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A análise das versões do Modelo de Excelência da Gestão em termos de fundamentos de excelência e critérios de excelência, do período de 1992 a 2016, demonstra o abandono progressivo do uso do termo “qualidade”.

A Tabela 7apresenta a quantidade e o percentual de títulos dos critérios de excelência e dos itens de avaliação em que o termo “qualidade” foi usado em cada versão dos critérios de

excelência. Observa-se, que o uso deste termo foi expressivo na primeira versão em 1992, no entanto foi reduzindo com o tempo até passar a não ser mais utilizado.

Tabela 7 – Citações do termo “qualidade” nos títulos dos critérios de excelência e itens de avaliação.

Versão dos critérios

de excelência avaliação que continham o termo “Qualidade” Títulos dos critérios de excelência e itens de Quantidade Percentual 1992 18 47% 1993 12 37% 1994 10 28% 1995 1 32% 1996 1 32% 1997-2016 0 0%

Fonte: Elaborado pela autora.

O uso do termo “qualidade” nas primeiras versões estava relacionado aos seguintes critérios de excelência: liderança; informação e análise; planejamento estratégico para a qualidade; garantia da qualidade dos processos e resultados obtidos quanto à qualidade. Este foi decorrente de uma visão limitada dessas versões de que o foco dos critérios de avaliação deveria ser de que forma uma determinada organização gera valor aos clientes e atende aos objetivos da qualidade, por meio de uma liderança comprometida com o assunto, de um planejamento estratégico voltado à temática, da garantia da qualidade e obtenção de resultados quanto à qualidade de fornecedores, processos e produtos / serviços.

Adicionalmente, a análise das versões dos fundamentos de excelência e dos critérios de excelência demonstrou que foram sendo incorporados diversos conceitos da lógica financeira no MEG, dentre os quais:

• O aumento do foco na geração de valor para os acionistas, por meio da identificação, análise das necessidades e expectativas dessa parte interessada e da tradução destes em requisitos de desempenho, que são monitorados por indicadores econômico-financeiros, que precisam gerar resultados consistentes. • A exigência do estabelecimento de práticas de governança corporativa, que visam

garantir transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

• A alteração do foco do planejamento estratégico, que inicialmente, deveria ser voltado para a qualidade e passou a focar no atendimento aos requisitos de todas as partes interessadas (stakeholders), incluindo os relacionados aos acionistas. Este

deveria ser resultante da análise do macroambiente que a organização estivesse inserida, do ambiente interno e externo, do setor de atuação e contemplar a gestão de riscos.

• Criação de fundamentos de excelência que enfatizam a necessidade de atender e proteger os interesses das partes interessadas (fundamentos: liderança transformadora, visão sistêmica, geração de valor) e de ser ágil e assertivo na tomada de decisão, necessários em um ambiente financeirizado (fundamento: agilidade).

A análise dos sistemas de pontuação utilizados nas versões do Modelo de Excelência da Gestão demonstrou que critérios de excelência e itens de avaliação, que apresentam conceitos relacionados com a lógica financeira, tiveram um aumento da sua participação relativa no sistema de pontuação, podendo-se citar:

• O item governanaça corporativa, vigente a partir de 2008, representando 36% da pontuação total do critério liderança.

• O critério sociedade relacionado ao princípio de responsabilidade corporativa da governança corporativa, que surgiu a partir de 2003, representando 6% da pontuação máxima dos sistemas de pontuação vigentes a partir deste ano.

• O item processos econômico-financeiros, que foi criado em 2001 no critério processos, que representou 21% da pontuação máxima a ser obtida neste critério nas versões de 2001 a 2005 e 27% nas versões seguintes.

• O critério resultados, que aumentou o seu peso no sistema de pontuação, deixando de representar apenas 18% da pontuação total para representar mais que 45% nas versões vigentes a partir de 1997. Os resultados econômico-financeiros passaram a ser contemplados em um item de avaliação específico deste critério, representando mais de 21% da pontuação total do critério resultados nas versões vigentes a partir de 1998.

No entanto, o critério clientes, que apresenta conceitos da gestão da qualidade, demonstrou uma redução do seu peso nos sistemas de pontuação. Este representou 30% da pontuação total a ser obtida nos sistemas de pontuação das versões iniciais passando a representar apenas 6% da pontuação total nas versões vigentes a partir de 2003.

Vale ressaltar, que o abandono progressivo do uso do termo “qualidade” e da redução da representatividade do critério clientes nos sistemas de pontuação são reflexos da estratégia

utilizada pela Fundação Nacional da Qualidade de alterar a sua identidade que, inicialmente, estava voltada à promoção da qualidade e passou a focar na promoção da excelência em gestão. Isto pode ser comprovado ao se observar à alteração ao longo dos anos da logomarca (Figura 30) e da missão da instituição, que, em 2002, era “promover a conscientização para a qualidade e a produtividade das produtoras de bens e serviços e facilitar a transmissão de informações e conceitos relativos às práticas e técnicas modernas e bem sucedidas de gestão” e, em 2016, passou a ser “inspirar, mobilizar e capacitar as organizações para que busquem, continuamente, a excelência por meio da melhoria na sua gestão”.

Figura 30 - Alterações da logomarca da Fundação Nacional da Qualidade.

Fonte: Elaborada pela autora.

A existência de elementos da gestão baseada na lógica financeira no MEG também foi demonstrada por meio da identificação de temas comuns abordados neste modelo de referência com os existentes em modelos de referência disseminados na lógica financeira, tais como: o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC e os índices de Sustentabilidade (DJSI e ISE).

Além disto, foi verificado que 58% das empresas vencedoras do Prêmio Nacional da Qualidade foram listadas no DJSI e 42% foram listados no ISE. Isto demonstra a coerência das empresas reconhecidas por esses modelos de referência, que utilizam critérios de avaliação diferentes, mas que avaliam alguns aspectos comuns.

4.3 As referências: análise da influência dos elementos da gestão baseada na lógica