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Physisorption versus chemisorption

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L- type activated carbon H-type activated carbon Lower activating temperature (450-600°C)

3 Impregnation of activated carbons and the interactions with chosen chemicals

3.1 Physisorption versus chemisorption

Faz-se necessário, neste momento, trazer para esta discussão a questão do preconceito para com o outro, pois as narrativas de nossos entrevistados colocam-nos como pessoas que também emitiram algum juízo de valor em relação a outrem em diferentes situações cotidianas.

Após perguntarmos para as pessoas se elas haviam sentido alguma forma de preconceito em sua vida, viramos sua perspectiva pelo avesso, e questionamos se já haviam se flagrado em situações nas quais teriam sido elas as preconceituosas.

Nas narrativas que apresentamos a seguir, pudemos perceber que a maioria das manifestações de preconceito ocorreu em situações públicas institucionalizadas, embora em algumas delas o interlocutor seja um anônimo, membro de uma categoria genérica. Por exemplo:

Isabela: E você, já se percebeu tendo preconceito com alguém? Poderia

me relatar?

Zélia: Às vezes... eu trabalho com Saúde Pública e, de vez em quando, a pessoa vem sem tomar banho, vem... vem suja, né, e eu conheço a casa, falo com ela: "tem que tomar banho antes de vir pro médico", né... aí às vezes eu dou uma puxada no freio, assim... isso não é legal...

Foram mais comuns os relatos em que ocorreram encontros face a face:

Isabela: E você, já se flagrou tendo preconceito em alguma situação

ou com alguma pessoa?...

Simone: Infelizmente, foi... olha, eu sinto até vergonha, sabe, foi um... um senhor, tadinho, que tava, sabe, com ferida, sabe, aí chegô, sabe, ô, meu Deus, eu senti, sabe, eu fiquei com vergonha, aí ele me pediu um dinheiro, alguma coisa, aí eu olhei assim, sabe, eu dei, mas eu fiquei, sabe, eu senti, sabe, mas daí depois eu pensei: "ô, meu Deus, mas eu não podia ter feito isso".

Simone, 40 anos, fem., serviços gerais, 1.o grau completo

Isabela: E você, já se flagrou tendo preconceito em alguma situação

ou com alguma pessoa?...

Mônica: Já, foi até aqui, ó, um dia saindo daqui da escola, da faculdade,

da UFMG, eu fui pegar o ônibus ali em baixo, aí um cara chegou e começou a pedir dinheiro pra gente, né, mas só que da maneira que ele falava a gente não dava pra acreditar no

que ele falava não... aí eu pensei, pensei: "ah, eu vô não, mexe com isso não" ...aí ele tornô chegar perto de mim,

tornô a pedir e eu disse "infelizmente eu não tenho"... Pra mim era mais conversa fiada dele, eu achei ele... era mentira...

Mônica, 45 anos, fem., trabalho, serviços gerais, 1.o grau completo

Embora menos freqüentes, as narrativas envolveram, também, situações públicas ocasionais e no anonimato:

Isabela: Você já se flagrou tendo preconceito em alguma situação que

você parou e pensou: "nossa!, fui preconceituosa agora"?

Gal: Já, já, algumas vezes...

Isabela: Pode me relatar?

Gal: De classe social, só que não classe social baixa, classe social alta, eu já... algumas vezes assim eu tipo não, ai num, num

me bate muito, sabe, ah, é "pat", sabe, é chamar os outros

de "pat" é tipo um preconceito...

Isabela: E você, Ivan, você já se flagrou tendo preconceito em alguma

situação, poderia me dizer?

Ivan: Ah, já, já... pô!, foram algumas, pô!, foi, a primeira vez que eu me flagrei também, flagrante de preconceito, foi na minha adoles- cência ainda e um amigo meu foi apresentar, foi me apresentar um amigo dele que ele tava fazendo aniversário, bebemos pra caramba coisa e tal... era tipo uma confraternização... aí daqui a pouquinho chega um outro cara na sala, aí os dois se beijam,

caraca meu, aí eu descobri que eu era preconceituoso...

também nesse dia, que foi uma cena...

Isabela: Mas o que você sentiu? o que quer dizer esse tipo "caraca"?... Ivan: Caraca, foi... foi nojeira, nojeira, eu "caramba, o que que é

isso?..."

Ivan, 23 anos, masc., psicólogo

Isabela: E você, já se flagrou tendo preconceito com alguém? Pode

me dar um exemplo?

Selma: Olha o que... eu fui... que aquele meu comportamento de... é...

é... preconceituoso... isso em relação às... aos moradores

periféricos mesmo, que tem a ver comigo, que têm a ver

com minha infância, né, que até hoje a gente vê, então em relação com... com a periferia, né, "mas aqui é muito perigoso"... eu me vi assim momentos pensando...

Selma, 40 anos, fem., psicóloga e professora de Psicologia

Isabela: E você, em relação ao outro, você já se flagrou...

Ceumar: Tendo preconceito? Claro, já, já... é, quer dizer, sempre

dentro desta coisa que me afasta do outro, né, é... tem um... tem um episódio que eu num... não esqueço, que eu tava andando sozinha pela rua, e vi um rapaz é... tava frio... e

tinha um rapaz vindo na minha direção com uma jaqueta e um gorro enterrado na cabeça e fiquei com medo dele... eu achei mesmo é... como um tipo suspeito, já alguém que pudesse me assaltar, e quando eu fui chegando perto...

continuei lá no meu caminho, mas com medo... e quando cheguei perto eu reconheci... era o rapaz... chapeiro da lanchonete da faculdade... eu convivia, eu sabia o nome e tal... eu fiquei muito envergonhada... eu nunca falei isso, tô falando agora aí pra você... eu fiquei muito envergonhada...

Isabela: Você quer falar mais alguma coisa [a respeito do preconceito]? Rita: Eu tive [preconceito] quando eu fui pra Europa. É, eu tava

na França e tem muitos negros que são de colônias é

africanas e são negros azulões né, e eu me vi em várias vezes assim com medo de tá passando pela rua e tá vindo um negro, e eu que sou assim, me considero totalmente sem preconceito; converso com pessoas na rua que pedem dinheiro, e de repente num lugar desconhecido eu não sabia se aquela pessoa representava um perigo ou não, na primeira

vista pra mim um negro representou perigo, eu me senti

supermal depois de ter tomado isso pro consciente...

Rita, 26 anos, fem., bióloga

Estas narrativas nos permitem visualizar a diversidade de práticas coti- dianas do preconceito, tendo como fundo os valores, os costumes históricos e sociais da sociedade ocidental atual e as diferentes formas de compreender o mundo. Permitem entender os variados motivos que, como mola propulsora, podem servir para que eu julgue o outro como sendo diferente do que aceito como norma, e assim, acabe por praticar a intolerância em forma de preconceito para com o outro.

A figura 3, elaborada como síntese da discussão sobre as experiências envolvendo preconceito, permite visualizar a diversidade de motivos que, de um lado, levou nossos entrevistados a serem preconceituosos e, de outro, os fez se sentirem alvos de preconceito. As situações e os motivos que levam ao preconceito, nessas entrevistas, trazem para o palco um outro elemento, que confere cono- tações especiais a essas experiências: os sentimentos por elas suscitados, assunto do próximo passo de nossa análise.

FIG U RA 3 - M O TIVO S DO PRE C O N CEITO

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