CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA PESQUISAS FUTURAS
Durante o desenvolvimento da presente pesquisa diversos engenheiros e laboratoristas do DER/MG, lotados na Gerência de Estudo de Materiais, na Diretoria de Projetos e nas Coordenadorias Regionais, participaram das diversas etapas de sua execução. As fases de coleta de materiais no campo, elaboração de ensaios, análise de resultados e elaboração do projeto executivo do trecho experimental, criaram um ambiente favorável ao aprendizado teórico e prático das metodologias estudadas, o que pode ser visto como uma colaboração para o preparo da instituição, que brevemente entrará na fase de utilização destas em caráter produtivo.
O autor do presente trabalho incentivou e participou da elaboração dos Termos de Referência e Especificações para a aquisição dos equipamentos básicos para execução dos ensaios da metodologia MCT, assim como do equipamento para execução dos ensaios triaxiais dinâmicos relacionados à mecânica dos pavimentos. Neste período, 2008 a 2009, o DER/MG adquiriu ambos os equipamentos, tendo iniciado a fase de capacitação de engenheiros do seu laboratório para execução dos ensaios da metodologia MCT. Após o recebimento do equipamento para realização dos ensaios triaxiais dinâmicos, previsto para o mês de setembro de 2009, será iniciada a capacitação e treinamento para a utilização do mesmo.
Os ensaios Mini-MCV e Perda de Massa por Imersão em Água possibilitaram classificar as amostras da areia fina de Campo Azul segundo a metodologia MCT. As classificações obtidas, NA e NA’, caracterizam o comportamento mecânico e hídráulico do solo como não laterítico pela referida metodologia. A elevada perda de massa constatada nos corpos de prova imersos em água foi o fator determinante para esta classificação. Segundo os autores da referida metodologia, solos desta natureza apresentam dificuldades para alcançar grau de compactação de 100% na pista e podem
apresentar desagregação nas bordas precocemente; portanto, exigem cuidados especiais durante a execução das camadas.
Os resultados dos ensaios de CBR e de Módulo de Resiliência realizados nesse material indicam um comportamento mecânico promissor para a utilização desse solo em camadas de sub-base ou base de pavimentos de baixo volume de tráfego. Os resultados dos ensaios de módulo realizados no solo arenoso fino e no cascalho de seixo rolado indicaram comportamentos equivalentes em termos de resiliência.
Os ensaios de deformação permanente realizados, por sua vez, permitiram prever um afundamento total das trilhas de rodas, ao longo do tempo de projeto de um pavimento executado com uma camada de base deste material puro, inferior ao valor máximo adotado no projeto do trecho experimental. A estabilização (shakedown) da deformação permanente não foi identificada em nenhum dos ensaios realizados.
Os resultados animadores de laboratório podem ajudar a acrescentar critérios para complementação da metodologia MCT neste caso de solos de fronteira, como são os neossolos quatzarenicos, conforme previsto por Villibor e Nogami (2009). Abre-se assim uma grande possibilidade de barateamento das soluções de pavimentação urbana para este município de Campo Azul bem como para outros que apresentem solos semelhantes na região. Cuidados especiais, no entanto, devem ser tomados quanto à proteção das bordas, seja por revestimento adequado, seja por aumento da largura da plataforma ou por combinação de mais de uma solução visto que a característica arenosa sem coesão proporciona facilidade de erosão.
Os ensaios realizados com o solo fino, misturado com o ligante hidráulico denominado Pavifort, indicaram um aumento do módulo de resiliência em relação ao solo puro, menor sensibilidade à variação da tensão confinante e ganho de rigidez dos corpos de prova ensaiados com tempos de cura crescentes. A resistência a compressão simples de um corpo de prova, moldado com 3% do ligante, após sete dias de cura, aumentou em mais de seis vezes, considerando-se o ensaio de RCS realizado com o solo arenoso puro nas mesmas condições. A perda de massa por imersão em água do corpo de prova
moldado com a mistura do solo fino com o ligante hidráulico a proporção de 3% foi reduzida em 100% e pode-se concluir que o seu uso, em baixas proporções, promove a coesão necessária para evitar possíveis erosões de bordo do pavimento nos quais se utilize o solo fino como camada de base.
A inclusão do projeto do trecho experimental, elaborado no âmbito desta pesquisa, no projeto executivo de melhoramento e pavimentação do trecho da rodovia municipal Campo Azul – Entroncamento MG-202, pode ser considerado a sua maior contribuição para o desenvolvimento das metodologias de dimensionamento mecanístico-empírico de pavimentos de rodovias de baixo volume de tráfego. O controle tecnológico da sua execução remete ao uso das metodologias e ensaios estudados e o monitoramento do seu comportamento sob tráfego, conforme o plano estabelecido para o tempo de projeto, possibilitará aferir critérios e parâmetros utilizados na análise estrutural realizada.
A partir dos resultados obtidos nesse trabalho, cabe sugerir as seguintes novas pesquisas:
• Pesquisar solos arenosos finos em locais que apresentem maior fração de finos, principalmente entre aqueles classificados pela pedologia como neossolos quartzarênicos e, pela geologia, como coberturas detrítico-lateríticas, que são abundantes na região do norte de Minas Gerais; com o objetivo de mapear aqueles que apresentem comportamento laterítico.
• Testar diferentes teores de ligante hidráulico aplicado ao solo arenoso fino. • Testar a mistura do solo arenoso fino com o cascalho de seixo rolado visando
reduzir custos de transporte.
• Acompanhar sistematicamente o trecho experimental, como proposto neste estudo, para aferir empiricamente o fator campo-laboratório adotado.
• Implantar trechos experimentais, utilizando diversos tipos de solos finos puros ou misturados na camada de base com revestimento asfáltico tipo TSD, com o objetivo de testar, sob tráfego, os materiais que apresentarem bom comportamento mecânico e hidráulico em laboratório. A observação empírica
no campo, utilizando as diversas formas de instrumentação possíveis, é fator preponderante para a consolidação e a normalização de métodos de dimensionamento mecanístico-empírico de pavimentos que possam ser utilizados com segurança em projetos de rodovias de baixo volume de tráfego.
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