4. Presentasjon av funn og drøfting
4.2 Positivt samspill
A atividade, de acordo com os estudos Vygotskianos (2012), particulariza- se como o agente mais importante para o progresso e o alargamento da imaginação e da criatividade humana em geral. A teoria sobre a atividade nos aponta que é inteiramente possível que o indivíduo tenha o controle de seus procedimentos comportamentais, uma vez que o desenvolvimento do homem está fielmente ligado ao seu aprendizado, ao meio em que vive, às suas experiências, à cultura da qual participa e assume, e, portanto, às suas atividades como um todo.
Ao usar o termo “Atividade” Leontiev (2012), em seu texto Uma
contribuição à teoria do desenvolvimento da psique humana, refere-se aos
“Processos psicologicamente caracterizados por aquilo a que se dirige (seu objeto), coincidindo sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar essa atividade, ou seja, o motivo” (VYGOTSKY, LURIA, LEONTIEV, 2012, p. 68). Segundo Leontiev a atividade humana não pode ser compreendida em sua forma abstrata, isto é, desonerada de sua realidade histórica e social, pois fora dessa relação a atividade humana não existe.
Isso quer dizer que a atividade só pode ser verdadeiramente considerada atividade quando se trata de um processo psicológico significativo para o sujeito, representando algo especial, necessário de conhecer/compreender por si só.
Com a finalidade de demonstrar o que podemos ou não considerar atividade, Leontiev (2012, p. 68) conta hipoteticamente o caso de um aluno que deve se preparar para um teste escolar, de modo que se propõe a ler um livro, o qual acredita possuir o conteúdo que cairá no exame. De repente, descobre que o conteúdo do livro não estará presente no teste, sua atitude a seguir é que nos dirá se o fato de ler o livro poderá ser considerado uma atividade ou não. Se o estudante largar a leitura imediatamente, como algo sem importância que não pretende retomar, significa que a leitura do livro não pode ser considerada uma atividade, já que o motivo dela não era aprender algo por si só, por anseio, por interesse e vontade de compreensão, ao contrário a leitura era apenas um requisito necessário (e talvez entediante) para a aprovação no exame, o que a tornou obrigatória.
Portanto, “não chamamos todos os processos de atividade. Por esse termo designamos apenas aqueles processos que, realizando as relações do homem com o mundo, satisfazem uma necessidade especial correspondente a ele” (VYGOTSKY, LURIA, LEONTIEV, 2012, p. 86).
Leontiev apresenta a estrutura da atividade constituída por ações e operações. As ações são as ramificações/divisões da atividade, de modo que pode ser necessário um conjunto de ações distintas, cada uma com um objetivo diferente, para se chegar ao motivo da atividade. Já as operações são os possíveis modos de realização da ação.
Um ato ou ação é um processo cujo o motivo não coincide com seu objetivo (isto é, com aquilo a que se dirige), mas reside na atividade na qual ele faz parte. (VYGOTSKY, LURIA, LEONTIEV, 2012, p. 69) Por operações entendemos o modo de execução de um ato. Uma operação é o conteúdo necessário de qualquer ação, mas não é idêntico a ela. Uma mesma ação pode ser efetuada por diferentes operações, e inversamente, numa mesma operação podem-se, as vezes, realizar diferentes ações, isto ocorre porque uma operação depende das condições em que o alvo da ação é dado, enquanto uma ação é determinada pelo alvo (VYGOTSKY, LURIA, LEONTIEV, 2012, p. 74)
Como mencionado, para Leontiev a Teoria da Atividade está diretamente ligada ao ato de interação do homem com o meio sócio-histórico em que vive e com o outro, pois é por meio dessa prática que ocorrerá o desenvolvimento e formação do indivíduo, havendo uma internalização de novos conhecimentos, fatos e experiências de modo a reorganizar a atividade psicológica humana.
Assim, as transformações sofridas a partir das atividades e relações efetivas a cada momento são fatores essenciais para o desenvolvimento humano.
Para entendermos mais claramente o que Leontiev define por atividade, ação e motivo, recorremos a explicação de Duarte (2002), professor doutor da Unesp de Araraquara, que nos explica que: igualmente a um animal, o homem também realiza sua atividade por algum motivo, com algum propósito ou necessidade. Essa atividade pode ser composta de unidades menores, que seriam as ações, ou seja, cada uma dessas ações, se observadas por uma esfera individual, não manterão relação direta com o motivo da atividade. A relação, então, passa a ser indireta, mediatizada.
Com isso, uma ação individual integrante de uma atividade pode, em algum momento, aparentar não manter relação com o motivo dessa atividade, sendo necessário levar em conta as relações entre essa ação individual e o conjunto das ações que constituem a atividade.
Ainda segundo Duarte (2002), Leontiev (1981, p. 210-214):
[...] elabora um exemplo de uma hipotética atividade de caça realizada por um grupo primitivo de seres humanos. Nesse exemplo, um dos membros do grupo desempenha a função de batedor, isto é, deve espantar a caça numa direção previamente estabelecida, de maneira a que o restante do grupo possa fazer uma emboscada em local mais propício ao abate do animal caçado. O batedor então corre em direção ao animal caçado, gritando e espantando o animal. A ação do batedor parece ser irracional pois não há qualquer condição objetiva do batedor conseguir efetivamente alcançar o animal perseguido, menos ainda de abatê-lo sozinho. O que, entretanto, dá sentido à sua ação, o que a torna uma ação racional, são as relações coletivas existentes entre o batedor e o restante do grupo. Dessa maneira, por meio das transformações que foram ocorrendo na dinâmica da atividade coletiva humana, a mesma passou a se constituir, na maioria das vezes, em uma estrutura complexa e mediatizada, na qual as ações individuais articulam-se como unidades constitutivas da atividade como um todo. Surge assim a relação entre o objetivo de cada ação e o motivo que justifica a atividade em seu conjunto, da mesma forma que surge a relação entre o significado da ação realizada pelo indivíduo e o sentido da mesma. O significado de uma ação diz respeito ao conteúdo da ação (LEONTIEV, 1981 apud DUARTE 2002).
É possível observamos, no trecho acima, que o sentido das ações e da atividade diz respeito às razões, aos motivos pelos quais o indivíduo precisou agir. No exemplo dado por Leontiev, a ação do batedor olhada de modo isolado parece absurda, isto é, qual seria a relação existente entre estar com fome e repelir o animal para longe? Em primeira instância, não há relação lógica, mas se olharmos a atividade coletiva como um todo, ou seja, as relações sociais que existem entre o batedor e o restante do grupo, e a linguagem sócio-histórica ali contida, encontramos sentido.
Ao falarmos da atividade, não podemos deixar de retomar que para Vygotsky a linguagem é, de fato, a principal especificidade do ser humano, a qual se constitui como aparato primordial na formação da consciência. A linguagem possibilita, desse modo, que a percepção dos objetos historicamente criados ocorra no mundo externo e interno (emotivo/afetivo), através das mediações, dos signos e das atividades como abordamos anteriormente.
Silva et al (2012) nos explica a relação existente entre a atividade e a linguagem. A partir da atividade, o conteúdo da realidade objetiva é apropriado pelo sujeito inserindo-se como um processo psíquico organizado, tal conteúdo passa pela mediação da consciência adquirindo um significado, que por sua vez, é expresso através da linguagem (principal forma de manifestação do consciente).
A consciência do indivíduo é, segundo Leontiev (1983), resultado de sua relação com o mundo que se dá pela atividade que executa diante da realidade concreta; neste processo a linguagem funciona como fator mediador, devido às necessidades de comunicação entre as pessoas e, por intermédio dela, torna-se possível a apropriação da cultura e da história humanas (SILVA, e; SILVA; TULESKI, v. 2, n. 1, p. 61-68, 2012).
Frente ao exposto, a Teoria da Atividade de Leontiev (2012) nos mostra que naturalmente a criança se envolve em atividades sociais e é exposta a conceitos sócio-históricos que moldam o seu desenvolvimento, tornando-se atividades importantes para o convívio em sociedade, tais atividades ajudam a fazer com que a criança amplie seus horizontes sociais, históricos e culturaisque cercam e integram os sujeitos.
É nessa linha de raciocínio que questionamos: Então, qual seria o sentido de alfabetizar crianças a partir de uma abordagem que não as envolva em práticas sociais?
Ora, compreendemos até aqui que a criança aos poucos é inserida em um mundo já construído ideologicamente, e torna-se membro dessa sociedade, passando pelo que Leontiev (2012) chama de estágio de transição, pois é necessário que ela entenda o seu papel dentro desse círculo, e, por conseguinte como pode atuar na sociedade. Sendo assim, acreditamos que as práticas escolares devem respeitar esse estágio de transição da criança, inserindo-a oportunamente nas mais diversas práticas sociais reais.
Nesse contexto, é importante preocuparmo-nos com as crianças de 6 anos que estão sendo inseridas no universo escolar, no Ensino Fundamental de 9 anos, deixando de lado as brincadeiras e atividades pré-escolares, e atentando para novos interesses, como: a leitura, a escrita e a oralização, além da alfabetização matemática e da iniciação em outras áreas do saber, ciências, história, geografia, artes etc.
Retomamos que a educação preconiza, aqui, um papel fundamental no desenvolvimento das funções psíquicas humanas, pois se proporciona o diálogo entre os conhecimentos formados ao longo da história da humanidade e a experiência vivenciada pelo sujeito.