Variants of Hagerman sentences
2.4.1 Pilot listening tests
A análise documental busca informações factuais em “[...] quaisquer materiais escritos como fonte de informação sobre o comportamento humano” (LÜDKE; ANDRÉ, 2005, p. 38) com o objetivo de complementar e desvelar aspectos do problema.
Compreende-se como documento tudo o que possa ser fonte de informação, segundo “[...] regulamentos, atas de reunião, livros de frequência, relatórios, arquivos, pareceres, etc. podem dizer muita coisa” (MAZZOTTI; GEWANSDSZNAJER, 2004, p. 169). É importante respeitar essa rica fonte de informações e situações que talvez não fosse encontrado em nenhuma outra fonte de coleta de dados.
Segundo Gianfaldoni e Moroz (2006), os registros feitos sobre situações que ocorreram no passado, sejam recentes ou remotas, nos permitem, como pesquisadores, lançar olhares sobre esses documentos, utilizando-os como fonte confiável de dados desde que alguns cuidados sejam tomados, como, por exemplo, sobre a autenticidade deles e de que não sejam seletivos para maquiar a pesquisa.
Fiz análises de documentos que compõem o curso de Pedagogia. Essas análises proporcionaram diversas informações que ofereceram maiores condições
de compreender e interpretar as ações desenvolvidas pelos atores envolvidos nas atividades referentes ao Estágio Curricular. Nesse sentido, Lüdke e André (1996, p. 39) afirmam que
Os documentos constituem também uma fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentam afirmações e declarações do pesquisador. Representam ainda uma fonte “natural” de informação. Não são apenas uma fonte de informação contextualizada, mas surgem num determinado contexto e fornecem informações sobre esse mesmo contexto.
Os documentos analisados têm uma íntima relação com o objetivo do estudo em pauta. Solicitei aos profissionais responsáveis a autorização para examiná-los. Analisei os documentos expostos a seguir.
a) Projeto Político Pedagógico do curso de Pedagogia – EAD: com habilitação em docência nos anos iniciais do ensino fundamental e Supervisão Educacional, é um documento que concebe para o curso de Pedagogia uma formação integral e articulada do educador. Implica inserção de diferentes domínios e instâncias presentes no cotidiano do contexto escolar. Esse documento foi de suma importância para a pesquisa realizada, pois nele está regulamentado todo o curso de Pedagogia, desde a concepção do curso, o perfil do egresso, a estrutura curricular, as ementas das disciplinas e as respectivas bibliografias, de forma específica as disciplinas do „Estágio Curricular‟, o que permitiu confrontar, por meio dele, o que está escrito, o que é dito e o que de fato é feito na realidade sobre o Estágio Curricular.
b) Regulamento do Estágio Curricular e Residência Social4: trata-se de um documento que dispõe sobre o Estágio Curricular de todos os cursos de graduação,
4Segundo o Regulamento do Estágio Curricular e Residência Social, em seu Art. 5º §1º - A residência social se constitui em um espaço imaterial de relação prático-educativa entre a academia e a comunidade, consolidando relações formais entre os acadêmicos e as organizações dos três setores da sociedade (Estado, mercado e terceiro setor), obtendo-se como resultado trabalhos de conclusão de curso que reflitam a realidade da inserção profissional nas mais diferentes localidades. O § 2º estabelece que a residência social, dentro do Estágio Curricular da UNITINS, tem como objetivo promover o desenvolvimento das habilidades prático-profissionais, inseridas e inter- relacionadas com o meio acadêmico da universidade e delinear um ambiente de Estágio pragmático e aberto à competitividade de mercado e aos desafios da sociedade planetária. O próprio documento indica um nível de abrangência que dificilmente poderia ser atingido.
na modalidade Educação a Distância, da UNITINS, de acordo com suas regulamentações próprias e específicas, no que tange aos aspectos legais de cada curso, inclusive o curso de Pedagogia.
c) Projeto de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado: é um documento que regulamenta as práticas de ensino e o Estágio Supervisionado, considerando-as como instâncias articuladoras e mediadoras da formação teórica e prática dos alunos, visa ao estabelecimento do exercício docente numa magnitude mais ampla e almeja a efetivação de um profissional crítico e atuante nos domínios da educação. Esse documento foi de vital importância para a pesquisa porque me permitiu compreender os objetivos, a organização pedagógica, os aspectos legais e burocráticos a respeito das práticas de ensino e do Estágio Supervisionado.
d) Planos de curso e planos de ensino referentes às disciplinas de Estágio I, II, Estágio Supervisionado para TCC e Atividades Orientadas para o TCC: são documentos que contêm o planejamento semestral, por disciplina referente ao Estágio, com carga horária, ementa, objetivos, conteúdo programático, metodologia, recursos midiáticos, avaliação e bibliografia. Ao analisar esses planos, compreendi a sequência lógica do planejamento das aulas, as orientações pedagógicas e a operacionalização do Estágio em cada período do curso de Pedagogia.
Depois de algumas dificuldades encontradas para conseguir ter acesso e obter cópias dos documentos supracitados, analisei-os conforme minha disponibilidade. Alguns entraves encontrados para obtenção de tais documentos foram: o projeto pedagógico do curso só foi concluído ao final do curso (junho/2009), portanto fui tendo acesso a ele por partes; os planos de curso não constavam no arquivo da coordenação do curso, por isso tive de solicitar autorização da coordenadora do curso e da secretária acadêmica para ter acesso a eles nos arquivos da secretaria acadêmica; a proposta do Estágio Curricular estava disponível no portal, mas sujeita a ajustes desde o início, para depois fazer a impressão oficial, o que não ocorreu até o final do curso. O único documento disponível desde o início da pesquisa foi o Regulamento do Estágio Curricular e Residência Social.
1.6.2 Entrevistas
A entrevista pode ser considerada um encontro entre duas ou mais pessoas com o objetivo de obter informações acerca de determinado assunto. A esse respeito Mazzotti e Gewansdsznajer (2004, p. 168) afirmam que, “[...] por sua natureza interativa, a entrevista permite tratar de temas complexos que dificilmente poderiam ser investigados adequadamente através de questionários, explorando-os em profundidade”.
Por seu caráter interativo, direto e imediato, a entrevista representa um dos instrumentos básicos para a busca de informações. Nesse contexto, são oportunas as palavras de Szymanski (2004, p. 10):
Esse instrumento tem sido empregado em pesquisas qualitativas como uma solução para o estudo de significados subjetivos e de tópicos complexos demais para serem investigados por instrumentos fechados num formato padronizado.
A entrevista é caracterizada como um instrumento importante na pesquisa qualitativa porque possibilita a produção de conteúdos fornecidos diretamente pelos sujeitos envolvidos no processo. Esses materiais tanto podem ser objetivos quanto subjetivos. Ao realizar as entrevistas, tive a oportunidade de coletar dados objetivos dos interlocutores conforme planejado, como também pude perceber aspectos subjetivos por meio das posturas, do tom de voz, dos gestos, dos olhares, principalmente quando entrevistei a coordenadora do curso e a representante da equipe pedagógica. Pretendi com esse instrumento elucidar as informações pertinentes ao meu objeto. Dessa forma, a entrevista, como fonte de informações, fornece dados primários e secundários e deve ser estruturada de variadas formas, como: entrevista semiestruturada, a entrevista aberta, a entrevista não diretiva, a entrevista centrada (MINAYO, 2001).
Respeitando o caráter interativo e dialético da pesquisa qualitativa, utilizei a forma de entrevista semiestruturada, pois proporciona maior liberdade na relação entre os sujeitos da pesquisa, além de fazer emergir questões que não estão previamente definidas e permitir esclarecimentos, correções e adaptações na busca das informações desejadas, que, segundo Lüdke e André (2005, p. 34), “[...] se
desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistado faça as necessárias adaptações”.
Neste processo investigativo, as entrevistas foram audiogravadas, com perguntas fechadas, o que possibilitou aos sujeitos pesquisados a oportunidade de se pronunciar sobre a temática em questão. Nesse sentido, são relevantes as palavras de Minayo (2001, p. 37):
O que torna a entrevista instrumento privilegiado de coleta de informações é a possibilidade de a fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores, normas e símbolos (sendo ela mesma um deles) e ao mesmo tempo ter a magia de transmitir, através de um porta-voz, as representações de grupos determinados, em condições históricas, socioeconômicas e culturais específicas.
Ainda conforme Lüdke e André (1999), a entrevista, além de nos proporcionar uma captação imediata da informação, possibilita o aprofundamento de pontos que foram levantados com outras técnicas de coleta de dados e que não foram bem esclarecidos ou foram de alcance mais superficial. As autoras aconselham o uso de um roteiro que guie a entrevista por meio de tópicos principais a serem cobertos, seguindo uma ordem lógica e psicológica.
Nessa perspectiva, infere-se que a entrevista permite tanto ao pesquisador quanto aos sujeitos pesquisados uma imersão bem maior na realidade investigada. As diversas formas de captar as várias nuances na entrevista ficam mais perceptíveis, permitem desvendar alguns pontos nebulosos e situações mais flexíveis no processo interativo de coleta de informações.
Os interlocutores da pesquisa entrevistados foram: a coordenadora do curso, quatro professores do Estágio, um representante da equipe pedagógica, responsável pelo Estágio e um tutor a distância.
Elaborei um roteiro semiestruturado (conforme os apêndices 1, 2, 3 e 4), contendo questões em consonância com os objetivos da pesquisa. Para a coordenadora de curso, o apêndice 1; para os professores, o apêndice 2; para a representante da equipe pedagógica, o apêndice 3; e para a tutora a distância o apêndice 4. Para a realização da pesquisa, utilizei um roteiro de entrevista contendo questões referentes ao planejamento, à operacionalização e à avaliação do Estágio Curricular no curso de Pedagogia - EaD. As entrevistas tiveram como propósito
colher informações explícitas e implícitas dos interlocutores investigados, buscando ver além das aparências.
Todas as entrevistas foram previamente agendadas e realizadas no próprio local de trabalho, em salas amplas, climatizadas e um ambiente favorável para tratar do objeto desta investigação - o Estágio Curricular. Isso ocorreu em virtude da dificuldade de conciliar um horário além dos limites do expediente profissional e, principalmente, por considerar o ambiente de trabalho o local mais apropriado para que os entrevistados falassem sobre suas atividades, suas experiências, seus conhecimentos e suas dificuldades, enfim, discorressem sobre a dinâmica do Estágio Curricular na modalidade a distância.
O roteiro das entrevistas serviu como norte para as discussões, porém não cumpri rigorosamente o cronograma, pois, durante o processo, surgiram outras questões, que respeitei e considerei relevantes. Realizei as entrevistas com os interlocutores nos meses de abril e maio de 2009, na sede da UNITINS, em Palmas.
Ao entrevistar a coordenadora, tentei aprofundar as questões sobre a proposta do Estágio Curricular, descrita no projeto pedagógico do curso, seu planejamento, sua operacionalização e sua avaliação, bem como o trabalho pedagógico dos professores e dos tutores que desenvolvem a disciplina Estágio.
Mediante as colocações feitas por ela, não consegui apreender questões importantes sobre o Estágio, o que me fez recorrer à equipe pedagógica em busca de maiores informações acerca do objeto de pesquisa.
A professora Helen, responsável pelo Estágio na equipe pedagógica, foi entrevistada em sua sala de trabalho, na instituição. Ela acolheu-me de forma muito simpática e pareceu-me disposta a contribuir com a pesquisa. Durante a entrevista, percebi que aquele momento representou para ela uma oportunidade de desabafo, porque se sentia “amarrada”, “cansada” (termo usado por ela), isto é, sem autonomia para cumprir na prática o que fora planejado. Essa professora pediu demissão da instituição no final do mês de junho, alegando estar muito insatisfeita profissionalmente.
Ao entrevistar o tutor a distância, percebi que o trabalho dele tinha uma similitude com o tutor presencial. Decidi me inteirar melhor das funções exercidas por este último, especialmente no que tange ao Estágio. Assim, agendei um contato
com uma tutora presencial, em um polo de Palmas - TO, por indicação de uma aluna interlocutora, pela facilidade do acesso e também por ela ter acompanhado uma turma do curso de Pedagogia desde o primeiro período.
Para coletar informações da tutora presencial, tive primeiro uma conversa informal, sobre o objetivo da pesquisa e a necessidade de sua participação. A receptividade foi muito positiva e, posteriormente, enviei um questionário que contribuiu com a investigação.