8. Discussion
8.1. What are the important differences between the groups?
8.1.3. Potentially pro-social and pro-environmental behaviors
Nesse final do século XX e de início do século XXI, vivemos numa época marcada por profundas transformações econômicas, que determinam mudanças acentuadas no universo das relações políticas e sociais, as quais impõem instigantes desafios. Na base destas transformações se configura a especificidade assumida pelo processo de mundialização do capital relacionado às políticas neoliberais.
Para Gaudêncio Frigotto e Pablo Gentili (2001), essa associação é uma combinação explosiva, na medida em que, ela nos afasta da possibilidade de construir uma sociedade, na qual a integração esteja assegurada com base no reconhecimento e da realização efetiva de direitos inalienáveis dos cidadãos. Direitos que permitem nos reconhecermos como cidadãos e cidadãs, de uma sociedade onde a justiça e a liberdade não sejam monopólio daqueles que concentram o poder econômico. Essa combinação é explosiva, porque ela evidencia que o capitalismo tem uma limitada capacidade civilizatória, pois no contexto atual (Globalização excludente) torna-se, cada vez mais, violento, excludente e destrutivo.
O termo globalização é, relativamente, recente (desde os anos 1980) e de significação confusa, já que é empregado com diferentes sentidos (ROBERTSON, 1992). Em termos
gerais, a globalização significa o estabelecimento de interconexões entre países ou partes do mundo, intercambiando-se as maneiras de viver de seus indivíduos, o que eles pensam e fazem, criando-se interdependência na economia, na defesa, na política, na cultura, na ciência, na tecnologia, nas comunicações, nos hábitos de vida e de consumo, nas formas de expressão, etc. Trata-se, portanto, de uma relação que afeta tanto a atividade produtiva como a vida familiar, a atividade cotidiana, o lazer, o pensamento, a arte, as relações humanas em geral, embora o faça de distintas maneiras em cada caso (SACRISTÁN, 2002).
Esses processos potencializam-se devido ao impacto das tecnologias da informação (CASTELLS, 1997) que prometem expandir para todas as realizações positivas da humanidade (mercado livre, democracia, ciência, tecnologia e progresso). Para autores como Anthony Giddens (1993) é uma consequência da modernização; em contrapartida, Robertson (1992) considera que se trata de algo mais complexo e contraditório, pois combina aspectos civilizatórios, sociais, mundiais, regionais, individuais, étnicos e de autoconsciência; e o faz em sentido opostos: ou para a concentração ou para a diferenciação, ou para a homogeneização ou para a fragmentação. Esse autor prefere usar o termo relativização.
Juan Gimeno Sacristán (2002), assim refere-se ao processo de globalização:
[...] uma nova metáfora para conceber o mundo atual e ver como se transforma. É também um modelo desejado, temido e vilipendiado, ou seja, é uma imagem desejada e negada ao mesmo tempo. Ideias, utopias e realidades como a Cidade de Deus, o anseio pela paz universal, a ideia de comunidade jurídica internacional, a explicação marxista da sociedade e de sua história, a pretensão de cidadania universal, o mercado sem fronteiras ou a sociedade da informação desfilaram pelo imaginário da sociedade para explicar fenômenos complexos sobre a integração espiritual, cultural, política e econômica do mundo. Utilizaram-se categorias como a de “Guerra Mundial”, reconheceu-se a condição de uma parte do mundo como “Terceiro Mundo”, a de outro como “Ocidente”, falamos de “América Latina ou das relações Norte-Sul, etc, dando a entender que existem realidades geopolíticas, econômicas, culturais ou de outro tipo que demonstram a existência de demarcações amplas que englobamos em entidades nas quais apreciamos uma presumível dinâmica comum e uma certa homogeneidade interna (SACRISTÁN, 2002, p. 72).
Cabe salientar que após a Segunda Guerra Mundial, várias organizações transnacionais são criadas entre países que vão gerando relações e consciência do mundo como sistema que deve integrar-se para evitar conflitos como aquele. A Guerra Fria polarizou o mundo entre duas realidades aparentes que ocultavam a diversidade de situações e de conflitos que encobriam. Nos anos 1960, M. McLuhan havia proposto a ideia de “aldeia global” para significar a diminuição do mundo que a expansão dos meios de comunicação produzia. De alguma maneira, as sociedades vêm convergindo, divergindo, estreitando seus laços e
confrontando-se em cenários progressivamente mais amplos. Sacristán (2002) aponta que se agora tem mais atualidade e existe maior sensibilidade para com a globalização, é porque as dimensões e a rapidez com que se desenvolve emprestam-lhe mais notoriedade, discutindo-se mais sobre ela. Enfim, trata-se de um modelo conceitual acerca de como está organizado o mundo (ou sobre como está desorganizado), transcendendo o local, o nacional e a sua própria cultura.
A globalização é, geralmente, associada a processos econômicos, como a circulação de capitais, a ampliação dos mercados ou a integração produtiva em escala mundial. Para Vieira, a globalização refere-se também a fenômenos da esfera social, como a criação e expansão de instituições supranacionais, a universalização de padrões culturais e o equacionamento de questões concernentes à totalidade do planeta, tais como: a ambiental, o desarmamento nuclear, o crescimento populacional e os direitos humanos. Assim, o termo tem designado a crescente transnacionalização das relações econômicas, sociais, políticas e culturais que acontecem no mundo, sobretudo, no contexto de transição, do século XX para o século XXI (VIEIRA, 1999).
Na visão dos defensores do modelo de globalização vigente, a globalização no plano econômico é um processo de desfazer as fronteiras, de pensar o mundo como um todo comunicável por regras e práticas comuns, que devem ser adotadas por todos, indistintamente. Nessa perspectiva, muitas são as vantagens apregoadas à globalização, por exemplo, um mercado sem limites entre as nações, ideal de máxima liberdade, que se autorregula, abrindo inúmeras possibilidades para os países de todos os “mundos”.
Tomando por base, as orientações ditadas pela política econômica, os países seguiriam dinâmicas semelhantes, que passariam pelo fim do protecionismo aos produtos nacionais, pela agilidade de programas de privatização, pela racionalização de todos os setores produtivos, pela implantação de ações voltadas para a gestão, visando à qualidade total, pela absorção de novas tecnologias, pelo desprestígio das políticas sociais e pela especulação financeira no plano transnacional. Estas, entre tantas outras medidas, abririam inúmeras perspectivas, para cada país que, ao somar um gerenciamento empresarial moderno a um Estado ‘enxuto’ e eficiente estaria, finalmente, afinado com a nova ordem mundial (CANDAU, 2002).
Discutindo a globalização diz Anthony Giddens (1996,1993), que esta não é apenas um fenômeno que existe “lá fora”. Ela não se refere somente à emergência de sistemas mundiais
de larga escala, mas a transformações na própria textura da vida cotidiana. A globalização invade os contextos locais, porém não os destrói; ao contrário, novas formas de identidade cultural e de autoexpressão local estão, de modo causal, vinculadas com os processos globalizantes. Por isso, o autor acima citado define globalização como a intensificação de relações sociais, em escala mundial que, ligam localidades distantes de tal modo, que acontecimentos locais são modelados por eventos que ocorrem muito distantes e vice-versa.
Por sua vez, Boaventura de Sousa Santos (1995), faz uma distinção entre localismo globalizado e globalismo localizado. O primeiro refere-se à globalização bem sucedida de um fenômeno local, como, por exemplo, a atividade mundial de empresas multinacionais, mundialização da indústria cultural ou do fast food americano (McDonald´s), a adoção mundial das leis norte-americanas de direito autoral sobre programas de computador. O segundo diz respeito ao impacto, específico, de práticas transnacionais sobre condições locais que se desestruturam ou se reestruturam para atender aos imperativos transnacionais, por exemplo, os enclaves de livre comércio, desmatamento e destruição de recursos naturais para pagar a dívida externa, uso turístico de sítios históricos e ecológicos, conversão da agricultura sustentável para agricultura de exportação como parte dos “ajustes estruturais” exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Refletindo sobre a tensão que aparece entre o global e o local, Sousa Santos (1997) aponta para o fato de que não existe “globalização genuína”, uma vez que, o elemento tornado global provém de uma origem local que se impõe e reflete “assimetrias” dos processos de globalização. Segundo este autor, há quatro formas de produção da globalização, são elas: o localismo globalizado (um fenômeno local é globalizado com sucesso), o globalismo localizado (imposição de práticas que interessam aos países ou grupos mais poderosos somente a países ou setores periféricos e subordinados), o cosmopolitismo (organização transnacional em defesa de interesses comuns dos grupos excluídos e desprestigiados na sociedade) e a perspectiva que se denomina patrimônio comum da humanidade (emergência de temas ligados a todos que habitam o planeta). Esses quatro tipos de globalização distinguiriam a “globalização de cima-para-baixo” ou “hegemônica” (localismo globalizado e globalismo localizado) e a “globalização de” baixo-para-cima “ou” contra- hegemônica “(cosmopolitismo e patrimônio comum da humanidade).
Vieira (1999) salienta que a globalização implica numa nova configuração espacial da economia mundial. No entanto, ela se expressa não apenas em termos de maiores laços e
interações internacionais, como, também, na difusão de padrões transnacionais de organização econômica e social, consumo, vida ou pensamento, que resultam do jogo das pressões competitivas do mercado, das experiências políticas e administrativas, da amplitude das comunicações ou da similitude de situações e problemas impostos pelas novas condições internacionais de produção e intercâmbio. As principais transformações acarretadas pela globalização situam-se no âmbito da organização econômica, das relações sociais, dos padrões de vida e de cultura, das transformações do Estado e da política.
Existem outros aspectos que devem ser destacados, como: os fluxos migratórios em escala planetária, as viagens internacionais, a multiplicação dos contatos e das redes de comunicação, a multiplicidade de relações e organizações interestatais, o número crescente das Organizações Não Governamentais (Ongs), o aumento do terceiro setor, a difusão de novas tecnologias, internacionalização do conhecimento social e novas formas de interdependência mundial.
Entre os componentes não econômicos do processo de globalização destacam-se: a expansão da democracia e, sobretudo, a deterioração ecológica do planeta que passou a constituir uma das bases fundamentais da globalização. Para muitos críticos desse modelo de globalização excludente (neoliberal), estes componentes são mais relevantes, na medida em que, tanto as suas causas como, também, os seus efeitos são globais.
Para Octavio Ianni (1999), a globalização não é um fato acabado, mas um processo em marcha, que enfrenta obstáculos, sofre interrupções, porém generaliza-se e aprofunda-se como tendência. Por isso, existem nações e continentes nos quais a globalização pode desenvolver- se ainda mais, porque tem espaços a conquistar. Este é o caso da África e da América Latina.
Assim, refere-se Octavio Ianni, sobre o processo de globalização:
Globalização - o termo que define a economia dos anos 1990- é hoje inadequado. Em verdade, as economias das nações industrializadas têm-se tornado, crescentemente interligadas, por meio do comércio global e dos produtos globais. Mas a globalização deixou bastante à parte duas imensas regiões do globo, compreendendo mais de 60 países, com cerca de 20% da população mundial e uma respeitável parcela de seus recursos naturais: África e América Latina [...] Além da liberalização do comércio, a privatização está mudando a forma e o desempenho dos mercados em muitas nações latino-americanas e africanas.[...] Já há indícios do que a América Latina e a África poderão se tornar. A liberalização do comércio, combinada com competente administração econômica, pôde tornar as estruturas de custos e lucros destas regiões enormemente atrativas nos anos 1990 [...] Os resultados poderão significar [...] também, com a inclusão da América Latina e da
África no mercado mundial, a verdadeira globalização da globalização (IANNI, 1999, p. 23-24).
Segundo Octavio Ianni (1995), com o tempo o mundo vai se transformando em território de tudo e todos, onde tudo – gente, coisas e ideias - se (des) territorializam e (re) territorializam, adquirindo novas modalidades de territorialização. À medida que a sociedade global debilita o Estado nacional, reflorescem identidades passadas e presentes. A ressurgência de nacionalismos, regionalismos, etnicismos, fundamentalismos e identidades enraízam-se no horizonte dos rearranjos e tensões provocadas pela emergência da sociedade globalizada.
A intensificação da socialização global, nas últimas décadas, baseia-se na expansão da tecnologia de informação como tecnologia-chave, tornando possível uma nova fase de globalização: a dos processos econômicos /empresariais e a dos mercados financeiros. Além de uma mera internacionalização do capital, o processo de globalização toma fisionomia de uma socialização global. O novo padrão de acumulação de uma sociedade mundial pós- fordista (novas tecnologias que permitem maior diversificação da produção e adaptação a preferências culturais diferentes) acelera os processos de interdependência transnacional, principalmente, no campo da informação, computação e comunicação.
Alain Touraine (1996) denuncia a exploração ideológica da globalização vista, exclusivamente, como processo econômico que faria submergir a política. O autor destaca que a globalização apoia-se em quatro grandes transformações:
a) A criação de uma sociedade informatizada, com a difusão mundial de indústrias de comunicação que modificam nossa experiência do tempo e do espaço, a natureza das cidades e a relação entre as culturas.
b) A internacionalização do capital financeiro, que aufere mais lucros na movimentação de capitais do que no investimento no setor produtivo.
c) A emergência de novos países industriais, sobretudo, os chamados Tigres Asiáticos, que relacionam abertura econômica do mercado com o rígido autoritarismo político.
d) A influência cultural norte-americana no resto do mundo.
Todavia, é preciso ressaltar que o processo de globalização, configurado na virada do século, caracteriza-se pela formação de um mercado único e global. As relações econômicas,
tanto produtivas quanto financeiras, ultrapassam as fronteiras nacionais, desregulamentando os mercados nacionais e constroem a macroeconomia, constituindo os chamados “mercados emergentes”, nas regiões periféricas do capitalismo, articulados com a formação dos mercados regionais. É a globalização do mundo do trabalho, do dinheiro e do mercado (AZEVEDO, 2000a).
Dentro dessa lógica mercadológica tudo pode ser comprado ou vendido em qualquer parte do mundo. As funções produtivas de uma empresa podem estar espraiadas pelos diversos continentes. A racionalização dos processos produtivos elimina postos de trabalho, promove o desemprego, desvaloriza a força de trabalho e estrangula a capacidade de compra dos mercados locais, provocando a expansão dos mercados para os quatro cantos do mundo: “todos os componentes do sistema produtivo e do sistema financeiro perambulam pelo mundo”(KURTZ, 1995, p. 9).
Eduardo Galeano (2002), em seu livro, O Livro dos Abraços sintetiza, no texto, Mapa- múndi (2), como o processo de globalização, através da expansão dos mercados, nos cinco continentes, converte tudo em mercadoria. Nas palavras de Galeano:
Mapa-múndi (2)
No Sul, a repressão. Ao Norte, a depressão. Não são poucos os intelectuais do Norte que se casam com as revoluções do Sul só pelo prazer de ficarem viúvos. Prestigiosamente choram, choram a cântaros, choram mares, a morte de cada ilusão; e nunca demoram muito para descobrir que o socialismo é o caminho mais longo para chegar do capitalismo ao capitalismo. À moda do Norte, moda universal, celebra a arte neutra e aplaude a víbora que morde a própria cauda e acha que é saborosa. A cultura e a política se converteram em artigos de consumo. Os presidentes são eleitos pela televisão, como os sabonetes, e os poetas cumprem uma função decorativa. Não há maior magia que a magia do mercado, nem heróis mais heróis que os banqueiros. A democracia é um luxo do Norte. Ao Sul é permitido o espetáculo, que não é negado a ninguém. E ninguém se incomoda muito, afinal, que a política seja democrática, desde que a economia não o seja. Quando as cortinas se fecham no palco, uma vez que os votos foram depositados nas urnas, a realidade impõe a lei do mais forte, que é a lei do dinheiro. Assim determina a ordem natural das coisas. No Sul do mundo, ensina o sistema, a violência e fome não pertencem à história, mas a natureza, e a justiça e a liberdade foram condenadas a odiar-se entre si (GALEANO, 2002, p.108).
Isso decorre de uma lógica “truculenta” do mercado que remete populações inteiras para além desigualdade, isto é, para a exclusão dos direitos elementares ao trabalho, à moradia, à saúde e à educação. O problema central não é mais o baixo salário, mas a destruição do emprego, a perda da capacidade de se inserir no mercado de trabalho e da condição de ‘empregabilidade’, por grande parte dos trabalhadores. A radicalização da exclusão social
como produto do processo de internacionalização do mercado tem como contrapartida, a explosão da violência urbana, o controle de territórios inteiros pelo crime organizado, o aumento do terrorismo, o ressurgimento de movimentos etnicistas, fundamentalistas, fascistas e nacionalistas.
Entretanto, é necessário assinalar que a globalização não é um processo intrinsecamente negativo, pois, a conquista de uma sociedade alternativa, democrática e solidária, não poderia prescindir dos avanços científicos e tecnológicos da chamada Terceira Revolução Industrial. O aprofundamento das relações e intercâmbios internacionais, os avanços da ciência e da tecnologia são um patrimônio da humanidade.
Por outro lado, Azevedo demonstra que o problema do atual modelo de globalização, consiste que o mesmo não se desenvolve dentro dos princípios e dos valores da solidariedade internacional, da autodeterminação dos povos e da distribuição justa dos ganhos da produtividade do trabalho (AZEVEDO, 2000a). Ao contrário, esse modelo tem acentuado o monopólio dos avanços científicos e das novas tecnologias pelos grandes oligopólios e corporações mundiais, que controlam a economia mundial.
José Clovis de Azevedo afirma que:
Há de se reconhecer que vivemos em tempos de perplexidade, de aceleração brusca nos ritmos de desenvolvimento das forças produtivas, de concentração crescente das decisões, cujos efeitos operam em órbita global. Deparamo-nos, frequentemente, com a ausência de um pensamento pertinente aos territórios culturais locais, sujeitos às imposições das formas de pensar intrínsecas a determinados padrões tecnológicos difundidos e homogeneizados a partir dos centros de decisões que manejam o processo de globalização (AZEVEDO, 2007, p. 55-56).
Para esse autor, o grande desafio está na democratização destes processos, para que seus efeitos positivos possam ser potencializados, transformados em fatores de inclusão social e em instrumentos de melhoria da qualidade de vida para todos. O desafio, atualmente, consiste em transformar o sentido meramente econômico da internacionalização, portanto, trata-se de criar as possibilidades e as condições políticas para a globalização dos direitos, da cidadania, da integração cultural e da democratização do acesso a todas as conquistas da humanidade.
Outro aspecto que precisa ser enfatizado refere-se ao avanço do processo de privatização, na medida em que, esta reduz o papel do Estado que perde a sua capacidade de controle sobre o estoque monetário internacional, cujo efeito é a diminuição de suas receitas e do seu âmbito de atuação. Isso resulta na incapacidade do Estado de atender as demandas dos setores populares, que se reflete na perda de seus direitos e do seu acesso à cidadania, uma vez que o Estado investe cada vez menos na área social
Segundo Peter Mc Laren (1998), o que hoje estamos presenciando é um ataque direto à própria possibilidade da democracia. A globalização tem colocado a democracia representativa, já corrompida por suas próprias contradições internas em um estado de provação, do qual tem se tornado impossível libertar-se. O capitalismo considerado, anteriormente, o oxigênio da democracia é agora tido como um perigo para a democracia.
Discutidos estes aspectos da globalização, cabe agora aprofundar as implicações deste processo. O mundo tem testemunhado recentemente inquietantes transformações no rastro dos fluxos capitalistas: massivas aquisições e fusões, acompanhadas por uma contínua queda nos salários, que estão chegando aos seus níveis internacionais mais baixos; a eliminação da assistência à saúde, dos planos de previdência, das férias e de outros benefícios; jornadas de trabalho mais longas, a reestruturação do processo de trabalho, seguida por um enfraquecimento do sindicato dos trabalhadores; a transferência de postos de trabalho estáveis e industriais para empregos assalariados temporários e mal pagos no setor de serviços; a redução do investimento de capital de longo prazo e de grande escala. Tudo isso está ocorrendo “numa época em que o consumismo tem se tornado uma droga mundial e na qual a dor extrema da pobreza é ‘trivializada’ por uma cultura que dá ao capitalismo uma ameaçadora face surrealista” (McLAREN, 1998, p.84).
Nas últimas décadas do século XX, ocorreram profundas mudanças na forma como o Estado tem sido reorganizado e (re) conceitualizado na tentativa de superar a crise do Estado de Bem-Estar Social, a partir de objetivos neoliberais e requisitos das reestruturações produtivas do capitalismo. Nesse sentido, houve uma reconfiguração do poder de Estado e uma reconstrução das fronteiras entre as esferas públicas e privadas. Isso tudo acontece, concomitantemente, e como parte integrante da globalização, o que tem provocado, em sua versão mais recente, uma expansão espetacular do mercado sob prerrogativas neoliberais. Pode-se afirmar que há praticamente um consenso quanto à aceitação de uma reestruturação