15 Breovervåking
15.2 Overvåking av Baklibreen
O objetivo deste capítulo é expor e justificar a escolha pela pesquisa crítica de colaboração, articulando a base teórica apresentada. Explicam-se as características do contexto no qual esta pesquisa foi desenvolvida, apresentando os participantes da pesquisa e os procedimentos para a produção e organização dos dados.
São apresentados quadros com a síntese descritiva da organização das atividades desenvolvidas, as categorias para interpretação e análise dos dados selecionados. Em seguida, expõe os aspectos éticos e de credibilidade que permearam o desenvolvimento desta investigação.
3.1 Contexto da pesquisa
A seguir apresenta-se a Escola, sua localização, caracerísticas do entorno e público alvo atendido. Faz-se ainda uma breve explanação a respeito do contexto em que ocorre o trabalho da formação contínua, identificando todos os participantes da pesquisa: Coordenadora Pedagógica (CP), Professores (P) e Pesquisadora (Pe).
Apresenta-se, em seguida, a organização e encadeamento das atividades, sob a ótica das investigações realizadas pelo grupo de pesquisa LACE.
3.1.1 Apresentação do projeto e Cadeia Criativa: Escola e Participantes da Pesquisa
A Escola está localizada na Zona Leste de São Paulo, tem cerca de 596 alunos, 13 salas de aula e 49 educadores. Seu entorno apresenta uma infraestrutura regular de serviços, com poucos equipamentos públicos, tais como um centro esportivo e um posto de saúde. Limitada capacidade de atendimento cultural, com duas escolas estaduais, uma biblioteca pública e um centro esportivo.
A escola atende a crianças e adolescentes da comunidade em período regular de quatro horas, distribuídos em dois turnos, matinal e vespertino. Cerca de 92,8% dos alunos do 4º ano do Ensino Fundamental (EF) – Ciclo I participaram da avaliação de Língua Portuguesa em 2011, de acordo com os dados da Prova São Paulo.
Os resultados obtidos nesta avaliação, em 2011, revelam que 53% dos alunos avaliados reconhecem atores (quem), fatos (o quê), tempo (quando), lugar (onde), modo (como) em um texto ou sabem formular hipótese sobre possível portador/suporte ou leitor do gênero textual, considerando tema, linguagem e finalidade; 48% selecionam um título ou uma legenda para uma imagem, uma foto, uma figura, um texto escrito, considerando o contexto situacional; 46% reconhecem o sentido de uma palavra ou de expressão presente no texto, considerando o contexto; 39% estabelecem relações entre as partes de um texto, identificando repetições e substituições que contribuem para a sua continuidade; 34% conseguem justificar o efeito de sentido, decorrente do uso de pontuação expressiva (reticências, exclamação, interrogação, aspas etc.) ou de notações gráficas, assim como, inferir o sentido de palavras ou expressões, considerando o contexto do texto. Nos textos literários, apenas 19% identificam o conflito gerador do enredo, considerando marcas explícitas no texto.
Nesse contexto, em 2012, havia doze professores no EF Ciclo I, sendo que a maioria deles participava da formação contínua no HC semanalmente. A equipe técnico- administrativa da escola contava com um Diretor, dois Coordenadores Pedagógicos (CP), cumprindo uma jornada de 40 horas semanais de trabalho.
Neste trabalho, apresentamos um estudo investigativo que envolve diretamente a prática de uma Coordenadora Pedagógica em interação com os professores dessa escola pública Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) de São Paulo, a partir do qual foi feito um recorte específico, nas discussões que ocorrem no Horário Coletivo (HC), com foco na formação dos professores para o ensino de leitura na sala de aula.
O Horário Coletivo (HC) constitui-se um espaço privilegiado para a atuação da CP. Entre as suas atribuições (PORTARIA 5403/07)33, constam o planejamento e realização da formação contínua dos professores, assim como a articulação, o acompanhamento e
33 Portaria 5403/07 – SME, de 16/11/07. Reorienta o programa "Ler e Escrever-Prioridade na Escola Municipal" nas EMEF, EMEFM e EMEE, reorganizado pela Portaria SME nº 4.507, de 30/08/07.
avaliação do trabalho pedagógico. Na EMEF, essa atividade tem duração de oito horas-aula semanais, com o objetivo de aprimorar as práticas pedagógicas dos professores e, assim, garantir a aprendizagem nas salas de aula.
Inicialmente, a participação direta da pesquisadora aconteceu nos momentos de Sessão Reflexiva (SR), de Estudo Planejamento (MEPL), entretanto, na medida em que o trabalho investigativo avança, a pesquisadora teve uma participação direta no HC e, em determinado momento, na sala de aula.
O papel da pesquisadora foi, além de observar, participar das discussões nas sessões reflexivas (SR), nos momentos de estudo e planejamento (MEPL), nos Horários Coletivos (HC), e nas observações de sala de aula (OBS), introduzindo questionamentos, perguntas, discutindo concepções e orientações teórico-metodológicas, buscando, em uma perspectiva dialógica, participar das discussões da coordenadora e do grupo, de modo que pudessem refletir colaborativa e criticamente, criando contextos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os envolvidos, na direção da construção da autonomia necessária para transformar suas práticas.
Como integrante da equipe de pesquisadores do grupo Linguística aplicada em Contextos educacionais (LACE), é importante considerar que a pesquisadora exerceu o cargo de Coordenadora Pedagógica (CP) na rede Municipal de Ensino de São Paulo e trabalhou por cerca de dez anos como formadora de professores e coordenadores pedagógicos em um órgão regional dessa mesma rede. Esse percurso profissional contribuiu para a escolha deste trabalho de pesquisa, pois revela a busca por compreender e transformar a própria prática de coordenação pedagógica no que se refere ao tratamento dado aos conteúdos de leitura na escola, em função do baixo desempenho dos alunos, revelado na avaliação externa34.
A escola pesquisada tem duas coordenadoras pedagógicas, ambas se encontram diariamente em uma parte do período de trabalho e trocam informações a respeito das ações cotidianas. Contudo, dividem o trabalho de formação, de modo que uma é responsável por formar e atender aos professores do EF-Ciclo I e outra por formar e atender aos professores do EF-Ciclo II.
34 Secretaria Municipal de Educação. Prova São Paulo 2009: Relatório de Análises Técnico-Pedagógicas. São Paulo: SME, 2010.
A CP que forma os professores do EF-ciclo I – que colaborou com esta pesquisa – teve a formação inicial na área de Educação Física, na qual atuou por cerca de 25 anos em uma jornada integral. Lecionou em diversas escolas, mas permanece na escola atual há vinte anos. Segundo ela, esteve afastada das atividades docentes por motivo de complicações na voz, passando a trabalhar em atividades de apoio à gestão escolar, nas quais começou a desenvolver ações com o objetivo de contribuir para o bom andamento das atividades escolares. A partir de uma ausência temporária prolongada da CP efetiva da escola, devido a questões graves de doença, a equipe gestora convidou essa professora de educação física para substituir temporariamente a coordenação pedagógica.
Nessa oportunidade, com o referendo de todo o corpo docente, ao assumir a função de coordenadora substituta, passou a receber formação da Diretoria Regional de Educação para se tornar formadora dos professores da escola, sobretudo, dos professores do EF-Ciclo I. Sua rotina contempla as reuniões com a equipe gestora na escola, elaboração de registros diversos para a Secretaria da Educação, o atendimento aos pais e alunos, o planejamento e a elaboração de pautas de reuniões pedagógicas e de formação dos professores em Horário Coletivo (HC) de trabalho.
Na equipe pedagógica do EF Ciclo I, encontra-se a professora do quarto ano do EF- Ciclo I que denominaremos P3. Ela é professora efetiva na escola há mais de cinco anos e têm jornada integral de trabalho. Essa jornada envolve o trabalho com os alunos na sala de aula e a participação na formação contínua realizada no HC da escola. São duas horas diárias, de segunda a quinta-feira, totalizando oito horas-aula semanais.
A professora P3 atua em uma turma de alunos com defasagem na aprendizagem dos conteúdos do ciclo. Nessa turma, ela desenvolve o Projeto Intensivo do Ciclo I (PIC), que envolve a retomada de conteúdos dos anos anteriores, tanto em língua portuguesa, como em outras áreas. Nesse espaço, são inseridos também conteúdos próprios do quarto ano, de modo que todos tenham a oportunidade de, posteriormente, se aprovados, acompanhar o EF-Ciclo II.
A escola dispõe dos seguintes recursos materiais: treze salas de aula, uma sala de leitura para os alunos, na qual também consta um acervo específico para a formação dos professores, um laboratório de informática, uma sala dos professores e uma sala de reuniões coletivas.
O critério utilizado para escolha dessa escola foi o desempenho dos alunos, abaixo das expectativas de aprendizagem, nas atividades que envolvem a leitura de textos de acordo com a Prova São Paulo35 em 2011.
3.1.2 Organização e encadeamento das atividades
O trabalho de investigação na escola, consistiu em reuniões, geralmente quinzenais, com a CP e o corpo docente, nos seguintes momentos: no horário coletivo (HC) de trabalho, nas sessões reflexivas (SR), nos momentos de estudo e planejamento (MEPL) e na observação da sala de aula da professora P3 (OBS).
O HC, por sua natureza institucional de formação contínua de professores, gerido pelo CP, foi o foco central deste trabalho. Em virtude de que as ações de formação contínua desencadeadas no HC da escola, implicam desdobramentos em outras atividades, tais como, SR, MEPL e OBS na sala de aula, o quadro a seguir resume cronologicamente essas ações.