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Prosjektgjennomføring

3 Metoder

3.3 Prosjektgjennomføring

Em relação ao conceito de Alfabetização Científica, Sasseron (2011) defende apresenta que não está completamente concluído e, embora seja muito abordado e discutido na literatura sobre o ensino de Ciências, ainda se mostra muito amplo, às vezes tornando-se controverso, pois há muitas opiniões sobre como defini-lo e caracterizá-lo. De acordo com Sasseron e Carvalho (2013), na literatura estrangeira existe uma variação na expressão que define o ensino de Ciências preocupado com a formação da cidadania e atuação na sociedade. Para definir esses mesmos objetivos para o ensino de Ciências são empregadas palavras que ao serem traduzidas para o nosso idioma podem apresentar outros sentidos.

Os autores de língua espanhola, por exemplo, costumam utilizar a expressão “Alfabetización Científica” para designar o ensino cujo objetivo seria a promoção de capacidades e competências entre os estudantes capazes de permitir-lhes a participação nos processos de decisões do dia-a-dia (Membiela, 2007, Díaz, Alonso e Mas, 2003, Cajas, 2001, Gil-Pérez e Vilches-Peña, 2001); nas publicações em língua inglesa o mesmo objetivo aparece sob o termo “Scientific Literacy” (Norris e Phillips, 2003, Laugksch, 2000, Hurd, 1998, Bybee, 1995, Bingle e Gaskell, 1994, Bybee e DeBoer, 1994); e, nas publicações francesas, encontramos o uso da expressão “Alphabétisation Scientifique” (Fourez, 2000, 1994, Astolfi, 1995). (SASSERON; CARVALHO, 2011, p. 60).

A questão apontada pelas autoras é que a expressão inglesa é traduzida como “Letramento Científico” enquanto que a francesa e a espanhola são traduzidas como “Alfabetização Científica”. Entre os autores de Língua Portuguesa são utilizadas expressões “Letramento Científico”, “Alfabetização Científica” e “Enculturação Científica”. Entretanto, independente da expressão utilizada, as preocupações com o ensino de Ciências são idênticas, visto que pretende um ensino que traga benefícios para as pessoas, a sociedade e o meio ambiente. Sasseron e Carvalho mencionam autores brasileiros que utilizam a expressão “Enculturação Científica”:

...partem do pressuposto de que o ensino de Ciências pode e deve promover condições para que os alunos, além das culturas religiosa, social e histórica que carregam consigo, possam também fazer parte de uma cultura em que as noções, ideias e conceitos científicos são parte de seu corpus. Deste modo, seriam capazes de participar das discussões desta cultura, obtendo informações e fazendo-se comunicar. (SASSERON; CARVALHO, 2011, p. 60).

Enquanto que os pesquisadores nacionais que preferem “Letramento Científico”: Os pesquisadores nacionais que preferem a expressão “Letramento Científico” justificam sua escolha apoiando-se no significado do termo defendido por duas grandes pesquisadores da Linguística: Angela Kleiman e Magda Soares. Soares (1998) define o letramento como sendo “resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e escrever: estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo

como conseqüência de ter-se apropriado da escrita” (p.18). (SASSERON; CARVALHO, 2011, p. 60).

Assim como as autoras Carvalho e Sasseron, neste trabalho está sendo utilizada a expressão Alfabetização Científica baseada no conceito de alfabetização de Paulo Freire:

[... ] a alfabetização é mais que o simples domínio psicológico e mecânico de técnicas de escrever e de ler. É o domínio destas técnicas em termos conscientes. [...] Implica numa auto formação de que possa resultar uma postura interferente do homem sobre seu contexto (FREIRE, 1981, p. 111).

Tendo como ponto de partida o conceito de alfabetização de Paulo Freire é possível o entendimento inicial de que a alfabetização científica não pode estar relacionada com a memorização de leis e equações, assim como o ensino de Ciências não pode estar desvinculado da realidade. Em oposição à memorização e repetição para realização de provas e testes de forma descontextualizada da realidade, Freire nos apresenta a educação como meio para a emancipação e, desta forma:

De uma educação que levasse o homem a uma nova postura diante dos problemas de seu tempo e de seu espaço. A pesquisa ao invés da mera, perigosa e enfadonha repetição de trechos e de afirmações desconectadas de suas condições mesmas de vida. A educação do “eu me maravilho” e não apenas do “eu fabrico”. A da vitalidade ao invés daquela que insiste na transmissão do que Whitehead chama de inert ideas – “Ideias inertes, que quer dizer, ideias que a mente se limita a receber sem que as utilize, verifique ou as transforme em novas combinações” (FREIRE, 1981, p. 93). A partir do exposto, a educação em que Freire acredita diz respeito a um ensino que proporcione a capacidade de compreender, decidir e agir no mundo transformando-o e levando este entendimento para o ensino de Ciências, está relacionado com a identificação dos temas da Ciência no mundo e do seu impacto na vida das pessoas e na convivência em sociedade. Esta linha de raciocínio permite a relação da Alfabetização Científica com o ensino por investigação, já que como exposto anteriormente, o seu desenvolvimento requer a pesquisa, o levantamento de hipóteses, a análise e a relação com as teorias e com o cotidiano. E, neste sentido, Carvalho (2013) apresenta a Alfabetização Científica como cultura científica:

[...] queremos criar um ambiente investigativo em salas de aula de Ciências de tal forma que possamos ensinar (conduzir/mediar) os alunos no processo (simplificado) do trabalho científico para que possam gradativamente ir ampliando sua cultura científica, adquirindo, aula a aula, a linguagem científica, [...], se alfabetizando cientificamente (CARVALHO, 2013, p. 9).

[...] significa oferecer condições para que possam tomar decisões conscientes sobre os problemas de sua vida e da sociedade relacionados a conhecimentos científicos. Mas é preciso esclarecer que a tomada de decisão consciente não é um processo simples, meramente ligado à expressão de opinião: envolve análise crítica de uma situação, o que pode resultar, pensando em Ciências, em um processo de investigação. (SASSERON, 2013, p. 45).

Pode-se, então, definir que a concepção de Alfabetização Científica abarca a formação do cidadão crítico, capaz de reconhecer as questões científicas nos afazeres do seu cotidiano e nas temáticas da sociedade. Uma vez reconhecidas às questões onde a Ciência está envolvida este cidadão alfabetizado cientificamente deve ser capaz de analisar, refletir e se posicionar atuando em defesa de seus interesses e dos interesses de sua comunidade.

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