4 Data og analyse
4.1. Hvordan kommuniserer og handler Equinor når det gjelder bærekraft?
4.1.1. Prat
Se, até pouco tempo, os jornalistas eram tidos como meros transmissores de
informação, hoje poderiam ser vistos como autênticos produtores de conhecimento,
embora de maneira diferenciada em relação, por exemplo, aos cientistas4. Essa grande
transformação no perfil dos profissionais se deu, em grande medida, porque, cada vez mais,
sobretudo nos últimos 10 anos, particularmente no Brasil, os jornalistas passaram a buscar
subsídios para seu trabalho diário na rede mundial de computadores e a remodelar e
traduzir seus achados de acordo com propósitos jornalísticos específicos.
Anteriormente, a função dos jornalistas era simplesmente a de transmitir e até
mesmo interpretar fatos. A partir do acesso facilitado à internet no trabalho, coube-lhes
também a tarefa de, com o recurso aos mais diversos bancos de dados concentrados na
rede, organizar o amplo leque de informações oferecido, referente ao assunto com o qual
estavam lidando, para que pudessem desempenhar sua função.
Um dos autores que tratam desse tema é Meyer, o criador do Computer-Assisted
Journalism (jornalismo assistido por computador). Ainda no início da década de 1970,
antes da popularização da internet, mas já vislumbrando as enormes possibilidades de
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Tal argumento, apesar de parecer irrefutável, tem contraponto entre os próprios cientistas. É o caso do físico Lawrence Cranberg, que, em 1989 – antes mesmo da potencialização do trabalho jornalístico, graças à Internet –, afirmou que “o jornalismo é, em si mesmo, uma ciência. Com qualificação apropriada, o jornalista competente é um cientista em exercício.” (Cranberg, apud Meyer, 1993, p. 30). De qualquer forma, isso reforça a argumentação de que o jornalista, em pleno curso da revolução tecnológica e da consolidação da sociedade da informação, tem seu perfil profissional nitidamente alterado.
aprimoramento do trabalho jornalístico em razão de novas tecnologias da informação,
Meyer falava sobre o importante papel desses profissionais na sociedade da informação:
“(...) o mundo ficou tão complicado, o crescimento da informação disponível tão explosivo, que o jornalista precisa ser filtro e transmissor, organizador e intérprete (...). Além de saber como colocar a informação na página ou no ar, também deve saber como colocá-la na cabeça do receptor. Em resumo, um jornalista deve ser um administrador de bases de dados, um processador de dados e um analista de dados” (Meyer, 1973, p. 12).
A questão também encontra ressonância em Lage (2000), segundo o qual, até três
décadas atrás, o jornalismo era considerado, em todo o mundo, uma simples “maneira de
proceder”, até que a visão da profissão pela sociedade e pelos próprios profissionais mudou
significativamente, muito em razão das novas tecnologias de informação.
Antes, explica Lage, havia uma grande precariedade no corpo teórico da área e não
existia a exigência, para contratação nos meios profissionais, de formação acadêmica
específica para o jornalista. Contudo, as revoluções tecnológicas na área de informação e
seus impactos na sociedade, bem como a tendência crescente, verificada nas últimas
décadas do século XX, de aprofundamento dos estudos dos fenômenos comunicacionais –
fruto, sobretudo, de sua inclusão efetiva no campo das ciências sociais – fizeram com que
esse panorama se alterasse.
Conforme Lage, os jornalistas, assim como outros profissionais da área de
comunicação e informação, foram obrigados a ter um diploma de bacharel específico para
atuar – o que ocorreu para os profissionais brasileiros de imprensa apenas a partir de 1979.
e o jornalismo, além da necessidade, para sua formação, de exaustivos exercícios de
reflexão, estimulados nos meios acadêmicos, sobre a função social que iriam desempenhar.
A partir da década de 1990, vê-se que este cenário passa por uma modificação ainda
mais profunda. Em artigo intitulado Why journalism needs Ph.Ds, Meyer (1996) observa
que as alterações vividas na redação dos jornais haviam sido poucas, nos Estados Unidos,
na maior parte do século XX. Para Lage (2000), pode-se dizer que o mesmo ocorreu no
Brasil, em boa parte das últimas décadas do século XX. Aspectos como a introdução da
diagramação, as alterações no planejamento das matérias e das edições, a substituição da
composição a frio e da impressão tipográfica pelo off-set, ou mesmo o surgimento do rádio
e da TV, todas fruto de avanços tecnológicos, diz o autor, pouco mudaram o fazer
jornalístico.
O formato da notícia, baseado no lead5 e na hierarquização de informações, ou na
propagada fórmula da pirâmide invertida6, o caráter predominantemente expositivo dos
textos, entre outros elementos, continuaram os mesmos. As técnicas de apuração de
informações, alicerçadas no cultivo das fontes e em entrevistas, também pouco ou nada
mudaram.
Mas isso persistiu somente até que o microcomputador e todos os avanços que ele
incorpora, notadamente o acesso à internet, ganhassem maior importância nas redações.
Consolidada como instrumento indispensável de trabalho, a máquina e as novas
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O lead é o relato inicial da notícia. Vem da frase em inglês “to lead the way”, ou seja, mostrar o caminho. E é justamente o lead que abre o caminho para a leitura do texto; é através dele que a atenção e o interesse do leitor são despertados. Pode-se dizer que o lead é a introdução da notícia; uma síntese inicial que procura responder seis perguntas básicas: o quê? Quem? Como? Quando? Onde? Por quê?
6 Pirâmide invertida é um jargão jornalístico usado para identificar um formato de textos em que a parte mais
importante da notícia ou da informação é colocada logo no primeiro parágrafo. A pirâmide da informação seria invertida porque, ao contrário das pirâmides físicas, o mais importante estaria no alto, ou seja, no início do texto.
possibilidades que ela trouxe, sobretudo no que concerne à recuperação e ao tratamento de
informações, fixaram, com o tempo, uma diferença básica: entre o jornalista que domina e
o que não domina essas novas tecnologias.
Isso ocorreu e ainda ocorre, também, em muitas áreas da atividade humana. Como
descreveu Schaff (1990):
“(...) podemos observar uma divisão clara – algo parecido com a incultura das massas e a cultura de um número ainda reduzido de pessoas iniciadas na ciência dos computadores – entre as que conhecem e as que desconhecem o funcionamento dos computadores. Não me refiro aqui à diferença entre este ‘conhecimento’ e a ‘ignorância’, já que este é um fenômeno transitório que não tardará a desaparecer quando forem modificados os currículos escolares. Refiro-me na realidade a algo que será muito persistente (e que poderá, inclusive, se agravar) e que diz respeito à ‘informação’” (Shaff, 1990, p.75 ).
Desta forma, de acordo com Lage (2000), pode-se afirmar que se estabeleceu, no
meio jornalístico, assim como ocorreu em muitos setores profissionais, uma nova geração:
a dos jornalistas “informáticos”, ou seja, dos versados em informática e nas novas
tecnologias da informação. Paralelamente, passou, aos poucos, a, de certo modo, agonizar e
a até a desaparecer a geração dos “não-informáticos”, cujos representantes viram-se
forçados a se adequar aos novos tempos e a apreender as novas tecnologias, sob pena de
não encontrar espaço no mercado de trabalho.
Em termos tecnológicos, foram, a princípio, explica Lage (2000), aprimoradas as
ferramentas para incrementar o processo produtivo dos profissionais da área: vieram os
editores de texto, os softwares de editoração, o processamento de fotografias e gráficos e
Hoje, além de inúmeras outras conquistas no aspecto instrumental das redações –
como os editores não-lineares de áudio e vídeo, no caso de rádios e TVs, os programas que
racionalizam e facilitam a redação e a editoração de textos, nos jornais impressos, os
gerenciadores de bancos de dados e as planilhas de cálculo –, o jornalista tem a internet
como fonte aparentemente inesgotável de informações e de consulta para desenvolver seu
trabalho.
Koch, citado por Machado (2003), joga mais luz sobre esta questão. Ao contrário de
outros teóricos, como o próprio Meyer, para quem todos esses avanços tecnológicos –
particularmente os bancos de dados digitais ou, conforme estabelecido neste trabalho, a
própria internet – não mudariam, em essência, o fazer jornalístico, Koch previa, em 1991,
grandes mudanças nos procedimentos dos profissionais. Segundo ele, citado por Machado
(2003), com o uso dos bancos de dados eletrônicos, os jornalistas, no mínimo, se
libertariam de amarras impostas por pontos de vista limitados expressos por especialistas e
fontes oficiais.
“Enquanto, nos modelos de pesquisa e apuração nos meios convencionais, a apuração parte de fatos que podem ser localizados com facilidade, factóides isolados de uma determinada região e, mais freqüentemente, de declarações, Koch acentua que, no modelo eletrônico para apuração jornalística, os fatos são substituídos pela necessidade de uma frase de busca que defina a questão ou problema pautado O estudo de Koch demonstra que, no modelo clássico, antes do relato ser publicado o jornalista deve encontrar os fatos, buscar os produtores de fatos para contrastar os indícios com os fatos arquivados no jornal, além da obrigação de entrevistar parlamentares ou funcionários vinculados ao assunto. No caso da apuração eletrônica, que parte de uma frase para descrever o tema da notícia ou reportagem, Koch lembra que, antes do relato contextual dos fatos, o jornalista consulta dados armazenados ou fontes disponíveis no ciberespaço,
entrevista os sujeitos dos fatos e avalia o conteúdo das declarações tanto no espaço eletrônico quanto nas páginas impressas” (Machado, 2003, p. 5).
Conforme já mencionado, os profissionais têm feito uso desse instrumento com
crescente intensidade, no mundo e no Brasil. Mas é pertinente investigar se mesmo os
jornalistas classificados como “informáticos” estão adotando esta prática de maneira
adequada.