• No results found

2.3 Ulike perspektiv på ledelse

2.3.3 Pedagogisk ledelse

E os alunos já nos conhecem, (...) que nós vamos entregar, agora, nós temos que sentar com eles, nós tentamos, até, fazer uma hortaliça, levar gente daqui para fazer essa hortaliça em um lugar, nos colégios, também. Não ficar só dependendo, o colégio, também, pode produzir (B1).

G1 comenta sua preocupação em buscar feedback na escola em relação aos produtos que entrega:

Eles sempre falam se as crianças estão gostando, eu sempre procuro, se as crianças estão achando azedo, se as crianças estão gostando. Porque você tem que saber se estão gostando ou não (G1).

A aproximação do produtor do alimento à escola pode potencializar o processo de ensino-aprendizagem com os estudantes, o que facilita a abordagem de vários assuntos ligados à temática da alimentação, como formas de produção e consumo sustentáveis, além da valorização do trabalho no campo, da mobilização social e do incentivo à economia solidária.

O PNAE agrega o componente educacional, além da oferta do alimento saudável. Como o PNAE preceitua a EAN como diretriz do Programa, com o objetivo de promoção da formação de hábitos alimentares saudáveis, o espaço que a alimentação escolar possui dentro da escola é ideal para a construção de ações de SAN, contextualizando, dentro do sistema de produção atual de alimentos, o desenvolvimento local e a integração da escola com a comunidade, articulando as ações educativas à oferta das refeições na escola.

Quando perguntada se faz ou tem conhecimento se algum agricultor familiar participa de alguma atividade pedagógica com os alunos, como visitas à produção, palestras, atividades conjuntas para trocar conhecimentos sobre produção de alimentos, G1 disse que ainda não era feito no município. Complementou, ainda, sobre a função das hortas nas escolas:

Como que é produzido, como que é colhido, não é? Então, aqui, ainda, eles não fizeram esse projeto, não. Quando era a outra secretária, ela estava nessa intenção de fazer isso. Aí, até, eles queriam fazer um plantio lá no quintal da escola, aí, ela falou "não, mas se vocês plantarem no quintal os agricultores vão perder", porque, aí, não tem como nem levar as crianças lá na roça para conhecer, para saber, "vocês vão colher aqui, como que os agricultores vão vender se o quintal da escola que está fornecendo? Mas, aí, então, trocou, aí, então, eles ainda não fizeram (G1).

A horta é um recurso pedagógico e didático, com uma abordagem lúdica de todo o desenvolvimento dos alimentos, desde sua produção até seu consumo, no sentido de estimular, acima de tudo, práticas alimentares adequadas.

A horta na escola tem uma importante função pedagógica. No entanto, ainda é vista com a função de servir como complemento de fornecimento de hortaliças e temperos para a alimentação na escola. E, no entendimento da agricultora, competiria com os agricultores que estão entregando na escola. Pelo depoimento de G1, conclui-se que ainda não havia sido discutido o uso da horta pedagógica nas escolas com a comunidade escolar. Neste caso, o

espaço de produção de alimentos ainda não tinha sido devidamente explorado como espaço transdisciplinar de aprendizagem.

O FNDE iniciou em 2008, em parceria com a FAO, o desenvolvimento do projeto “Educando com a Horta Escolar”. O seu destaque é a abordagem pedagógica, com formação de agentes multiplicadores envolvidos no PNAE, que tem promovido a concepção do alimento como ferramenta pedagógica, instrumentalizando os participantes acerca das temáticas de dinamização do currículo escolar, formação de hábitos alimentares saudáveis, hortas escolares e práticas em gastronomia, buscando a construção de aprendizagem transdisciplinar dinâmica e prazerosa para os estudantes.

B2 relatou que a secretaria de agricultura construiu uma horta comunitária de 3,5 hectares. Os funcionários da secretaria de agricultura cuidam da horta que é aberta às escolas, para visita. Professores têm levado os alunos à horta para trabalhar sobre o tema alimentação saudável. Segundo B2, a iniciativa é de alguns professores e incentivada pela secretaria de agricultura. B2 informou que está entregando nas escolas material para a instalação de hortas domésticas e está tentando implantar hortas suspensas, porque o espaço disponível é pequeno.

Figura 5 - Horta comunitária municipal – B2. Figura 6 - Técnico agrícola responsável pela horta comunitária municipal.

Fonte: Autora. Pesquisa de Campo, (2014). Fonte: Autora. Pesquisa de Campo, (2014).

Visitas dos alunos nos locais de produção da agricultura familiar, fazendo estudos e promovendo a articulação, é um bom exemplo do uso do espaço público para promover discussões sobre novas formas de produção e consumo de alimentos.

T2 informou que em algumas escolas há hortas instaladas. Na escola agrícola do município os próprios alunos cuidam:

Eles trabalham com horta, têm os professores para ensinar eles lá, tem tudo. Bem organizado (T2).

No entanto, T2 informou que nunca participou de atividades pedagógicas com os alunos. Quando perguntada se tem interesse de participar, respondeu que iria “- Na hora!”.

B3 informou que ainda não existe o trabalho de interação entre a associação de agricultores que vendem para o PNAE e as atividades pedagógicas na escola, explorando a temática da alimentação saudável e do êxodo rural com os estudantes.

E essa questão de alimentação, de o jovem ficar no campo, tem que vir também de cima. Se quem está lá em cima não tiver essa visão não vai chegar embaixo de jeito nenhum. Chegar nos professores fazer um trabalho voltado para e isso e tal (B3).

S3 relatou que atividades pedagógicas começaram a ser desenvolvidas na sua propriedade. Relatou que foi iniciativa de uma professora da rede de ensino municipal.

Sim. Já vieram, não faz um mês, ela (a professora) levou eles lá no carvão, aí, antes de ir para lá ela passou aqui, nossa, eles ficaram maravilhados. A professora que diz "olha, vamos lá conhecer como é que é feito o carvão", igual eles tinham curiosidade, não é? Daí, ela colocou todos no ônibus, já que iam passar aqui "vocês querem ver uma plantação de tomate, uma plantação de alface? Sabe?, eles piraram, aí, vieram, para eles foi um encanto (S3).

Aí, eles "bá, mas uma mudinha desse tamanhinho, mas, em casa, quando eu vou almoçar, a folha é bem grande", "pois é, mas, até lá, nós temos que cultivar, tem que carpir, tem que cuidar, para chegar a esse ponto", a professora explicou, para eles verem de onde começa, até chegar à mesa. Aí, eles olharam o tomate bem pequeno, até o ponto de estar grande, igual eles viram na penca, e coisa e tal, "olha, daqui vai amadurar para depois ir para à mesa". Então, para eles é uma curiosidade, não é? Eles ficaram bem entusiasmados (S3).

O conhecimento tradicional e empírico dos agricultores familiares começa a ser valorizado pela direção das escolas. S3 informou que foi convidado e já fez palestra na escola:

Eles pediram uma palestra, eu acho que foi ano passado, ano retrasado, mas foi sobre abelhas (S3).

A escola também começa a valorizar o espaço da produção como ambiente de aprendizagem. S4 declarou que os professores tem levado os estudantes até a sua produção para atividades pedagógicas:

Os professores vêm aqui, mesmo para dar aula. Eles mostram os problemas que tem para produzir (S4).

S4 recebe estudantes dos cursos técnicos profissionalizantes e da graduação em sua propriedade. São alunos dos cursos de ciências agrárias. Professoras de uma escola de

educação infantil filantrópica do município também já levaram seus alunos até a propriedade de S4 para dar aulas aos estudantes de 4 e 5 anos sobre alimentação saudável.

A pesquisa realizada pela ABRANDH e IBASE com agentes envolvidos no processo de implementação do Artigo 14 da Lei 11.947/09, na perspectiva do Direito Humano a Alimentação Adequada, concluiu que:

O PNAE tem potencial de contribuir para religar o consumo à produção, na medida em que possibilita – se superados os entraves da falta de comunicação em integração entre agricultores, gestores públicos e escolas – o fortalecimento do diálogo entre os diversos atores envolvidos no processo de aquisição, propiciando uma reconexão da cadeia alimentar, em que constituem relações de negociações, trocas e suportes. Na fala dos produtores, percebe-se a vontade destes de abastecer o mercado da alimentação escolar com produtos de qualidade (ABRANDH e IBASE, 2012, p.121).

Nesse contexto, a implementação do art. 14 da Lei 11.947/2009 pode favorecer significativamente a construção de redes de produção e consumo cujo foco não se reduz ao acesso aos mercados, uma vez que incorporam uma série de objetivos relacionados à promoção da segurança alimentar e nutricional. No entanto, para que tal construção ocorra é preciso investir em ações de educação alimentar nas escolas, na formação de gestores públicos e, sobretudo, no diálogo entre os diferentes atores envolvidos no processo de aquisição para o PNAE (ABRANDH e IBASE, 2012, p.122).

Dois aspectos da evolução do Programa trazem sentido à inclusão da obrigação da compra local, principalmente da agricultura familiar, no PNAE. O primeiro aspecto diz respeito ao fato de que o Programa, ligado diretamente à educação, que tem como objetivo fomentar ações para a formação de hábitos alimentares saudáveis entre os estudantes, precisa promover a discussão das formas de consumo e produção de alimentos como forma de atender seu pressuposto de existência.

Sabe-se que para que o processo de ensino-aprendizagem possa acontecer é preciso haver interação entre os sujeitos envolvidos e o saber. Os sujeitos do processo precisam criar uma relação de troca e o tema deve fazer sentido para quem está envolvido. Ao incluir no currículo escolar o tema alimentação saudável, a escola precisa promover um ambiente propício de aprendizagem. Não fará sentido para o aluno a discussão da importância da alimentação saudável se, na escola, local onde os estudantes procuram referências para facilitar o seu processo de assimilação, são apresentadas referências de consumo de alimentos que não têm coerência com o discurso em sala de aula. A oferta de alimentação saudável e adequada, com refeições elaboradas a partir de alimentos produzidos na região, traz coerência ao processo pedagógico na escola de formação de hábitos alimentares saudáveis.

O outro aspecto que traz sentido à inclusão da agricultura familiar local como parte da promoção de ambiente propício para o processo de ensino-aprendizagem em educação alimentar, diz respeito à aproximação com a produção. A escola deve promover essa interação para facilitar o processo de ensino-aprendizagem. Neste aspecto, há vários ganhos. Para o estudante, a aproximação com o processo de produção cria laços e sentidos concretos, o que facilita o entendimento do valor de toda a cadeia de produção do alimento até chegar ao prato. O próprio estudante vai perceber a importância de saber escolher o que comer e valorizar o conhecimento adquirido, ao saber a importância de colocá-lo em prática para a sua própria saúde. O objetivo do Programa é promover ações de educação alimentar e nutricional para formar cidadãos que tenham autonomia e saibam fazer escolhas saudáveis. Além disso, na medida em que as crianças passam a internalizar hábitos mais saudáveis de alimentação, elas influenciam mudanças de práticas em suas famílias.

Os agricultores não relataram a participação em processos pedagógicos com os estudantes nas escolas. No entanto, relataram aprendizagens proporcionadas pela aproximação entre a produção e o consumo promovida pelo PNAE. Os processos pedagógicos informais acontecem nas trocas estabelecidas pela aproximação entre os agentes públicos e os agricultores familiares e, como consequência, os agricultores estão aprimorando seus processos produtivos, planejando a produção e aperfeiçoando a participação enquanto cidadãos nas políticas públicas locais.

Acrescenta-se que a aquisição de produtos de agricultores familiares, para a alimentação escolar, é um exemplo de programa em que o sucesso da ação inclui, necessariamente, ações intersetoriais, e que, por isso, passa a ser um exercício de aprendizado político, o que o torna um processo pedagógico informal para educação política. O Programa oportuniza aos agricultores o espaço para este aprendizado, qualificando cidadãos para atuarem nos seus espaços coletivos locais.

Uma das principais contribuições que a agricultura familiar pode dar ao processo educativo é incentivar a inclusão da discussão de novas formas de produção, promovendo a aproximação do setor produtivo e do consumo. Esta aproximação está sendo promovida pelo Programa, ao inovar o desenho de aquisição de alimentos para a alimentação escolar, requerendo que a produção e o consumo trabalhem juntos, de forma que a demanda de produtos, planejada pelo responsável técnico pelo Programa, seja estabelecida a partir do conhecimento do que é produzido na região. Mais eficiente ainda será o processo, ao se conhecer, também, quem produz, o modo e as condições do processo produtivo. Assim, a política pública que move a alimentação escolar contribui na ação educativa e cidadã ao

contribuir para a inclusão produtiva e social dos agricultores familiares, colaborando para a redução de assimetrias e desigualdades.

4.2.4 Categoria 4 - Percepção e avaliação do agricultor familiar sobre a participação da