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Performance in meeting the human rights obligations

PRESENTATION OF FINDINGS

13. Performance and capacity dimensions in the light of the right to adequate food of adolescents in South Africa

13.1 Performance in meeting the human rights obligations

C

ONSIDERAÇÕES

F

INAIS

Neste momento do trabalho, e lançando o olhar sobre o realizado, tecemos uma composição invocando o relevante do estudo, que também se constitui num momento de auto- aprendizagem e reflexão. Este exercício, perfila um primeiro desafio, a reconstrução dos achados, fazendo ressaltar dos percursos metodológicos uma síntese compreensiva dos aspectos determinantes e significativos no evento do banho, movimento do cuidado e satisfação do doente, sistematizando num modelo integrador a dinâmica da reconstrução do banho, dos elementos de cuidar e sua relação com os ganhos em satisfação para o doente.

Num segundo momento, aludimos sobre algumas das perspectiva abertas por este trabalho, contributos, sugestões e implicações do estudo, compreendendo-se a interligação que sugerem.

1.R

ECONSTRUÇÃO DOS ACHADOS

O estudo partiu da preocupação centrada na aparente discrepância entre o ideal e a prática dos cuidados de enfermagem à pessoa internada em situação de dependência para o autocuidado higiene pessoal/banho, questionando se as concepções e práticas dos enfermeiros, no ritual desses cuidados em pessoas internadas, se traduziam em ganhos representativos na satisfação dos doentes.

Relativamente à pergunta de partida, parece-nos ter-se justificado, pois acedeu-se, através do itinerário etnográfico, à prática dos cuidados no banho, às concepções dos cuidados que contribuem para a expressão do ritual no banho, aos elementos de cuidar que os suportam e, através do contributo de uma intervenção formativa nestes, obteve-se uma evolução positiva no padrão de satisfação dos doentes sobre os cuidados administrados no banho.

Consideramos pertinente invocar os objectivos do estudo para nos referirmos às suas premissas relevantes: Concepções e práticas nos cuidados de enfermagem no autocuidado higiene/banho; elementos que suportam a arte de cuidar a pessoa; e satisfação dos doentes naqueles cuidados.

Concepções e práticas nos cuidados de enfermagem no autocuidado higiene/banho Os resultados da investigação permitem sistematizar que o evento do banho emerge como um processo de reconstrução quotidiano, associado a momentos performativos, a um processo ritual.

À construção processual estão associados construtos performativos: o anunciar do banho, celebração do banho e os usos e efeitos do banho. Do itinerário por tais momentos performativos, emerge uma forte relação de sentido e configuração específicas para a cultura local. Na sua orientação processual, os construtos são marcados por dimensões performativas com articulação entre si, no banho, com efeito sistémico e numa relação próxima com outras actividades, cuidados de enfermagem e ritmo de turno.

No processo performativo, associado ao processo de cuidados vivido pelos enfermeiros e pessoa cuidada no banho, de si complexo, pelo encontro de subjectividades (Collière, 1989; Hesbeen, 2000; M. J. Lopes, 2006), o enfermeiro procura intervir, a partir das suas capacidades e recursos envolvidos, no qual percebemos elementos e concepções de suporte à situação de cuidar de enfermagem no banho.

O anunciar do banho, representa os modos através dos quais os enfermeiros lêem o banho, nos contextos prévios ao banho, na preparação do banho. Significa o trabalho de bastidor, não só em termos dos espaços físicos, mas nos contributos das leituras que afinam e anunciam a mensagem de uma equação do banho, a que estão associados.

Os “bastidores do banho”, emblemáticos pela sua dinâmica, ordem e regularidade próprias, enunciam no refinamento da preparação, diferentes situações de banho. Naqueles, assumem pertinência os contextos físicos pela carga simbólica, enquanto associados a funções, performances e circuitos próprios, mas ainda, pela exposição profissional no momento. Os espaços usados, surgem na cadeia da preparação, associados a funções e circuitos próprios, a marcarem o “tempo dos banhos”, padronizado no turno da manhã, e a inscrever diferentes tipos de banho.

Assumem relevância, determinantes como as mensagens a descodificar da passagem de turno, da saudação, da apresentação ao doente, e o uso da informação, a apropriação dos espaços, as movimentações, o tipo de procedimento, a indumentária, os pares, as cumplicidades, a combinação de estratégias e o ambiente que dão à preparação uma coreografia própria, uma expressão performativa, a anunciar a natureza do banho onde se lê, a linguagem a usar no banho.

Na azáfama da “preparação do banho”, percebemos mudanças na actuação dos enfermeiros, na preparação das diferentes situações de banho. Na repetição da actividade, emerge a transformação da linguagem, dos gestos, dos objectos preparados e usados, a forma de abordar os doentes, a cumplicidade entre os pares, e na forma de comunicar com o doente. Um outro conjunto de domínios permite entender a performance no banho e as determinantes no processo da sua readaptação e mudança, lidas, na expressão performativa do enfermeiro durante a preparação: natureza do banho, pela definição das características morfológicas do banho (dependência do doente e uso de objectos); razões para o banho; intenção no banho; representação do autocuidado; e orientação da função no banho.

De realçar que a caracterizar a dependência do doente para o banho, surgem determinantes significativas como: tipo de ajuda, classificação de banho, local de banho, participantes envolvidos, e usos de objectos, que individualmente o caracterizam e reforçam. Ao posicionamento num determinado grau de dependência, corresponde-lhe uma designação de banho, uma classificação, oferecendo-se uma matriz de correspondências e significado, na leitura de conjunto e por premissa. O banho na cama, banho no WC do quarto, o banho assistido e o banho no chuveiro, são formas de banho a sugerirem movimentos diferentes, os tipos de banho, com um quadro de cuidados associado e um tipo de dependência. O banho na cama é o banho emblemático no padrão da actividade diária e o que simbolicamente sugere dependência do doente para o autocuidado, mas é ao banho assistido que estão associadas concepções contraditórias. O banho assistido que toma a designação local do seu próprio espaço, está associado a situações com limitações francas da pessoa e implicitamente exige acompanhamento. É um banho demorado e trabalhoso quer quanto às acções empreendidas, quer nas estratégias de rentabilização e validação da resposta do doente, contudo, relegado e delegado com frequência, sendo a frequência do uso daquele espaço reduzida. A dar-lhe sentido surgem enfermeiros com características de actuação diferentes, quer pelo uso frequente desse tipo banho quer pela mobilização de saberes. Na Tabela 17 sistematizamos

algumas características nas actuações dos enfermeiros no banho assistido, estabelecendo uma aproximação com Benner (2005).

Tabela 17. Características dos níveis de actuação no banho assistido

Níveis de

actuação Características da actuação

Designação de Benner (2005)

Enfermeiro atento; hábil e criativo; explora o banho; facilidade na percepção e adequação de estratégias; usa-o frequentemente; é admirado e preferido pelo doente; nunca delega

Enfermeiro perito

O enfermeiro faz este banho periodicamente; vê a situação no todo; e arranja critérios para a sua delegação

Competente e proficiente

O fazer marcado pela repetição dos procedimentos, habilidades técnica; dá a mesma importância a todos os aspectos; delegação do banho é muito frequente, sem critério para delegar; raramente usa o banho assistido.

Iniciado; iniciado avançado; competente

A celebração do banho, momento de interacção e intensa actividade, é marcada por uma ordem e ritualidade nas acções com o corpo do doente. O banho enquanto gesto quotidiano, situação de interacção complexa e de fronteira, ganha sentido ao ser convertido na formalização da cerimónia, marcando as preocupações dos profissionais e dos doentes.

Os modos de fazer o banho, a forma de o fazer, e o que se faz, são as grandes questões clássicas que nos revelam orientações significativas sobre as dimensões performativas da entrega do enfermeiro, configurando-se precisamente: nos modos de fazer, por tornarem o banho num reencontro performativo, ao combinar os modos de entrar e de estar; nas formas de fazer ao permitirem desenhar as formas coreográficas do banho, representando a mobilização de saberes próprios, de arranjos orquestrais de cuidados a ajustar à resposta; e no que se faz, por combinar a gestão dos elementos do cuidado na linguagem padrão do cuidado em acto, sugerindo o movimento de grupos de acções que se entrelaçam e completam, na função do cuidado no banho, de si a representar o conhecimento em movimento.

Os usos e efeitos do banho ganham sentido pela dinâmica da informação que emerge dos cuidados no banho, a qual traduz o sentido e usos dados, enquanto recurso com significado social no trabalho diário dos enfermeiros, tornando-se emblemática a mensagem da passagem de turno, quer para a continuidade do processo dos cuidados quer no (re)iniciar de novo ciclo. Este construto, traduz os efeitos e orientação emblemáticos da dinâmica do evento do banho, consolidando elementos como o seu papel na continuidade de cuidados, com significado e valor para o grupo.

Os momentos do processo de reconstrução do banho, observados no quotidiano dos cuidados, sugerem um processo ritual, por integrarem características desse instrumento (Peirano, 2006;