sua professora; aquela que vê as coisas de Deus mais claramente do que Balaão.” Safren507 acredita que o “conto da mula” é apenas uma

comparação com o texto de Gênesis, no qual Abraão leva Isaque até o Monte Moriá para sacrifícá-lo, diz ele: “... esta paródia de Balaão foi propositalmente modelada de forma a evocar a comparação, e, ao mesmo tempo, contraste com a vinculação de Isaque.”. Conforme Lasor508, a história de Balaão e a jumenta que fala é contada de

forma muito agradável e deve ter sido uma das favoritas nas tendas e em redor da fogueira no acampamento de Israel. Porém, essa narrativa memorável, de uma jumenta falante, contém uma verdade profunda: “YHWH de Israel é o que está no comando; mesmo um profeta mesopotâmico, ao se encontrar com YHWH, só consegue falar o que

506 BARTON, John; MUDDIMAN, John. The Oxford Bible Commentary. New York: Osfor University Press,

2001. p. 126.

507 SAFREN, Jonathan D. Balaam and Abraham. Vetus Testamentum. Vol. 38, Fasc 1 . Leiden: Brill, 1988.

p.106. pp.105-113.

508

140

YHWH coloca em sua boca”. Ska509 acredita que existe alguma interferência

redacional, principalmente no texto de Nm 22.21b.35b, pois destaca o célebre episódio da mula que fala com Balaão, usado para explicar o aconselhamento de YHWH para que Balaão pudesse ir ver Balaque e, posteriormente, YHWH se enche de cólera contra Balaão. Para Ska, existe uma interpolação que contém uma variante sobre a missão do adivinho. Assim, para ele, é claro que houve um aditamento de conteúdo.

Já foi observado que, Nm 22.22 declara como YHWH ficou enfurecido com Balaão que estava acompanhando as pessoas enviadas por Balaque mas que não são identificadas no texto, chamados

~yvin"a]h'

“os homens”. Nm 22.35a, parece que contradiz diretamente Nm 22.20, onde foi dada a permissão para acompanhar “os homens”

~yvin"a]h'

. Para além destas contradições, o conto ridiculariza Balaão: O clarividente observador não pode ver o que sua jumenta via!

Há, portanto, uma lógica considerável para a abrangência que muitas vezes se expressou que o autor do conto da jumenta aprovou a referência negativa de Balaão, que pode ser entendida a partir de várias referências bíblicas referente a esse personagem e de algumas outras tradições não bíblicas. Considerando Mq 6.5, em linha com a visão anterior positiva de Balaão que lembra as bênçãos de Balaão sobre Israel, Dt 23.5-6 marca um ponto de retrocesso.

Em uma lei proibindo casamentos com amonitas e moabitas, o texto implica fortemente que, por si mesmo, Balaão procurou amaldiçoar Israel, mas YHWH impediu-o de realizar o seu desejo e converteu suas maldições em bênçãos. Essa visão é ecoada com bastante clareza em Js 24.9-10. Nm 31.8 adota essa avaliação negativa de Balaão e, incisivamente, registra que Balaão foi morto juntamente com os cinco reis de Midiã. Indo mais longe, Nm 31.16 relata Balaão com um plano de desviar Israel, ensinando esse povo a trair YHWH, cortejando homens israelitas para a adoração pagã de Baal-Peor. Js 13.22, na sua revisão da história inicial, também faz questão de registrar o assassinato de Balaão, o qual é chamado

~se_AQh;

“adivinho ou o que augurava”, dificilmente um rótulo positivo na literatura bíblica. E assim, é perfeitamente possível que a narrativa da jumenta seja baseada na avaliação negativa de Balaão

introduzida em Deuteronômio.

509

141 Com base no que foi dito acima, deve ser possível mostrar como o autor deste conto pitoresco, efetivamente, integra sua caracterização pejorativa de Balaão na historiografia primária da narrativa de Balaão, onde Balaão é retratado de forma positiva como um praticante mágico talentoso, que se tornou um devoto de YHWH. Tomando uma sugestão de Nm 22.21, este autor apresenta Balaão andando de jumenta Nm 22.22 e, finalmente, ganhando permissão para acompanhar “os homens”

~yvin"a]h'

em Nm 22.35ª, conforme Nm 22.20. Talvez consciente da ressonância com Gn 22.3, em Nm 22.21, o autor do conto refere-se a dois escudeiros em Nm 22.22. Em Nm 22.35a, o autor retorna o leitor para a situação existente antes do conto começar, de modo que Balaão, mais uma vez, tem permissão para acompanhar os enviados de Balaque, com a condição de, em ressonância com Nm 22.20, que ele só falasse o que o YHWH dissesse.

Czachesz 510declara:

No pensamento judaico rabínico, vários animais têm mentes afiadas e muitos deles são representados com uma profundidade religiosa. Talvez Números 22 seja um sinal de que tais ideias existiam anteriormente no pensamento judeu, da mesma forma como na filosofia grega, só que muitos deles não fizeram seu caminho para os escritos existentes. Mas, mais uma vez, esta questão diz respeito às origensda narrativa Balaão, em vez de sua história de recepção.

Dillard511 comenta que o gênero da passagem de Nm 22.22-35, seria uma sátira e

que a perícope de Balaão é um estilo literário e “são tão artisticamente agradáveis quanto as histórias encontradas em livros bastante estudados como Gênesis”.

No verso 22, YHWH está furioso que Balaão tenha ido com os homens, e colocou seu mensageiro na estrada como adversário dele. Mas é preciso compreender esse ato de

YHWH, já que, como diz o texto, YHWH está com raiva

@a:-rx;YI)w:

“E se inflamou a

fúria de” e a próxima coisa que sabemos é que o mensageiro “se posicionou”

bCey:t.YIw:

na estrada. Em Gn 3.24, Deus ativamente “posicionado ou fez residir”

!Kev.Y:w:

os querubins e a lâmina da espada giratória para impedir a reentrada de Adão e Eva no Jardim do Éden. Nos parece que, como é frequente nas revelações angelicais, a presente

510 CZACHESZ, István. Speaking asses in the Acts of Thomas: Na Intertextual and Cognitive Perspective.

InThe Prestige of the Pagan Prophet Balaam in Judaim, Early Christianity and Islam. Leiden-Boston: Brill, 2008. p.285.

511 DILLARD. Raymond B. LONGMANN III. Tremper. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Vida

142 história é narrada de uma maneira que desfoca as identidades de YHWH e de seu mensageiro divino.

Para Hoff:512

Surgem algumas perguntas quanto ao incidente em que o anjo do YHWH estorvava a viagem do profeta. Mudou Deus de ideia ao permitir que Balaão acompanhasse a segunda delegação moabita quando havia advertido de que não fosse com a primeira? Depois, arrependeu-se Deus de haver-lhe dado permissão e por isso enviou o anjo para detê-lo? A resposta encontra-se em 23.19. Parece que não era a vontade diretiva de Deus que Balaão fosse com eles, mas tão-só a sua vontade permissiva.

A expressão

!j"f'l.

“confrontando-o como

!j'f'

adversário” é reajustado abaixo, no versículo 32, onde lemos: “Eis que eu saí como adversário...” As ocorrências bíblicas primárias do substantivo

‘!j'f'

, cuja derivação é incerta, ocorrem em um contexto militar ou político. Assim, os reis estrangeiros, como Hadade, o edomita (1Rs 11.14) e Rezom o Aramaeu (1Rs 11.23) tornaram-se cada um adversário

‘!j'f'

de

Salomão, que anteriormente havia declarado em 1Rs 5.4: “e paz havia para ele de todos

os lados dele em derredor.” (ATI-2).

Muito provavelmente, as formas verbais e outras relacionadas são denominativas, como é sugerido por Zc 3.1: O Adversário

!j"F'h;w>

(e o adversário) estava de pé ao seu lado direito para difamá-lo. A linguagem da narrativa da jumenta faz que não se defina o substantivo comum

‘!j'f'

com o artigo definido como acontece em Zacarias. e no prólogo de Jó 1.7, nem trata Satanás como um nome próprio, uma característica realmente não atestada na Bíblia Hebraica. Sakenfeld513 afirma:

A narrativa apresenta o papel do anjo como o de “adversário” a Balaão. Por trás do termo “adversário” encontra-se a palavra hebraica !j'f' (satan). Obviamente, isso não é a figura de Satanás conforme o pensamento bíblico mais tarde, uma vez que aqui em Números o anjo é precisamente aquele que representa Deus como adversário de Balaão em vez de agir em oposição a Deus.

A este respeito, a narrativa da mula de Balaão se correlaciona com a linguagem dos livros históricos, pré-exilico, ao invés de com a literatura pós-exílica. O uso do

512

HOOF, Paul. O Pentaeuco. São Paulo: Vida, 2002.p.216.

513 SAKENFELD, Katharine Doob. Journeying With Gos A Commentary on the Book of Numbers. Grand

143 hebraico

wyr"['n>

no sentido de “escudeiro, jovens” é bem conhecida 1Sm 20.38

r[;N:h;

,“o jovem”, 2Sm 9.9

r[;n:ï

,“o jovem de” e 18.15

~yrI['n>

. “jovens”

No verso 23, “o que se posicionou no caminho”

%r<D<B; bC'nI

ressoa com

%r<D<B;

bCey:t.YIw:

“e se posicionou no caminho” no verso 22, uma nuance retomada em Nm 22.31

%r<D<B; bC'nI

, onde o incidente é recontado. O uso da raiz hebraica

@lv

é restrito a desembainhar a espada, exceto para tirar o sapato, como simbolicamente em Rt 4.8

@l{àv.YIw:

. Do comandante divino que confrontou Js 5.13, também é dito:

Ad=y"B. hp'ÞWLv

ABïr>x;w>

“e a espada dele a que desembainhada na mão dele:”.

A raiz verbal

hj'n"

, aqui “desviar”, revela dois aspectos: transitivo e negativo, bem

como uma gama ampla semântica

WyJ'nI

Nm 24.6 “se estenderam”. É como um tipo de

verbo que expressa ação ou processo e que pode ser usado nos tempos simples ou progressivos, que muitas vezes tem o significado especializado de sair da estrada como em Nm 22.26

tAjn>li

, “para se desviar” e Nm 22.33

ht'j.n"

“se desviou”.

Nos versos 24-27, o mensageiro de YHWH parou no caminho estreito das vinhas. O original hebraico

lA[ßv.miB.

“na trilha de” ou “caminho estreito” deriva de

l[;vo

“na

palma da mão ou em concha da mão” pode ter relação com a terra conforme 1Rs 20.10

~yli§['v.li !Arêm.vo rp:[]

“a poeira de Samaria para conchas da mão”. (ATI-2)

Vemos agora, Balaão cercado por todos os lados, o hebraico

rdEG"

designa adequadamente um “muro de pedra”. Entretanto,

rdEïG'

do versículo 24 é substituído por

ryQI+h;

“a parede” no versículo 25. Como Balaão começou sua viagem montado em sua jumenta, provavelmente ele ainda estava no campo, de modo que a jumenta poderia

evitar o mensageiro ameaçador saindo para fora

%r,D,h;-!mi

“do caminho”.Mas, Balaão

procedeu ainda mais impacientemente, ela entrou em um caminho

rc'ê

“estreito”,

através de um vinhedo e limitada em ambos os lados por uma parede de pedra. Nesse ponto, tudo que a jumenta podia fazer era pressionar o

lg<r<ï-ta,

“o pé de” de Balaão contra a parede. Mas o caminho tornou-se ainda mais estreito. Como o mensageiro permaneceu de frente, parando em uma parte especialmente estreita

lA[ßv.miB.

“na

144 trilha de”, onde era impossível a jumenta passar ela então

~['_l.Bi tx;T;ä #B;Þr>Tiw:

“se deitou debaixo de Balaão”.

Quando a jumenta viu o mensageiro de YHWH, ela “se agachou ou deitou-se” sob

Balaão. Esta expressão normalmente conota uma atividade natural de descanso para animais, enquanto eles estão pastando. Embora a única vez que encontramos uma referência a uma mula que se agacha é sob o peso de uma carga, em Êx 23.5. Três vezes Balaão havia atingido o animal, com seu

lQE)M;B;

“com o bastão”. O

lQE)M

de tempos bíblicos era geralmente feito de madeira, Gn 30.37,

!Am+r>[,w> zWlw> xl;Þ hn<b.li

lQ:m; bqo[]y: Al-xQ:)YI)w:

“E pegou para ele Jacó vara de choupo fresca, e de amendoeira”. (ATI-1).

O que está sendo descrito é o movimento progressivo de uma estrada que atravessava um campo, para um caminho por meio de uma vinha, e, finalmente, a uma parte muito estreita do caminho da vinha. Isto sugere que, enquanto os verbos

bC'nI

e

bCey:t.YIw:

que significam “o que se posicionou e se posicionou” o hebraico

dm;['

significa “para deter”, não “ficar”, no sentido usual. Assim, no versículo 26,

‘dmo[]Y:w

“e

permaneceu” contrasta com

rAb=[]

“atravessar” para seguir em frente, passar. Em outras

palavras, o mensageiro seguiu em frente e depois parou num lugar estreito. Esta é a

conotação do hebraico

dm;['

em algumas passagens bíblicas e pode, de fato, ser o seu

sentido primário como em Gn 30.9

hd"Þm.['

, “cessou” (Êx 33.9)

dWM[;

“e permanecia” e

Js 10.13

dm'['

, “permaneceu”. Com efeito, o mensageiro levou Balaão para uma

armadilha, um beco sem saída, a um ponto onde um confronto era inevitável. Balaão era um homem literalmente em uma situação difícil e impedido de avançar. Ele, sem dúvida, pensou que sua jumenta estava sendo teimosa.

Nos versos 28-30 temos o diálogo entre a jumenta e seu dono. É intrigante, não só fenomenologicamente, mas por causa do que a jumenta não diz. Ela não informa a Balaão a respeito do porque ela estava se comportando daquela maneira, mas sim apelando a gratidão de Balaão por seu longo serviço para ele; coube ao mensageiro esclarecer a situação. Quando o YHWH abriu a boca da jumenta, ela pode falar, o que significa dizer que, embora a jumenta sempre possuiu uma boca, ela não possuía o poder da fala, até que o YHWH dotou-a com ela. Como está escrito em Êx 4.11: “E

145

disse YHWH a ele: Quem pos boca ao homem?” (ATI-1). A raiz verbal

xtp

“abrir”,

tem uma conotação reforçada, que fala de habilitação. O discurso vem naturalmente para os seres humanos, mas não, é claro, para os animais, que recebem esta faculdade excepcional em fábulas. A capacidade dos seres humanos e animais de conversar uns com os outros também é algo fabuloso. Harris explica: “Finalmente, a frase “abrir a boca” é aplicada também a coisas não humanas a) uma caverna, Js 10.22; b) a terra, Nm 16.32; 26.10; c) uma mula, Nm 22.28.”514

Alonso Schökel515diz que: “Animais que vêem segredos e falam são personagens

frequentes nos contos: o AT. nos oferece dois exemplos: a serpente do paraíso e a mula de Balaão”

O pronome demonstrativo

hz<ß

(hebr.esta) tem força enfática, como se dissesse: “Até agora, todas as três vezes”. conforme Gn 27.36

~yIm;ê[]p; hz<å ‘ynIbe’q.[.Y:w:¥ bqoª[]y:

“...Jacó, e me ludibriou este duas vezes”. (ATI-1). O hebraico

~yli(g"r> vl{ïv'

“três vezes” ocorre somente em Êx 23.14

~yliêg"r> vl{åv'

, onde também significa “três vezes”, essa expressão rara é substituída mais adiante em Êx 23.17

~ymiÞ['P. vl{ïv'

“três vezes” em relação a peregrinação anual diante do YHWH mas é considerável que o vocábulo

~[;P;

, no sentido de “tempo”, também deriva do significado “batido com o pé” como

ym;ê['P.-@k;B.

“com a sola dos meus pés” em 2Rs 19.24. Harris conclui: “

~[;P

pa‟am. Pé, bigorna, vez/vezes. Esse substantivo ocorre 117 vezes no AT, geralmente com sentido de “vez/vezes”, “ocorrência”. Quando pa‟am significa “pé”, pode referer-se a: 1) o pé humano Sl 58.10516: 2) passo(s) ou pegadas(s) Sl 17.5517 : 3) base ou pedestal de estrutura Êx 25.12; ARA: “canto”.518 Certamente o uso repetido de uma expressão

idiomática conhecida em outra parte apenas no contexto de festivais anuais de peregrinação não é uma coincidência na narrativa da jumenta. Essa repetição pode possivelmente, aludir à percepção pelo autor que a jornada de Balaão foi uma missão

514 HARRIS, R.L. Dicionário internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.

p.1251.

515 ALONSO SCHÖKEL, Luis. Pentateuco II Levítico, Números, Deuteronomio. Madrid: Cristiandad, 1970. P.

211.

516

Bíblia de Estudo NTLH. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008. p. 542.

517 A Bíblia Viva. São Paulo: Mundo Cristão, 1989. p.520.

518HARRIS, R.L. Dicionário internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.

146 empreendida por ordem divina, ou com o endosso divino. Este pensamento ganha uma sutileza no versículo 32, a seguir, com a explicação do mensageiro em relação a sua postura de confronto, explicando que a sua “missão”

%r<DB;

“no caminho” estava exercendo pressão sobre a jumenta. Assim, tanto Balaão quanto o mensageiro partiram em suas respectivas missões: o mensageiro relembra Balaão do mandamento de YHWH de só falar o que Ele permitisse falar, assim Balaão iria frustrar os planos de Balaque, pronunciando bênçãos sobre Israel.

Balaão, em sua falta de percepção, acusa a jumenta de ultrajá-lo, acrescentando que se ele tivesse uma espada a mataria. A forma verbal

T.l.L;Þ[;t.hi

“ultrajaste” normalmente conota tortura física ou mutilação como algo infligido por um inimigo Jz 19.25

Hb'-WlL.[;t.YI)w:

, “e abusaram dela” 1Sm 31.4

ybi-WlL.[;t.hiw>

. “e ultrajem a mim” O sentido preciso de

yTin>K;s.hi !KEs.h;h;(

em Nm 22.30 permanece indefinido. Francisco519 traduz

yTin>K;s.hi !KEs.h;h

como “acaso estar habituada estive habituada” Levine520 entende que:

A utilização do hifil

hT'n>K:)s.hi

no Salmo 139.3 sugere o senso de monitoramento ou controle. É provável que todos os usos verbais são denominativos de

!kESoh;

"mordomo ou agente ou atendente " cf. Isaías 22.15 e

tn<k<+so

“zeladora ou que for útil" cf. 1 Reis 1.2, 4. O termo ‘

tAnK.s.mi

“celeiros” Êxodo 1.11 expressa a mesma noção de controle. Em outras palavras, a forma hifil

!KEs.h

significaria fazer o que o

!kES

faz.

No verso 31, YHWH descobre

lg:y>w:

“Então descobriu” os olhos de Balaão. Para

capacitar alguém para ver o que estava escondido de sua visão, seexpressa pelo verbo

hlg

“descobrir, tirar”, Harris afirma: “quando Deus revelou-se a Balaão, os olhos de

Balaão foram “abertos”, “desvendados” (Nm 24.4,16). Parece que, dessa maneira,