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CHAPTER 5: THE PRESENT PERFECT

5.2.1 Present perfect used in German translations

A origem do nome da Freguesia de Alcântara, vem da palavra “Al-qantara” de origem árabe e que significa ponte. A ponte com o mesmo nome existiu até cerca dos anos 40 do século passado, quando do encanamento do caneiro de Alcântara e construção da Avenida de Ceuta.

O Vale de Alcântara, por onde passava a Ribeira de Alcântara que através do caneiro existente vinha desaguar ao Tejo, é o mais extenso vale da Cidade de Lisboa, que a par com o Vale de Chelas, na Zona Oriental, teve uma importância muito grande no período de início da industrialização da Cidade de Lisboa.

“No século XIX começou a desenvolver-se a rede de transportes com a construção da Linha de eléctrico entre Algés e Terreiro do Paço e no final do século a linha de caminhos-de-ferro com a ligação de Sintra a Alcântara-Terra e posteriormente a ligação desta última aa Alcântara-Mar e à linha de Cascais” 37.

A sua proximidade com o rio tinha grande importância na recepção e exportação de matérias-primas e mercadorias, assim com a conquista de algum terreno ao rio criaram-se infraestruturas ferroviárias e o Porto de Lisboa. Alcântara passou então a constituir um importante pólo de expansão da cidade e das suas indústrias também por via marítima.

Apesar da ocupação habitacional de Alcântara remontar ao período do Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755, uma vez que era uma zona da cidade que tinha sido menos afectada dando lugar à

35 Entrevista a J. Godinho, ex-Presidente da Junta de Freguesia de Alcântara. 36 Entrevista a ex-trabalhador da Lisnave.

37Folgado, Deolinda (2001).”Paisagem Industrial, Utopia na salvaguarda patrimonial?”. Guimarães. Margens e

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sua ocupação, é no século XIX com a industrialização que Alcântara passa a ser mais povoada. Com a instalação de um conjunto de fábricas na zona, aumentou significativamente a sua população.

…as cidades dos primórdios da industrialização cresceram graças à localização das fábricas no centro dessas cidades. Foi essa localização industrial que motivou o crescimento populacional e urbanístico à volta da fábrica, numa parte significativa graças aos movimentos migratórios dos campos mais ou menos longínquos para a cidade.38

“A partir dos meados do século XIX, um lento processo de industrialização vai provocando a concentração em Lisboa da mão-de-obra operária."39

Na formação da população da Freguesia, segundo vários estudos, mostra que sendo uma boa parte originária de Lisboa no período da industrialização, principalmente no princípio do século XX, há um conjunto significativo que é oriundo de outros pontos em redor do Distrito de Lisboa e mesmo de outras zonas do país. Segundo Frédric Vidal na sua obra “Les Habitants d’Alcântara” entre 1900 e 1930, há uma diminuição de habitantes nascidos em Lisboa de 52,2% em 1900 para 45,2% em 1930, assim como os nascidos dentro do Distrito de Lisboa, mas aumenta neste período de 35,7% para 49,7% a percentagem dos habitantes nascidos fora do Distrito de Lisboa. É uma tendência que se manifesta nesta zona Ocidental da cidade.

“L’ouest de la ville apparait comme une catégorie spatiale homogéne. La comune de Lisbonne a continue à accuillir de nouveaux habitants dans des proportions importantes au moins jusque dans les années 1930. Dès les premières décenies du XXe siécle, ces nouveaux venus ne semblent plus s’installer en priorité à Alcântara.”40

Neste fluxo migratório destaca também, tomando como referência duas ruas de origens operárias, a Rua da Cruz e a Rua Feliciano de Sousa, junto ao Páteo do Cabrinha, num estudo que desenvolve em relação à origem das “mães e dos pais” que a maioria destes habitantes (analisando um período dos primeiros anos do século passado até 1940), têm origem maioritariamente no centro e no Norte do País. “Les péres et les méres de la Rua da Cruz e de la Rua Feliciano de Sousa nés en dehors du district de Lisbonne sont majoritairement originaires du centre et du nord-est du pays: districts de Castelo Branco, Viseu, Coimbra et sourtout de Guarda.” 41 Refere ainda o autor uma outra particularidade em relação aos residentes em Alcântara, uma vez que o número de estrangeiros que existiam em 1890 (9,4%) era percentualmente superior aos da cidade de Lisboa (6,1%), mas em 1930 estes valores são substancialmente mais baixos, tanto em Alcântara (1,4%) como na cidade de Lisboa (2,3%).

38 Rodrigues, Walter (2010), ”Cidade em Transição - Nobilitação Urbana, Estilos de Vida e Reurbanização em

Lisboa”, Oeiras, Celta Editora, pp.53.

39 Pereira, Nuno Teotónio (1994), ”Pátios e Vilas de Lisboa, 1870-1930: a promoção privada do alojamento

operário”. Análise Social, vol.XXIX (127),p.510, pp.509-524.

40 Vidal, Frédéric (2006).”Les Habitants d’Alcântara- Histoire Sociale d’un quartier de Lisbonne au débout du

20e siécle”. Villeneuve d’Ascq.France, Presses Universitaires du Septentrion, p.56.

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Destacando-se entretanto neste grupo de estrangeiros os espanhóis, principalmente da região da Galícia, e os brasileiros. Assim entendemos a existência de várias “tascas” e “casas de pasto” em Alcântara sujos proprietários eram galegos. Alguns não conseguiram aguentar o impacto dos novos tempos e foram encerrando (p. ex.: Casa dos Frangos – na Rua 1º de Maio) dos quais, somente alguns resistiram até aos dias de hoje, como é o caso da casa “Resina” no Largo do Calvário.

“La presence des “Galegos” dans le quartier d’Alcântara est ancienne.”42

“Também em Stº Amaro, junto à Carris, aquela casa que existia dos frangos assados (dos Galegos) também fechou, o restaurante “O Furo” fechou, todas as pequenas oficinas que existiam na rua 1º de Maio também foram fechando.”43