4 Karakterer og planer om høyere utdanning blant elever i videregående
4.3 Planer om høyere utdanning
4.3.3 Planer om høyere utdanning – en multivariat analyse
ganhando destaque nas contribuições de geógrafos, economistas, sociólogos e urbanistas de diversas orientações, enfocando múltiplos aspectos onde se destacam duas posições opostas que dominam a polêmica habitual sobre o turismo: de um lado os que defendem os benefícios e impactos positivos na economia local e do outro, os que alertam sobre os conflitos culturais e ambientais onde a segregação scioespacial apresenta-se como implícita em sua prática social.
Mais recentemente, pesquisadores envolvidos com os estudos da cidade captaram uma maior influência do turismo nas manifestações tardias da urbanização contemporânea, devido à grande repercussão espacial dessa atividade caracterizada por manter inúmeras interfaces com os subsistemas que compõem a cidade.
Ensaios como os contidos no livro The Tourist City31, são um exemplo de contribuição que oferece uma riqueza de informações sobre os contextos específicos em que o
“turismo urbano” se desenvolve, ressaltando o seu impacto na paisagem e suas
consequências econômicas e políticas. De certo modo, o livro procura desmascarar a opinião comum de que o turismo é ou indigno de estudo sério ou um exemplar dos males da cultura de massa.
O conceito de urbanização turística, no sentido em que foi aplicado pelo sociólogo australiano Patrick Mullins (1991) implica na constatação da existência de formas específicas de produção do espaço urbano, engendradas a partir da atividade turística, sobretudo quando esta se impõe como dominante na economia local (MASCARENHAS, 2004).
Em seu estudo, Mullins (1991) recolheu dados em 13 cidades australianas com claro perfil turístico, comparando vários indicadores de atividades da economia urbana como: o ritmo de crescimento demográfico; os níveis de emprego e subemprego; a dinâmica dos movimentos sociais e da sociedade civil em geral, concluindo que o turismo é uma modalidade peculiar de produzir e estruturar o espaço urbano. Para o autor as cidades turísticas “representam uma nova e extraordinária forma de urbanização” (MULLINS, 1991.p.326, apud MASCARENHAS, 2004).
De fato, a “urbanização turística” apresenta-se no mundo como um dos mais representativos vetores de crescimento urbano contemporâneo. Tanto nos Estados Unidos como na Europa está relacionada aos setores de maior crescimento populacional e de trabalho. Num cenário de desindustrialização na Grã-Bretanha, por exemplo, fala-
se cada vez menos em mercadorias e mais em “tradição” com novas ondas de
tombamentos e multiplicação de museus que crescem com o turismo urbano (Op. cit., 2004).
No Brasil, embora não faltem evidências sobre o fenômeno da urbanização provocado pelo turismo (ou para ele produzida), ainda são consideradas raras as investidas acadêmicas, sobre o tema, diante da significativa produção dos diversos enfoques
31
The Tourist City - Edited by Dennis R. Judd and Susan S. Fainstein: New Haven, CT :Yale University Press, 1999
dedicados ao fenômeno do turismo, apresentada em congressos e seminários desenvolvidos no país.
No plano teórico o conceito de urbanização turística é trabalhado de modo pioneiro por Luchiari 32 que repensando a proposta de Mullins (1991), desenvolve uma abordagem sociocultural utilizando um campo interdisciplinar entre a antropologia, sociologia e geografia do turismo. Assim, avalia a importância do lugar na sua relação com a totalidade-mundo em seu trabalho “Urbanização turística: um novo nexo entre o lugar e o mundo” (LUCHIARI, 1998).
A partir dos vários sentidos atribuídos ao turismo, a autora faz referências ao trabalho de alguns dos pesquisadores que considera mais próximos à ideia de “que o turismo alimenta a reprodução de pseudo-acontecimentos, hiper-realidades, ou simulacros”, reinventados e consumidos por um público exigente e ávido de novidades, citando referências de Mac Cannell (1976); Krippendorf (1989); Featherstone (1995); Massey, (1995) e Urry (1996).
“O turismo pode reproduzir a natureza, a cultura e a autenticidade de
práticas sociais. Mas o que dá sentido ao consumo destes simulacros é a subjetividade do indivíduo e dos grupos sociais que passam a valorizar a própria reprodução. [...] O turismo de massa induz a produção de atrações inventadas que valorizam mais a técnica da reprodução do que a própria autenticidade. Estes turistas protegem-se do estranhamento do lugar ficando circunscritos em uma bolha ambiental: guias, monitores, hotéis, ambientes climatizados, enclaves urbanos... A liberdade destes turistas é condicionada pelos pontos turísticos que eles devem visitar, em total
segurança”. (LUCHIARI, 1998 p.15)
Este tipo de comportamento atribuído ao turista ao lado das características estruturais do turismo de massa faz com que sejam requeridos e produzidos espaços cada vez mais
32
Geógrafa, professora do Instituto de Geociências (IG), e do Curso de Graduação em Ciências da Terra da Universidade de Campinas-SP (Unicamp).
ausentes de significados como os não lugares descritos por Augè (1994) o que, de certo modo, imprime uma estética previsível e estereotipada do espaço turístico.
Sobre a urbanização turística, especificamente, a autora lista uma série de indicadores que ela julga capazes de identificar a ocorrência de suas características espaciais fundamentais, tais como:
A atividade de consumo ser mais importante que a produção. E mesmo que haja
produção, esta ser orientada para o consumo turístico;
A mão-de-obra concentrar-se na construção civil e no setor de serviços do
próprio setor turístico;
Haver uma valorização estética da paisagem da cidade;
A revalorização no uso do solo urbano intensificando a especulação imobiliária e
o processo de segregação residencial;
O crescimento acelerado da população e da força de trabalho, impulsionado por
fluxos migratórios;
Existir ofertas sazonais de postos de trabalho, no caso de cidades turísticas
litorâneas ou serranas;
A exigência de mão-de-obra qualificada vinda de fora, e sazonal, com contratos
de trabalho precários;
A ascensão de pequenos capitais (comerciantes, construtores...), favorecendo a
formação de uma nova elite local que efetivamente constrói a cidade e consegue poder político local;
A presença de organizações de moradores (sociedades de amigos de bairros,
associações de moradores etc.) refletindo as expectativas e necessidades locais em relação aos turistas e às necessidades do setor;
O custo de vida mais alto nas temporadas, para a população local;
A produção de novos lugares de consumo, reconhecidos mundialmente como
ambientes domesticados pelo cotidiano da modernidade (shoppings, galerias, redes de fast food, aeroportos, condomínios, etc.);
A inserção de um novo sistema de objetos carregados de novos símbolos de
Ao final, embora relate inúmeras referências e alerte para os vários problemas decorrentes de sua implantação, a autora reconhece a urbanização turística como uma das mais novas modalidades de produção do espaço urbano contemporâneo defendendo a tese de que “a atividade turística é um dos vetores mais importantes para associar o
global ao local”, negando a sua suposta dualidade e afirmando-a como relação complementar e interdependente.
O fenômeno contemporâneo do turismo coloca-se como um vetor de transformação contraditório e emblemático: acentua a produção de lugares de consumo e o consumo dos lugares. Mas não pode ser tomado apenas do ponto de vista negativo, como um desarticulador voraz de antigas formas e funções sociais que, num processo linear, destrói o velho substituindo-o pelo novo [...] O que é analisado como declínio dos lugares turísticos pelo adensamento das residências, das infraestruturas, pela concentração de pessoas e pelo apinhamento das paisagens, pode ser o sinal de uma transformação histórica dos lugares, os quais deixam para trás a determinação turística para produzir um novo lugar em conexão sistêmica com o mundo (LUCHIARI, 1998 p. 9).
Com o crescimento da urbanização provocada pelo turismo, recreação e lazer, ao lado de outros fatores econômicos, sociais e culturais, fica evidente que é necessário relacionar, de forma mais estreita e direta o turismo com os assentamentos urbanos, tendo em vista sua íntima relação.
Nesse sentido, MASCARENHAS (2004) considera que Mullins (1991) foi o que melhor sistematizou a questão entre a dinâmica do turismo com a dinâmica da urbanização, porque teve como objetivo propor uma estrutura conceitual que permitisse orientar análises empíricas.
Assim, Mullins (apud SILVA in RODRIGUES, 2000, p. 166) propõe sete componentes inter-relacionados para caracterizar a urbanização turística: três de natureza descritiva e quatro de base teórica, identificando as forças sociais mais importantes envolvidas neste tipo de urbanização. Suas características principais são segundo ele:
Ser espacialmente diferente porque é socialmente diferente;
Ser simbolicamente distintiva, com símbolos urbanos agindo como atrativos
para turistas;
Apresentar um rápido crescimento da população e força de trabalho;
Diferenciada por um sistema flexível de produção próprio da reestruturação
econômica pós-fordista;
Sofrer intervenção do Estado no estilo empreendedor, como o é a cidade pós- moderna;
Distinguida pelo consumo do prazer, costumeiro e de massa;
Ter uma população residente, socialmente diferente, movida por uma
urbanização do mesmo modo socialmente diferente.
Com esse instrumental, Mullins (Op.cit.) faz uma análise comparativa da urbanização da costa turística australiana com a de outros centros urbanos importantes do país chegando a várias constatações como:
a) A presença de uma forma característica de urbanização linear ao longo da costa com um quilômetro de largura;
b) Ausência de centralidade sob a forma usual de um centro de negócios; ao invés disso, apresentam centros comerciais e turísticos distribuídos ao longo da costa servindo a turistas, residentes e população rural próxima;
c) Fatores físicos favoráveis ao turismo (clima, paisagens, praias, etc.) levaram à
mercantilização (“commodification”) dos lugares; d) O acesso ao mar e às praias passou a ser fundamental;
e) O caráter visual do ambiente físico evoca diferentes imagens relacionadas ao prazer, alegria e deleite, símbolos da pós-modernidade;
f) Presença de uma área mais artificial e opulenta ao lado de uma mais natural e preservada;
g) Maiores taxas de crescimento da população e da força de trabalho em comparação com os outros centros urbanos;
h) Perfil econômico da população concentrado em serviços turísticos, comércio, construção, finanças e negócios;
i) Flexibilidade inferida pelo predomínio do setor privado com maior importância das pequenas empresas;
j) Altas taxas de desemprego e emprego temporário e parcial;
k) Estado atuando de modo indireto e empreendedor, apoiando o turismo e o desenvolvimento urbano;
l) Emprego público menos frequente;
m) Grande impacto das massas de turistas no consumo de bens relacionados ao prazer: comida, bebida, hospedagem e compras;
n) Aumento em despesas de parques temáticos, entre outros.
Ao final o autor chama a atenção para a necessidade de novos conceitos e teorias para analisar os turistas como uma força social, salientando que o turismo e os prazeres são também uma forma de controle social.
2.5.2 Da necessidade de novos conceitos ao estado da arte das pesquisas