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2. Teori

2.1 Plast – syntetiske polymere og deres bruksområder

Não muito distante dos tempos atuais, ao nascer uma criança com algum tipo de deficiência, era de costume que os médicos em geral dessem aos familiares um diagnóstico com um prognóstico tal como uma sentença de improdutividade deste recém-nascido, diante

do qual os pais deveriam ter um conformismo e aceitá-lo sem a necessidade de intervenções, as quais seriam inúteis. Sabemos do impacto que causa este momento na vida de um casal quando se espera uma criança e essa nasce com uma deficiência. Porém, atualmente, temos um outro olhar dos pareceres médicos e especialistas da área da saúde, os quais já encorajam os familiares a ter uma interação estimuladora de relações saudáveis no ambiente familiar e na busca de tratamentos para que os mesmos possam ter condições de igualdade perante as demais pessoas na sociedade. Segundo Assumpção Júnior (1993), até mesmo em famílias saudáveis, se houver uma ocorrência brusca, provavelmente os membros desta terão que redefinir seus papéis, adaptando-se a novos valores e padrões de comportamento e se ajustando ao novo estilo de vida.

Diante disso, as famílias já passam a entender a importância vital do seu papel para seu membro com deficiência.

A Convenção sobre os Direitos das pessoas com Deficiência no seu preâmbulo alínea x) afirma a importância da família,

Convencidos de que a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito a receber a proteção da sociedade e do Estado e de que as pessoas com deficiência e seus familiares devem receber a proteção e a assistência necessárias para tornar as famílias capazes de contribuir para o exercício pleno e equitativo dos direitos das pessoas com deficiência [...] (BRASIL, 2007a, p. 17).

O primeiro contato da criança com seres humanos é o da mãe ainda no ventre, a qual exerce um papel primordial na vida dos mesmos, e o primeiro ambiente socializador da criança é o familiar. A importância das relações familiares com os deficientes , nas mais simples experiências cotidianas, na crença de suas possibilidades de aprendizado, acaba por desmistificar a condição imposta do sujeito não produtivo, mostrando assim dentro de suas limitações o desabrochar de suas capacidades. O convívio familiar que anseia respeito e afetividade potencializa as oportunidades de aprendizagem do sujeito, ao mesmo tempo em que mostra à sociedade em primeiro plano que as pessoas com deficiência podem ser produtivas contrariando as preconcepções historicamente instituídas a eles. Não podemos desconsiderar os sentimentos de ansiedade e incertezas pelos quais as famílias passam ao receber a notícia de um filho com deficiência. Muitos questionamentos farão parte da vida delas, como indagações sobre sobrevivência, cuidados constantes e até mesmo perda momentânea ou frequente de privacidade de sua vida pessoal. Porém, quando se tem uma criança deficiente, embora toda a insegurança

que aflige a família momentaneamente ou permanentemente, é imprescindível que se tenha acesso ao conhecimento.

A Lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do adolescente (ECA), evidencia a existência de deveres intrínsecos ao poder familiar, conferindo aos pais obrigações não somente do ponto de vista material, mas especialmente nos aspectos afetivos, morais e psíquicos. Já o artigo 3º do ECA, versa que

A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes proporcionar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade (BRASIL, 1990, p. 12).

As leis que amparam as crianças e ou adolescentes, independentemente de serem deficientes ou não, nos esclarece e nos conscientiza de como elas devem ser tratadas, maneira esta que induz a uma aceitação melhor nas famílias e consequentemente na sociedade. Bronfenbrenner (2005, p. 5 apud ZUCHETTO, 2008, p. 37-38) nos aponta que,

O desenvolvimento humano acontece através de processos de interações recíprocas progressivamente mais complexas entre um organismo humano ativo, em evolução biopsicológica, e pessoas, objetos e símbolos no seu ambiente externo imediato, por todo o curso da vida. Para ser efetiva, a interação deve ocorrer numa base consideravelmente regular, através de longos períodos de tempo. Tais formas duradouras de interação no ambiente imediato são definidas como processos proximais.

O mesmo autor nos exemplifica ainda que esses padrões duradouros de processos proximais podem ser encontrados na amamentação, nas brincadeiras com as crianças, nas atividades cotidianas de solução de problemas, na aprendizagem de novas habilidades e aquisição de novos conhecimentos e entendemos que isto deve acontecer nas relações familiares.

Para Vygotsky (1994 apud SILVA; DESSEN, p. 135), o ambiente possui as fontes necessárias para o desenvolvimento da criança, bem como apresenta traços humanos específicos que são característicos do desenvolvimento social e histórico da humanidade.

Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta na escola tem sempre uma história prévia (VYGOTSKY, 1997, p. 94). Desta forma, podemos entender que o ambiente familiar, considerado o primeiro espaço social da criança, nos leva a crer na importância da aceitação da família, quando se tem um filho deficiente, para a concretização do bom desempenho do mesmo.

A família representa, talvez, a forma de relação mais complexa e de ação mais profunda sobre a personalidade humana, dada a enorme carga emocional das relações entre seus membros (REY; MARTINEZ, 1989, p. 143 apud SILVA; DESSEN, 2001, p. 136).

A responsabilidade da família perante a educação dos filhos é indiscutível. É comum ouvirmos dizer nas prosas corriqueiras quando se presencia um comportamento adequado ou inadequado de uma criança ou adolescente: “também pudera, olha de qual família ou linhagem ela veio”, ou “filho de peixe peixinho é”. Uma espécie de comparação ora de críticas negativas, outras vezes de positivas, de procedência ou de uma padronização familiar das pessoas. Fazemos aqui uma analogia ao pensamento de Bourdieu (2010) já citado no capítulo anterior, quando se refere que cada família transmite a seus filhos, mais por vias indiretas que diretas, um certo capital cultural e um certo ethos, sistema de valores implícitos e profundamente interiorizados, e que essa herança cultural reflete na vida social da criança.

Segundo Romanelli (1997), a família corresponde a um lugar privilegiado de afeto, no qual estão inseridos relacionamentos íntimos, expressão de emoções e de sentimentos. É nesse contexto que os filhos com deficiência necessitam ser cuidados, educados, com atitudes de afetividade, segurança e encorajamento que facilitem suas potencialidades.