1. L A COMMUNICATION DANS LE CONTEXTE COMMERCIAL
1.1 C OMMUNIQUER
1.1.8 La pertinence –au fond de la cause
Qual seria a relação entre cada lugar escolhido pelo comerciante com o restante da cidade? Isso importa? No exercício crítico às visões teóricas sobre o desenho urbano, John Peponis (1989) identifica duas tendências equivocadas, limitadas: a defesa do desenho das cidades como uma “agregação de localidades mais ou menos autocontidas” e o grau secundário de importância dada ao aspecto cultural da estrutura do espaço urbano.
A maior parte das teorias revisadas e citadas por ele criticam o planejamento urbano moderno, contudo não chegam a identificar o que na arquitetura repercute no modo como se utiliza o espaço urbano e, ainda, elas se abstêm de discutir sobre “as propriedades projetuais e configurativas das cidades que são integradas espacialmente numa escala global, sem que se comprometa a diferenciação e o caráter distinto de suas partes.” (PEPONIS, 1989).
A análise do ponto de comércio em si, com relação ao respectivo contexto imediato constitui somente parte do estudo sobre a atividade e sua repercussão social. Próximo a cada ponto, existe uma diversidade de outros lugares e atividades que de alguma maneira, física e socialmente, estão relacionados a ele. O desenho dos espaços que os interligam nos informa não somente sobre suas existências, mas principalmente como as interrelações se dão. “O que confere às cidades seu caráter distintivo não é meramente a variedade e natureza de diferentes tipos, mas a maneira pela qual estes se encontram relacionados.” (op. cit.)
Infere-se que os espaços urbanos possuem propriedades relacionais que organizam, em si, a presença e a distribuição de pessoas. A apreensão dessas propriedades se dá pela inteligibilidade do espaço urbano, que não depende de conhecimento explícito prévio (HILLIER et al., 1987 apud PEPONIS, 1989). É uma
captação do espaço por intermédio do que Peponis compara com o conceito de habitus de Bourdieu: “princípio gerador de práticas objetivamente classificáveis e, ao mesmo tempo, sistema de classificação de tais práticas.” (BOURDIEU, 2011, p. 162). Toda a lógica da inteligibilidade do espaço urbano gira em torno da detecção de padrões, tanto da configuração do espaço, quanto do comportamento das pessoas em relação e a partir dele. Habitus é a base da ‘lógica prática’, expressão cunhada por Bourdieu, que norteia decisões e escolhas não sistemáticas, ou racionalizadas, no uso do espaço urbano, e tem como resultado o padrão de copresença (1980 apud PEPONIS, 1989).
A configuração do conjunto de vias de acesso entre os variados espaços da cidade repercute de maneira a permitir ou restringir o movimento, seja por veículos ou pedestres. “O movimento ao longo das ruas de uma malha viária é mais influenciado pela posição de cada rua dentro do complexo urbano como um todo, do que por qualidades imediatamente locais daquela rua” (MAJOR et al, 1997, p. 42.01 apud MEDEIROS, 2006, p. 102-103).
Movimento natural foi um conceito cunhado por Hillier et al (1993), para o movimento gerado por efeito da configuração. Nesta conceituação eles convergem em uma mesma situação a configuração, o movimento e a atração. Atração, neste caso, é considerada como a propriedade ou elementos que certas vias ou lugares possuem de concentrar movimento ou permanência de pessoas. Nesta tríade, a configuração tem preponderância de efeito sobre os outros dois aspectos.
Por meio do esquema da Figura 1.3, Medeiros (2006) interpreta a lógica do movimento natural representada por um ciclo fechado em que
a configuração da malha viária, por sua forma de articulação, estabelece a hierarquia do movimento definindo áreas com maior e menor concentração de fluxo: equivale ao efeito primário. Áreas com maior concentração de fluxo tendem a atrair certos usos que se beneficiam deste movimento, como o comercial e de serviço: corresponde ao efeito secundário de convergência de atratores. Estes atratores, por sua natureza, atraem novos fluxos e mais movimento, resultando no efeito terciário, e também podem alterar a configuração do espaço construído, correspondente ao efeito quaternário, fechando o ciclo. (MEDEIROS, 2006, p. 103)
Figura 1.3 – esquema do movimento natural. Fonte: MEDEIROS, 2006, p. 103.
Na análise da estrutura local e global do conjunto das vias no espaço urbano, a Sintaxe Espacial se utiliza do conceito do movimento natural para evidenciar a relação entre configuração e movimento nas cidades.
No âmbito metodológico da Sintaxe Espacial, a medida de integração informa sobre os níveis de integração entre as partes de uma região que está sendo analisada. O conjunto de vias que interliga estas partes é analisado em sua configuração. Esta medição é feita por intermédio de mapas axiais (lineares) e pode se dar de duas maneiras: entre uma porção da cidade e o seu todo e entre uma determinada linha axial e o lugar onde está inserida (HOLANDA, 2002, p. 102). Por ser de natureza topológica e não geométrica, a medição neste caso
...é obtida em razão de quantas linhas axiais, abstraídas do sistema de espaços abertos, temos minimamente de percorrer para ir de uma dada posição, na cidade, a outra posição, e não em virtude dos metros lineares de percurso que separam minimamente essas posições. Em outras palavras, num sistema muito integrado, temos de dobrar um número pequeno de esquinas para ir, em média, de uma rua para qualquer outra do lugar. O contrário se dá num sistema menos integrado. (HOLANDA, 2002, p. 102-3)
O trânsito entre os aspectos global e local dos lugares, passível de ser analisado por meio do estudo das técnicas da convexidade e da axialidade, possibilita a compreensão da interface entre os contextos e a atividade em si, no sentido da diferenciação e da integração, na sua relação com o entorno próximo, bem como com o todo da cidade.