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P ALISADE ENDINGS AND MYOTENDINOUS CYLINDERS

3. AFFERENT INNERVATION OF THE EXTRAOCULAR MUSCLES

3.7 P ALISADE ENDINGS AND MYOTENDINOUS CYLINDERS

Ao final deste itinerário, percorrendo o vasto território da obra de Kierkegaard, e detendo-se nos estágios da existência, notadamente no que se refere às esferas ética e religiosa, podem-se enumerar alguns pontos conclusivos:

1. Antes de tudo, não há dúvida de que as idéias de Kierkegaard, acerca da exigência religiosa e o limiar da ética, não são desprovidas de ambigüidade. As concepções ética e religiosa são expostas em diferentes obras de Kierkegaard, a saber, A Alternativa, Estágios no

Caminho da Vida, Temor e Tremor, Post Scriptum e na

introdução ao Conceito de Angústia. Em tais obras, apresentam-se perspectivas, repletas de variações. Razão pela qual, torna-se imprescindível que cada obra, seja compreendida em sua totalidade, como ela é apresentada por seu respectivo autor-personagem, dentro de sua estrutura e da forma como é disposta. É possível, constatar, assim, que no pensamento de Kierkegaard há sérias dificuldades de interpretação e freqüentes afirmações divergentes. O próprio Kierkegaard não chega a uma conclusão explícita a respeito da incongruência ou harmonia entre as esferas ética e religiosa, talvez

expressando, dessa maneira indireta que a verdade é

interioridade.

2. As esferas da existência foram entendidas por muitos de seus críticos como um sistema, o que tornaria Kierkegaard incoerente, uma vez que toda a sua filosofia é construída em oposição à idéia de sistema, mais especificamente, ao sistema hegeliano. O que resulta da leitura empreendida aponta para a afirmação de que, Kierkegaard propõe uma fenomenologia dos estágios, que pretende conduzir a filosofia para a verdadeira condição do indivíduo, enquanto existente, ou seja, a sua realidade concreta, na qual se encontram os reais problemas existenciais. Por conseguinte, o entendimento das esferas da existência como sistema parece não prosperar.

3. O indivíduo ético se autodetermina, se escolhe a si mesmo, assumindo a responsabilidade por si e por sua conduta. A ética é, portanto, o que faz com que cada um se torne o que se é. O conceito de ética aparece como se referindo essencialmente ao indivíduo, sendo a realidade ética do indivíduo, enquanto existente, a sua única realidade. Qualquer decisão reside na subjetividade. Em tal esforço individualista, no qual Kierkegaard conduz o tratamento dado ao ético, enfatiza-se a intensidade, a paixão e seriedade com que cada indivíduo experimenta o dever. O que caracteriza a interioridade é a paixão, identificada como uma certeza subjetiva. Dessa forma, o acento recai no “como”, este indivíduo executa suas

ações, onde se evidencia a firmeza de propósito e a sinceridade consigo mesmo.

4. Relatividade teleológica da ética diante das exigências do absoluto: Kierkegaard apresenta a figura emblemática de Abraão, que ao obedecer a um mandamento divino, suspende teleologicamente a moral, visto que para além da ética existe o dever absoluto para com Deus. Em tal contexto, a moral é fundamentada no Absoluto. A ética não desaparece, mas se converte em algo relativo, tendo em vista que está diante das exigências absolutas do Absoluto. O que, de certo modo acarreta continuidade na ruptura.

5. Ao abordar a relação entre o ético e o religioso em determinadas obras, (O Conceito de Angústia e Post Scriptum) Kierkegaard aponta para uma

compatibilidade entre esses estágios. Com pressupostos religiosos, uma vez que é fundada na revelação, Kierkegaard se refere a uma ética cristã. Tal ética é subjetiva e transcendente, onde o dever se caracteriza como exprimindo a vontade divina, reconhecida por meio da revelação. O cristianismo se apresenta, então, como uma ética com seus conteúdos cristãos. Nessa perspectiva, Kierkegaard se mostra mais determinado a acentuar as continuidades entre as esferas ética e religiosa do que a demarcar suas diferenças, tendo em vista que a subjetividade é condição interna em relação à ética e à religião. Pela via da subjetividade se pode estabelecer uma harmonia entre os modos de existência ético e religioso, uma vez que esta moralidade interior deixa o

indivíduo na subjetividade, perante Deus. Kierkegaard, ao identificar o valor supremo, como consistindo na existência subjetiva, e sendo a subjetividade categoria interior particular do indivíduo em relação à ética e à religião, faz com que seja possível estabelecer uma compatibilidade entre os estágios ético e religioso.

6. Kierkegaard, ao distinguir a “primeira ética”, imanente e objetiva e a “segunda ética”, que tem o cristianismo como sustentação teológica e filosófica de seus preceitos, remete a uma demarcação entre paganismo e cristianismo. A ética entendida como instituição humana auto-suficiente, após o advento do cristianismo, consiste num retorno ao paganismo.

7. Os estágios ético e religioso, tem uma relação essencial, intrínseca um com o outro. A realização do ideal ético necessita de uma intervenção e um fundo religioso, uma vez que a esfera ética contém uma tensão para um “telos”, que consiste em um esforço para conseguir ser espírito perante Deus. O estágio ético se caracteriza por ser uma esfera preparatória para o estágio religioso, que é onde se efetiva a verdadeira realização do indivíduo. Dessa forma, a esfera religiosa implica os elementos da esfera ética, fundados no Absoluto.

Espera-se que este trabalho tenha contribuído para um melhor esclarecimento acerca da exigência religiosa e as fronteiras da ética, delineadas nas obras de Kierkegaard. Pela complexidade do tema, seguramente, muitos aspectos deverão, ainda, ser revistos com maior

rigor; no entanto, o objetivo inicial de uma abordagem crítica sobre a continuidade ou ruptura entre as esferas ética e religiosa, foi atingido. Pretende-se, num futuro próximo, continuar analisando mais detidamente essa problemática, tentando acrescentar algo de novo ao referido tema.