3.2 Gjennomgang av sentrale begreper
3.2.1 Pris
A fundamentação teórica de nossa pesquisa está centrada na noção de competência comunicativa, embora particularizemos a competência linguística, como detalhamos na nossa Introdução. Tendo em vista que, no presente momento, estamos nos primeiros passos na direção dessas temáticas, destacaremos aqui alguns autores para nosso estudo.
Inicialmente, faremos uma discussão prévia da noção de competência para a linguística moderna, tomando como base os pressupostos de Saussure, Chomsky, Hymes, Canale e Swain, Canale, Bachman, e Almeida Filho. Passemos a esse ponto.
Dos conceitos saussurianos sobre langue e parole derivam os de competência e desempenho (performance) apresentados por Chomsky (1971). Segundo ele, competência seria o conhecimento da língua; performance ou desempenho seria o uso da língua. Em outras palavras, competência e performance podem ser assim entendidos: conhecimento da gramática da língua e a aplicação desse conhecimento. Chomsky (1971) desenvolve esses conceitos com base na teoria segundo a qual haveria um falante-ouvinte ideal, numa comunidade de falantes completamente homogênea, que conhece perfeitamente sua língua e que, quando aplica este conhecimento numa performance efetiva, não é afetado pelas condições gramaticais não pertinentes, tais como distrações, falta de memória, erros fortuitos, deslocamentos de intenções ou de atenção. Trata-se de uma competência inata da língua, de uma capacidade infinita de produzir e de compreender toda a frase gramaticalmente bem feita na sua língua. Todavia, esta perspectiva teórica nos leva a considerar que todos os falantes de uma comunidade linguística são iguais.
Seu objetivo consiste em descobrir na língua as propriedades universais, relacionando-as com a natureza da linguagem e com o patrimônio inato da humanidade enquanto espécie.
Entretanto, para estabelecer as formalizações necessárias para essa teoria linguística foi necessário abstrair-se de muitas características das comunidades linguísticas e da vida real de seus membros.
Essas questões – centrais em sua teoria – são alvo de controvérsias: a primeira delas diz respeito à palavra competência. Ao expressar conhecimento internalizado ela sugere que a competência (gramática) seja um modelo linguístico-psicológico. Mas a pesquisa em psicolinguística, baseada na premissa de que a gramática transformacional representa a estrutura e a aplicação do conhecimento linguístico, não resistiu às limitações do modelo. Isto porque ao passar do nível da sintaxe da língua para o nível semântico o modelo apresentou inúmeros problemas. A segunda diz respeito ao fato de que, em vez de apresentarem uma competência internalizada (a gramática), os falantes de uma língua, ao interagirem com outros falantes, utilizam-se de várias competências, e não apenas uma, de tipo estritamente psicolinguística.
Antropólogo de formação, Hymes (1984) foi o primeiro a incorporar a dimensão social ao conceito de competência, indo além das formulações de Chomsky ao afirmar que diferentes pessoas têm diferentes comandos sobre sua língua. Hymes utiliza o termo competência comunicativa, que parece apresentar um sentido mais inclusivo: engloba o conjunto inteiro de conhecimentos (linguísticos, psicolinguísticos, sociolinguísticos e pragmáticos), além das habilidades que os falantes devem desenvolver a fim de comunicar- se por meio da língua. Um exemplo é a habilidade para falar apropriadamente em diferentes contextos, para reconhecer diferentes tipos de textos e lê-los adequadamente. Para este autor, o indivíduo demonstra possuir competência se sabe quando falar, quando não falar, a quem falar, com quem, onde e de que maneira.
Deve-se a Hymes igualmente, a ampliação do conceito de competência para incluir a idéia de “capacidade de usar”, unindo desta forma as noções de competência e desempenho que estavam bem distintas na dicotomia proposta por Chomsky em 1965.
O objetivo de Hymes consiste em descobrir as capacidades dos indivíduos, enquanto membros de uma comunidade linguística, em estudar a organização dos recursos de fala que os falantes utilizam e determinar a
relação deste domínio dos meios da fala com a história das comunidades, com o presente e com o futuro da humanidade. Ele estende a análise dos fenômenos de linguagem ao estudo da organização e da utilização dos recursos de fala dos membros das comunidades linguísticas, seus repertórios verbais, seus modos de fala nas situações mais diversas da interação humana por meio da palavra, aproximando os estudos linguísticos de uma perspectiva social e concreta das relações humanas.
A partir do conceito de competência linguística, defendido por Chomsky, qual seja, o da capacidade de produzir e entender sentenças sintaticamente bem formadas que ligam sons a significados, houve uma forte reação de convergência em relação ao conceito de competência comunicativa, na perspectiva sugerida por Hymes, para absorver e alargar a definição de competência linguística chomskyana. A proposta de Hymes é uma adequação do discurso ao contexto social sem se limitar a considerações gramaticais. (ALMEIDA FILHO & EL DASH, 2002).
Com base no postulado por Hymes e provavelmente inspirados por ele, vários autores tentaram conceituar competência comunicativa. Canale e Swain (1980), por exemplo, oferecem um arcabouço teórico para a descrição dos diferentes tipos de competência. O modelo desses autores, revisado por Canale (1983), representou um grande avanço e dominou a área de avaliação de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras durante uma década. O modelo final desses autores inclui quatro tipos de competência, a saber:
a) competência gramatical: implica o domínio do código linguístico, a habilidade em reconhecer as características linguísticas da língua e usá-las para formar palavras e frases;
b) competência sociolinguística: implica o conhecimento das regras sociais que norteiam o uso da língua, compreensão do contexto social no qual a língua é usada;
c) competência discursiva: diz respeito à conexão de uma série de orações e frases com a finalidade de formar um todo significativo. Este conhecimento tem de ser compartilhado pelo falante/escritor e ouvinte/leitor;
d) competência estratégica: sendo a competência comunicativa relativa, estratégias de enfrentamento devem ser usadas para compensar qualquer imperfeição no conhecimento das regras.
Para Canale e Swain (1980), os alunos só adquiririam competência comunicativa se ficassem expostos, de maneira uniforme, a essas quatro formas de competência. O objetivo desses dois autores foi o de transformar o conceito de Hymes, de natureza essencialmente teórica, em unidades pedagogicamente manipuláveis, que pudessem servir de base para uma estrutura curricular e prática de sala de aula.
A noção de desempenho, embutida no conceito de Hymes através da expressão “capacidade de usar”, não aparece no modelo de competência comunicativa proposto por Canale e Swain. A “capacidade para usar” de Hymes corresponde ao que esses autores chamam de desempenho comunicativo, traduzido na realização e interação das competências mencionadas em seu modelo, na produção e compreensão dos enunciados.
Além desses autores, Almeida Filho (1992) se dedicou a essa questão na tentativa de explicitar o que é gerado pelo trabalho comunicativo no ensino e aprendizagem de uma nova língua. Ao definir comunicação como uma forma de interação social, na qual ocorrem demonstrações de apresentação social, conjugadas ou não a casos de construção de conhecimento e trocas de informações, esse autor concebe a comunicação verbal não como um simples processo linguístico. Sendo assim, a considera um processo mais complexo, que exige dos envolvidos uma competência comunicativa que, por sua vez, depende de outras competências e conhecimentos. Dessa forma, a competência comunicativa inclui o desempenho do(s) participante(s), desempenho este dependente do seu grau de acesso aos conhecimentos disponíveis.
Ao conceituar competência comunicativa, Almeida Filho (1992:56) retoma as definições anteriores e as resume de maneira abrangente e objetiva. A decisão de englobar as noções de competência e desempenho sob a denominação de competência comunicativa é eficaz na medida em que se define o lugar do desempenho. Para este autor competência comunicativa é:
Um conhecimento abstrato subjacente e a habilidade de uso não só de regras gramaticais (explícitas ou implícitas) como também de regras contextuais ou pragmáticas (explícitas ou implícitas) na criação de discurso apropriado, coeso e coerente. Esse conceito de competência comunicativa é para alguns teóricos distinto do conceito de desempenho comunicativo, (HYMES,1972) mas o tomamos aqui como englobando tanto competência como desempenho efetivo.
Bachman (1990), entretanto, oferece algo mais do que uma definição para o que seja competência comunicativa; ele apresenta um arcabouço teórico. Parte do modelo de Canale e Swain (1980) e o amplia, na medida em que tenta caracterizar os processos através dos quais os seus vários componentes interagem não só entre si, mas com o contexto no qual o uso da língua se dá, o que caracteriza o uso comunicativo da língua. Vale lembrar que o modelo de Bachman surgiu dez anos depois do modelo proposto por Canale e Swain. Em razão disto, seu modelo é mais completo e sofisticado, pois durante esses dez anos muitas mudanças, pesquisas e discussões aconteceram.
Bachman (1990) afirma que a capacidade para usar uma língua de maneira comunicativa envolve tanto o conhecimento da língua quanto à capacidade de implementar ou usar esse conhecimento. Para ele, competência abarca conhecimentos específicos que são usados na comunicação. O primeiro modelo concebido por Bachman (1990) compreendia os seguintes conhecimentos:
1) Competência linguística: subdividida em organizacional e pragmática;
2) Competência estratégica: relacionada com o conhecimento sociocultural, o conhecimento real do mundo;
3) Mecanismos psicofisiológicos: dizem respeito aos processos neurológicos e psicológicos na real produção da língua como um fenômeno físico.
Este modelo foi, posteriormente, revisto por Bachman (1991) que introduziu algumas alterações. O que ele inicialmente chamava de competência passou a denominar de “conhecimento”, argumentando que o termo competência traz consigo uma grande e desnecessária bagagem semântica, deixando de ser tão útil como conceito. Assim sendo, saber usar uma língua tem a ver com “a capacidade de utilizar o conhecimento da língua em sintonia com as características do contexto para criar e interpretar significados”. Contudo, neste estudo optamos pela manutenção do termo competência, sem tecer juízos de valor a respeito de seus prováveis sentidos.
Em seu novo modelo, Bachman (1991) afirma que usar uma língua pressupõe acessar o conhecimento organizacional e pragmático dessa língua, e empregar estratégias metacognitivas. O conhecimento organizacional determina como textos orais e escritos se organizam, e o pragmático como os enunciados e frases, intenções e contexto se relacionam para produzir significado. O organizacional, por sua vez, se subdivide em gramatical (denominado em seu modelo anterior de competência gramatical, e adotado em nosso trabalho, é relativo a como os enunciados e frases individuais se organizam) e o textual (denominado antes de competência textual, é relativo a como os enunciados e frases se organizam para formar textos inteligíveis). O pragmático se subdivide em: proposicional (que determina como os enunciados/frases estão relacionados); funcional referente às funções da linguagem (determinando como os enunciados/frases estão relacionados às intenções dos falantes); e sociolinguístico referente ao uso da língua (determinando como enunciados/frases estão relacionados às características do contexto). As estratégias metacognitivas compreendem avaliação do falante (determinando o desejo de se alcançar um objetivo e o que é necessário para alcançá-lo); objetivos que pretende alcançar (definindo o que quer alcançar e o efeito no interlocutor); e planejamento que realiza antes de emitir o enunciado em mente (definindo como usar aquilo que tem).
Tomaremos para o embasamento do nosso trabalho os pressupostos teóricos deste autor por considerarmos ser mais abrangente, na medida em que leva em consideração aspectos comunicativos, sociais, psicológicos e
contextuais e por representar um avanço na tentativa de descrever e explicar o que é competência linguística.
Conforme podemos perceber, a competência linguística encontra-se nos níveis lingüístico (na organização formal entre enunciados e frases) e extralingüístico (na união do formal com o contexto de uso), e engendra as estratégias metacognitivas, que se localizam em atitudes do falante para uma boa comunicação. Essa percepção irá nos orientar na compreensão da noção de erro, tema que consideramos importante na nossa pesquisa, pois assim como a competência lingüística, a noção de erro também mobiliza o falante no entendimento do funcionamento de uma língua. Os erros constituem, também, indicadores de aprendizagem e guias de ensino porque permitem ao aluno testar suas hipóteses sobre a língua que está aprendendo, e ao professor permitem observar a evolução do aluno. (CORDER, 1967). Daí a importância de uma discussão sobre erro.
1.3 Os erros e a competência