8. ANALYSE OG RESULTAT
8.9 O PPSUMMERING AV ANALYSER OG RESULTATER
Desvelar um pouco da memória, da história e da identidade das B.E’s de Rio Verde-GO, significa buscar em suas raízes o percurso e as pessoas envolvidas nesse processo de inserção da biblioteca no espaço escolar.
As palavras memória e história evocam, ao mesmo tempo, o passado. Contudo, apesar de a matéria-prima comum ser compreensão oposta e difundida entre os especialistas, memória e história não se confundem. Nora (1990) afirma que a palavra memória é vaga e ambígua, mas que sua utilização estratégica pode ser fecunda para a renovação da historiografia. Já Halbwachs (2004) distinguiu dois tipos de memória; a “autobiografia”, pessoal e vivida, que necessariamente sofre influência do meio social, sendo sempre filtrada pelo presente, e a “memória histórica”, passada para o indivíduo pela coletividade. A “memória histórica” se refere a coisas e processos do passado que o sujeito não vivenciou, mas que a partir desse processo, passam a fazer parte da sua história.
Percebe-se que a memória é vida, sempre carregada por grupos vivos, em constante desenvolvimento; já a história, como operação intelectual, dessacraliza a memória. Faz-se importante observar o que Nora (1993, p.9) explica a esse respeito:
A história é a reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais. A memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história uma representação do passado. Porque é efetiva, e mágica, a memória não se acomoda a detalhes que a confortam; ela se alimenta de lembranças vagas, telescópicas, globais ou flutuantes, particulares ou simbólicas, sensível a todas as transferências, cenas, censura ou projeções. A história, porque operação intelectual e laicizante, demanda análise e discurso crítico.
Fica evidenciado que a história é coletiva e, nela, grupos com suas construções desaparecem para ceder lugar a outros, pois a escrita não os registrou. Assim, de acordo com o exposto, nota-se que a memória e a história têm um papel fundamental na construção da identidade individual e coletiva dos grupos sociais, por isso, baseado nesses conceitos, busquei inserir nesta pesquisa, para uma melhor contextualização, um breve resgate da memória e história das B.E’s de Rio Verde-GO. Esse percurso de reconstrução foi algo extremamente gratificante e desafiador. Logo no início, a grande dúvida foi em relação aos caminhos que iria percorrer na busca deste resgate histórico. O primeiro passo foi a ida à Secretaria Municipal de Educação (SME) de Rio Verde-GO em busca de documentos ou informações de pessoas sobre como e quando teriam sido implantadas na rede municipal de ensino as primeiras B.E’s. Mesmo trabalhando na Secretaria de Educação, na coordenação de B.E’s, nunca havia me atentado em buscar ou ter conhecimento da história/memória desses espaços de leitura.
Ao chegar à Secretaria Municipal de Educação, conversei com uma funcionária do setor de arquivamento de documentos, sobre o objetivo desta etapa da pesquisa Ela, educadamente, me disse que não havia no setor nenhuma documentação, ou lei, que fizesse referência à criação das B.E’s na rede, ou seja, dentro da SME não havia nenhum documento que oficializasse ou formalizasse a implantação das B.E’s. Porém, após certa insistência de minha parte, eu e a funcionária procuramos nos arquivos da Secretaria algum documento ou lei que fizesse referência as B.E’s, mas infelizmente nada foi encontrado.
Depois dessa investigação frustrada em busca de alguma documentação que resgatasse a história desses espaços, comecei a perguntar para os funcionários mais antigos da Secretaria, se alguém conhecia como e quando as B.E’s haviam sido implantadas na rede; foi quando me indicaram duas pessoas que haviam vivenciado essas implantações, sendo uma delas funcionária com mais de 33 anos de serviços prestados na SME.Hoje, essa pessoa está no setor dos Centros Municipais de Educação Infantil; e a outra é uma servidora que, atualmente, trabalha na biblioteca pública da cidade.
Ao procurar a servidora que trabalha na biblioteca pública, ela me disse que de fato lembrava-se de algumas coisas da época das primeiras B.E’s, porém de forma muito superficial, e que não poderia me ajudar muito. Após essa conversa, procurei a outra servidora da SME, que por uma questão de privacidade a chamarei pelo nome fictício de Rosana. Rosana me informou que havia vivenciado esse período de mobilização para instalar nas escolas da rede municipal o espaço da B.E. Desta forma, marquei um horário para que ela pudesse me relatar como havia sido essa implantação. Ao nos encontrarmos, começamos a conversar a respeito do início dessas bibliotecas, e ela aparentou recordar com clareza, e em entrevista, declarou:
Lembro que na década de 70 e no início da década de 80 não havia biblioteca nas escolas municipais, só a partir de 1983, 1984, que através da professora Selva Campos, que na época era secretária da Educação, que ela se esforçou para começar a colocar nas escolas um lugar para biblioteca. Me recordo que no ano de 1986, três escolas foram as primeiras a terem biblioteca, sendo elas as escolas: Adelor Quintiliano, Olinda Ataydes e Prof. Cesário; porém tudo era muito improvisado, poucos livros, poucas mesas e cadeiras, mas apesar das dificuldades, era o início. (Entrevista, 2013)
Quando a questionei se essas B.E’s, ao serem instaladas, possuíam funcionários responsáveis por esses espaços, ela relatou o seguinte:
Não havia nenhum funcionário específico para as B.E’s, quando precisavam fazer alguma pesquisa, os alunos eram levados para a biblioteca, e lá pegavam os livros ou realizavam suas tarefas. Os próprios professores da sala de aula eram quem organizavam o espaço e coordenavam as turmas na biblioteca; tudo de forma bem improvisada, porque não havia cursos de capacitação para esses professores sobre como trabalhar no espaço da B.E. (Entrevista, 2013).
Diante da fala da Rosana, dois aspectos me chamaram a atenção: o primeiro se refere ao fato que no ano de 1986 é que foram instaladas as primeiras B.E’s na rede municipal. Nesse ano, a cidade de Rio Verde já tinha, segundo dados do IBGE (2010), mais de 100 mil habitantes, e só então se atentaram para essa necessidade, o que me remete a Silva (1997, p.53), quando destaca que:
Uma escola sem biblioteca é um instrumento imperfeito [...] Ora, sabe-se que a maioria das escolas públicas brasileiras não possui biblioteca e as que possuem estão em estado calamitoso de funcionamento, seja em nível de organização, seja em nível de atualização de acervos.
Outro ponto que merece destaque na fala da entrevistada, diz respeito à ausência de um professor responsável pelo espaço da B.E, e de cursos de capacitação
para qualificar os professores nas atividades realizadas na biblioteca. Nesse sentido, Carvalho (2008) ressalta a necessidade e importância de um profissional preparado para desempenhar suas funções na B.E, e que esse mediador quando qualificado contribui diretamente para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita dos alunos. No entanto, percebo que houve, naquele momento, a boa vontade dos professores e a percepção da secretária de Educação sobre a importância de tal espaço. Embora as ações sejam evidenciadas como improvisadas era o começo, tardio, mas, evidentemente necessário.
Com o passar dos anos, a quantidade de B.E’s no município foram ampliadas em pequeno número, e com carência de projetos que transformasse esses espaços num ambiente atraente, interativo e genuíno para as crianças e adolescentes que as frequentavam.
No ano de 2009, a quantidade de bibliotecas na rede totalizavam 10 (dez), por isso foi criada pela Secretaria de Educação, uma coordenação específica para trabalhar com as B.E’s, no sentido de ampliar seu número, preparar e qualificar profissionais para desempenhar a função de mediador de leitura nas B.E’s.
A história das B.E’s de Rio Verde-GO evidencia que não houve, do ano de 1986 até 2009, nenhum projeto ou política de leitura impactante, capaz de transformar a biblioteca num espaço diferenciado. Ou seja, de torná-laum ambiente transformador dentro da comunidade escolar, pelo contrário, a visão atribuída era de um local onde haviam muitos livros armazenados, na maioria das vezes aberto somente para as turmas realizarem “pesquisa escolar”, ou atividades quando professores faltavam, ou, até mesmo, um local destinado a alunos indisciplinados, que em muitas situações eram conduzidos para a B.E a fim de passar boa parte do tempo fazendo tarefas repetitivas como forma de punição. A esse respeito, a servidora da SME Rosana conta:
Infelizmente as bibliotecas só eram lembradas quando um professor faltava, isso porque levavam os alunos para lá e eles faziam diversas tarefas repetitivas, a exemplo de cópia de textos sem objetivo específico; ou, às vezes, aqueles alunos mais indisciplinados eram mandados para a biblioteca e tinham que fazer tarefas como forma de punição. (Entrevista – 2013)
Toda essa realidade vai ao encontro de Garcia e Amanto (1998, p.13), que relatam: “A biblioteca é vista muitas vezes como um lugar em que são armazenados
livros para leitura; um lugar destinado a alunos considerados indisciplinados, ou ainda, um lugar de disseminação da informação”.
De 2009 até os dias atuais, existe uma coordenação específica de B.E, e por meio dessa coordenação, alguns projetos e políticas de investimento em leitura foram implantados na rede municipal, porém, ao longo deste capítulo abordarei esses projetos e a ampliação das B.E’s de forma mais detalhada.