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5. DISCUSSION

5.2 S PECIFIC DISCUSSION

Considerando que o objetivo central da incubadora é o de transformar os candidatos em empresas, dessa forma suas atividades internas estão voltadas para o provimento de estrutura, ambiente e serviços, oferecendo às empresas residentes a possibilidade do melhor desenvolvimento possível, para que estejam aptas a sobreviverem num ambiente competitivo (ZOUIAN; SILVEIRA, 2006).

Para Nowak e Grantham (2000) as empresas de base tecnológica enfrentam a escassez de recursos críticos, financeiros e capital humano, dessa forma sugerem que um “novo modelo” deve fornecer mecanismos para facilitar o acesso a informações sobre as melhores práticas para o desenvolvimento empresarial, experiência de gestão da indústria além de recursos para viabilizar o marketing, as vendas internacionais e os canais de distribuição, que pode ser viabilizado pelas incubadoras de empresas.

Os recursos oferecidos pelas incubadoras sejam eles tangíveis ou intangíveis, estão baseados em sua relação com as empresas incubadas, buscando atender suas demandas e necessidades com a finalidade de estimular o desenvolvimento e o sucesso dessas empresas, as incubadoras servem como um ente de apoio para essas novas organizações, no caso das empresas entrevistadas aos recursos físicos são o que mais as afetam de forma positiva.

Pode-se observar a posição de cada incubadora com relação à escolha dos recursos que são oferecidos, quando perguntados “O que foi levado em consideração para escolha dos recursos disponíveis?”:

(Cinet/Softnet): “Os recursos que são oferecidos foram selecionados com a vivência com as empresas, é a experiência de 30 anos, de entender as empresas, qual a necessidade delas, o que elas demandam, e também as necessidades especificas de cada empresa, porque cada uma tem uma particularidade de acordo com a sua área.”

(Softex): “Nós chegamos nesses recursos através da convivência com elas e em cada estágio que a empresa entra, conforme ela vai crescendo sua demanda, sua necessidade vai mudando, é através da aprendizagem e da experiência (...).”

(Supera): “No começo era mais levado em conta o que as outras incubadoras fazem, gestão, espaço. Daí com o passar do tempo nós fomos nos aperfeiçoando com base na demanda dos empreendedores e na tentativa de melhorar o serviço que a gente presta, nós sabemos que tudo isso existe por causa das empresas, sem elas tudo isso não existiria, então nós temos que enxergá-las como nossos clientes e fazer tudo para que eles estejam satisfeitos(...).”

Cada incubadora possui um programa especifico de incubação, a Supera possui um programa divido em três etapas, pré-incubação, incubação e associação, sendo que nas duas primeiras a empresa fica instalada dentro da incubadora e o processo todo dura 7 anos, já na associação a empresa não fica dentro da incubadora mas pode usar os mesmos recursos, é um estágio posterior as duas etapas iniciais. A Softnet/Cinet possui um programa de 3 anos mas que pode durar até 4 anos no total, deixando de ser uma empresa incubada para filiada, em ambos os casos ela pode usufruir dos recursos, mas somente no primeiro caso tem o espaço físico, que é uma sala. Já a Aceleradora Campinas, possui um programa de aceleração de 8 à 9 meses, as empresas não possuem acesso a salas para se estabeleceram, mas sim um espaço de coworking, além de salas de reunião e um auditório.

Pode-se concluir que o programa de incubação, nas incubadoras Supera e Softnet/Cinet são baseadas num médio e longo prazo e a Aceleradora Campinas, está focada no curto prazo, mas em todos os casos os programas são pautados no desenvolvimento adequado das empresas, para que consigam se estabelecer no mercado sem a dependência da incubadora, evitando assim altas taxas de mortalidade empresarial.

Cada incubadora possui uma realidade distinta, a Supera, possui incentivo da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto com a ajuda de recursos financeiros bem como da Universidade de São Paulo, sendo que esta foi uma grande apoiadora de sua fundação, além de facilitar o acesso aos recursos, ela possui uma participação bem ativa em sua gestão e na regulação de seus serviços e sua relação, por meio da Agência USP de Inovação, garantindo assim meios de adquirir os mais variados recursos.

A incubadora Cinet/Softnet também possui incentivo da Universidade de São Paulo e da EMBRAPA, porém a participação é bem inferior a da Supera, não há por exemplo a transferência de recursos financeiros, o que acarreta que a incubadora encontre outros meios

de se manter, através das agências de fomento e de aluguéis de prédios que a incubadora possui na cidade de São Carlos.

Já a incubadora Softex recebia apoio financeiro do SEBRAE Nacional e do Governo do Estado de São Paulo, porém os recursos foram suspensos, o que acarretou a mudança na estrutura do programa, que passou a ser a Aceleração que conta com o apoio da Prefeitura de Campinas, uma vez que existe uma contrapartida para a cidade, como a aplicação dos produtos e serviços de interesse para a população, sendo que esse programa é feito em parceria com uma empresa que foi incubada, a Aceleradora Baita, que possui know-how nesse tipo de programa.

Independente de suas particularidades, ambas incubadoras possuem um objetivo em comum, de que esses empreendedores transformem suas ideias em bens e serviços e que suas empresas estejam aptas a entrarem de forma competitiva no mercado.

Dessa forma ficou evidente que as incubadoras são entidades promotoras e garantidoras do fortalecimento dessas novas organizações. Tem como objetivo de preparar novas empresas para entrada no mercado, orientando na elaboração de seus produtos, fortalecendo laços entre os diversos atores e ainda auxiliar na transferência de conhecimento e tecnologia entre as universidades e as empresas incubadas (ABIB et al,2012)

Os recursos, então, ocupam papel central nessa relação, eles são considerados como diferencial e consequentemente são o fator de atratividade da incubadora, uma vez que ela consegue fornecer os recursos demandados. Há então uma mobilização da incubadora para mapear esses recursos a fim de garanti-los e disponibilizá-los, ocorre tanto internamente, com busca por melhorias e por formas de garantir o oferecimento desses recursos como através de parcerias externas.

Como se pode observar, portanto, a formação e estruturação das incubadoras, ou seja, a forma como elas se organizam nos dias atuais são pautadas nas demandas dessas empresas e na experiência adquirida pelos gestores ao longo do tempo, tendo os recursos como elemento central em sua estrutura. Portanto, as incubadoras cumprem seus papéis enquanto facilitadoras de recursos para as empresas de base tecnológica e os recursos são então a peça chave em sua trajetória.