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2. Teoretisk rammeverk

2.3. Perspektiver på samarbeid i samtaleforskning

A coluna estratigráfica regional, válida para a região ocupada pela Folha Diamantina, fundamenta-se nos trabalhos de Pflug (1965, 1968), com as modificações propostas por Schöll & Fogaça (1979, 1981) e Fogaça et al. (1984).

A coluna estratigráfica proposta por Schöll & Fogaça (1979) possui três grandes conjuntos constituintes da Serra do Espinhaço Meridional (com exceção daquele que incluiria as rochas neoproterozóicas, denominado de Supergrupo São Francisco por Pflug & Renger, 1973): (a) Supergrupo Pré-Rio das Velhas, granítico, gnáissico e migmatítico, de provável idade arqueana; (b) Supergrupo Rio das Velhas, também de possível idade arqueana, e correlacionável a unidade de mesmo nome, definida no Quadrilátero Ferrífero; e (c) Supergrupo Espinhaço, de idade proterozóica, abrangendo as formações São João da Chapada, Sopa- Brumadinho, Galho do Miguel, Santa Rita, Córrego dos Borges, Córrego Bandeira, Córrego Pereira e Rio Pardo Grande, anteriormente definidas por Pflug (1968).

Para as duas seqüências mais basais do Supergrupo Espinhaço, Schöll & Fogaça (op. cit.) propõem uma subdivisão estratigráfica em seis unidades informais de mapeamento,

designadas de níveis “A”, “B” e “C” (inclusos na Formação São João da Chapada) e “D”, “E” e “F” (relacionados à Formação Sopa-Brumadinho).

Fogaça et al. (1984), consideram que a falta de evidências concretas impedem a correlação das seqüências dominantemente xistosas pré-Espinhaço com aquelas incluídas (no Quadrilátero Ferrífero) no Supergrupo Rio das Velhas, ressaltando a flagrante inexistência de continuidade física entre os dois conjuntos (Figura 2.2.1). Assim, propõem para o conjunto aflorante na região mediana-central da Serra do Espinhaço Meridional a designação de Supergrupo Rio Paraúna. Esta unidade, de provável idade arqueana, teria sua base marcada pelas rochas do Grupo Pedro Pereira, subdividido em uma unidade metaultramáfica/metamáfica e uma seqüência com predomínio de metassedimentos químicos (representados quase que exclusivamente por formações ferríferas bandadas). As seções mais superiores corresponderiam ao Grupo Costa Sena, caracterizado por quartzo-mica xistos podendo conter cianita pertencentes à Formação Barão do Guaicuí (com intercalações de quartzitos, formações ferríferas, xistos verdes e metaconglomerados) e pelos quartzitos e metaconglomerados da Formação Bandeirinha (Figura 2.2.2).

Figura 2.2.1: Quadro sinótico (modificado por Knauer, 1999 de Renger & Knauer, 1995) das

colunas estratigráficas utilizadas para os diferentes segmentos da Serra do Espinhaço, com destaque para aquela do Setor Meridional.

Figura 2.2.2: Colunas estratigráficas do Supergrupo Espinhaço segundo Pflug (1968) e

Fogaça et al. (1984), esta última incluindo a subdivisão das rochas arqueanas (Fogaça, 1995).

Fogaça et al. (1984) enfatizam ainda que a relação entre os dois grupos não é clara,

talvez representando uma “discordância profunda”. Uma evidência desta discordância e de uma

grande diferença de idade entre os dois conjuntos estaria na grande contribuição, nos metassedimentos do Grupo Costa Sena, de material proveniente da erosão dos granitos do tipo Gouveia, enquanto que nos metassedimentos do Grupo Pedro Pereira esta contribuição não é observada.

As modificações, dessa época aos dias atuais, concentram-se apenas em designações novas para: (1) a subdivisão do Supergrupo Espinhaço em dois grupos (Dossin et al., 1985, Knauer, 1990 e Almeida-Abreu, 1993); (2) denominações formais dos membros da Formação Sopa-Brumadinho, propostos por Almeida-Abreu (1993) em lugar dos níveis de Schöll & Fogaça (1979).

Silva (1995a, b), trabalhando apenas com a chamada “fase rift” do Supergrupo

Espinhaço, reconhece cinco seqüências deposicionais (as três primeiras aparentemente correspondentes à Formação Bandeirinha no sentido aplicado por Almeida-Abreu, 1993), as quais, da base para o topo, são: (a) Seqüência Deposicional Basal (constituída por arenitos

arcoseanos); (b) Seqüência Deposicional Olaria (representada especialmente por sedimentos depositados em sistemas de leques aluviais e mantos de pedimentos); (c) Seqüência Deposicional Natureza (a qual inicia-se com sistema de leques aluviais progradantes sobre sistema fluvial entrelaçado, recoberto sobre novo sistema entrelaçado que evolui até sistema eólico); (d) Sistema Deposicional São João da Chapada (correspondente à formação de mesmo nome); e (e) Seqüência Deposicional Sopa-Brumadinho/Galho do Miguel (incorporando as duas formações de topo do Grupo Guinda no conceito de Almeida-Abreu, 1993).

Baseando-se em conceitos de tectonoestratigrafia, Martins-Neto (1995a) propõe a subdivisão do Supergrupo Espinhaço em tectonosseqüências (Figura 2.2.3), as quais incluiriam

“associações de fácies geneticamente relacionadas em uma fase tectônica específica da bacia”.

Seis destas tectonosseqüências foram reconhecidas pelo autor, designadas (da base para o topo) de:

(a) Olaria (correspondente à metade inferior da Formação Bandeirinha); (b) Natureza (metade superior da Formação Bandeirinha);

(c) São João da Chapada;

(d) Sopa-Brumadinho (correspondente à maior parte da formação de mesmo nome no sentido de Schöll & Fogaça, 1979, ou a Associação Faciológica Fan- deltaica/Lacustre de Martins-Neto, 1993);

(e) Galho do Miguel (que inclui os metassedimentos da Formação Galho do Miguel e da Associação Faciológica Marinha Rasa de Martins-Neto, 1993); e

(f) Conselheiro Mata (especialmente caracterizada por metassedimentos de origem marinha rasa e plataformal, localmente com depósitos fluviais, transicionais e costeiros).

Figura 2.2.3: Diagrama estratigráfico para a Megasseqüência Espinhaço indicando as

principais características das unidades tectono-sedimentares (Martins-Neto, 2000).

Adotar-se-á aqui a coluna estratigráfica sugerida por Knauer (1990) com a proposta de Knauer (1999) em abolir o conceito de Supergrupo Rio Paraúna como unidade maior abrangendo os grupos Pedro Pereira e Costa Sena fato, este decorrente da existência da

“discordância profunda” reconhecida na definição original de Fogaça et al. (1984) - com

diferenças superiores aos 900 milhões de anos entre os metariolitos dos dois grupos (2971 milhões de anos para o Grupo Pedro Pereira e 2049 milhões de anos para as metavulcânicas ácidas do Grupo Costa Sena, Machado et al., 1989).

Desta forma, a coluna estratigráfica é composta pelo Complexo de Gouveia, o Grupo Pedro Pereira (ambos do Arqueano), o Grupo Costa Sena (Paleoproterozóico, constituído pelas formações Barão do Guaicuí e Bandeirinha) e o Supergrupo Espinhaço (dividido nos grupos Guinda e Conselheiro Mata), Figura 2.2.4. Aflora, ainda, na porção nordeste da Folha Diamantina, o Grupo Macaúbas, de idade neoproterozóica.

O pacote litológico é completado por metadiabásios e metagabros, os quais se apresentam sob a forma de diques, soleiras ou stocks, cortando as quatro primeiras unidades mencionadas, estando agrupados na Suíte Metaígnea Pedro Lessa (Figura 2.2.5).

Figura 2.2.4: Quadro sinótico estratigráfico proposto por Knauer (1999) para os terrenos

F igu ra 2.2.5 : M apa ge ológi co si mplif icado da F olha Diamanti na, 1: 100.000 ( Fogaç a, 1995) . S etor Me ridiona l.