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6. Konseptuelle rammeverk for digitale ferdigheter

6.1. Presentasjon av konseptuelle rammeverk

A Rede Internacional de Festivais de Dança em Paisagens Urbanas - Ciudades que

Danzan – fomenta a cada edição o pensamento de criação e circulação da dança em paisagens

urbanas. O diálogo com aspectos da cidade como arquitetura e fluxo é um dos pilares de sustentação do evento, tendo o conceito da união de arquitetura e dança como a mais imortal e efêmera forma de arte. Essa rede de festivais foi fundada em Barcelona, na Espanha, em 1992.

Cidades Que Dançam (CQD) agrupa trinta cidades do mundo inteiro, que partilham a filosofia de que é mais fácil agrupar cidades do que países, utilizando a dança, expressão cultural universal por não ter a barreira do idioma como veículo de comunicação e interatividade. Se colocando como um circuito informal de eventos, a rede relaciona festivais de diferentes cidades que compartilham uma programação de dança em suas paisagens urbanas e em lugares públicos de passagens.

Esses eventos visam abrir a visão do espectador em relação à herança artística e cultural inerente a cada cidade. Através da linguagem da dança, o público pode apreender uma rua, uma esquina, uma praça ou um edifício em ruínas de uma forma diferente, verdadeiramente redescobrindo o lugar, o território, o espaço.

A rede de festivais tem contribuído sobremaneira como mecanismo de arte pública, chamando a atenção para o intercâmbio com os aspectos das cidades, refletindo sobre os fatos da vida urbana e o cotidiano relacional das metrópoles. Encorajando a cooperação entre

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diferentes países e criando um acordo de difusão artística em diferentes línguas e culturas, propõe-se que cada cidade coloque em discussão seus aspectos e conflitos. O respeito pela pluralidade cultural e o trabalho contra o racismo, exclusão social, homofobia, violência e a xenofobia são aspectos importantes da proposta e das ações desses festivais.

No Brasil, em 2006, duas cidades integravam o circuito, propondo cada uma abordagens distintas para as criações e seleção de trabalhos, tendo um aspecto tangente à cidade como critério de curadoria. Já em 2008 a programação brasileira contou com os festivais: Dança em Trânsito/RJ; Visões Urbanas/SP; Marco Zero/Brasília e Dança Alegre/Alegrete/RS. A última cidade a integrar a rede foi Belo Horizonte com o festival Horizontes Urbanos que desde 2009 vem apresentando uma programação de trabalhos variados e que transitam entre a dança, o teatro e a performance. Entretanto em relação à programação desses festivais, estabeleceremos em seguida observações sobre a função e o objetivos desses eventos, sobretudo nas primeiras edições.

Walter Benjamin (1996), ao falar sobre Baudelaire, nas suas flanâncias sobre a cidade, expõe uma relação intimamente artística e afetiva, buscando investigar os elementos constituintes do espaço para além de sua estrutura física. Essa relação chama a atenção pelo engajamento político, dando origem às derivas artísticas, que mais tarde, tornaram-se uma metodologia de trabalhos presente em importantes criações com foco na cidade. Parte da programação desses festivais aponta para um desejo de ocupar a cidade, mas que não apresenta a principio uma reflexão sobre a natureza das obras e o diálogo efetivo com o espaço para além da arquitetura. Há talvez no cerne dessas obras uma apropriação da cidade apenas como um cenário no qual as obras deixam de apresentar questões de relevância estética que estabeleça níveis críticos de debate sobre o espaço público. Dessa forma, percebemos similar apropriação do conceito de dança e arquitetura (FILHO,2007) que apresenta a visão romantizada do balé em desafios gravitacionais em uma arquitetura cenográfica representativa do espaço e, por assim ser, uma rasa mediação como os elementos históricos, afetivos, subjetivos e simbólico desses lugares.

Assim como nas primeiras edições do Projeto Corpo: Espaços e Inter(re)ferências nos terminais de ônibus de Uberlândia, nas programações desses festivais houve obras coreográficas criadas sobre os pressupostos dos espaços tradicionais e transpostas para o espaço público, que não buscaram estabelecer reflexões pontuais sobre o espaço. Isso se torna natural, se consideramos que tanto no primeiro quanto no segundo caso esses festivais lidaram

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a princípio com grupos que apresentavam pouca ou quase nenhuma experiência de criação em dança para espaços públicos. Vale ressaltar que essa estética ou linguagem contemporânea da dança em espaços públicos urbanos é relativamente recente no Brasil ao considerar os séculos nos quais a dança cênica foi desenvolvida sobre a égide dos palcos teatrais italianos caixa- preta. No meu ponto de vista, essas obras, mesmo que respeitadas as qualidades técnicas e artísticas da dança, privam tanto o artista quanto o espectador da possibilidade de perceber o ambiente urbano relido/criticado/interferido pela obra de arte. Todavia, consideram-se válidas as programações desses eventos no sentido de promover a difusão da dança ou mesmo de aproximação com o espectador.

Finalmente, assim como posto na relação da obra e seus espaços internos e externos, contexto sócio-político e relevância nos paradigmas da arte contemporânea apresentados por Tassinari(2006), considero a dança como legítima ferramenta provocadora de questionamentos sobre o mundo e as complexas relações do cotidiano. Percebo que as obras que são apenas transpostas para o espaço público como um desserviço ao desenvolvimento dos fundamentos da relação arte-cidade. A meu ver, intervir no espaço público tem como pré- requisito a promoção de uma crítica sobre o estar no mundo, tendo o fim de promover nos habitantes da cidade uma reflexão sobre a sociedade em que vivem e sobre si mesmos.