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3. Industrial production of bumpers and bumper beams: creating the Economy*

3.1 Setting the stage: a presentation of the story behind the relationship and the bumpers

3.3.1 Production of bumper beams in 2006 44

É possível datar a proximidade entre sociedade e informação como objeto da atenção sociológica? Os já mencionados trabalhos da escola de Frankfurt (de Adorno e Horkheimer, em especial) constituem uma curiosa revisão da questão da formação ideológica na Europa das revoluções tecnológicas da “distribuição informativa”. Tomando a leitura de Marx sobre os desprendimentos e ações de classe na construção de ideologias divulgadas por diversos meios (jornal, escola, arte), Adorno costura um novo conjunto de problemas destacados – a saber, as formas por meio das quais a informação e a cultura em seu sentido mais amplo, são difundidas e replicadas no mundo da massificação e mercantilização dos discursos e dos produtos. Seu conceito de “indústria cultural” trará a reboque uma crítica contundente aos caminhos políticos da produção cultural moderna, instituindo uma linha de pesquisa e reflexão sobre o tema da informação (e da desinformação) típica do corolário burguês mecanizado e globalizado do momento histórico vivido pelo autor (ADORNO, 2009).

As possibilidades técnicas de reprodução massiva da cultura como mercadoria, alicerçadas nos interesses econômicos da indústria e das elites industriais-financeiras, impulsionou, nos fins do século XIX e começo do XX, uma nova etapa de conformação e estabilização da ideologia do consumo, aponta o mesmo Adorno. A cultura – onde a arte e o imaterial em geral pode ser aglutinado – passa a ser tratada, com cada vez mais “profissionalismo”,

como mais uma mercadoria no todo produtivo das forças sociais de então. Como tal, passam a ser julgadas e valorizadas mediante a capacidade de manutenção de seu próprio sistema de valores e trocas, atuando como mecanismo adcional de semi-informação (“hallbildung”). A premissa de que a arte contemporânea e a cultura de forma mais ampla estava sendo gestada e operacionalizada por um mercado de difusões plenamente interessado na venda irrefletida e semi-informante de conteúdos superficiais e apartadores do real, marca a lógica interpretativa e as conclusões dos teóricos alemães desta linha. Eles invocaram, ali, a máxima de uma dialética renovada: uma amplicação do materialismo invertido, onde as relações de produção cultural também carecia de ser observada através das lentes de exame da dominação, da exploração e da socialização alienante.

A noção de que os movimentos da modernidade industrial tem profunda ligação com a industrialização e massificação de produtos culturais se expressa como uma crítica ao cinema, à música e a inúmeras outras formas de produção e comercialização de artigos voltados para o entretenimento não- reflexivo e, através dele, para a formação de uma massa desatenta para suas próprias circunstâncias políticas. No âmbito de uma realidade onde a capacidade técnica permite a rápida massificação do imaterial – por meio dos novos formatos da comunicação via rádio e mais tarde televisão, a informação passa a ser análisada como parte do largo processo de dominação, própria de uma realidade onde forças sociais disputam o controle do cenário de produção da vida material – e das relações envolvidas nesta produção. Adorno virá representar essa dinãmica crítica, transformando a comunicação e a própria arte, em objeto de estudo de uma sociologia da cultura moderna. É a partir de sua compreensão da lógica do tratamento da informação, na modernidade do século XX, que outros intérpretes (inclusive do mesmo universo teórico) tomarão a comunicação como potencial recorte para a compreensão dos movimentos culturais daquele espaço de mudanças conjunturais e estruturais do capitalismo caminhante. Habermas, Marcuse, Walter Benjamim, Foucault, Baudrilard, estariam entre eles, abrindo caminho para uma visão do público atrelada a um exame de suas linguagens. O que estava em discussão, de modo fundante, era a conexão entre o aparato cultural que estava mudando e

as condições de sua mudança. A escola de Frankfurt, mas também a sociologia francesa advinda dos estudos da linguagem e da formação do conhecimento como realidade social, exploravam experiências de dúvida. Dúvida sobre os elementos componentes da ideologia, conceito tão complexo e de encarnações diversas. Nesse caminho, os estudos sobre poder, informação, percepção do mundo, produção de conceitos e reafirmação de identificações humanas, tará espaço para um recorte muito próximo dos estudos políticos. Parte do jogo de consumos de estilo e definição representados pela modernidade e suas novidades no quadro de “quem somos”, o Estado surgirá no mercado de bens simbólicos que a indústria cultural tem fomentado (id.

ibidem). Ele emerge como agente, objeto e processo de ocupação de

imaginários e passará a ser tratado como acesso empírico às reflexões sobre os modos de determinar o que são pessoas, grupos e necessidades. Foucault talvez seja um dos expoentes mais significativosdesse espectro, uma vez que seus estudos sobre história e poder, apontam as políticas de controle e as reformas médicas e psiquiátricas, como um aparato renovado de separações e hieraquizações. E apesar destas não terem (na leitura do filósofo) uma vida limitada ao Estado, encontram nele uma forma de legitimação e permanência, na medida do mar burocrático e das chancelas documentais que a modernidade passa a produzir e exigir.

A industrialização da cultura e dos modos de comunicação foi inúmeras vezes compreendida ao longo do século XX, por estes e outros autores, como um movimento de acúmulos e de massificação dos signos (BAUDIRLLARD, 2007), atravessado por interesses de produção e por uma fragilidade de reflexão (ADORNO, 1985). Das publicações massivas da imprensa ao advento do rádio e mais tarde da TV, o sentido da cultura como ferramenta de determinação do mundo, da sociedade, do valor e da história passa a ser problematizado, questionado e colocado dentro de um renovado grupo de perguntas: a quem interessa essa nova forma de comuncação e conteúdo? Quem controla a forma cultural moderna? Quais as pautas destas revoluções de produção imagética?

Novamente, o Estado não desaparece aqui, uma vez que ele próprio é alterado pelas novas regras da comunicação e de seu controle. Centro de

operação de tecnologias, uma vez que ligado ás vontades e dramas industriais, o poder público aprende rápido a se valer desses recursos e de imprimir, ao jogo político, uma nova face.

Adentrando, assim, o diálogo imbricado e desigual deste palco e avançando para mais outro momento de desenvolvimento comunicativo observamos a Internet. Ela e, mais precisamente, a representação gráfica das

interwebs, produzidas pela popularização dos programas de navegação, como

o Netscape e Internet Explorer, passa a compor, como já dissemos, mais uma ferramenta de divulgação da imagem pública institucional já nos anos 1990 (LEMOS, 2010). Com a rápida difusão deste meio comunicativo, tanto empresas comerciais como organismos políticos (governamentais ou não) passam a ter posições em sua dinâmica, representadas, basicamente, pelo

site. Em uma definição genérica o site (“sítio”, “local”) pode ser considerado

tanto como uma versão pseudogeográfica de um endereço específico e identificado, como um “cartão de identidade” das instituições, empreendimentos ou órgãos sociais (idem, ibidem). Dessa forma, o advento da adaptação gráfica da linguagem virtual, cria uma nova ambientação para a sociabilidade em termos de divulgação: os sites se configuram, no correr dos anos 1990 e 2000 como a encarnação de uma rede de informações, acessos e definições institucionais variadas (LIMA, 2008).

As transformações da Internet, no sentido de uma maior velocidade de transferência e maior armazenamento digital, configuraram novas formas de socialização do conhecimento no sentido de um conjunto de novos formatos de aquisição da informação pública. A reviravolta tecnológica que precisa ser observada como centro deste campo é a composição de sistemas de bancos de dados capazes de compartilhamentos múltiplos. Ao lado desse dispositivo informacional está o mapeamento facilitado dos “sítios” virtuais e a linguagem não-especializada das orientações de acesso; um esquema pedagógico de exposição dos dados e de exposição das próprias estruturas nas quais estes se alocam que surgiu na forma de um software diferente: o navegador. O aprimoramento da visualização e da iconização das páginas da interwebs reforça este segundo elemento, criando identificações mais facilitadas para o “navegante” leigo.

Nos começo dos anos 1990 o único navegador (web browser) disponível para o público era o Mosaic, criado em 1992. Em 1994, com a percepção de que a World Wide Web poderia ser um recurso de uso global, por pessoas desprovidas de interesses científicos ou de algum modo dispostas a usar a Internet para outros fins, grupos de engenheiros da computação começaram a trabalhar no desenvolvimento do software que daria “rosto” ao mundo on line, aprimorando a relação com a linguagem gráfica desenvolvida alguns anos antes. A empresa americana Netscape, situada no Vale do Silício (proximidades de San Francisco, Califórnia), dá o ponta-pé inicial neste processo de inovação com o lançamento do Navigator um programa capaz de transformar a experiência de acesso a WWW como uma experiência audiovisual mais intuitiva. Estava fundada a dinâmica do “aponte e clique” nos termos da Internet que se tornaria padrão no tratatamento das conexões e conteúdos das redes digitais ao redor do mundo.

Um ano mais tarde a jovem empresa abre seu capital para investimento, tornando-se um dos negócios de mais rápido crescimento financeiro da história ocidental e uma empresa cujo valor de mercado estimado ultrapassava os dois bilhões de dólares. Diante deste crescimento a Microsoft, de Seatle, começa a visualizar a Internet e a WWW como investimento válido e urgente – em termos de capital financeiro e de disputa criativa pelo controle do espaço virtual. O

Internet Explorer é lançado em 1995, juntamente com uma nova versão do Windows e começa uma rápida escalada para a tomada do mercado antes

dominado pela empresa californiana. A disputa por este espaço, contudo, não desapareceria. Como parte integrada dos sistemas de negócios da área de CTI, novos browsers surgiriam para competir com a criação de Bill Gates, criando disputas diversas pelas fatias de consumo de um mercado-raiz (uma vez que era por meio da crescente expansão da WWW que outros negócios surgiam, em rápido crescimento dos montantes envolvidos. Ainda assim, a nova era de comunicação estava fundada, e apesar das diversificações técnicas dos novos programas de navegação, os últimos dezoito anos não romperam com a cultura trazida pelo Navigator e o IE: uma rede de conteúdos audiovisuais interativos em uma interface gráfica menos esotérica. É nesse emaranhado de mudanças de acesso que negócios e instituições passam a

interagir, modificando suas formas de publicação e entrando nos movimentos informativos e de consumo de dados por parte de uma população crescente de usuários das redes em atuação.

É ali, na reinvenção dos acessos de mídia global, que a política passa a incorporar novas demandas e atendimentos, concentrando, tais como as empresas privadas e os grupos civis, um território de exposição que surge com os primeiros sites públicos em meados dos anos 1990 (nos EUA) e no fim daquela mesma década (no Brasil).