B) BENEFICIOS DEL MECENAZGO
IV. EL PAPEL QUE JUEGAN EN LA ACTUALIDAD LOS CONTRATOS DE
professoras do curso, aquelas que, como nos casos dos exemplos a seguir, expressam a intenção de se posicionar em relação ao que disseram os alunos em suas mensagens.
Nesse tipo de participação observa-se, mais claramente do que nos exemplos de 1 a 4, a presença de ensino, considerada por Garrison e Anderson (2003, p. 29-30) importante porque pode garantir ao grupo um relacionamento equilibrado e funcional que alcance os resultados pretendidos e que leve em consideração as necessidades e as capacidades dos alunos (Garrison e Anderson, 2003, p. 29). Diferentemente do que acontece nos exemplos de incentivo à participação de alunos, neste caso está em jogo a preocupação em se colocar como mediador – ou seja, assumir a identidade de mediador – entre o aluno e o conhecimento.
Selecionei três exemplos desta ação mediadora entre as mensagens postadas pelas tutoras do curso.
EXEMPLO 5: Muito bem, W, continue estudando o texto.
A autora da mensagem do exemplo 5 realizou esta postagem em resposta à contribuição de um de seus alunos, em que ele apresentava sua compreensão de parte de um texto sobre as leis do discurso, objeto de estudo do grupo naquele momento. Ele dizia o seguinte: “O texto nos aponta as
principais leis do discurso e as relações que estas têm entre si variam de um autor a outro: como a lei da pertinência (recebe definições variadas, intuitivas ou sofisticadas) intuitivamente, estipula que uma enunciação deve ser maximamente adequada ao contexto em que acontece; da sinceridade diz respeito ao engajamento do enunciador no ato da fala que realiza; da informatividade incide sobre o conteúdo dos enunciados e estipula que não se deve falar não para dizer nada, que os enunciados devem fornecer informações novas ao destinatário; da exaustividade especifica que o enunciador deve dar a informação máxima, considerando-se a situação; e da modalidade que prescreve clareza e principalmente economia.” Apesar de não ter dito isso, a postagem da mensagem provavelmente deveu-se à necessidade que o aluno tinha, naquele momento, de um tipo de avaliação por parte da tutora. Esta, então, aprovou a interpretação feita pelo aluno e o aconselhou a dar continuidade à leitura, dando a entender que ele estava no caminho certo.
EXEMPLO 6: E e M, são muito interessantes os comentários de vocês. O raciocínio que você fez, E, é contrário ao meu e acho que é muito pertinente. Das ideias expressas pela M eu discordo em parte. Acho que há, sim, os mal entendidos. Sempre existe a possibilidade de termos um ato perlocutório que não coincide com o ilocutório. Aliás, já discutimos isso.
Na mensagem transcrita no exemplo 6, a tutora responde a duas alunas que registraram respostas a um questionamento postado pela própria tutora sobre o princípio de cooperação e a preservação das faces. O questionamento postado pela tutora era o seguinte: “Será que a intimidade e o cuidado com as faces do interlocutor são inversamente proporcionais? O que vocês acham?”.
As respostas postadas por uma das alunas foi: “Realmente é uma pergunta muito interessante. Acho que talvez haja uma tendência a se relaxar quando se trata de preservar as faces (nossas e de nossos interlocutores) em conversas com pessoas muito próximas e íntimas. Aliás, a teoria da preservação das faces me fez pensar em muitas coisas que eu já disse e ouvi, sem perceber as ameaças aí ímplícitas. Sabe aquele papo de ‘eu não tive a
intenção de te ofender’? Pois é. Por outro lado, não penso que haja uma proporção inversa entre essa teoria e a intimidade, porque muitas vezes é justamente a grande intimidade que temos com alguém que nos faz escolher as palavras para não sermos agressivos ou rudes com essa pessoa. O certo é que a todo momento interagimos com as pessoas que nos cercam e, íntimas ou não, acabam por integrar essa troca verbal em que, infelizmente, nem sempre se tem o cuidado de preservar as faces. É isso aí. Muito legal mesmo. BJ”. A outra aluna postou a seguinte resposta: “Acredito, professora A, que a intimidade nos deixa preservar até certo ponto as faces (tanto a nossa quanto a da pessoa que temos intimidade), depende mesmo, da nossa intenção. Não acredito em mal entendidos não, brincando, brincando se fala a verdade, já ouviu esse ‘ditado’? Pois é, depende muito da intenção do indivíduo. Posso preservar a face de meu amigo, por exemplo, se a minha intenção for não magoá-lo.”
A tréplica da tutora consiste, como se pode ver, no reconhecimento da pertinência de ambas as respostas e no registro de uma discordância em relação ao que disse uma das alunas. Ela aproveita a oportunidade para indicar, em seu último enunciado (“Aliás, já discutimos isso.”), que uma das afirmações da segunda aluna está em desacordo com a discussão travada pelo grupo sobre o conteúdo estudado.
EXEMPLO 7: M, sua contribuição para nossa discussão no fórum exige bastante fôlego, pois a relação entre pensamento e linguagem é tema que tem despertado inúmeras posições na história dos estudos sobre o próprio homem. Seria impossível aqui encontrar uma resposta definitiva para esse questionamento, e acredito mesmo que nem seja essa sua intenção, mas podemos esboçar preliminarmente algumas posições que são defendidas no âmbito dos estudos sobre a linguagem. Primeiramente, você tem razão em apontar o diálogo também fértil que se estabelece entre Análise do Discurso e filosofia. Dentre todas as correntes que se ocupam da organização e do funcionamento dos discursos, podemos afirmar que todas elas se opõem à concepção de linguagem como expressão do pensamento, como se o pensamento preexistisse à linguagem e o papel da linguagem fosse apenas representar o
pensamento de forma material. Se a linguagem não é, então, representação do pensamento, qual a relação que se estabelece entre os dois fenômenos? Uma das posições a respeito dessa relação é a defendida por Jean-Paul Bronckart, no quadro do "interacionismo sócio-discursivo", apoiado nos trabalhos desenvolvidos por Vygotsky. Em linhas bem gerais, é na interação que o sujeito estabelece desde cedo com outros sujeitos que emerge a capacidade do pensamento consciente no homem. Agindo coletivamente, o homem se apropria progressivamente das regras de ação e de comunicação em uso em seu ambiente social e é a partir dessa história social que o homem desenvolve um funcionamento psíquico sistemático acessível à consciência. Portanto, retomando as palavras no texto de Bronckart, afirmamos: "... para compreendermos aquilo que é específico no funcionamento humano, é necessário analisar, primeiramente, as características do agir coletivo porque é nesse âmbito que se constroem tanto o conjunto dos fatos sociais quanto as estruturas e os conteúdos do pensamento consciente das pessoas. Acerca desse segundo ponto, e para não precisarmos retomá-lo, isso significa dizer, de modo geral, que os conhecimentos são o produto da vida, e não o contrário". (BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, discurso e desenvolvimento humano. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2006)
O exemplo 7 foi postado pela tutora em resposta à seguinte mensagem, de uma das alunas: “Ainda não li todo o material sobre comunicação humana, mas quando entrei no fórum e li as colocações de alguns colegas e da professora, me lembrei de um questionamento que o meu professor de Filosofia destacou em sala.Não sei se é pertinente para a discussão em curso. PENSAMENTO E LINGUAGEM: QUEM VEM ANTES? QUEM VEM DEPOIS? Gostaria de ler algumas opiniões de colegas e se possível das professoras. Segundo o que li nas colocações da senhora, penso que além da psicanálise a filosofia também se ‘enrosca’ nessa concepção de que o sujeito é heterogêneo e que se divide entre o consciente e o inconsciente. Acredito que os conflitos na comunicação humana são necessários na medida em que o sujeito se envolve ou é envolvido numa determinada interação social.”
A tutora, primeiramente, afirma não ser possível responder com certeza ao questionamento apresentado pela aluna, mas concorda com parte de sua argumentação, e apresenta uma argumentação própria sobre o assunto, com base em um autor consagrado. Este exemplo é particularmente interessante pelo respaldo científico que a tutora demonstra ter buscado para se posicionar em relação às ideias de sua aluna.