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3. CASE NO. 1: EXPLAINING U.S. ENGAGEMENT IN BIH

3.1 P RESIDENT C LINTON ’ S VIEWS AND INTERESTS

As empresas que aderem ao modelo de desenvolvimento sustentável buscam incessantemente a aprovação da comunidade em que estão inseridas, é o que autores como Lacombe (2005) denominam como empresa politicamente correta. O reconhecimento público destas empresas passa a ser fundamental para o novo modelo de gestão, então, a organização passa a se envolver ativamente de forma compromissada com a conscientização social e incentiva seus colaboradores a fazerem o mesmo.

Entretanto, Dias (2010) coloca de maneira muito apropriada que este modelo de gestão encontra um grande desafio evolucionário que consiste em solucionar uma intricada equação recheada de variáveis tais como: aumento da população, elevados índices de consumo, a falta de conscientização gerando desperdícios, minorias sociais excluídas, corrupção evoluindo para o normismo, educação deficiente, dentre outras.

O autor ainda afirma que a gestão ambiental, pode ser considerada um atenuante aos problemas ambientais, já que suas normas sofrem constantes intervenções políticas devido a interesses particulares, o que invalida em muito o resultado efetivo desta proposta de gestão. (DIAS,2010)

O modelo de gestão sustentável da CAESB vem evoluindo desde sua fundação, apesar de lidar com problemas de pulverização das questões ambientais, conforme veremos em seguida, seus projetos nesta área tem sido reconhecidos e vem ganhando notoriedade tanto no cenário Nacional quanto Internacional, como é o caso do projeto Biguá descrito nesta seção.

5.3.1 A pulverização das questões ambientais

Sobre essa questão foi perguntado aos entrevistados como a empresa lidava com o tema e qual é a sua visão hoje sobre tal. Os participantes informaram que a superintendência de meio ambiente foi criada em 2005 por decreto governamental e aconteceu com o advento da mudança do nome da empresa para companhia de saneamento ambiental.

Segundo eles, a mudança do nome, porém não seria suficiente para garantir a mudança da visão sobre as questões ambientais, foi preciso uma nova postura e para isso nascia então a superintendência de meio ambiente dentro da estrutura organizacional para fazer com que a empresa mudasse, não só de nome, mas que mudasse o modo de atuação nas questões ambientais.

Importante destacar no discurso dos entrevistados que desde que foi criada, a CAESB mantêm uma preocupação com as questões ambientais, já existiu na empresa uma diretoria de tecnologia ambiental e uma série de estruturas voltadas para questões ambientais.

Segundo um dos entrevistados:

A antiga diretoria de tecnologia ambiental era oriunda de um grupo de despoluição, que foi criada em 1978, com o objetivo de resolver o grande problema do Lago Paranoá, foi o trabalho deste grupo que criou o estudo de despoluição, com o passar do tempo esse grupo evoluiu para a então diretoria de tecnologia ambiental. Quando a CAESB foi criada, atribuíram à empresa responsabilidades de fiscalização ambiental do DF, até então, não existia secretaria do Meio Ambiente, não existia a ADASA, nenhum outro órgão que tratava das questões do meio ambiente.

A empresa era responsável pelos recursos hídricos, pelas questões de meio ambiente, responsável pelo Lago Paranoá, dentre outros. Com o passar do tempo a própria sociedade se organizou e exigiu melhoras nessas questões ambientais e passou a cobrar dos governos uma estrutura melhor. Foram então criados os institutos de meio ambiente, a secretaria de meio ambiente, a antiga Semar e etc..

Quanto a pulverização, foi indagado como seria essa realidade, ao que responderam que:

Apesar de não ter mais a responsabilidade sobre as questões ambientais do DF, a empresa mantinha sua responsabilidade sobre os impactos que causava, mas isto estava pulverizado, existiam questões ligadas ao laboratório, outras ligadas a área de operação e de obras, existiam questões específicas de licenciamento nas áreas de expansão, ou seja, havia um distanciamento nas decisões.

Um dos participantes da pesquisa informou que apesar da pulverização, o grande objetivo da empresa era fazer com que os aspectos ambientais fossem o foco de todas as ações que a empresa viesse a fazer, levando em consideração as três dimensões inerentes ao desenvolvimento sustentável que seriam o aspecto econômico, o social e o ambiental.

Na visão dos entrevistados, para que este objetivo lograsse êxito seria necessário que a empresa passasse por um processo de aculturação de seus empregados e colaboradores e isso exige coordenação. Segundo eles:

Eles explicam que os programas de conscientização coordenados pela superintendência geraram uma mudança de mentalidade levando os funcionários a atentarem aos impactos que a empresa pode vir a criar com os processos executados.

Algo muito pertinente apresentado pelos participantes da pesquisa é que:

Além da cultura existe uma série de exigências na legislação ambiental que inclui licenciamento, outorga, dentre outras, que necessitavam de canais de comunicação próprios e a pulverização não permitia a otimização destes canais.

A avaliação feita hoje, de acordo com informações fornecidas pelos entrevistados, das ações da superintendência de meio ambiente são as mais positivas possíveis, o fruto dessas ações podem ser observados nas atitudes dos próprios funcionários que assimilaram a visão e a missão da empresa e se colocam como interlocutores internos na execução de obras, informando de forma antecipada possíveis ações redutoras de impactos.

Eles acrescentam que existe também uma fiscalização para certificar que as obras estão sendo executada dentro dos parâmetros ambientais, pois a modernidade não aceita mais determinadas atividades de execução de serviço que seja altamente impactante, afinal, é possível o planejamento do desenvolvimento de forma responsável. A superintendência se apresenta aos funcionários com discurso de ser uma área ambiental que faz parte de uma empresa empreendedora.

A respeito disso, eles informam:

Tanto é que existem integrações entre ações da CAESB com projetos de recuperações de mananciais e matas ciliares, mas todas em parceria com outros órgãos. A empresa entende que a garantia do sucesso é sempre agir em grupo.

Quando indagados sobre o que a empresa aprendeu durante este processo eles afirmam que:

A primeira grande lição aprendida foi reconhecer que a área de meio ambiente deveria ter sido criada a mais tempo, não em 2005, mas na década de 60. Outra grande lição assimilada foi entender que não se pode impor o conceito ambiental e sim

conquistar. A ideia de gestão ambiental não pode ser institucionalizada e sim desenvolvida de forma gradual e consciente de que a cada dia é possível aprender alguma coisa.

Segundo os participantes da pesquisa, é preciso continuar melhorando a estrutura. Existe ainda a necessidade de unificar a área ambiental com a área de recursos hídricos. É preciso um trabalho em conjunto com as duas áreas falando a mesma língua.

Continuam dizendo que é possível também uma melhor estruturação da área, ter um contingente maior de pessoas trabalhando. Um dos entrevistados diz que:

Existe uma demanda muito grande por diferentes tipos de especialidades, mas a CAESB está consciente de que o esforço garante o sucesso da mudança. É preciso ainda se aproximar dos órgãos de controle ambiental. Os desafios desta área ainda são muitos, ela é, ainda, muito tenra, apesar de toda a evolução conseguida nestes cinco anos. É preciso atualizações constantes em temos de tecnologia e conhecimento da legislação ambiental porque são variáveis que se alteram constantemente, por serem muito dinâmicas e envolverem uma série de interesses de diversos lugares diferentes.

Indagados a respeito dos desafios que ainda devem ser superados, os entrevistados afirmam que:

O maior desafio da empresa, que é a mudança de cultura, foi superado em grande parte. Fazer com que todos os envolvidos passem a entender a proposta ambiental da CAESB e os empreendimentos saiam, respeitando a visão ambiental, foi e ainda é, sem dúvida nenhuma, um grande desafio. Outro grande desafio dessa superintendência é tratar da transversalidade dos recursos hídricos que é muito grande, ou seja, a empresa tem uma interface com o pessoal que executa a obra, com o pessoal que opera o sistema, com os subcontratados, terceiros e ai por diante. A evolução desta interface abrange os resíduos gerados desde a utilização de uma lâmpada ao lodo oriundo do esgoto.

Ainda acrescentaram que :

Ficou claro para a empresa, por meio desta preocupação com os aspectos ambientais, que a natureza precisa de ajuda. Sozinha a natureza tem solução para os problemas ambientais,

mas no tempo dela. A natureza não estava preparada para cidades como Brasília. A solução pelo meio ambiente de forma simplesmente natural existe, mas ela não atende a velocidade que ele exige hoje. É preciso primeiramente respeitar o meio ambiente, segundo conhecer as dificuldades e deficiências do processo natural e terceiro desenvolver técnicas pra exatamente preservar e atingir condição para que haja a possibilidade de uso dos recursos naturais. Não é apologia a poluição zero, até porque isso é praticamente inviável, mas é a busca do uso inteligente dos recursos de forma que o meio ambiente, de uma maneira geral, suporte e tenha capacidade de absorver e de se regenerar.

Um dos participantes é categórico em afirmar que é importante destacar que a empresa está em processo de acreditação de selo verde e diversas outras certificações no âmbito nacional e internacional.

5.3.2 Despoluição do Lago Paranoá

Uma das ações bem sucedidas, desenvolvidas pela empresa, foi a despoluição do Lago Paranoá, que já havia sido considerado um dos lagos mais poluídos do Brasil. Sobre esta questão, foi solicitado pelo pesquisador, que os entrevistados relatassem os detalhes mais importantes.

Um dos entrevistados chamou a atenção a importância de se comentar a cerca do planejamento de Brasília e a criação do Lago Paranoá, segundo ele:

A ocupação recente do território em Brasília acabou por atropelar todo o planejamento inicial da cidade. Para o ano de 2000 estava previsto uma população de 500 mil habitantes, mas neste período a cidade já contava com o dobro de pessoas, ou seja, uma população de 10.000 pessoas. Devido a isto, o esgoto atingiu patamares acima da capacidade de tratamento o que acabou resultando na poluição do Lago, pois este além de paisagístico também acumula outras funções. De acordo com os participantes da pesquisa a despoluição do Lago Paranoá foi assumida pela empresa com muita dedicação, teve apoio internacional e investimentos pesados. A vitória deste projeto mostrou a todos os envolvidos que era possível mudar o que alguns consideravam impossível.

O Lago Paranoá é o lago tropical artificial mais limpo da américa do sul, além de estar contido em um ambiente urbano o que faz todo o programa ser considerado um verdadeiro sucesso.

Sobre a origem da necessidade de acompanhar o Lago, foi solicitado, aos participantes da pesquisa que descrevessem todo o processo. Ao que eles começaram informando que:

Primeiramente foi feito um acompanhamento da CAESB juntamente com uma consultoria do Programa das Nações Unidas e um grupo de cientistas suecos. Isto aconteceu na década de 70, por volta de 1976. Com essa parceria foi implantado um laboratório de monitoramento de lagos denominado de laboratório de limnologia, que significa estudo de lagos e desde então o monitoramento do Lago Paranoá passou a ser constante.

Mesmo com as condições necessárias para um bom monitoramento o Lago saiu do controle conforme o relato que se segue:

O projeto de monitoração do lago não passou por nenhum processo de atualização ficando de certa forma inadequado, apesar da preocupação constante da CAESB, não havia, por parte do governo nenhuma intenção em fazer alguma mudança e em 1978 as algas invadiram o lago causando uma grande mortandade de peixes e isso foi o ponto máximo do problema.

De acordo com os pesquisados a partir deste ano foram desenvolvidos programas para recuperação do Lago Paranoá. As primeiras ações consistiam na retirada de nutrientes que faziam com que as algas se proliferassem, tratar todo esgoto que caia na bacia do Lago Paranoá e eliminar o fósforo de todas as entradas de esgoto. Em 1993 e 1994 as estações de esgoto foram remodeladas as fontes foram controladas. De acordo com um dos participantes:

Depois de tomada todas as medidas possíveis restavam esperar o Lago reagir e em 1999 ele começou a dar sinais de recuperação.

Nesta mesma época, a barragem era controlada pela CEB, empresa de energia elétrica de Brasília e de acordo com os relatos, ela segurou a água dentro da barragem por mais tempo. Isso ajudou a recuperação do lago pois na opinião dos integrantes do projeto:

Quando as compotas abriram, foi como dar uma descarga nas algas, como não havia mais nutrientes e fósforo vindos do esgoto, na água o lago continuou limpo e está limpo até hoje. A qualidade da água melhorou e a CAESB sentiu muito orgulho de ter participado deste momento tão importante na vida de Brasília. Segundo os relatos:

O lago começou a ter uma diversidade muito maior de espécies, uma transparência muito maior, níveis de nutrientes bem menores, e ele foi mantendo e assim ele está há uma década.

O lago passou a ser um lugar de lazer, as pessoas começaram a usar a prainha, foram criados programas de travessias do lago, a procura por esportes náuticos cresceu e os próprios funcionários da CAESB não acreditavam no que estavam vendo, conforme comentário dos próprios entrevistados.

O lago virou um manancial, a empresa divulga o resultado da balneabilidade para público e eu não conheço nenhum outro lago do Brasil que tenha um programa de balneabilidade como o nosso, semanal, quinzenal, dependendo da situação, e permanente. Aqui já se vê o resultado da responsabilidade social, é uma visão social. É motivo de orgulho e é um serviço de utilidade pública.

5.3.3 Parque aquífero

Com a despoluição do Lago Paranoá a CAESB assumiu um novo projeto vinculando a manutenção da limpeza do lago com a necessidade de algumas famílias que vivem da pesca nesta região.

A liberação da pesca no lago, é um projeto de repercussão social forte, nós temos um grupo de 50 pescadores que estão há mais de 10 anos vivendo da pesca no lago, criando os seus filhos, com benefício social e o benefício econômico eles vendem esse peixe, e mantém o equilíbrio ambiental porque eles estão ajudando a manter o lago despoluído.

Este trabalho é mantido e monitorado pela empresa desde 2000 e atende a 100 famílias. Trata-se de um projeto de biomanipulação onde os peixes, mais precisamente a Tilápia, são capturados de forma seletiva por pescadores profissionais no Lago Paranoá. Segundos os dados coletados:

A nossa equipe demonstrou que a tilápia, que é um peixe que atuava como contribuinte para a poluição do lago, e manter sua população sob controle é muito importante. Os pescadores contribuem para o programa de despoluição através da retirada de peixe do lago. Esse é um projeto social que nasceu aqui dentro também com a gente, e que até hoje a gente tem a monitora dentro dessa área.

Antes da CAESB propor esse programa os pescadores eram considerados clandestinos e caso fossem pegos pescando no Lago Paranoá eram presos pela polícia. Através pesquisas realizadas a empresa mostrou ao IBAMA que não fazia sentido proibir a pesca de um peixe bom para o consumo e cuja população excedente contribuía para a poluição. Para um dos participantes da pesquisa este projeto tem significado especial, segundo ele:

Aí isso é uma coisa que eu tenho muito orgulho e carinho, porque até hoje eu encontro os pescadores, tem pescador que tem filho de vinte e poucos anos que fala assim, “esse meu filho foi criado com peixe do Lago Paranoá, graças ao projeto da CAESB”, então a gente fez esse projeto e esse projeto deu esse fruto de ter essa pesca liberada, eles atuam desde aquela época, de 2000 pra cá, são entre 40 e 60, já deu documentário, já deu no Globo Ecologia.

Ao serem indagados a cerca da capacitação destes pescadores para que o projeto fosse bem sucedido eles responderam:

Demos um treinamento porque os pescadores estavam com um problema, eles queriam aumentar a renda, então começamos treiná-los pra que fizessem o processamento do peixe, desta forma, ao invés dele vender a tilapinha inteira à R$ 5,00 o quilo, eles poderiam vender o filé de tilápia à R$ 10,00. Houve um envolvimento da Universidade Católica no projeto e hoje ele está consolidado.

A empresa hoje só precisa fazer o monitoramento da quantidade de peixes. Segundo os entrevistados a maioria dos pescadores são moradores da Vila Telebrasília e são liberados para atuar como profissionais. Os pescadores tiveram sua renda garantida e também receberam treinamento para atuarem como fiscais do Lago, na fala de um dos entrevistados:

Eles foram treinados pra ajudar a CAESB na fiscalização do lago, qualquer problema de esgoto clandestino eles ligam pro 195.

O trabalho com os pescadores deu origem a implantação do parque aquícola que faz uso de uma técnica chinesa para criação de peixes conforme relato abaixo:

O peixe purifica a água, ele filtra a água e despolui, então ele é criado dentro de gaiolas próximo a rede sul, que é a única área do lago que não está despoluída, ele filtra a água e retira da água as sano bactérias, então ele controla ambientalmente a água e esse peixe também serve de consumo, ou seja, pode ser usado como alimento.

De acordo com os responsáveis pelo projeto não existe nenhum risco em consumir este peixe devido à inexistência de parque industrial na região, que é o maior responsável pela contaminação de lagos e rios.

5.3.4 O Projeto Biguá

A Região Administrativa do Varjão, situada a oeste da cidade de Brasília, se encontra peculiarmente cercada por áreas de preservação ambiental. A região se localiza entre três parques ecológicos: Parque Taquari, Parque Ecológico e Vivencial do Varjão e ARIE do Torto. É limitada ao sul pelo Ribeirão do Torto. Áreas de preservação ambiental como essas apresentam considerável vulnerabilidade diante da proximidade de aglomerações populacionais, o que pode ser agravado por situações de pobreza da população (SOUZA, 2002).

Devido a um processo de ocupação desordenada, até meados da década de 2000, a região apresentava fragilidades econômicas e carência de infra-estrutura. Num esforço de promover a urbanização da região do Varjão, foi realizado um esforço conjunto de diversos órgãos governamentais e entidades não- governamentais, com vistas ao incremento da qualidade de vida e mitigação dos impactos ambientais da comunidade.

Inicialmente focada na ampliação dos serviços de água e esgoto, objetivando a melhoria das condições de vida da comunidade, a CAESB estreitou seu relacionamento com a região do Varjão. Iniciaram-se parcerias com a Administração Regional e com a Associação dos Moradores. Esforços foram empreendidos para a regularização das ligações de água, ampliação da rede de esgoto e combate ao desperdício e fraudes no consumo da água tratada.

Outros problemas ambientais relacionados ao descarte de resíduos com potencial poluente exigiam uma atuação mais ampla da empresa de saneamento ambiental. Foi no intuito de atender a essa necessidade que surgiu o Projeto Biguá da CAESB.

O Projeto Biguá iniciou-se em maio de 2007 ao identificar os principais agentes poluentes que comprometiam a qualidade do meio urbano e as áreas de preservação vizinhas ao Varjão, o projeto buscava estimular o aproveitamento ou a destinação adequada dos resíduos produzidos pela comunidade.

Apoiada no conceito dos 3R’s, sejam, reduzir, reutilizar e reciclar (ZANETI, 2002), a proposta do Projeto Biguá buscava desenvolver ações de conscientização e conservação ambiental. Foram realizados eventos de plantio de árvores para a recuperação de áreas degradadas e oficinas para a reutilização dos resíduos recicláveis. A oficina de transformação do óleo de cozinha em sabão de limpeza foi aquele que resultou em maiores e duradouros sucessos.

Durante a entrevista, foi solicitado aos participantes que falassem sobre o projeto biguá, ao que eles disseram:

Para falar sobre o começo deste projeto, de como ele nasceu é necessário falar um pouco sobre o próprio Biguá. Uma ave aquática que foi eleita como símbolo do projeto. O biguá é uma ave que procura viver em ambientes limpos, e geralmente é encontrada nas entradas ou nas transições de córregos e lagos e regiões de nascentes, de córregos e lagos. É nesses lugares que ela costuma achar seu alimento, mas ela quer ambientes limpos e por isso foi escolhida como símbolo do projeto.

De acordo com os depoimentos, o projeto nasceu da necessidade de se gerar renda para os carroceiros, conforme abaixo:

O projeto tinha um objetivo tático, que era atender o problema dos carroceiros do Varjão. Eles atuavam no Lago Norte,