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PREVIOUS RESEARCH ON MARKET EFFICIENCY IN THE BALTIC STOCK MARKET

A partir do conjunto de dados obtidos da análise palinológica dos três testemunhos e do estudo de chuva polínica moderna, procedeu-se a análise de componentes principais (ACP). Esta análise teve a finalidade de verificar possíveis correspondências entre a vegetação moderna (registro polínico atual) e as assembléias fósseis identificadas. Para sua realização, considerou-se um conjunto de 34 amostras e 96 taxa (somente os com mais de 1% em pelo menos uma das amostras analisadas). Os dez primeiros componentes principais (CP) somam 90% da variância (Tabela 4.15), sendo que os dois primeiros CPs concentram 58,8% da variância total, mais da metade das informações contidas na matriz de dados.

Tabela 4.15. Valor próprio, porcentagem de variância e variância acumulada para os dez primeiros componentes obtidos pela ACP para os dados da análise palinológica.

CP Valor próprio % Variância % Variância acumulada

1 140,948 43,842 43,842 2 48,1396 14,974 58,816 3 26,1928 8,1472 66,9632 4 18,9904 5,9069 72,8701 5 14,5504 4,5259 77,396 6 12,4513 3,873 81,269 7 9,52919 2,964 84,233 8 7,03019 2,1867 86,4197 9 6,53297 2,0321 88,4518 10 5,42758 1,6882 90,14

Para a representação gráfica dos resultados da ACP (Figura 4.43), elaborou-se um gráfico tipo “biplot”, onde são apresentados simultaneamente os escores e os pesos (neste caso, as amostras e os taxa, respectivamente), sendo os primeiros representados por pontos e os últimos por vetores. Este tipo de gráfico permitiu observar com maior clareza quais os taxa responsáveis pela separação dos agrupamentos de amostras. A inclinação, tamanho e proximidade de cada vetor a um grupo de amostras reflete a importância do

taxon na separação destes pontos.

Figura 4.43. Gráfico biplot de escores e pesos para as duas primeiras componentes principais. As

F = FIG, R= RIA, S= SAN (n° indica a profundidade no testemunho)

CH = chuva polinica POAC = Poacaea

ASTER = Asteraceae tubuliflorae MELA = Melastomataceae/Combretacae PALM = Arecaceae (Palmae)

JUNC = Juncus CYP= Cyperacae MORA=Moraceae ALCH = Alchornea MIMC = Mimosaceae APOC = Apocynaceae RAPA = Myrsine (Rapanea) ILEX = Ilex

SLOA = Sloanea BYRS = Byrsonima MYRT = Myrtaceae

**a lista completa de códigos dos taxa pode ser observada no anexo 14.

Figura 4.44. Coordenadas das amostras em relação ao principal componente 1 (CP1).

O primeiro componente principal (CP1), que concentra 43,8% da variância dos dados, coloca em oposição o conjunto de amostras do testemunho SAN, do lado positivo, das amostras dos outros dois testemunhos, do lado negativo (Figura 4.43 e 4.44). Exceções fazem-se para as amostras S0 (lado negativo) e R10 (lado positivo). Com relação aos dados de chuva polínica, do lado positivo estão as amostras coletadas na restinga arbustiva e arbórea (CH2, CH4 e CH5) e do lado negativo as aquelas coletadas na turfeira próxima ao lago Figueirinha e na transição mata - banhado (CH1 e CH3).

Dentre as amostras do lado negativo do CP1, F60 e F40 distanciam-se das demais. Estas duas amostras são fortemente relacionadas ao taxon Poaceae e, em menor proporção, a Asteraceae (Figura 4.43). Nota-se a influência que estes dois taxa exercem também sobre a amostra S0, o que justifica sua posição no lado negativo do CP1. O fato de nenhuma das amostras de chuva polínica estar posicionada próxima aos pontos F60 e F40 indica que, pelo menos nas amostras aqui estudadas, não foi observado sinal polínico atual semelhante ao destes pontos. A diferença deste par de amostras das demais também é notada na análise de agrupamento (classe 1, Figura 4.45).

A separação do grupo de amostras posicionadas no quadrante inferior esquerdo da Figura 4.43 deve-se principalmente aos taxa Melastomataceae/Combretaceae, Arecaceae (Palmae), Juncus e Cyperaceae. Já as amostras posicionadas do lado positivo do CP1 são influenciadas pelos taxa Myrtaceae, Byrsonima, Sloanea, Ilex, Myrsine (Rapanea), Apocynaceae, Mimosaceae, Alchornea e Moraceae.

Usando os análogos modernos (sinais da chuva polínica atual) para interpretar os dados fósseis, a distribuição das amostras com relação à primeira componente principal parece indicar áreas de cobertura vegetal mais densa (restinga arbórea ou arbustiva), do lado positivo, e mais aberta (entorno de lagunas, banhados, depressões e bordas de mata), do lado negativo.

Como complemento à ACP, foi realizada a classificação ascendente hierárquica (CAH). No dendrograma obtido pela CAH (Figura 4.45a), cuja partição foi feita de modo que a menor similaridade entre dois grupos fosse -50, extraíram-se quatro classes de amostras. A partir da análise combinada dos dois métodos estatísticos (ACP e CAH), buscou-se

identificar as famílias e gêneros botânicos responsáveis pela separação destas classes e verificar qual o significado das assembléias polínicas em termos de cobertura vegetal.

A classe 1 é composta pelas amostras F60 e F40, base do intervalo analisado no testemunho FIG, composto por até 75% de pólen de plantas herbáceas (item 4.4.2, Figura 4.38). Como observado na ACP, estas duas amostras são separadas das demais pelas altas freqüências de Poaceae e Asteraceae. Esta associação de taxa é relacionada à vegetação bastante aberta. Conforme já discutido anteriormente, nenhuma das amostras de chuva polínica apresentou sinal análogo. Pelos dados de levantamento botânico realizados na área, dois tipos de cobertura vegetal podem apresentar o predomínios destes taxa: (a) vegetação de praias e dunas eólicas e (b) vegetação de borda de laguna. Se estas amostras representam a cobertura vegetal de praias e dunas, esta vegetação deveria colonizar áreas ligeiramente mais úmidas, onde seria possível conservar o matéria polínico da oxidação. A outra interpretação possível é que este registro esteja relacionado a vegetação de pântano salobro (salt marsh?) dominada por Poaceae, em borda lagunar de zona intermarés, adaptada a variações de salinidade.

A classe 2 é composta pelas amostras F20, F0, S0, CH1, CH3 e por amostras da zona I do testemunho RIA (60 a 30 cm). As duas amostras de chuva polínica aqui presentes representam vegetação de banhado (CH1) e de borda de mata na transição para banhado (CH3). Isto sugere que, por analogia, o registro polínico das amostras analisadas nos testemunhos deve representar tipo de flora similar ao observado hoje nos pontos de coleta CH1 e CH3, com vegetação aberta, em terreno úmido e/ou pantanoso. As famílias e gêneros responsáveis por este agrupamento de amostras (Figura 4.45b) reforçam esta interpretação, com destaque para o gênero Juncus, indicador de áreas sujeitas a inundações. Porém, neste agrupamento, a amostra S0 não apresenta as mesmas características e nem pode ser relacionada a vegetação de banhado ou áreas úmidas. Ela é agrupada com as demais amostras na classe 2 da análise de cluster; porém, sua posição na Figura 4.43, permite notar que se trata de amostra fortemente influenciada pelo taxon Poaceae e Asteraceae, sem correlação portanto com os demais taxa índices da classe 2. A amostra em questão representa o topo do testemunho SAN. A análise da paisagem atual observada no local de coleta do testemunho (item 4.4.1 Figura 4.36V) explica o aumento de Poaceae nesta amostra e sua distinção das demais amostras do testemunho SAN. Esta área foi intensamente desmatada e atualmente é ocupada por área destinada a pastagem. Portanto, a colocação da amostra S0 na classe 2 parece não ter significado em termos de vegetação original. Assim, apesar de ela não ter sido isolada, perante ao valor de corte estabelecido, das demais amostras do dendrograma, propõe-se sua separação na subclasse 2a.

Classe Amostra Taxa índice Cobertura vegetal

1 F40, F60 Poaceae, Asteraceae

Vegetação aberta dominada por Poaceae (pântano salobro?

dunas eólicas?) 2 R50, R60, R40, R30, F0, F20, CH1, CH3 Melastomatacae/Combretaceae, Arecaceae (Palmae), Cyperaceae, Juncus

Banhados, depressões, borda de lagunas ou borda de matas

2a S0* Poaceae, Asteraceae Área relacionada a intensa

modificação antrópica 3 S10, S30, S40, S80, S90, S100, S110, S120, S130, S140, S160, S170, S180, S190, S200

Myrtaceae, Byrsonima, Sloanea,

Ilex, Myrsine (Rapanea) Restinga arbustiva e/ou arbórea

3a CH5* Myrtaceae

Pouco significado ecológico; super-representação do taxa índice devido de coletor da

amostra de chuva polínica (colchão de briófitas)

4 R0, R10, R20, S20, S60, CH2, CH4

Mimosaceae, Apocynaceae, Alchornea, Moraceae

Restinga arbustiva e/ou arbórea (provavelmente mata aberta,

dada a importância dos taxa pioneiros e heliófilos)

Figura 4.45. (a) Dendrograma formado pela classificação ascendente hierárquica para o conjunto de dados da análise palinológica (dados de chuva polínica moderna e dados dos três testemunhos) e (b) quadro com os taxa índices de cada classe e respectivas interpretações de cobertura vegetal.

a)

b)

2a

A classe 3 agrupa a amostra CH5 e quase a totalidade do testemunho SAN, com exceção das amostras S0, S20 e S60. A amostra CH5 deve ser usada com cautela para comparação dos resultados fósseis com o sinal atual da vegetação pois, conforme discutido no item 4.4.2, apresenta super-representação de Myrtaceae, motivo pelo qual foi considerada como subclasse 3a. Vale ressaltar que a análise de componentes principais foi feita também sem esta amostra, para avaliar sua colaboração na organização geral dos pontos, sem porém se constatar diferença na dispersão de pontos. Em vista disso, optou-se por apresentar o gráfico obtido com a totalidade das amostras estudadas. Os taxa responsáveis por este agrupamento (Figura 4.43 e 4.45b) também foram encontrados por Behling et al. (1997) no registro da chuva polínica da restinga na Reserva de Volta Velha (extremo norte de Santa Catarina, próximo a divisa com o Paraná), em área de floresta nativa. Este parece ser um dado importante, uma vez que as duas amostras de chuva polínica coletadas em área de mata mais preservada (CH2 e CH4) apresentam espectros polínicos ligeiramente distintos, talvez pelo fato de a vegetação na área de estudo, mesmo nos pontos de mata mais densa, apresentarem algum grau de perturbação. A associação de

taxa índices desta classe é interpretada como registro da restinga arbórea e/ou arbustiva

densa.

O agrupamento de amostras da classe 4 também é indicativo de restinga arbórea e/ou arbustiva, interpretação baseada tanto nas amostras de chuva polínica CH2 e CH4, como também nos taxa índices desta vegetação (ver item 4.4.1 – Chuva polínica moderna). Porém, esta associação pode caracterizar áreas de vegetação com dossel mais aberto.

Alchornea e Moraceae foram apontadas por Ybert et al. (2003) como taxa pioneiras e

heliófilas, isto é, plantas que são adaptadas ao crescimento em ambiente aberto ou exposto a luz direta. Mimosaceae e Apocynaceae também apresentam vários gêneros heliófilos (Lorenzi, 2000). Portanto, as amostras contidas nesta classe provavelmente representam mata de restinga mais aberta do que as amostras presentes na classe anterior.