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Alguns autores, em suas definições sobre os OA, destacam algumas características que contribuem para uma definição mais precisa e reforçam as especificidades e potencialidades do recurso para fins educacionais, como por exemplo, o reuso, a combinação, a granularidade, a interoperabilidade, a durabilidade e a acessibilidade.

Com o objetivo de ampliarmos o acesso e a utilização dos OA que produzimos, optamos pela licença aberta Creative Commons, que é atualmente aplicada às mídias digitais disponíveis na internet, pois concordamos com Wiley (2009) que o simples ato de adicionar uma licença aberta em que fornece os direitos de utilização para a aprendizagem, considerando os 4Rs (Reuse, Revise, Remix, Redistribute), vai expandir significativamente a compreensão do conceito de reuso dos OA, bem como, seu alcance. O autor ainda destaca que a licença aberta parece ser o melhor caminho a seguir para que tenhamos uma promissora aplicação de recursos digitais na educação.

Os 4Rs significam: 1. Reuso (Reuse): Fazer e utilizar cópias do recurso, assim como você o encontrou; 2. Revisar/rever (Revise): Alterar ou transformar o recurso de modo que atenda às suas

necessidades; 3. Combinação (Remix): Combine o recurso (original ou alterado) com outros recursos para melhor atender às suas necessidades; 4. Compartilhamento (Redistribute): Compartilhe o recurso original ou alterado com outras pessoas.

Ainda sobre o reuso do recurso, alguns OA que produzimos possuem o conteúdo flexível, ou seja, pode ser alterado e projetado de acordo com o contexto, as necessidades do aluno ou da turma. Desta forma, o professor pode servir-se novamente do recurso na prática pedagógica por quantas vezes achar válido, alterando o conteúdo a ser trabalhado pelos alunos, adequando às suas necessidades. Além disso, com a licença aberta Creative Commons, o professor tem acesso livre ao recurso, sem precisar de permissão para sua utilização, sendo possível, também, utilizar em diversos lugares, não só nas escolas em que trabalha. Isso facilita o trabalho de planejamento de aulas com a utilização dos OA, quando feito em casa.

Nossa preocupação em disponibilizar uma estrutura de reuso, também, para o conteúdo a ser trabalhado pelo aluno, é o de oferecer a possibilidade de adaptação ao contexto e a geração de novas conexões cognitivas, a partir dos desafios propostos. Assim, o OA mantém o caráter estimulador e desafiador quanto à tomada de decisões e a resolução de problemas.

Todo OA contém uma tela inicial para que o professor escolha como quer utilizá-lo. Este é o diferencial do conjunto de OA que desenvolvemos, pois constatamos que os OA disponíveis na internet, e a maioria dos softwares educativos, em CD-Rom, pré-estabelecem o conteúdo, sem a opção de adaptação com a realidade da escola, do aluno e a prática do professor.

Para Freire (2007), alfabetizar implica não a memorização visual e mecânica de sentenças, palavras, sílabas, desgarradas de um universo existencial – coisas mortas ou semimortas, mas numa atividade de criação e recriação. Cabe frisar, que nessa dinâmica de criação e recriação, o professor é fundamental no processo, articulando o diálogo sobre situações concretas com o aluno. Ele é o colaborador na alfabetização do aluno, estabelecendo práticas pedagógicas significativas, em que o próprio aluno se alfabetiza, de dentro para fora, como sujeito ativo com o mundo e no mundo.

O bom começo para uma boa prática pedagógica, segundo Freire (1998), é a avaliação do contexto em que ela se dará. O pensar crítico sobre o contexto precede a intervenção que o professor pretende exercer sobre ele. Assim, temos como premissa a utilização de recursos digitais que não imponham o conteúdo a ser trabalhado pelo professor e o aluno, por isso, optamos por desenvolver alguns OA que possibilitem a adequação ao contexto que deve ser avaliado, antecipadamente, pelo professor.

Nos OA, algumas especificações sobre as características mais técnicas são percebidas, como por exemplo, a granularidade e composição de cada recurso. A combinação de diversos elementos

como imagem, desenho, texto, áudio, vídeo, animação, atividade interativa, entre outros, determina a granularidade do recurso, ou seja, seu tamanho.

Polsani (2003) afirma que o OA deve ser uma combinação de vários elementos. É a composição de um objeto que coloca em prática o princípio de intenção de aprendizagem. Para ele, além disso, o mesmo conteúdo pode ser servido para os alunos com deficiência, sem a necessidade de considerações adicionais de desenvolvimento, quando combina elementos variados.

Os OA que desenvolvemos podem ter tamanho igual ou inferior a um megabyte (1mb). Esse tamanho foi estabelecido por ser um recurso digital, de acesso via internet, portanto utilizado através de um web site, e por isso, devem ser leves, considerando as variadas velocidades de conexão que os usuários podem utilizar.

O tempo de duração pode variar de 15 a 30 minutos, de acordo com a quantidade de desafios por OA. Conforme recomenda Sthepherd (2000), o tempo não deve ultrapassar 30 minutos para ser utilizado em várias situações. Neste sentido, estabelecemos o máximo de três desafios por OA, estimando o tempo de permanência dos alunos no laboratório, de 30 a 50 minutos, já que deve haver um revezamento, na mesma turma, para que todos possam utilizar os computadores.

Quanto à interoperabilidade e durabilidade, o conjunto de OA pode ser utilizado em qualquer sistema operacional e plataforma, permanecendo ativo mesmo com a atualização de hardware e software. Por obter caráter lúdico e apelo visual intenso são produzidos pelo software Flash, da empresa Adobe, e publicados em extensão swf, por isso podem ser acessados também em diversos navegadores de web site, como os gratuitos, Firefox Mozila e Chrome da Google, e os proprietários Safári, Internet Explorer, entre outros.

A única exigência para o funcionamento dos OA é a instalação do plugin33 Adobe Flash Player, em versão igual ou superior a 08. Normalmente, quando acessamos uma página na internet que necessita do plugin e o mesmo não está instalado, o próprio navegador detecta a ausência e nos pergunta se queremos baixá-lo e executá-lo no navegador. Esta ação facilita o acesso para os usuários que, ainda, não se sentem confortáveis com os aspectos mais técnicos sobre a internet, os programas e o computador. É importante destacarmos que o navegador Chrome já vem com suporte integrado ao plugin Flash Player. Neste caso, não haverá a necessidade de instalação do mesmo para os usuários que optarem por navegar pela internet com o navegador da Google.

Após detalharmos as características e os aspectos técnicos necessários para o funcionamento dos OA, passamos à descrição do conjunto de OA que produzimos com foco na alfabetização de crianças.