• No results found

Planlegge og utforme undersøkelsen

In document Transport med varebiler 2018 (sider 6-10)

Sarney casou-se com Marly Macieira, de família rica do Maranhão. À respeito de Marly, Sarney escreveu:

Marly era a moça mais bonita do Maranhão, de família abastada, e eu, aquele pobretão, jornalista e poeta. Eu estava totalmente apaixonado. Fazia versos e por ela tinha o carinho que foi da vida inteira. Filha única, acostumei-me logo a suas vontades (SARNEY, 2015).

Com ela teve três filhos: Roseana, que deu os primeiros passos na política em pleno Palácio do Planalto, no gabinete civil da Presidência da República. Formada em Ciências Sociais, tinha o apelido de “Princesinha do Calhau” – menção à mansão colonial na praia do mesmo nome, em São Luis, onde viviam. É ex-senadora e governadora do Maranhão por mais de um mandato.

O filho do meio, José Sarney Filho, o “Zequinha” foi ministro do Meio Ambiente no governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje é deputado federal pelo Partido Verde. Há quem diga que seu feito principal no ministério foi transferir para o seu Maranhão, governado pela irmã, 80% das verbas da pasta do meio ambiente que ocupara.

Dória (2011, p. 31) reproduz entrevista de Anderson Lago, ao se referir ao filho do meio de Sarney:

o Zequinha deveria ser o candidato a governador na sucessão do Cafeteira em 1990. Eu era presidente da Companhia de Águas e Esgotos eo Cafeteira criou o governo itinerante. A gente saía pelo interior, vários municípios, praças, fazia isso e aquilo. O Cafeteira praticamente obrigava o Sarney Filho a acompanhar, mas ele, irresponsável de tudo, uma cachaça louca, tinha rejeição muito grande. Não conseguia emplacar. O pai era presidente da República, o Cafeteira governador com ele debaixo do braço, o governo todo trabalhando a favor, e a rejeição dele era de 85 por cento!

O caçula de Sarney, Fernando, formou-se engenheiro pela Escola Politécnica de São Paulo e de imediato foi trabalhar no governo de Paulo Maluf. Envolvido em problemas policiais, Fernando chegou a ter sua prisão preventiva pedida pela Polícia Federal em 2009.

Dória (2011) resume a família Sarney com uma frase emblemática:

A capacidade dessa gente de escapar das maiores safadezas de que se tem notícia neste país é de dar um friozinho na barriga, ao imaginar que nem uma Operação Mãos Limpas poria esses colarinhos sujos atrás das grades.

O Estado do Maranhão mais se parece com o quintal da família Sarney. Além do próprio patriarca, sua filha Roseana também governou o Estado por mais de uma vez. Seu irmão, Zequinha Sarney é deputado federal pelo estado. Como resultado dessa “capitania hereditária”, valemo-nos de

pesquisa realizada por Veridiana Serpa e reproduzida por Dória (p. 40-41) em que afirmam ser possível no Maranhão:

- Nascer na Maternidade Marly Sarney;

- Morar numa dessas vilas: Sarney, Sarney Filho, Kyola Sarney ou Roseana Sarney;

- Estudar nas escolas: Municipal Rural Roseana Sarney (povoado de Santa Cruz, BR-135, Capinzal do Norte); Marly Sarney (Imperatriz); José Sarney (Coelho Neto);

- Pesquisar na Biblioteca José Sarney;

- Informar-se pelo jornal Estado do Maranhão, TV Mirante, Rádios Mirante AM e FM, todos de Sarney; no interior, por uma de suas 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante;

- Saber das contas públicas no Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney;

- Entrar de ônibus na capital pela ponte José Sarney, seguir pela aAvenida Presidente José Sarney, descer na Rodoviária Kyola Sarney;

- Reclamar? No Fórum José Sarney de Araújo Costa, na Sala de Imprensa Marly Sarney, e dirigir-se à Sala da Defensoria Pública Kyola Sarney.

É possível ainda, no Estado do Maranhão transitar pelas seguintes vias:

- Travessa José Sarney, Anil, São Luis. - Rua José Sarney, Tirirical, São Luis. - Rua Marly Sarney, Açailândia. - Rua Fernando Sarney, Santa Inês.

- Travessa Roseana Sarney, São Francisco, São Luis. - Avenida Governadora Roseana Sarney, Barra do Corda. - Avenida José Sarney, Chapadinha.

- Travessa José Sarney, Caxias.

- Avenida Sarney Filho, Vila Embratel, São Luis. - Avenida Senador José Sarney, São Luis.

Cícero considera o bom orador como o “vir boni dicendi peritus”, um homem que une ao caráter moral a capacidade de bem manejar o verbo. Sarney ao trabalhar seu ethos, molda para si uma imagem de pessoa honesta, simples, religiosa e soma a isso seus conhecimentos acadêmicos. Ao colocar- se na posição de humilde, oriundo de família pobre deixa plano o suporte de identificação com o seu eleitorado que é formado pelo povo pobre do Nordeste. Para Osakabe (2002, p. 70), “Quem enuncia é, no momento específico em que enuncia, a entidade dominante, na medida em que é ela quem manipula as coordenadas do discurso”. Sob esse aspecto, o dominador será sempre o locutor, coincida ou não essa dominação com a dominação efetiva, social ou psicológica.

Toda a fala do locutor é carregada de “autoridade”, não dando espaço para questionamentos. O que ele diz “é verdade absoluta”. Quando fala

da pobreza, da desigualdade, da fome e até da discriminação do cidadão nordestino, Sarney o faz com a autoridade de quem faz parte desse grupo.

Citelli (2007, p. 41), analisando um artigo de Marilena Chauí no qual ela desenvolve o conceito do discurso competente, relata:

Como é sabido, vivemos em uma sociedade que premia as competências, no campo profissional, intelectual, emocional, esportivo etc. Ao limbo são condenados aqueles que estão do lado da incompetência, porque não conseguem subir na vida, ou são instáveis emocionalmente, desgarrados da família, maus alunos, repetentes nos exames vestibulares, inseguros nas tomadas de decisões, desempregados. O parâmetro que irá atribuir medalhas honoríficas a uns e adjetivos pouco nobres a outros é sempre o da eficiência e da eficácia. Mede-se o sujeito por aquilo que produzirá, quer ao nível material – os negócios realizados, os imóveis adquiridos, até as peças que fabrica -, quer ao nível espiritual – a agudeza com que emite opiniões, os livros que escreve, a harmonia emocional que consegue estabelecer, a capacidade com que convence auditórios inteiros.

O orador constitui o ethos por meio de lugares retóricos: o da qualidade, o da quantidade, esforça-se por dar credibilidade ao tempo e, nesse caso, para realçar o lugar da experiência e da dedicação.

É fato que o político está sempre na busca de construir sua imagem. Todavia, mesmo sem atingir o topo do sucesso, o político encontra-se sempre tomado por uma dramaturgia que o obriga a construir para si um personagem, certa figura que vale como imagem de si, e que faz com que a construção do ethos tenha características próprias.

Charaudeau (2005) afirma que é na maneira de apresentar os valores que estes adquirem sentido no espaço político. É fator importante para o sucesso, que a apresentação satisfaça a certas condições de simplicidade e de argumentação.

No que diz respeito a condições de simplicidade, Sarney moldou seu discurso de forma que conseguiu atingir tanto o auditório específico, ou seja, seus pares senadores, quanto a instância cidadã, informada sobre o teor do discurso através da instância midiática. Com linguagem própria do meio político, o orador buscou não se distanciar do público.

Assim ensina Charaudeau (2005, p. 97) “O político deve, portanto, procurar qual pode ser o maior denominador comum das ideias do grupo ao qual ele se dirige, sempre se interrogando sobre a maneira de apresentá-las”.

Com relação às condições de argumentação, não se trata de desenvolvimento de um raciocínio lógico com abordagem explicativa ou demonstrativa, que tende a elucidar ou a fazer existir uma verdade, mas de mostrar a força da razão. O que deve transparecer não é exatamente a verdade mas a veracidade. Não é o que é verdade, mas o que eu creio ser verdadeiro e que você deve crer verdadeiro.

Sarney apoia seu discurso em um raciocínio causal simples, amparado em uma crença forte, partilhada por todos, qual seja, a ideia de que a idade não é obstáculo para uma boa gestão como presidente do Senado Federal.

De acordo com Charaudeau (2005, p. 87) “o ethos é como um espelho no qual se refletem os desejos uns dos outros”. Assim, é possível compreender que durante a formação do ethos do sujeito político há um diálogo entre a instância cidadã e a instância política. Assim o é porque é aceitável que o cidadão ambicione melhorias para sua cidade, seu país, sua vida. Da mesma forma, é da natureza do candidato a algum cargo, convencer o eleitorado de que ele é a pessoa ideal para realizar as tais melhorias sonhadas.

É nesse momento que o ethos passa a ter função de suporte de identificação, passa a viabilizar os valores comuns desejados e reflete os desejos de ambas as instâncias. E assim, o orador busca esse suporte de identificação ao reproduzir em seu discurso, aquilo que é almejado pelo auditório. É comum, nos dias atuais, que o candidato/orador, encomende pesquisas junto ao eleitorado, para saber quais são os desejos, os sonhos da comunidade.

CAPÍTULO IV

In document Transport med varebiler 2018 (sider 6-10)