KS 2 – Ekstern kvalitetssikring
G- prog ProsjektØkonomi
Muhammad Yunus pode ser chamado de pai dos negócios sociais (YUNUS NEGÓCIOS SOCIAIS, 2014). Nascido em Bangladesh, em 1940, Yunus formou-se em Economia pela Universidade de Dhaka em 1960 e obteve seu PhD na mesma área em 1969, pela Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos. Retornando a seu país, no início da década de 1970, identificou que as teorias aprendidas na universidade não refletiam as necessidades de seu povo, que sofria com a fome, a desnutrição, a falta de acesso à água potável, entre outras necessidades humanas básicas.
Ao conhecer uma mulher, Sufia Begum, que vivia com menos de dois centavos de dólar por dia, Yunus descobriu que ela dependia do crédito de agiotas para conseguir bambu, matéria-prima para produzir tamboretes, e que, devido a essa relação, precisava vender seu produto ao próprio credor a um custo inferior ao do mercado. Ela e seus companheiros da comunidade estavam inseridos em um ciclo vicioso gerador de pobreza, do qual não tinham meios para se libertar. Yunus pediu então que uma de suas alunas fizesse uma pesquisa na aldeia para levantar de qual quantia em dinheiro a comunidade precisava para pagar as dívidas com os agiotas e poder começar a comprar a matéria-prima de seus produtos com o próprio dinheiro. O valor, que beneficiaria 42 pessoas, era de 27 dólares. Yunus emprestou essa quantia e a partir dessa experiência, em 1976, nasceu o Banco Grameen, formalmente reconhecido como banco em 1983, o primeiro negócio social.
Yunus afirma ter certeza de que a pobreza e as condições precárias em que vivem uma pessoa são resultado da falta de oportunidades, e não da capacidade do indivíduo, e, para definir os procedimentos do Banco Grameen, disse que fez o oposto do que faz qualquer outro banco (YUNUS, 2011).
Logo após o Banco Grameen, vieram outros negócios sociais, resultados de joint ventures com grandes multinacionais, como o Grameen Danone, Grameen Adidas, Grameen Veolia Waters, entre outros, conforme informações do Quadro 1 a seguir (YUNUS, 2010; YUNUS, 2011).
35
Quadro 1. Empresas Grameen
Problema endereçado Solução oferecida
Grameen Danone
Foods Desnutrição infantil; redução da pobreza.
Iogurte fortificado com micronutrientes acessível; geração de
renda para comunidade local (desde 2007).
Grameen Veolia
Water Água contaminada com arsênico nas zonas rurais. Água limpa por meio de pontos de torneiras nas aldeias (desde 2008).
BASF Grameen Risco de malária em algumas partes de Bangladesh. proteção contra o mosquito (desde Tela duradoura e acessível para 2009).
Grameen Intel Social Business
Uso ineficiente de fertilizantes; falta de cuidados adequados à saúde
materna.
Soluções tecnológicas fáceis de usar (desde 2009).
Grameen Yukiguni
Maitake Pobreza e desemprego. Empregos para a camada pobre pelo cultivo de feijão mung.
Grameen GC Eye Care Hospital
Acesso limitado para tratamento especializado dos olhos para os
pobres.
Exame acessível de cuidados dos olhos e cirurgias para os pobres das
zonas rurais. Grameen Caledonian
College of Nursing
Escassez de enfermeiros e falta de acesso a cuidados médicos entre
pobres e comunidades rurais.
Ensino de enfermagem para meninas carentes (desde 2010).
Grameen Shakti Falta de eletricidade; ambiente domiciliar insalubre. energia domiciliar solar; fogões de Energia limpa (desde 2006) com: cozinha; unidades de biogás. Grameen
Distribution Falta de acesso a produtos básicos nas zonas rurais.
Produtos sociais e de consumo distribuídos porta a porta em áreas
rurais (desde 2011). Grameen Fabrics &
Fashions Pobreza e desemprego.
Emprego para os pobres por meio de produção local de itens como as telas
para mosquitos (desde 2012). Fonte: Social Business Pedia, 2013, tradução nossa
Para Yunus (2010), o negócio social tem como objetivo a superação da pobreza ou a busca de solução para um ou mais problemas ligados à educação, à saúde, à habitação, ao acesso a tecnologia ou a qualquer outro tipo de bem ou de serviço que ameacem as pessoas e a sociedade. Esse tipo de negócio deve ser sustentável e o lucro reinvestido na própria empresa, para sua expansão ou melhoria de serviços ou produtos oferecidos. Além disso, a empresa deve ser ambientalmente responsável, e os seus funcionários devem ter salários de
36
mercado e condições de trabalho melhores do que as empresas tradicionais. A distribuição de dividendos aos investidores não é permitida, uma vez que eles podem receber de volta apenas a quantia investida.
A principal diferença entre um negócio social e um tradicional é a razão da sua existência. No primeiro, o objetivo é atender a uma demanda da população, especialmente de pessoas de baixa renda ou de baixo acesso a determinado serviço ou produto. Em um negócio tradicional, a razão da existência é o lucro, mesmo que o produto ou o serviço oferecido seja benéfico para a população, sendo ela de baixa renda ou não, ou que o motivo de sua existência traga algum tipo de benefício profissional e pessoal para seu dono.
A ideia de Yunus difere das demais perspectivas de negócios com impacto social ou de empresa social (são vistos mais detalhes sobre negócios com impacto social no item 2.3. e empresas sociais no item 2.5.) ao redor do mundo principalmente por não ser permitido distribuir dividendos aos investidores. O autor defende esse ponto baseado em três argumentos:
“moral: é imoral lucrar à custa dos pobres” (YUNUS, 2010, p. 31);
“pragmático: o lucro sempre prevalece sobre as outras prioridades” (YUNUS, 2010, p. 32);
“sistêmico: é necessário criar negócios sociais como uma alternativa claramente definida, separada dos mundos dos negócios e da caridade, a fim de mudar mentalidades, remodelar estruturas econômicas e encorajar novas formas de pensar” (YUNUS, 2010, p. 33).
Yunus afirma ser muito difícil equilibrar a balança da busca pelo benefício social e pelo lucro. Lucrar significa que um montante que poderia ser reinvestido para expandir o negócio ou para melhorar bens e serviços oferecidos às pessoas pobres está sendo alocado apenas em benefício dos próprios investidores, e o critério para definir o montante do lucro prejudica o próprio objetivo do negócio social. Além disso, ao passar por uma dificuldade financeira, a empresa arrisca a qualidade do serviço ou do produto oferecido à população com o objetivo de manter o lucro, mesmo que ele seja mínimo. Muhammad Yunus afirma que, em época de crise, um CEO pode se confrontar com estratégias contraditórias e deparar-se com condições difíceis para manter uma empresa lucrativa aos seus acionistas e que, além disso, gere bem-estar social. O impacto social não deve ser comprometido, e, na busca do lucro, provavelmente a qualidade ou custo do produto serão alterados para manter a lucratividade.
37
1. O objetivo do negócio é a superação da pobreza ou de um ou mais problemas em áreas como educação, saúde, acesso a tecnologia, meio ambiente, etc., que ameaçam as pessoas e a sociedade – e não a maximização dos lucros.
2. A empresa alcançará a sustentabilidade econômica e financeira.
3. Os investidores recebem de volta apenas o montante investido. Não se paga nenhum dividendo além do retorno do investimento inicial.
4. Quando o montante do investimento é recuperado, o lucro fica com a empresa para cobrir expansões e melhorias.
5. A empresa será ambientalmente consciente.
6. A força de trabalho recebe salários de mercado e desfruta de condições de trabalho melhores que as usuais.
7. Faça-o com alegria!14 (tradução nossa).
Figura 2. Sete princípios básicos para iniciar um negócio social
Fonte: Yunus Centre
Os negócios sociais no modelo de Yunus prezam por salários competitivos e por melhores condições de trabalho em comparação com as empresas tradicionais, pois um negócio social não pode ser gerido com o risco de causar um problema social.
Todos esses elementos caracterizam o negócio social do tipo I (YUNUS, 2010). Há também o negócio social do tipo II (YUNUS, 2010), representado por empresas comuns
14 Disponível em: <http://muhammadyunus.org/index.php/social-business/seven-principles>. Acesso em: 5 jan.
38
desde que os proprietários estejam em condições vulneráveis. Nesse caso, o lucro gerado apoia essas pessoas e as ajuda a se livrar da pobreza e/ou exclusão social. Os produtos ou serviços oferecidos por essas empresas disputam igualmente com empresas tradicionais a produção ou execução de qualquer produto ou serviço disponível. De acordo com Yunus, no negócio social do tipo II, “os bens e serviços produzidos poderiam ou não criar um benefício social. Na realidade, o benefício social por esse tipo de empresa emana de sua propriedade” e “qualquer benefício financeiro gerado pelas operações da empresa ajudará os necessitados” (YUNUS, 2008, p. 42).
No Brasil, em outubro de 2013, a cidade do Rio de Janeiro foi certificada como a primeira capital de negócios sociais da América Latina, com a presença de membros do governo e do Yunus Social Business (YSB). Como resultado dessa certificação, foram criados uma plataforma para atrair investidores e, em fevereiro de 2014, um fundo de investimento para microempreendedores de favelas pacificadas, com estimativa de cinco milhões de reais em três anos (PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO, 2013).
Em relação à academia, em 2013, em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), localizada em São Paulo, foi fundado o Yunus ESPM Social Business Centre, com o objetivo de estimular empresas e indivíduos a adotar o conceito e as oportunidades de negócio social, tendo como princípios:
Missão: estimular empresas, indivíduos e estudantes a promover negócios que atuem na resolução de problemas sociais.
Visão: fomentar negócios vinculados ao desenvolvimento social.
Valores: unir o espírito empreendedor ao compromisso social; dar igualdade de oportunidade para todos; apoiar a liberdade de mercado e a livre iniciativa empresarial; estimular o uso consciente de recursos naturais (ESPM).