A expressão e interação oral, como vimos no primeiro capítulo, levanta algumas questões tanto nos alunos como nos professores, uma vez que os estudantes revelam tendencialmente resistência na utilização da L2 e os professores, por seu lado, levantam algumas questões quanto às atividades propostas e a fiabilidade da avaliação da expressão e interação oral. Para perceber o que os alunos sentem ao praticar esta competência, decidiu-se realizar um questionário que nos permitisse perceber quais os tipos de atividades em que os alunos se sentem mais confortáveis e quais os aspetos em que sentem mais dificuldades. (anexos 11, 11.1 e 11.2)
Começou-se por tentar perceber que tipo de atividades os alunos preferiam executar relacionadas com a oralidade. Tanto a turma de 9º ano como a de 10º manifestaram claramente que preferiam trabalhar em pares, em grupo ou momentos de interação com os colegas.
34 Quando questionados sobre as maiores dificuldades que sentiam quando se expressavam oralmente, os alunos do 9º manifestaram sentir mais dificuldades nafalta de vocabulário, por seu lado os alunos de 10º afirmaram sentir mais dificuldades na falta de confiança e fluidez.
Relativamente à última questão colocada, que pretendia perceber quais as atividades preferidas dos alunos, constatou-se que tanto a turma de 9º como de 10º preferiam a dramatização de diálogos, no entanto a turma de 10º também manifestou igualmente preferência na participação de um debate.
Depois da análise dos questionários, conclui-se que a maioria dos alunos preferia atividades que envolvessem uma maior interação do que atividades de exposição oral. Assim, a partir deste questionário e dos seus resultados, a maior parte das planificações tiveram em conta as dificuldades sentidas dos alunos, bem como as atividades de maior recetividade para uma maior participação na execução das atividades propostas. Desta forma, tentou-se criar atividades diversificadas que tentassem satisfazer os interesses manifestados pela maioria dos alunos e que promovessem um desempenho mais natural da L2. Pretendeu-se, assim, transmitir aos alunos que esta competência tem a mesma importância que todas as outras, uma vez que se complementam naturalmente entre si, logo deverá ser vista como algo natural numa aula de L2.
III. 3.2. Atividades desenvolvidas com o 9ºA
A unidade temática Un mundo de tecnologías teve início do fim de novembro de 2015 e teve continuidade ao longo do mês de janeiro de 2016, tendo o mês de dezembro sido dedicado exclusivamente a atividades relacionadas com o natal.
A primeira aula visou introduzir a temática através de uma pré-atividade de
brainstorming, que consistiu na visualização de uma imagem (anexo 12) onde
constavam vários aparelhos tecnológicos. Esta pré-atividade serviu como ponto de partida para a partilha de conhecimentos, levando a um momento de interação entre professora/ aluno. Além disso, proporcionou fazer uma síntese de vocabulário que permitisse um desenvolvimento mais natural do tema ao longo da lecionação desta unidade. Mais tarde, após algumas atividades de vocabulário e de construção verbalno
35 futuro, de acordo com as orientações programáticas da unidade do manual, foi pedida uma tarefa a pares onde os alunos tiveram que imaginar como seria um relógio em 2020.
Para a realização desta tarefa os alunos utilizaram estratégias de expressão oral (López, 2004: 862), uma vez que ao planificar as suas intervenções tiveram o cuidado de prever e ensaiar a forma de comunicar os pontos importantes em L2. Ao longo das suas intervenções aproveitaram todos os conhecimentos prévios que haviam sido abordados, expressaram-se por outras palavras sempre que não conseguiam empregar determinado vocábulo e/ou criaram palavras por analogias. Em caso de dúvidas, pediram a confirmação da professora utilizando gestos interrogativos quando não se sentiam seguros.
Esta tarefa tornou-se bastante desafiante e motivadora, porque para além de ser um tema interessante em geral, proporcionou um momento de criatividade, ao qual os alunos responderam com interesse e entusiasmo, levando a sugestões interessantes e bastante criativas. Os alunos apresentaram oralmente as suas previsões das novas funcionalidades do novo relógio, na maior parte dos casos, utilizando a L2. Esta tarefa foi sempre monitorizada pela professora estagiária, nunca descurando a atenção aos alunos NEE.
Esta atividade foi muito bem-sucedida, na medida em que os alunos revelaram um bom nível de empenho, refletindo-se no entusiasmo com que participaram. A avaliação desta atividade será abordada no capítulo III. 4.
No fim da unidade, foi proposta uma tarefa final a pares de role play e visou, sobretudo, criar um cenário de interação entre os alunos. Além disso, esta atividade permitiu ainda explorar o poder de improvisação e de resolução de problemas, aproveitando simultaneamente para praticar a língua numa situação de comunicação autêntica.
Tratou-se de uma atividade predominantemente comunicativa, cujo objetivo seria garantir que os alunos usassem a L2 para interagir de forma realista, recorrendo à troca de informação e opinião, utilizando o modo condicional, conforme as orientações programáticas da unidade do manual. Outro objetivo seria que cada par demonstrasse através de argumentos sólidos e consistentes que a solução dada era a mais válida e
36 acertada. Neste sentido, foi dado a conhecer à turma três situações imaginárias pela professora, das quais os alunos apenas só podiam escolher uma(anexo 13). Finalizada a explicação da tarefa, com instruções claras e sucintas, tal como defende Ur (1996: 234) e já com os grupos definidos, foi notório o entusiasmo dos alunos que se mostraram muito motivados.
Tal como já se previa, os alunos sentiram-se novamente desafiados e, o facto de ser uma atividade nova e interativa aumentou o grau de participação e dedicação de todos, uma vez que os alunos tinham dedesempenhar o papel de atores neste role play sem o auxílio de qualquer tipo de texto. Apenas foi permitido que usassem imagens projetadas se assim o entendessem, ao longo das suas atuações.
Os grupos começaram por reunir e encontrar soluções/ argumentos que validassem a sua posição e ao longo desta fase, por isso os alunos mostraram-se bastante concentrados e empenhados.Assim,para a realização desta tarefa os alunos utilizaram as estratégias de interação oral (López, 2004: 861), uma vez que ao planificar as suas intervenções reconheceram a importância de serem capazes de se expressar em L2 como forma de satisfazer as necessidades de comunicação e como forma de entendimento entre colegas. Ao longo da planificação revelaram, igualmente, cuidado em enquadrar a situação comunicativa e preparar os momentos de interação.
Ao longo da sua realização, os alunos utilizaram procedimentos simples para começar, seguir e terminar as suas intervenções, tendo tido uma atitude correta de como intervir e tomar a palavra com uma expressão adequada cooperação com os colegas.
Pode concluir-se que as intervenções foram muito imaginativas e criativas por um lado, e bastante inteligentes e sensatas por outro, o que revelou que este grupo estava sensibilizado para refletir e pensar criticamente sobre vários assuntos. Surgiram argumentos muito bem fundamentados e outros inesperados que contribuíram para que toda a turma estivesse com atenção.
É de salientar, igualmente, que os alunos utilizaram corretamente quer as estratégias de expressão quer de interação oral, uma vez que as mesmas serviram para
37 mobilizar recursos e pôr em funcionamento as destrezas de receção e produção ao longo das atividades comunicativas.
A avaliação foi baseada numa grelha de observação (Anexo 14) mas com algumas alterações, na medida em que, desta vez, contemplaram os aspetos da linguagem não- verbal e para-verbal conforme abordados no capítulo I. Os respetivos resultados e análise serão feitos no capítulo seguinte.