Neste tópico destaco a relação entre as pessoas e as águas pantaneiras. Ilustro de que forma as águas ditam o ritmo da vida nos pantanais durante as cheias. Como elas alteram a rotina dos atores (moradores, animais, órgãos ambientais) e impõem determinadas condições de sobrevivência. Nessa perspectiva, é possível argumentar, por exemplo, que, uma vez que impõem a construção de moradias específicas na região, durante as cheias, as águas pantaneiras possuem agência. Por meio dos três temas citados no tópico anterior, demonstro as associações necessárias entre os diversos atores para garantir a sobrevivência das pessoas nos pantanais inundados, bem como os efeitos gerados pela presença de grandes volumes de água na vida cotidiana da população.
4.4.1 Partos
Os partos das gestantes nos pantanais são realizados no hospital da cidade mais próxima ou por meio de parteiras. A sua realização em unidades hospitalares implica o deslocamento da gestante para a cidade por meio de avião. No entanto, durante as cheias, essa prática é alterada, uma vez que a pista de pouso e decolagem em geral é inundada pelas águas, demandando o traslado da mãe por barco até outra localidade, onde o avião possa descer. Já as parteiras nem sempre conseguem se deslocar pelas estradas ou pelos campos alagados e
chegar a tempo de realizar o parto.50 Beatriz descreve esse processo:
[...] O deslocamento das gestantes pantaneiras até a cidade era por meio de avião. No entanto, era necessário navegar até a fazenda Florianópolis e aguardar o avião. Por isso, nem sempre dava tempo e o bebê nascia ali mesmo, pelas mãos de parteiras (diário de campo de pesquisa).
50 Viana (2010) relata a experiência da ONG “Grupo Curumim”, coletivo feminista
responsável pelo fortalecimento da cidadania de mulheres em diversas áreas (direitos humanos, saúde integral, direitos sexuais, direitos reprodutivos), ancorado na dimensão de igualdade étnico-racial e de gênero. No que se refere à atenção à saúde, preconiza temas referentes à gravidez, aos abortos e aos partos. Uma parceria com o Ministério da Saúde, o Fundo das Nações Unidas para a população (Fnuap), a International Women’s Health Coalition (IWHC/EUA) e a Coordenadoria Ecumênica “Trabalhando com Parteiras Tradicionais”, entre outras instituições, produziu uma série de ações voltada às parteiras tradicionais nas cinco regiões brasileiras. Foram realizados encontros, cursos de capacitação, produção e distribuição de materiais de apoio. Resultaram desses encontros informações que indicam que o trabalho realizado por parteiras tradicionais
[...] ocorre em situação de exclusão e isolamento, desarticulado do SUS, e como consequência, não se dispõe de dados que expressem o real quantitativo das parteiras e informações consistentes sobre o número de partos realizados por elas. Permanece um cadastramento insuficiente das parteiras tradicionais por parte das secretarias estaduais e municipais de saúde. A grande maioria das parteiras não recebe nenhuma capacitação, não dispõe de materiais básicos para a assistência ao parto domiciliar e não é remunerada pelo seu trabalho. Pelo Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc), de 1994 a 2007, foram registrados em média mais de 37 mil partos domiciliares ao ano e pelo Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), que notifica como procedimento a ‘Assistência ao parto sem distócia por Parteira’ em média mais de 38 mil partos assistidos por parteiras ao ano (VIANA, 2010, p. 210).
O Grupo Curumim descreve o perfil das parteiras tradicionais ouvidas nos diversos encontros como sendo o de uma mulher solitária, disposta a contribuir com as gestantes, cuja formação se pelas experiências de vida, a partir do conhecimento transmitido pelas gerações antepassadas, na relação com a natureza; desenvolvem seu trabalho em condições difíceis e possuem pouco suporte para lidar com as intercorrências do parto.
O transporte de gestantes por avião é privado, daí ser utilizado predominantemente pelos(as) fazendeiros(as) que têm melhores condições econômicas. Às vezes, dependendo do estado de saúde da gestante, o empregador pode custear esse serviço. Mas, de modo geral, as mulheres que não têm perfil de renda média ou elevada recorrem às parteiras. Em alguns casos, são elas que realizam também o parto das fazendeiras, pois nem sempre se consegue utilizar o serviço aéreo. Contribui para esse desfecho, a distância entre a fazenda e a cidade, a indisponibilidade de avião para realizar o trajeto imediatamente, a gestante entrar em trabalho de parto ainda no território pantaneiro.
Um dos momentos mais emocionantes para mim, nesta pesquisa, foi conversar com dois colaboradores que nasceram durante duas grandes cheias nos pantanais. Em razão do grande volume de água, não foi possível que suas mães se deslocassem a tempo até um hospital; no caso de Zacarias, nem mesmo a parteira conseguiu chegar até sua mãe, já que os campos estavam alagados. No relato de seu nascimento durante as cheias de 1942, uma das maiores já registrada, define: “Foi um dilúvio”. Por seus familiares Zacarias soube que nasceu sobre um assoalho de madeira erguido acima das águas, que tinham inundado a casa. Nesse ponto, descubro uma informação importante: os assoalhos confeccionados para as cheias são utilizados também nos partos. Na ausência de hospital e de equipamentos hospitalares, o aparato cumpre a função de maca, sobre o qual a gestante deita-se para dar à luz seu filho.
A segunda personagem, Laura, nasceu durante outra grande cheia vivenciada na região: a de 1974, no Porto Biguazal, às margens do Cuiabá. Sua avó e sua mãe contaram-lhe que ela nasceu pelas mãos de uma parteira. Embora as cheias tivessem inviabilizado o deslocamento da gestante até a cidade, a parteira chegou a tempo de realizar seu parto no Pantanal.
Nos dois casos, nota-se que as águas pantaneiras alteraram a rotina das gestantes, impondo-lhes uma rápida adaptação às condições dadas. Por isso, as cheias produziram situações de imprevisibilidade que culminaram no nascimento dessas duas pessoas em meio às inundações registradas no Pantanal de Barão de Melgaço.
4.4.2 Moradia
Ao longo da pesquisa, ficou patente que a construção das moradias nos pantanais leva em consideração o ciclo de cheias. Nas minhas andanças investigativas pelos pantanais, encontrei casas de alvenaria, “barracos de lona”, casas de pau a pique e de palafita. O tipo de
construção é definido pela região, solo, grau de inundação e do perfil socioeconômico da população. Durante as cheias, algumas casas são abandonadas, pois os moradores migram para a cidade ou para o retiro; outras são construídas temporariamente em regiões de paisagem; e há as que continuam habitadas, porque as pessoas optam por enfrentar a dinâmica das cheias, permanecendo em suas casas, conforme descrito no tópico “Preparando-se para as cheias”.
Não raro, nos pantanais percorridos durante a pesquisa, observei casas de alvenaria rachadas ou abandonadas. A cada nova visão de uma moradia nessas condições, eu me questionava: mas por que elas estão rachadas ou abandonadas? Quem as teria abandonado? Foi então que comecei a perguntar aos moradores o que provocava tal situação. As narrativas demonstram que as casas de alvenaria não suportam o solo argiloso ou arenoso de algumas regiões pantaneiras. E o ciclo de cheias colabora para danificar a estrutura do imóvel.
Em relação às moradias abandonadas, algumas são destruídas pela erosão provocada pelo assoreamento dos rios ou são propriedades de “pessoas de fora” – termo utilizado pelos pantaneiros para nomear quem migra para os pantanais, desconhecedoras da dinâmica ecológica na região. Esses forasteiros, vislumbrando a possibilidade de ter uma fazenda de criação de gado, uma casa de férias ou um pesqueiro nos pantanais, constroem belas casas pensando no conforto da família, sem imaginar que nas primeiras cheias esse recanto pode não resistir à força das águas. Surpreendidos pala inundação, veem seu sonho se torna pesadelo! E como ninguém quer reviver um pesadelo, as casas são abandonadas ou colocadas à venda imediatamente, à espera de outro incauto que a compre, sem imaginar que vai passar pela mesma difícil experiência do dono anterior.
A partir da compreensão desse fenômeno, percebi que as moradias pantaneiras, mais do que simples casas, são coautoras da sobrevivência das populações tradicionais. Muitas vezes, não há lugar para o luxo e o conforto. Por exemplo, viver à beira do Cuiabá significa conviver com uma bela paisagem, porém é necessário estar em permanente estado de alerta durante as cheias. Por isso, a maioria das pousadas, dos hotéis e das sedes das fazendas em alvenaria fica distante dos principais rios, sofrendo assim menor influência do regime hídrico. São construções erguidas sobre unidades de paisagem ou construídas sob a égide de um passado em que as leis ambientais não eram aplicadas com o rigor da atualidade. Ou seja, que os donos dessas propriedades fizeram aterros, diques ou paredões de concretos em seu entorno para protegê-las das águas.
Há no cenário pantaneiro, contudo, construções em alvenaria que respeitam as águas e por elas são respeitadas, graças ao uso do saber local. Esse tipo de moradia predomina entre
os criadores de gado. É o caso de Vitório e Helena, que viveram a maior cheia na região do Piraim de baixo, em 1995. Naquela ocasião, a água chegou próxima à residência do casal, construída em alvenaria, mas numa região mais alta. Inês, vizinha de Vitório e Helena, relata: “Após as cheias 1995, nós construímos uma casa de alvenaria localizada em uma cordilheira”. As construções em terreno plano, principalmente aquelas encontradas à beira do rio Cuiabá, muitas vezes possuem uma base de elevação em relação ao solo. Laura explica que tais propriedades possuem uma base de 30 centímetros de altura que permite à água fluir por baixo, evitando a erosão do aterro de sustentação da casa.
As casas de Vitório e Helena e de Wilson e Inês não estavam rachadas, tampouco abandonadas. No entanto, elas ficam distantes de rios e foram construídas sobre unidades de paisagens. Já no caso de Cícero, chamou a minha atenção o fato de ele ter construído uma casa de alvenaria à beira do rio Cuiabá, apesar de ter nascido e se criado no Pantanal, sendo, por isso, conhecedor das condições adversas daquele solo para este tipo de material. Curiosamente, a casa de Cícero foi a única em alvenaria que visitei na região de Barão de Melgaço. A despeito de nova, a construção já apresentava rachaduras, provadas pelo solo argiloso. Em acréscimo, registre-se que o trecho do rio Cuiabá que passava em frente à casa de Cícero resolveu mudar de percurso, cortando as terras de um vizinho. Ele teve sorte: essa alteração de curso poderia ter atingido sua moradia, destruindo-a. Com o desvio do rio, formou-se uma grande baía na frente da casa Cícero, o que não impede que a água chegue até sua porta durante as cheias, uma vez que a baía possui ligação direta com o rio.
Outro tipo de moradia garante a sobrevivência da população pantaneira durante as cheias: os barracos de lona. São construções temporárias sobre unidades de paisagens mais elevadas. Elas servem de abrigo à população até as águas voltarem ao curso normal. Eder narra sua experiência com esse tipo de moradia: “[...] quando o Pantanal enche eu saio da minha casa, construo um barraco de lona na cordilheira e fico lá até as águas baixarem”. Durante esse período, a sua casa, localizada à beira do Cuiabá, é inundada. Isso ocorre porque ela não foi construída sobre um aterro. Apesar desse registro, é bom esclarecer que os barracos de lona são poucos usados pela população tradicional, que opta preferencialmente por outros materiais.
Entre os tipos de casas estão as de pau a pique, nomeadas por moradores locais como casas de barro, argila ou de “barrote”. São erguidas com recursos naturais abundantes na região: barro, água, madeira e palha. As de pau a pique são habitadas predominantemente pelos ribeirinhos(as). Essas casas também são um indicador da condição socioeconômica do morador, como lembra Zacarias: “Antigamente, as casas eram feitas de barro e palha. Se
avistássemos uma casa diferente, era sinal de que aquela pessoa tinha dinheiro”.
As casas de barro são práticas e demandam menos tempo para serem refeitas, caso as cheias as destruam. Outro ponto a seu favor diz respeito ao fato de o barro baixar a temperatura no interior do imóvel, exposto ao calor escaldante registrado nos pantanais – ao longo de quase o ano todo, a temperatura média na região, durante o dia, gira em torno de 32 graus. Laura lembra do frio que sentia ao deitar no chão da casa de barro da avó. Nas cheias, a casa era destruída, restando apenas a taquara de sustentação. Feito Fênix rural, no período de seca a casa renascia, recebendo novas camadas de argila, à espera da próxima cheia.
Ao longo dos anos as casas de pau a pique foram sendo substituídas por palafitas, também conhecidas como casas de porão. Sua altura é calculada a partir da média das cheias dos anos anteriores, variando entre 50 centímetros e 1 metro acima do solo, altura suficiente para permitir que a água corra por baixo e não por dentro dela. Além de mais segura, dispensa as reformas anuais que são demandas pelas casas de barro. Zacarias justifica: “Isso facilitou muito a nossa vida, pois dificilmente a água inunda a moradia e faz com que a canoa chegue até a porta da casa”.51
Há 20 anos antes o pai de Laura substituiu a casa de argila por uma de palafita.
Figura 23: Casa de palafita da família de Laura, Pantanal de Barão de Melgaço.
Arquivo pessoal de Laura, 2012
51 Galdino e Da Silva (2007) relatam que os estudos sobre moradias tradicionais
pantaneiras ainda são incipientes. As autoras pesquisaram as construções da comunidade tradicional Cuiabá Mirim, localizada no Pantanal de Barão de Melgaço, onde 47% das casas são de pau a pique e 53%, de alvenaria. Os resultados indicam que na comunidade estudada o material de uso tradicional oriunda da natureza tem perdido espaço para os materiais industrializados.
Os barracos de lona, as casas de pau a pique e as de palafita são menores do que as de alvenaria. Os barracos de lona não possuem cobertura lateral, expondo os moradores ao frio e ao vento. As casas de pau a pique possuem em média três cômodos – o banheiro, quase sempre, fica em uma dependência anexa, no quintal. Esse tipo de construção é menos ventilada, porém possui temperatura interna mais agradável. As casas de palafita também têm o tamanho médio das casas de pau a pique e as janelas possuem tela de proteção contra insetos. Já as casas de alvenaria têm mais de cinco cômodos, além da varanda e, em alguns casos, área de lazer.
As descrições dos tipos de moradias presentes nos pantanais nos permitem compreender as associações necessárias para garantir a permanência da população na região durante o ciclo de cheias, uma vez que as águas impõem certas condições de sobrevivência. Mais suscetíveis às inundações, os moradores instalados à beira dos rios optam por casas de palafita ou de pau a pique, enquanto os que vivem mais distantes dos rios têm casas de alvenaria. Nas duas situações, é importante esclarecer que se o solo for argiloso as casas são igualmente suscetíveis a problemas estruturais, como as rachaduras.
4.4.3 Transporte
Por muito tempo os pantanais foram um território isolado, sem estradas que o interligasse às cidades. Desde o início da sua ocupação, os rios desempenham um papel importante: o de permitir a circulação de pessoas. Foi por meio deles que espanhóis, portugueses e bandeirantes adentraram as terras pantaneiras.
Com o tempo, a paisagem pantaneira recebeu novos recortes, forjados pela intervenção humana, redundando numa profusão de estradas, pistas de aviação, pontes que facilitam a circulação das pessoas. Entretanto, esse esforço de disciplinar os caminhos pantaneiros é subvertido durante as cheias: os rios inundam estradas, pistas de aviação; a correnteza se torna mais forte e ameaçadora, restringindo a circulação das pequenas embarcações. Como nos lembra o título do documentário citado na introdução desta tese, a paisagem se resume a “céu e água”. Refletindo o brilho do sol e da lua, a água se funde ao céu e ambos se confundem. As demarcações que separam rios e terras se apagam, produzindo uma sensação de horizonte infinito.
Mesmo quando tudo parece água, o povo pantaneiro não desiste de percorrer seu território. E há uma longa história de enfrentamento da população tradicional para assegurar o transporte de pessoas e de cargas durante as cheias, que foi se modificando ao longo do
tempo. Primeiro com o carro de boi, com a charrete, com o cavalo, a canoa, o batelão; depois, com o barco de motor de popa, com o avião e com os veículos com tração.
O pioneiro carro de boi era puxado por um boi tucura, amansado para essa finalidade e conduzido por um boiadeiro. Atualmente, para amansar o boi e utilizá-lo no manejo diário emprega-se uma técnica conhecida como sinuelo. Ela funciona da seguinte forma: amarra-se pelo pescoço um boi bravo e um manso, tendo este a função de amansar aquele.
Figura 24: Gado tucura e o método sinuelo, Pantanal de Nossa Senhora do Livramento.
Foto: George M. De Luiz, 2013
Durante as travessias dos rios, às vezes ocorriam acidentes: o condutor caia na água e, em muitos casos, acabava atropelado pelo próprio carro. Nas cheias, para atravessar os corixos e os rios, era necessário recorrer à técnica conhecida como “pelota”. Ivo explica seu funcionamento:
[...] de modo a preservar as mercadorias, eu utilizava couro de boi ou de vaca, que não poderia ter perfurações. Embrulhava as compras no couro, costurava e colocava sobre o carro de boi. Uma corda ligava a “pelota” ao carro de boi. Dessa forma ela funcionava como uma boia. Durante a travessia, o carro de boi afundava de forma gradual nas águas e a “pelota” flutuava; ela não deixava as compras molharem e nem serem levadas pelas correntezas. Conforme o carro de boi avançava para as partes mais rasas, a “pelota” se encaixava novamente no carro de boi (diário de campo de pesquisa).
Com o tempo, a população pantaneira começou a usar lona, que servia de reforço ao couro do boi. A pelota ficava sobre a parte mais alta do carro de boi, conhecida popularmente como “torda”. De modo geral, as pessoas sabiam a altura dos rios e dos corixos que iriam
atravessar, pois estavam acostumadas a fazer o trajeto entre os pantanais e as cidades. A torda era feita sob medida; quando o carro de boi atravessava as águas, somente ela não submergia. A partir da travessia dos rios, os(as) pantaneiros(as) nomearam a região localizada após o portal de entrada do Pantanal do município de Poconé de “Torda”. Segundo Joana, as pessoas que viviam na região diziam: “Olha o carro de boi de ‘fulano’, está quase afundando, a água está chegando à altura das tordas”. Além do couro e da lona, alguns moradores utilizavam os “ponchos” dos cavaleiros para fazer a boia de proteção das mercadorias.
Vitório e Helena lembram-se do antigo carro de boi usado pela família durante os três meses em que a região onde vivem permanecia inundada. Ele estava guardado em um pequeno galpão. Vitório fez questão de mostrá-lo para mim.
Figura 25: Carro de boi de Vitório e Helena, Pantanal de Nossa Senhora do Livramento.
Foto: George M. De Luiz, 2013
Cícero, Damião, Paloma e Rita também mostraram o que sobrou do carro de boi usado pela família: sob uma mangueira, apenas as rodas.
Figura 26: Rodas de carro de boi, Pantanal de Barão de Melgaço.
A população tradicional também utilizava o cavalo pantaneiro. É uma raça resistente, por isso aguenta longas viagens, transportando pessoas e mercadorias. Exímio nadador, ele atravessa rios e corixos com facilidade. Uma de suas habilidades consiste em pastar debaixo d’água, por isso se adapta bem ao ambiente das cheias.
Figura 27: Cavalo pantaneiro, Pantanal de Nossa
Senhora do Livramento. Figura 28: Cavalo pantaneiro pastando debaixo d’água.
Foto: George Moraes De Luiz, 2013 Foto: Fernando Barros [s.d.]52
Rui repetiu inúmeras vezes que as mulheres usavam uma sela antiga chamada “cilhão”. Ela permitia que a “dama” fosse transportada sentada de lado.
Outro meio de transporte largamente utilizado pela população durante as cheias era a