O principal objetivo desta dissertação é o estabelecimento de benchmarks de forma a obter valores das melhores práticas dos consumos de recursos, produção de resíduos e impactes ambientais destes, que permitam aos gestores hospitalares a adoção de medidas, de forma a minimizar o consumo de recursos em edifícios hospitalares. Para tal será necessário obter os consumos energéticos e de água, materiais, resíduos produzidos e emissão de gases poluentes destes edifícios.
Já existem alguns casos de estudo, de aplicação de benchmarks a edifícios. Em contrapartida, ainda não existem aplicações de benchmarks aos edifícios hospitalares. Assim, de seguida apresentam-se alguns casos onde se efetuou o estudo da aplicação de benchmarks a tipologias de edifícios diversas, no sentido de se apoiar o desenvolvimento da metodologia para o desenvolvimento de benchmarks para edifícios hospitalares.
i) Aplicação de Benchmarks a Escolas Irlandesas
A recolha de dados para efetuar a aplicação de benchmarks foi efetuada através de questionários. Os primeiros dados adquiridos têm como objetivo o estabelecimento de modelos de referência, para edifícios de referência. Assim, o primeiro conjunto de
27 questionários foi distribuído por 500 escolas da Irlanda, com o objetivo de recolha de dados, sobre os edifícios, as atividades desempenhadas e consumos energéticos.
Dos questionários distribuídos cerca de 13% foram devolvidos, destes foi possível retirar, os valores caraterísticos de edifícios de construção de referência. Os edifícios de referência apresentam 1,5 renovações de ar por hora, representando as infiltrações e a ventilação natural, e a eficiência da caldeira sazonal estimou-se em 70%.
O regulamento Irlandês (Building Regulations, 2005, Technical Guidance Document Part L) foi considerado como referência para os novos edifícios, construídos de acordo com o regulamento. Visto não existirem informações mais precisas foi selecionada uma taxa de renovação de ar de 0,5, com o objetivo de refletir as melhores práticas assumidas para a construção moderna e ventilação natural. Para a caldeira sazonal, foi escolhido um valor por defeito, de 90% de forma a representar o valor que se poderia atingir por uma caldeira de condensação nova.
O objetivo seguinte da recolha de dados foi a obtenção de pormenores do desempenho energético. Os questionários distribuídos contêm perguntas sobre o consumo atual medido. O principal objetivo destes questionários foi o de aferir o consumo energético específico, através da amostra de instalações escolares. O resultado obtido mostra os melhores e piores valores para o desempenho do setor. A primeira análise das distribuições revelou-se distorcida, assim eliminaram-se os pontos que se distanciavam mais de quatro desvios-padrão da média, de forma a aumentar a confiabilidade do resultado final. Assim, o gráfico da Figura 9 reflete a distribuição cumulativa das oitenta e oito respostas utilizadas.
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Figura 9 - Distribuição cumulativa de consumo de energia para aquecimento em 88 escolas primárias
Desta forma, os resultados para o consumo anual de energia para aquecimento obtidos para o este estudo foram:
Consumo médio de 96kWh/m2. Este valor vai ser utilizado como valor de referência ou prática convencional;
Os edifícios pertencentes ao quartil inferior apresentam 65kWh/m2 um consumo menor ou igual a este valor utilizado como melhor prática, ou seja, para edifícios de acordo com o regulamento.
Em suma, os dados obtidos por esta análise comparativa são muito limitados, devido à reduzida recolha de dados e à simplicidade dos métodos usados. O desenvolvimento de benchmarks para edifícios de referência requer requisitos e recolha de dados que se pode traduzir numa tarefa árdua. Tal deve-se ao facto de os entrevistados poderem não conhecer detalhes de construção, como por exemplo, o tipo de eficiência energética dos equipamentos de aquecimento, sendo estes detalhes importantes para avaliação do desempenho energético (Hernandez, Burke e Lewis, 2008).
29 ii) Utilização de benchmarks para classificação de hotéis na Grécia
Os hotéis são grandes consumidores de energia devido às funções que estes desempenham, pois têm como objetivo oferecer as melhores condições aos seus hóspedes. O estudo apresenta um método de estabelecer benchmarks de energia de forma a permitir a classificação de hotéis na Grécia, tendo como base o uso de energia e petróleo.
Os dados foram obtidos através de questionários e visitas aos locais. O objetivo dos questionários foi o de obter informações sobre as características gerais (localização, ano de construção, etc.); consumo energético; presença ou não se sistema de gestão; tipo de construção; sistema de construção (aquecimento, ventilação, etc.) e equipamentos elétricos.
Para este estudo, foi efetuada uma análise através da distribuição de frequência, tendo como objetivo encontrar a “melhor prática” e a “prática convencional”. Na generalidade dos estudos a frequência cumulativa é utilizada para definir a mediana (50% da amostra) e a fronteiras de quartil. A fronteira de quartil geralmente toma o valor de 25%, sendo os primeiros relativos às melhores práticas. Assim, análise comparativa, benchmarkting, tem como principal objetivo a definição das melhores práticas.
Assim, dos 90 hotéis em estudo apenas 30 consomem petróleo. Deste modo, para o consumo de energia dos 90 hotéis obteve-se que a prática convencional (50% da amostra) toma o valor de 140kWh/m2/ano e a melhor prática (25% da amostra) toma o
valor de 58kWh/m2/ano. Para os 30 hotéis que também consomem petróleo o valor da
prática convencional toma o valor de 28kWh/m2/ano e a melhor prática de 11kWh/m2/ano.
O consumo médio de energia e consumo de energia térmica da amostra é calculado em cerca de 290kWh/m2/ano para os hotéis em operação anual e de cerca de 200kWh/m2/ano em hotéis em operação sazonal. De salientar, que 50% dos hotéis consomem cerca de 140kWh/m2/ano de energia e a melhor prática ronda os 58kWh/m2/ano. Conclui-se então que estes são um dos tipos de edifícios com maior
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escritórios (187kWh/m2/ano), edifícios de comércio (152kWh/m2/ano) e escolas (92kWh/m2/ano).
Da análise destes edifícios, obtém-se as medidas que devem ser tomadas de forma a minimizar o consumo de energia, em edifícios futuros (Farrou, Kolokotroni e Santamouris, 2012).
Como se pode observar os edifícios hospitalares são os edifícios que consomem mais energia na Grécia.
iii) Benchmarking de Hospitais EPE e PPP (Portugal)
O estudo de benchmarking dos hospitais EPE e PPP ter como objetivo fundamental melhorar o desempenho económico-financeiro (ACSS, 2013).
O estabelecimento de benchmarks é efetuado em quatro parâmetros fundamentais (ACSS, 2013):
Acesso – esta dimensão analisou os seguintes indicadores: “(1) percentagem de consultas realizadas em tempo adequado e (2) percentagem de cirurgias realizadas em tempo adequado”;
Qualidade – para este parâmetro os indicadores analisados foram: “(1) percentagem de cirurgias realizadas em ambulatório no total de cirurgias ambulatorizáveis (GDH), (2) percentagem de reinternamentos em 30 dias, (3) percentagem de internamentos com demora superior a 30 dias e (4) percentagem de partos por cesariana”;
Produtividade - os indicadores analisados por este parâmetro foram: “(1) Demora Média, (2) Taxa anual de ocupação em internamento, (3) Doentes padrão/Médicos Equivalente em Tempo Completo (ETC) e (4) Doentes padrão/Enfermeiros ETC (este número ETC foi calculado através do somatório do número de horas/semana dos trabalhadores dividindo este valor pelo tempo completo (35 horas). A estes indicadores acrescentam-se ainda indicadores que são comuns ao parâmetro económico sendo eles: “(5) percentagem dos custos
31 com horas extraordinárias e suplementos, (6) percentagem dos custos com prestações de serviços, (7) Custos com Pessoal por Doente Padrão e (8) Custos ajustados com Pessoal por Doente Padrão”;
Económica – os indicadores analisados por este parâmetro foram: “(1) Custos Operacionais por Doente Padrão, (2) Custos com Material Consumo Clinico por Doente Padrão, (3) Custos com Produtos Farmacêuticos por Doente Padrão, (4) Fornecimento de Serviços Externos por Doente Padrão e (5) Fornecimento de Serviços externos por m2 de área útil”.
Os hospitais, sobre os quais o estudo incide estão divididos em cinco grupos homogéneos, os quais foram determinados através de clustering hierárquico, o que permite uma comparação interpares. Este método, permite efetuar uma comparação entre instituições similares, devido ao facto deste não ser perfeito, podem existir instituições “fronteira”, podendo estas ser penalizadas pelo estabelecimento de benchmarks. As instituições em estudo encontram-se na Figura 10 (ACSS, 2013).
Figura 10 - Grupos de Hospitais estudados (ACSS, 2013)
A determinação da eficiência de cada instituição é efetuada através da relação de custos com a medida “doente padrão”, sendo o cálculo desta medida a única forma de efetuar a comparação entre entidades hospitalares. O cálculo desta medida “baseia-se na
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transformação da atividade hospitalar por natureza heterogénea numa unidade de produção única de forma a possibilitar o exercício de comparação entre entidades. De salientar, que o cálculo desta medida não agrega especificidades particulares e todos os serviços dos hospitais (ACSS, 2013).
Neste estudo as instituições são classificadas como (ACSS, 2013):
Instituições que divergem para além de 10% do melhor do grupo (vermelho); Instituições que divergem até 10% do melhor do grupo (amarelo);
Instituições com melhor comportamento do seu grupo (verde).
Na Figura 11 apresenta-se a avaliação efetuada quanto à percentagem de consultas realizadas em tempo adequado.
Figura 11: Análise do hospital mais eficiente do grupo no indicador percentagem de consultas realizadas em tempo adequado (ACSS, 2013)
33 De salientar que o valor mais eficiente do grupo depende do parâmetro a analisar, ou seja, no parâmetro apresentado na Figura 11 o valor mais eficiente é o mais alto do grupo, mas quando o parâmetro é, por exemplo, o parâmetro de custos com o pessoal o valor mais eficiente do grupo já não é o valor mais elevado mas o mais baixo de cada grupo. A avaliação de cada parâmetro depende da eficiência do hospital a nível de tratamentos e a nível monetário (ACSS, 2013).
Este estudo teve como principal objetivo estimar as poupanças a nível de custos, posicionando assim cada instituição relativamente à mais eficiente do grupo (ACSS, 2013).
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