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invasão via mar ou terra, mas sim à capacidade que os EUA tinham de lançar ataques nucleares ao território russo. Desta forma, é dado um grande incentivo à construção de submarinos de propulsão nuclear capazes de atingir as bases de lançamento de armas nucleares dos americanos no alto mar, nomeadamente os porta-aviões. Os clássicos navios de guerra eram agora vistos como obsoletos perante a ameaça nuclear. Somente os submarinos nucleares garantiam uma resposta eficaz a um ataque inimigo.117 Começou então uma

gigantesca política de construção de submarinos de propulsão nuclear dotados de mísseis balísticos – os SSBN.118

Durante as décadas de 60 e 70, o poder marítimo russo atingiu o seu apogeu em termos de poderio e de prestígio. Para isso muito contribuiu o papel do Almirante Sergei Gorshkov enquanto Comandante-em-chefe da Marinha Soviética. Gorshkov era um experiente militar que já tinha comandado a Frota do Mar Negro e contava com uma longa experiência e conhecimento (técnico e teórico). Foi através da sua imensa força de vontade que conseguiu convencer as elites do PCUS que a concepção de uma Marinha preenchida quase que por completo por submarinos era um erro estratégico e a própria Crise dos Misseis de Cuba (1962) veio dar-lhe razão.119

Mais do que ninguém, Gorshkov entendia o contributo de Mahan para a importância do Sea Power e procurou de todas as formas incutir nas chefias soviéticas a necessidade de desenvolver ao máximo a Frota mercantil e militar do seu país. O Almirante soviético aproxima-se claramente do seu homólogo americano quando reconhece que o poder marítimo é fortemente influenciado por três factores essenciais: a geografia, a economia e o tipo de liderança de um Estado. Deste modo, ele define o poder marítimo como “The ability of a state

117“Khrushchev informed the Supreme Soviet that submarine forces had assumed great importance

while surface ships could no longer play the part they once had.” (Vego, 2009, p. 217)

118Corresponde à terminologia americana para “Nuclear-powered ballistic missile submarine” na qual o

“SS” simboliza os submarinos, o “B” os mísseis balísticos e o “N” de propulsão nuclear.

119A presença de mísseis balísticos nucleares às portas dos EUA não surtiu o efeito dissuasor que fora

planeado pelos soviéticos. O “feitiço virou-se contra o feiticeiro” e os americanos deram uma resposta breve e firme de que ou os russos retiravam o seu poder nuclear de Cuba ou um ataque americano seria posto em marcha. A URSS estando claramente em desvantagem no mar não podia contar apenas com os seus submarinos quando os EUA possuíam navios de guerra, contratorpedeiros, cruzadores pesados e todo um rol de veículos navais capazes de anular o perigo dos submarinos soviéticos. A grande lição tirada deste que foi o evento onde uma guerra russo-americana esteve mais perto de acontecer é que a Marinha Soviética estava perigosamente desequilibrada perante a excessiva aposta nos submarinos em detrimento das restantes componentes que tornavam, por exemplo, a Marinha Americana muito mais completa e dominadora.

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to study (explore) the oceans and harness its wealth; the merchant and fishing fleet and their ability to meet the needs of the state and a navy matching the interests of the state.”120

A grande diferença entre as ideias de Mahan e as de Gorshkov estava não na forma mas sim no conteúdo. O mesmo quer dizer que Gorshkov entendia que uma nação dotada de um poder marítimo global e respeitado teria o caminho lançado para atingir e difundir o socialismo ao invés do capitalismo. Para o russo, as potências marítimas ocidentais tinham como único objectivo espalhar os tentáculos do imperialismo às nações mais pobres, explorando os recursos destes em proveito dos primeiros e assim atingir o domínio do mundo. O mesmo é dizer que toda a teoria do poder marítimo de Gorshkov estava direccionada para o Comunismo, visto que para ele, a expansão do Sea Power soviético visava fortalecer a sua economia e assim criar condições necessárias à consolidação de laços de amizade com outros países (principalmente os do terceiro mundo) de modo a que também eles recebessem de braços abertos o Comunismo e o fim da exploração do imperialismo ocidental.

Os esforços de Gorshkov acabaram por ser recompensados e mais do que algum dos seus antecessores, ele conseguiu que as verbas disponibilizadas para o aumento, desenvolvimento e modernização da Marinha fossem as maiores de sempre. O objectivo era criar uma Marinha completa, que funcionasse de maneira harmoniosa e que não fosse exclusivamente dependente dos submarinos nucleares. Ao mesmo tempo e mais uma vez compreendendo os ensinamentos de Mahan, ele promoveu uma política de aproximação aos países nascidos das descolonizações das décadas de 60 e 70, com vista a encontrar pontos importantes que permitissem melhorar a posição geoestratégica da URSS e assim rivalizar com as potências marítimas. Gorshkov tinha plena noção que o futuro e a segurança da “Mãe Pátria” estavam nas zonas marítimas longínquas e afastadas da costa litoral soviética. Por outras palavras, seria no mar que um possível conflito com os americanos teria lugar, rejeitando por completo a hipótese de uma invasão anfíbia ao estilo da Normandia em 1944. A URSS vê assim alargado o seu raio de acção marítima pelo mundo, como podemos verificar no seguinte mapa:

120Gorshkov, apud Sakhuja, 2011, p. 11.

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