IV. Dagarbeidere på egen kost
1 Piker I alt . Gutter
Alfabetização 3%, artesanato e pintura 5%, atendimento psicológico 0%, cooperativas 2%, corte e costura 1%, doces e salgados 2%, eletricidade 2%, curso bíblico 0%, fonoaudiologia 0%, informática 5%, inglês e espanhol 3%, orientação jurídica 1%, Pastoral Operária 1%, previdência social 0%, coleta seletiva 0%, reforço escolar 1%, trabalhos domésticos 2%, tricô e crochê 4%.
Alguns sugeriram que seria útil ter outros cursos como: culinária, hidráulica, eletricidade (que deveria ter um tempo maior), encanador, construção civil. Além disso, formar um grupo de jovens e aumentar o número de voluntários, assim como um grupo permanente de trabalhadoras domésticas (o que já está acontecendo).
O que poderia ter também é um curso de encanador, eu gostaria muito por que para encanador hoje tem bastante serviço (Guilhermino Fernando do Nascimento – 39 anos).
Seria importante ter alguma profissionalização da área da construção civil e hidráulica (Reinaldo Antonio da Silva – 42 anos).
A avaliação dos cursos e atividades oferecidas pela Casa da Solidariedade aos beneficiários revela a satisfação dos trabalhadores, pois as melhorias na sua maioria vêm em vários aspectos alcançando uma melhora na sua compreensão dos problemas do bairro e da sociedade. Afirmaram que ter participado das atividades melhorou no relacionamento familiar e com os vizinhos, muitos voltaram a estudar e para uma parcela expressiva contribuiu até mesmo para encontrar um trabalho.
A avaliação no curso participado é muito positiva. Para além da boa avaliação recebida tanto pelas atividades como para os cursos, o interessante é perceber que os beneficiários acreditam que a atividade teve impacto direto em suas vidas cotidianas, mesmo porque a maioria gostaria de continuar participando em outro curso ou atividade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Numa avaliação do conjunto da dinâmica e das atividades da Casa, destaco alguns de seus pontos fortes e pontos fracos. Com referência aos pontos fortes, a Casa consegue se organizar em suas atividades através de diversas instâncias de direção e execução. Devem ser assinalados: a Assembléia Geral dos associados, que é a instância máxima, soberana, onde são discutidas e votadas todas as iniciativas e questões; a Diretoria e Conselho Fiscal; a coordenação Ampliada, composta pelas equipes completas de casa Área (integrada por agentes profissionalizados e voluntários, aqui incluídos alguns membros da Diretoria e associados); a coordenação executiva composta pelas equipes responsáveis de cada área. A Casa da Solidariedade iniciou um novo processo de gestão a partir do Seminário em Dezembro de 2005, buscando maior organização de suas atividades e inserção de atores responsáveis por cada área, possibilitando com isso um maior desempenho em suas atividades, almejando através de seu quadro de metas desenvolver uma ação mais abrangente, no sentido de incluir agentes participativos. Os membros efetivos da Casa buscam, por meio de formação permanente, aprofundarem seus conhecimentos nas áreas específicas, o que gera um melhor resultado nos trabalhos desenvolvidos. A Casa também obteve parcerias significativas que possibilitaram a manutenção das atividades, mesmo tendo redução financeira em outros projetos.
Através de parcerias, a Casa conseguiu manter suas atividades propostas no projeto, e vem sinalizando propostas de novas parcerias, além de consolidando a rede com outros grupos que formam o Fórum de Luta dos Trabalhadores Desempregados.
Com referência aos pontos fracos, a Casa cumpre o seu papel de denunciar as injustiças que ocorrem no mundo do trabalho, porém o protagonismo dos desempregados ainda é fraco.E considerando o alto nível de rotatividade, ela é obrigada a ter passos lentos e repetitivos na
organização dos desempregados, principalmente para a sua participação no Fórum de Luta dos Trabalhadores Desempregados. O motivo mais concreto para essa limitação está na dificuldade financeira para o transporte, que impede os desempregados até para a sua participarão na luta por melhores condições de vida.
Um ponto fundamental está na “missão da casa da Solidariedade”, pois, no horizonte da Casa da está colocado o objetivo maior de ver instaurada uma sociedade igualitária, justa, democrática, fraterna, sem exploradores nem explorados;
Entende-se nesse trabalho que, no processo de construção dessa sociedade, é preciso:
- que a classe trabalhadora seja protagonista, sujeito desse processo de transformação, assumindo de fato o comando;
- intensificar o trabalho de mobilização, formação e conscientização da classe trabalhadora; - retomar e fortalecer o trabalho de base;
- criar, ampliar e consolidar os movimentos sociais; - unificar as lutas sociais populares;
- resgatar os princípios éticos fundamentais da classe trabalhadora.
Vale lembrar que o compromisso principal é: Acolher e também buscar, ir ao encontro,
Formar e Organizar os trabalhadores e trabalhadoras, promovendo e incentivando o seu
envolvimento nos movimentos sociais populares, engajando-se nas lutas para a transformação da sociedade.
Em relação aos cursos e outras atividades, pude perceber alguns limites com relação ao diagnóstico do histórico ocupacional e do nível de expectativa do beneficiário. Penso que o funcionamento deveria ser confrontado com a capacitação oferecida e o diagnóstico mais preciso das potencialidades locais, indicando novas áreas de capacitação. Sob esta perspectiva, seria muito importante também que o projeto estabelecesse uma melhor articulação com o desafio da elevação da escolaridade, tanto no que diz respeito à
alfabetização quanto à educação para jovens e adultos. É importante que o diagnóstico, o encaminhamento, o acompanhamento e a orientação focada nestas questões sejam trabalhadas de forma contínua, aprofundadas e articuladas.
Pude encontrar entre os jovensinvestigados na pesquisa um interesse intenso pelas questões relativas ao trabalho e uma enorme preocupação com o desemprego. As manifestações destes conferem centralidade ao trabalho, situando-o acima de referências e valores culturais e sociais, como relacionamento amoroso, família, religião, sexualidade, Aids, drogas, violência e esporte. Todavia, esses dados não podem ser tomados homogeneamente, pois o sentimento de impotência diante do desemprego é sentido mais pelos jovens de baixa renda, com menor escolaridade.
Embora a educação não tenha ocupado posição tão destacada quanto o trabalho no conjunto de interesses e preocupações dos jovens pesquisados, é importante ressaltar que, como valor, ela se ombreia ao trabalho. É possível que isso se deva ao fato de que, apesar de tudo, a educação está mais “disponível” que o trabalho. No entanto, a educação ocupa uma posição ambígua nesse contexto. De um lado, é exaltada pelas contribuições que poderia oferecer para a constituição de sociedades mais ricas, mais desenvolvidas, mais igualitárias e mais democráticas e, de outro, especialmente em São Paulo, por não estar em condições de assegurar à população em geral o acesso aos bens culturais, sociais e econômicos que poderiam garantir-lhe os benefícios decorrentes de sua pertença à sociedade. No caso brasileiro, esse questionamento se dá predominantemente em relação à educação pública e, portanto, à ação do Estado. Por esse motivo, assistiu-se, no país, especialmente a partir de 1990, a adoção de medidas que, segundo o discurso corrente, oficial ou não, tinham por objetivo superar as deficiências historicamente constatadas, mas só recentemente admitidas e assumidas e, ao mesmo tempo, elevar o nível de qualidade da educação pública.
Na pesquisa, notei que as atividades existentes na Casa da Solidariedade representam para a maioria a possibilidade, através de cursos e programas oferecidos, de os utilizarem como ferramenta para criação de emancipação, autonomização do indivíduo e de combate à dura realidade sistêmica de desemprego. Os indicadores acima de quais cursos a pessoa pretende fazer dão clara evidência que, além da busca de uma capacitação melhor, o processo de resgate da auto-estima, o fortalecimento da cidadania e dos direitos das pessoas que participam dos cursos tem sido destacados em todas as entrevistas.
A qualificação profissional no Brasil é bastante associada a escolas técnicas mantidas pelo Estado. Nesse caso, a Casa da Solidariedade pode ser considerada um projeto menor, que de certa forma se propõem a sanar o problema da falta de qualificação dos trabalhadores e auxiliar no combate ao desemprego.
A qualificação profissional tem suas especificidades que devem ser consideradas, mas um pressuposto é não abrir mão da escolaridade de base, que também acaba tendo repercussões no âmbito profissional. Não se pode pensar em uma política de educação profissional sem resolver o problema do analfabetismo e da baixa escolaridade entre os trabalhadores. Essa preocupação com a educação, no seu sentido mais amplo, deve estar presente nas diretrizes que orientam a prática escolar. Toda educação, profissionalizante ou não, deve trabalhar com o conceito de cidadania, desenvolver valores, ou seja, todo projeto definido como educacional deve ir muito além da preparação para o trabalho. A preocupação com a educação básica também se justifica, porém, com outros argumentos: já é quase consensual a idéia de que, hoje, uma boa base de educação geral é a melhor qualificação. Isto porque, no mundo atual, em que a tecnologia impõe mudanças constantes nos processos produtivos, demanda-se do trabalhador a capacidade de se ajustar rapidamente a essas mudanças.
Nesse contexto, existem diferentes pontos de vista também com relação às prioridades que devem ser estabelecidas para o ensino profissional. A rede de educação profissional deve
garantir a formação de uma educação sólida em determinadas áreas ocupacionais, como mecânica, informática, telecomunicações, que tendem a se consolidar ou já estão consolidadas.
Destaca-se nessa avaliação positiva a aquisição de saberes relevantes para a vida econômica, e melhora da auto-estima e a expansão das percepções sobre direitos e deveres na vida econômica, social e política. Outros ainda destacam o fato de as atividades incentivarem a volta aos estudos regulares e a colaboração para a obtenção de um emprego ou uma ocupação. Porém esses são impactos diretos avaliados pelos participantes, pois é difícil uma avaliação dos impactos indiretos, mesmo porque as pessoas entrevistadas fazem parte diretamente do projeto.
Diante desse quadro as avaliações são limitadas. Sabe-se que se obteve sucesso em vários aspectos, mas não se pode afirmar com certeza que esse tipo de trabalho exercido pela Casa da Solidariedade pode reverter a ordem direta do desemprego. Sabe-se ademais que as atividades da Casa não são suficientes para promover uma queda significativa de desempregados, pois trata-se de uma intervenção local.
Por outro lado, apesar da capacidade e da impotência, pude perceber que um dos princípios do projeto é o de garantir o acesso das pessoas desempregadas e de baixa renda a um direito universal, à educação e qualificação profissional. Sabe-se que crianças, adolescentes e jovens, em situação de pobreza e desemprego, acabam abandonando a escola para ajudar sua família na complementação da renda.
Alguns obstáculos são visíveis:
A cultura do individualismo que impera na sociedade;
A dificuldade na articulação com outros movimentos de trabalhadores desempregados que têm cultura, ideologia ou /e atuação diferente;
A necessidade de manter grupos que participem do processo de formação continuada e se engajem na luta permanente dos movimentos sociais;
A superação das necessidades imediatas; A obtenção da sustentabilidade.
Finalizando, situo algumas perspectivas para o futuro, como propostas para o fortalecimento da Casa:
Efetivar uma melhor formação no que diz respeito à cultura de participação coletiva e democrática entre os trabalhadores, sobretudo entre os jovens e as mulheres, através dos recursos audiovisuais e material pedagógico que o projeto possibilitou a aquisição.
Efetivar a inserção das cooperativas no mercado com clientes regulares;
Aumentar o número de participantes nas cooperativas, alocando-os dos grupos de cursos e outras atividades.
Buscar o envolvimento geral dos freqüentadores da Casa nos movimentos sociais.
Estou ciente dos limites desta dissertação, no sentido de que se faz necessário aprofundar o conhecimento da temática selecionada, bem como explorar outros aspectos do objeto de estudo para alcançar uma visão mais ampla do mesmo.
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Anexo 1
Questionário aplicado aos participantes da Casa da solidariedade.
Anexo 2
Estatuto da Casa da Solidariedade.
Anexo 3
Questionário Casa da Solidariedade – Ipiranga – São Paulo - SP
1. Nom e: 2. I dade:
3. Sexo: 10. Há quant o t em po você est a
desem pregado?
Masculino 1 Menos de 6 m eses 1
Fem inino 2 Mais de 6 m eses a 1 ano 2
4. Qual é o seu Est ado Civil: Mais de 1 a 2 anos 3
Solt eiro( a) 1 Mais de 2 a 4 anos 4
Casado( a) 2 Mais de 4 a 5 anos 5
Separado( a) 3 Mais de 5 anos 6
Viúvo( a) 4 11. Qual era a sua profissão?
5. Onde você nasceu? ( Anot ar)
São Paulo - Capit al 1 São Paulo - I nt erior 2
Out ro Est ado Æ 12. Qual era a sua sit uação ocupacional?
( Anot e ao lado) Assalariado c/ cart eira
assinada
1 6. Você nasceu na zona Urbana ou Rural? Assalariado s/ cart eira
assinada
2
Urbana 1 Trab. por cont a própria/
aut ônom o
3
Rural 2 Trabalhador I nform al/ Bico 4
7. Qual é a sua Religião? Serviços Dom ést icos 5
Cat ólico 1 Funcionário Público 6
Prot est ant e 2 Trabalhador Rural 7
Espírit a 3 Aprendiz/ Est agiário 8
Evangélico 4 Out ro: ( Anot ar abaixo)
Afro 5
Não t em 6 PULE PARA A P.15
Out ra Religião Æ 13. Qual é hoj e a sua profissão?
( Anot e ao lado) ( Anot ar)
8. Você hoj e est á t rabalhando?
Pule p/ P.13 Æ Sim 1 14. Qual é hoj e a sua sit uação ocupacional?
Prossiga Æ Não 2 Assalariado c/ cart eira
assinada
1 9. Por que m ot ivo você não est á
t rabalhando?
Assalariado s/ cart eira assinada
2 Faça a P.10 Æ Desem pregado 1 Trab. Por cont a própria/ 3
Pule p/ P.15 Æ Dona de Casa 2 Trabalhador I nform al/ Bico 4
Pule p/ P.15 Æ Est udant e 3 Serviços Dom ést icos 5
Pule p/ P.15 Æ I nat ivo 4 Funcionário Público 6
Out ros Mot ivos
Æ Trabalhador Rural 7
( Anot e ao lado) Aprendiz/ Est agiário 8
Out ro:
15. Você possuir Out ras Font es de Renda? 22. Qual o nível da série at ual ou concluída?
Prossiga Æ Sim 1ª série do ensino fundam ent al 1 Pule para P.17 Æ Não 2ª série do ensino fundam ent al 2 16. Qual( ais) é( são) est a( s) Font e( s) de
Renda?
3ª série do ensino fundam ent al 3 Aposent adoria/ Pensão 1 4ª série do ensino fundam ent al 4 Pensão alim ent ícia dos filhos 2 5ª série do ensino fundam ent al 5 Auxílio Previdenciário 3 6ª série do ensino fundam ent al 6 Seguro Desem prego 4 7ª série do ensino fundam ent al 7 Doação ou aj uda de t erceiros 5 8ª série do ensino fundam ent al 8 Benefício de Prest ação
Cont inuada
6 1ª série do ensino m édio 9
Aluguel 7 2ª série do ensino m édio 10
Out ra: 3ª série do ensino m édio 11
17. Você ou sua Fam ília possuem Benefícios Superior incom plet o 12
Socioassist enciais? Superior com plet o 13
Prossiga Æ Sim 1 Out ro:
Pule para a P.19 Æ Não 2
18. Quais Benefícios você possui? 23. Com o você chegou at é a Casa da Solidarie-
Bolsa Escola Est adual 1 dade?
Bolsa Fam ília 2 I ndicação de am igos 1
Renda Mínim a 3 I ndicação de parent es 2
Renda Cidadã 4 I ndicação de vizinhos 3
PETI 5 At ravés da I grej a 4
Agent e Jovem 6 Out ro:
Cest a Básica 7
Vale Gás 8 24. Na sua opinião, quais dest es it ens oferecidos
Out ro: pela Casa da Solidariedade seriam os m ais
Anot ar Æ im port ant es diant e da sua form ação e de
19. Você é Alfabet izado? Suas reais necessidades? ( Leia cada it em )
Sim 1
Não 2 Vagas de Em pregos 1
20. Você est uda at ualm ent e? Os cursos 2
Pule p/ P.22 Æ Sim 1 Form ação religiosa e cidadã 3
Prossiga Æ Não 2 Convivência 4
21. Por que você não est á est udando?