2. GEOLOGICAL FRAMEWORK
3.3 Seismic interpretation and depth conversion
4.1) CONSIDERAÇÕES
A necessidade de atitudes e respostas, face às desigualdades e injustiças sociais, propicia o envolvimento em ações voluntárias. Escolas públicas, normalmente, têm carências que podem ser minoradas com a solidariedade. Faltam recursos financeiros, falta mão-de-obra para a manutenção do local, faltam atividades culturais...
Os depoimentos colhidos com as entrevistas semi-estruturadas relatam a experiência de treze pessoas que oferecem seu tempo e, de acordo com seu conhecimento e talento, levam para a escola sua contribuição para somá-la às atividades que são propostas e desenvolvidas a partir do PPP. Também os diretores e a coordenadora do PAE, ao aderirem a um projeto de voluntariado, assimilam a nova ordem e dedicam-se a voltar os olhos para as oportunidades de atrair aqueles que têm potencial para desempenhar atividades que poderão ser significativas. Ao mesmo tempo, esses diretores não se abstêm de atuar também como voluntários.
Ao entrevistar a coordenadora, três diretores, e nove voluntários (três de cada escola) pretendeu-se a obtenção de dados, com a utilização da entrevista em profundidade, que é a forma que permite a livre expressão no depoimento.
De acordo com o que foi relatado pela coordenadora, são trinta e poucas escolas que estão recadastradas no PAE. Não representam vinte por cento do contingente de escolas públicas. Embora nem todas sejam administradas com recursos insuficientes, tanto a proposta como os objetivos do projeto, de fortalecimento da educação pública do ensino fundamental e de mobilização das comunidades para que ações voluntárias sejam desenvolvidas como complementação das atividades pedagógicas, independem da receita pública recebida do Estado. O número pequeno de adesão, no DF, caracteriza
que o gestor que não faz restrição ao trabalho voluntário, tem o perfil solidário, ou seja, pratica a solidariedade com seus alunos, também. A Diretora da Escola Classe, que se prontifica a levar os alunos a todos os eventos em que são incluídos, em função de atividades que desenvolvem na escola, não se importa de dedicar o final de semana, ou alguma noite da semana, para ser a voluntária que propiciou que a experiência fosse vivida pelos alunos. Ela relata que “Tem que ter o compromisso (...) tem que acompanhar”. Porque é trabalhoso, foge à rotina, exige que se faça um planejamento muito minucioso, bem diferente daquela ação cotidiana de ficar disponível para resolver o que surgir, naquele específico momento.
Agendando horário, na própria instituição de ensino, ou às vezes, na casa ou local de trabalho dos voluntários, a coleta das informações foi feita pessoalmente, os depoimentos gravados foram transcritos na íntegra, na tentativa de sondar a maneira como acontece a prática do PAE, na visão dos entrevistados. Foi seguido um roteiro de perguntas semi-estruturadas (Apêndice I). Coletaram-se dados qualitativos, relatos de cognições referentes aos sentimentos que as circunstâncias que cercam o voluntário, naquele exato momento, naquele determinado ambiente, permitiram reconhecer.
As três categorias que as variáveis permitiram condensar evidenciaram que, embora não seja feito o registro, por escrito, das atividades desenvolvidas em ações do projeto; embora os textos da Coleção Amigos da Escola não tenham sido ainda utilizados como deveriam; apesar de que reforço escolar, atividades físicas, estímulo à leitura, etc. são atividades que não têm sido desenvolvidas nessas escolas; os diretores evidenciaram que têm consciência de sua autonomia, e sabem que são os responsáveis pela adequação do voluntário ao ambiente escolar e do sucesso do PAE junto à comunidade. Isso ficou evidente, pois a proposta de adesão das três escolas analisadas partiu dos três gestores, que fazem sensibilização, em reuniões com pais e responsáveis,
para conquistar mais voluntários; que tentam oferecer mais opções de interação e ampliar os focos de atuação solidária.
Quanto aos voluntários, ficou claro que têm a motivação, propõem-se a ajudar como forma de participar das atividades escolares, e consideram que a alegria de ser útil resulta em benefício próprio também. Sugerem, inclusive, que cursos de preparação sejam metas importantes a serem buscadas para que haja a implementação do PAE e que sempre se faça avaliação com o grupo, para saber se há necessidade de alguma adequação, ou para buscar aprimoramentos.
Aos poucos, os professores e funcionários vão abrindo a guarda quanto às ressalvas para abrir as portas da escola para o voluntariado. De modo geral, os participantes sentem necessidade de mais apoio das Regionais de Ensino e sugerem uma coordenação intermediária para facilitar o entrosamento, visando à implantação de um dia temático local, a cada semestre. Isso poderia consubstanciar a mudança do que tem sido a prática atual, em relação à mídia, de só divulgar ações pontuais, aquelas que são encomendadas para o dia temático e, assim, quem sabe, conseguir que seja mais expressiva a participação da comunidade.
Todos os questionamentos foram feitos para saber os relatos referentes aos quesitos: características iniciais na adesão ao PAE; motivação, receptividade, coordenação, parcerias; focos de atuação dos voluntários; implementação; dificuldades e conquistas. A análise permitiu relatar as ações que vêm sendo desenvolvidas em nome do PAE, permitiu depreender que há mudanças, mas que são incipientes e não consubstanciam uma eficaz ferramenta na construção de uma cultura voltada à solidariedade.
Não é utilizada (ou é subutilizada) a Coleção Amigos da Escola, embora elaborada por quem entende de educação (pelo Cenpec), embora tenha sido idealizada
para facilitar a inserção do voluntário, para conquistar o professor e o trabalhador em educação, e para dar o embasamento para o gestor implantar e implementar o projeto, com linguagem acessível, alertando para inserir as ações de acordo com a realidade do contexto social da comunidade escolar em que se situa.
No Centro Educacional, os focos de atuação desenvolvidos têm uma temática centrada em atividades físicas e de expressão corporal, (dança árabe, hip hop, dança de rua, dança afro); em oficinas de confecção de bijuterias, de etiqueta e maquiagem, de crochê, de teatro; e em política de prevenção DST/AIDS para adolescentes. No seu depoimento, o diretor disse que de acordo com o que perceberam ser os vários interesses da comunidade, buscaram ações para tirar o aluno da rua, e para trazê-lo para a escola, em horário contrário ao de seu turno sistemático de aula. E que as ações desenvolvidas são respaldadas no Projeto Educativo da Escola: Educando para a vida, Construindo Valores, que tem, entre outras ações, oficinas que são desenvolvidas sem citar o PAE. Esse depoimento permite considerar que as ações sociais que o Centro Educacional tem vivenciado não podem ser associadas ao PAE. Embora o diretor tenha participado de um curso de capacitação para diretores no DF e de ter elogiado o material que “prepara para trazer o voluntário para a escola, de forma bem didática, um passo a passo, entendeu? E era legal para ter o estudo, já tinha noção, já estava atuando, agora para quem está começando e não sabe o que fazer...” ele deixa evidente que não faz uso do material impresso disponibilizado no sítio do PAE. Deixa claro que o curso não trouxe novidades para ele.
Levando em conta o que foi proposto na justificativa e nos objetivos desta pesquisa, as ações do Centro Educacional não respaldam a afirmação de ser o PAE a ferramenta que provoca mudanças e abre as portas para a comunidade. O que se observou foi que, nessa escola, o projeto é utilizado como vitrine, para expor, na mídia,
as atividades que são desenvolvidas com base no projeto da escola, que vem sendo desenvolvido desde 2000. A prática voluntária no Centro Educacional cria vínculos e permite afirmar que cria também uma cultura voltada ao desempenho solidário. Observou-se, e constatou-se em depoimentos, que há muito entrosamento entre os participantes e que, dentre eles, alguns são ex-alunos que terminaram o segundo grau e disponibilizam-se para oferecer oficinas, como voluntários. A comunidade é bastante participativa, principalmente em dias com atividades extracurriculares, não como resultado do PAE, e sim, do Projeto Educando para a Vida, que tem sido desenvolvido desde o ano 2000, e ainda conta com grande parte de pessoas atuando, desde aquela época, para o aprimoramento das ações, como voluntários. O papel do gestor é de comprometimento e voltado para o aluno. O aspecto físico da escola também evidencia que há sentimento de motivação e pertencimento por parte da comunidade.
O diretor do Centro de Ensino, em seu depoimento, deixa claro que não tem ações de voluntários voltadas à prática pedagógica e que os que aderiram ajudaram “reformando a escola. (...) geralmente pessoas já envolvidas com a escola, que têm filhos na escola, que têm interesse que a escola funcione. Pessoas da comunidade”. Em relação a ele, a voluntária 6 faz o comentário sobre a falta de receptividade, reclamando que o diretor a encaixou em horário muito desarticulado, para desenvolver as atividades que ela se propôs desempenhar. O aspecto físico da escola não evidenciava cuidado e a equipe escolar não aparentava empatia com o diretor.
A diretora da Escola Classe, embora não tenha feito constar o PAE, (seus objetivos, a adequação dos focos de atuação à comunidade, e o planejamento das atividades para 2006), no PPP da escola, deixa perceber que atua, com bastante propriedade e adequação, com a ajuda de voluntários, que são bem vindos e importantes para manter a escola com o aspecto físico impecável, com horta bem cuidada, com
atividades culturais bem articuladas. O PAE lhe dá respaldo para a implementação de ações que configuram a diferença, em busca de qualidade na sua atuação como gestora, e que têm reflexo no cotidiano da escola.
O relato dos entrevistados, a observação feita em dias temáticos, e a síntese do conteúdo dos Projetos Políticos Pedagógicos das três escolas serviram para dar a visão geral do cenário que se descortinou, embora não tenha evidenciado equilíbrio e coerência entre o proposto na teoria e o praticado no real.
Não se pode afirmar que o PAE tenha provocado mudanças organizacionais, funcionais ou pedagógicas em nenhuma dessas escolas. Não interferiu no planejamento educacional; não instigou a comunicação entre unidades organizacionais; não evidenciou reforçar novas tomadas de decisão, processos diferenciados e adequados de avaliação, melhorias em relações interpessoais, ou com a comunidade. Tomando por base o que está escrito nos PPP, a organização e funcionamento de cada uma das escolas independe de contar ou não com o que vem proposto no PAE.
Pode ser que seja porque ainda não é dada importância à necessidade de registrar as mudanças que a adesão ao PAE proporcionou, principalmente em termos de abrir as portas da escola a pessoas com boa vontade para prover apoio pedagógico, cultural ou à manutenção de equipamentos e estrutura física da escola. Este aspecto ficou evidente nas experiências que estão relatadas, oralmente, nos depoimentos.
4.2) RECOMENDAÇÕES
Com base no que foi relatado, propõe-se:
• O estudo da Coleção Amigos da Escola como marco inicial no (re)cadastramento da escola
O material elaborado para servir de referência na implantação e adequação do PAE deveria ser melhor aproveitado, em estudos sistemáticos, oportunizando também a
interação com escolas que já participam do projeto há mais tempo, como forma de aliar a teoria à prática.
• Elaboração, por parte da Secretaria de Educação do DF, de diretrizes básicas para a construção de política que incentive a cultura centrada no voluntariado.
O trabalho voluntário já não era novidade e o que é novo é o fato de trazer uma proposta de desenvolvimento a ser disseminada. Para isso ocorrer, é preciso, de acordo com Pinheiro (2002), que o trabalho voluntário seja estruturado com comprometimento; com profissionalismo; e com foco em resultados.
• Oferecimento, por parte da Secretaria de Educação, de cursos voltados à preparação para a prática do voluntariado nas escola públicas.
Cursos voltados para o aperfeiçoamento e para a capacitação de profissionais que atuam ou atuarão junto ao Terceiro Setor, ONGs e empresas com programas de responsabilidade social já são oferecidos em nível de graduação, por todo o país. Justamente para suprir a carência de instituições que têm demandas por pessoas com qualificação nessa área de conhecimento.
• Instituição do dia temático no DF.
É recorrente o argumento, por parte da coordenadora do PAE, que só através da visibilidade, na mídia, será possível conquistar a comunidade escolar para a participação na gestão democrática e para a atuação solidária. Talvez seja porque as atribuições dela ficaram restritas à articulação das escolas junto à Rede Globo, para planejar os dias temáticos, o que a mantém à parte das atividades cotidianas relacionadas ao voluntariado, aquelas atividades que não têm repercussão na mídia e que são, a razão primeira para que a escola passe a ser também um espaço de formação de valores.
Como forma de atrair a atenção da mídia, de parceiros, de instituições e empresas diversas para a contextualização do PAE, inserindo as diversidades culturais que a história da capital configurou, ao longo de seus 47 anos, a instituição do dia temático regionalizado, poderia caracterizar a busca por efetividade e compromisso, deixando no passado as ações pontuais. A partir de estratégias de intervenção na realidade das escolas, intervenção voltada para o aprendizado da cidadania, para incentivar a participação política baseada na solidariedade.
• Conquista de espaço na mídia, para divulgação de estratégias e procedimentos de participação
A falta de profissionalismo frente às empreitadas na busca por qualidade faz da escola e da equipe escolar cobaias de experimentos que não contam com a coordenação devida, oportunizando que as ações midiáticas suplantem as realizações pedagógicas merecedoras de divulgação e disseminação. A conquista de espaço na mídia, em horário voltado para propagação de estratégias e procedimentos de participação, em emissora pública, para fazer frente a esse formato ora relatado, poderia vir a transformar em coletivo, a atuação singular descortinada nesta pesquisa.
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