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Planlegging  og  gjennomføring  av  intervju  og  observasjon

Kapittel  3:   Læreplanen  i  møte  med  læreren

4.5   Planlegging  og  gjennomføring  av  intervju  og  observasjon

A base para transformar as atrizes em modelo de conduta é trazer diversas reportagens mostrando como elas agem, para servirem de exemplo comportamental às leitoras. A partir de matérias, entrevistas, fofocas e fotos congeladas de momentos de enlevo amoroso, há uma idéia clara da perfeição da celebridade. Outra forma de sugerir um padrão comportamental, apesar de pouco utilizada, é censurar os escassos e pontuais erros das estrelas, aspecto este revelador de como a mulher não se deve portar71.

71 Não só nos elogios se constrói o modelo comportamental, mas também nas críticas às estrelas, e indiretamente às mulheres com o mesmo perfil. São menos comuns porque a representação da estrela nas

Vale lembrar que os parâmetros de comportamento visam especialmente às mulheres, principal público alvo das revistas Cena Muda e Cinelândia durante 1950, num universo comum que congrega cinema, revista feminina e conselhos. A perspectiva do exemplo ideal de mulher para o comportamento das leitoras é a esposa dedicada ao lar, a partir dos diversos relatos dos astros. São inúmeros os textos em Cinelândia narrando a maneira correta e idealizada pelos homens da conduta feminina, mas nenhum do contraponto desejado pelas mulheres. Os galãs de Hollywood elucidam seu tipo preferido, mostrando indiretamente como conquistar um marido. Às vezes apontam os principais erros femininos neste quesito. O ideal descrito por Farley Granger é uma “clássica mulherzinha carinhosa. Nada de mulheres vitoriosas em sua carreira”, porque ele não se “daria bem com uma esposa mais preocupada com a carreira do que com o resto das coisas” 72. Depois para abrandar a opinião de Granger, o repórter anônimo declara que o casamento será para ele a coisa mais importante em sua vida, por isso o ator espera o mesmo da futura e desconhecida amada. Apesar de Cinelândia questionar a descrição, porque não acredita na cena idílica, alega que o ator precisa amadurecer. Assim, não se condena o machismo da declaração, mas a falta de maturidade do astro. Também Ava Gardner depois de ver o fracasso do seu casamento, tem uma postura diferente: tudo o que ela quer é ter uma vida simples, no lar e para o lar73. O exemplo da dona de casa cabe exatamente a uma atriz muito ligada à esfera do desejo e do sex appeal. Ava serve de exemplo à Cinelândia, embora não tenha deixado a carreira para se dedicar ao casamento.

Para os atores de Hollywood 74, a mulher ideal é a bela com “algo a mais”. A beleza não é suficiente sozinha. A mulher amada deve estar acima das outras, admirada, no fundo, como a estrela. Nesse sentido, volta-se indiretamente à celebridade como síntese da perfeição, porque só ela possui todas estes pressupostos. Isso fica subentendido no texto, quando se descrevem as características excepcionais desta mulher ideal. O que os atores buscam descrever na verdade é o it, um algo a mais

revistas possuía no período apenas alguns erros pontuais. As mulheres criticadas são as que amam boites, usam maquiagem pesada, falam alto, criticam os homens em público, tentam dominar a conversa para atrair a atenção. De modo geral, para Cena Muda, um atributo sem igual é a simpatia. As atrizes consideradas antipáticas são vistas de maneira bastante negativa, anulando qualquer qualidade ou talento. Tony Curtis chega a dizer: “a mulher que faz qualquer tipo de crítica é uma mulher que merece a minha antipatia”. Mac Kay, Margareth. O meu tipo feminino. Cinelândia, v. 1, n. 1, p. 8; 48, maio 1952. Não ampliaremos este conceito porque ele será retomado no item sobre as críticas aos olimpianos.

72Às vezes sou feliz. Cinelândia, v. 1, n.6, p. 18-9; 59, out. 1952.

73A rainha do glamour: Ava Gardner. Cinelândia, v.1, n. 1, p. 16-7, maio 1952. 74

inexplicável, que só a diva de cinema tem. As apenas belas acabam por ceder o lugar às outras. Importa para os atores a força de caráter, simpatia, inteligência, meiguice. Na maioria dos textos se vende a idéia de que nem todas são belas, nem todas têm atrativos físicos, mas todas podem ser bonitas. Além disso, “não existe mulher bela que não seja boa e compassiva”. A beleza surge também como conseqüência dos atributos interiores. Entre os predicados necessários os atores destacam: a alegria de viver, as mulheres compreensivas, moças interessadas por uma variedade maior de divertimentos (são citados apenas esportes masculinos), as amantes da natureza e do ar livre, as interessadas pelos outros, principalmente atentas a ouvir seus namorados e maridos. Não é citado textualmente que a leitora deve seguir aquele modelo, mas ela perceberá que a descrição é das esposas dos galãs, porque todos se dizem felizes no casamento. Depois, para não haver dúvidas, a revista declara que eles encontraram a mulher ideal: “o que prova que não sonharam com o impossível”. Assim, o modelo de mulher para alcançar a felicidade é a estrela. Para fechar o ciclo, estas esposas escrevem seções de conselhos às leitoras.

Os valores positivos numa mulher, seja estrela ou leitora, é o da mulher submissa, criada para viver em função do lar. A carreira pode existir como ponte para conseguir um casamento, mas não pode de modo algum atrapalhar o amor conjugal, significação maior da vida feminina, mas não da masculina. A esposa ideal como modelo de conduta pode ser personificada em Betsy Drake, mulher de Cary Grant.

Imagem 2 – Betsy Grable 75

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De acordo com um texto claramente de divulgação do estúdio, todos os dias Betsy vai ao set de filmagem para fazer café, arrumar a gravada, pentear seus cabelos, passar o texto com o marido. Tarefa muito apreciada pelo ator, de acordo com o artigo e a expressão dele na fotografia. Além de cumprir as funções domésticas dentro e fora de casa, ela ainda co-estrela o filme com Grant. O título da matéria A babá do galã 76 é considerado positivo. As fotos, além de artificiais pelo olhar congelado entre os dois, não escondem sua função direta de release do próximo filme deles, Lugar para mais um (1952), de Norman Taurog.

Betsy trabalha fora e cumpre as funções domésticas até no set de filmagem, mas as estrelas que desistem da carreira pelo casamento são bastante elogiadas. Este modelo induzido do comportamento da esposa voltada apenas ao lar tentava tornar-se próximo das leitoras, a partir da mitificação e das novas formas de criação da identidade pelo consumo simbólico. Isso ocorre porque os símbolos de Hollywood, como analisou Néstor Garcia-Canclini (1995), são formas de consumo de bens simbólicos, que se tornam mais poderosos na configuração da identidade do que os tradicionais, como família, religião ou partidos políticos.

Dessa forma, a estratégia de transmitir a vida da estrela visando ao consumo do filme converte-se também numa determinada visão da mulher. As revistas de fãs como geradoras de poder simbólico autenticam também uma construção conservadora, moralista e submissa do papel feminino, corroborando com o domínio exercido no campo das ações materiais.

Nossas observações sobre o papel da mulher atrelado ao lar nas revistas pesquisadas coincidem com a tese de Dulcília Buitoni (1980) sobre a representação da mulher na imprensa feminina. Buitoni divide a representação dos valores femininos por décadas, designando os anos cinqüenta como a da garota moderna77. Apesar do termo, a autora confirma que o amor só existe por vias do casamento. Amar e casar são sinônimos. Através do amor todos os problemas se resolvem, e a felicidade suprema só se realiza no lar. A mulher esperta deve ser ela mesma para conseguir prender o namorado. Jamais deve ofuscar ou cansar o amado. A perspectiva do querer é sempre dos homens. Na imprensa, nunca se indaga às mulheres o que elas querem dos homens, assim a mulher se vê através de outros olhos que não os seus. Há ainda no final da

76Cinelândia, v. 1, n. 1, p. 11, maio 1952.

77 Segundo Buitoni (1980), na década de 1930-40, a mulher bonita era chamada de girl, passando para garota na década de cinqüenta, para depois se tornar a jovem, além de nova.

década de cinqüenta uma conotação negativa quanto à inovações e movimentos de vanguarda 78.

No geral, não há sugestões explícitas nas reportagens de como a leitora deve proceder. Os artigos trazem apenas a conduta perfeita, tendo por base as estrelas. São transmitidos geralmente modelos imitáveis de comportamento. As alusões diretas à forma de se portar estão mais presentes na incitação do consumo pela publicidade e nas seções destinadas às indagações das missivistas, com as particularidades que veremos agora.