Perfil produtivo 2.1 a 2.8 Perfil ambiental 3.1 a 3.18
Quadro 4.2: Estrutura do questionário em função dos grupos temáticos abordados e itens correspondentes
Já o formulário, segundo Nogueira (1968 apud MARCONI & LAKATOS ,2008), é uma lista, catálogo ou inventário destinado à coleta de dados a partir da observação ou de perguntas ao entrevistado, cujo preenchimento pode ser feito pelo próprio entrevistador ou pelo entrevistado.
No caso desta pesquisa, o formulário foi elaborado a fim de aprofundar questões sociais e ambientais envolvidas na fabricação de móveis, e os itens foram organizados em nove grupos temáticos, conforme o quadro a seguir.
GRUPO TEMÁTICO ITENS
a) design/concepção do produto 1.1 a 1.3 b) durabilidade/montagem/manutenção 2.1 e 2.4 c) fornecedores/vendas 3.1 e 3.2 d) processo produtivo/ resíduos e emissões 4.1 a 4.7 e) infra-estrutura 5.1 a 5.3 f) segurança e saúde 6.1 e 6.6
g) entregas 7.1
h) legislação 8.1 e 8.2
i) relacionamento com a vizinhança 9.1 a 9.3
Quadro 4.3: Estrutura do formulário em função dos grupos temáticos abordados e itens correspondentes
Os formulários foram preenchidos pelo entrevistador em visita às empresas, com o devido acompanhamento de seus representantes para os esclarecimentos necessários.
Os dados coletados nas duas etapas foram organizados em gráficos e tabelas, acompanhados de análises descritivas para facilitar a compreensão dos resultados.
117 4.2 Caracterização da área de estudo
O Cadastro Industrial da Paraíba (FIEP, 2006) registra 106 empresas do setor moveleiro no estado, de acordo com a classificação de atividade de “Fabricação de móveis e indústrias diversas”, subatividade “Fabricação de artigos do mobiliário”. Dentre essas empresas, 77% concentram-se no município de Campina Grande e na Região Metropolitana de João Pessoa, composta pelos municípios de Bayeux, Conde, Cabedelo, Cruz do Espírito Santo, João Pessoa, Lucena, Mamanguape, Rio Tinto e Santa Rita.
As cidades da região metropolitana de João Pessoa, Paraíba, que possuem a atividade de fabricação de móveis são Bayeux, Cabedelo, João Pessoa e Santa Rita. Juntas elas registram a existência de 33 empresas (FIEP, 2006).
A produção de móveis na Paraíba, assim como nos outros estados do Brasil e em vários outros países, é predominantemente baseada na utilização da madeira. Os fabricantes de móveis desse material correspondem a cerca de 70% do total de empresas registradas no estado (FIEP, 2006).
Na região metropolitana de João Pessoa, 54,5% dos fabricantes de móveis utilizam a madeira como a principal matéria-prima. Dentre as empresas restantes, 9,09% fabricam móveis tubulares de metal, 9,09% fabricam colchões e 27, 3% não foram especificadas (FIEP, 2006).
A região litorânea da Paraíba, principalmente a que corresponde à capital João Pessoa, passa por um processo acelerado de expansão urbana e de intensificação da verticalização das edificações. As altas taxas de crescimento do mercado imobiliário refletem esse fenômeno, que sofre influências de diversos fatores, como a divulgação da região através do turismo, as facilidades de créditos e financiamentos e as taxas reduzidas de juros sobre imóveis.
O crescimento do mercado imobiliário local aumenta a demanda pela produção de artigos do mobiliário, intensificando a produção do setor e ocasionando o surgimento de novas fábricas na região metropolitana de João Pessoa. Além do aumento da quantidade de fábricas locais, há também um incremento no número de representações comerciais de fábricas de outros estados, principalmente de grandes empresas do Rio Grande do Sul.
118 Todo esse processo torna o mercado moveleiro local bastante competitivo e, em conseqüência disso, os empresários do setor criam novas estratégias para o desenvolvimento da produção local. Recentemente, a formação de um APL composto por um grupo de empresas localizadas em municípios da região metropolitana de João Pessoa foi formalizada.
A Associação das Indústrias de Móveis e Artefatos de Madeira (AMAP) firmou parceria com SEBRAE-PB, FIEP/IEL, BNB, FEMIPE-PB e Prefeitura Municipal de João Pessoa, para formalizar o APL de Móveis da Grande João Pessoa. A iniciativa tem o objetivo de promover o desenvolvimento, o crescimento produtivo e a competitividade (FEMIPE-PB, 2008)9.
Os empresários do APL participam de reuniões semanais com as instituições parceiras no intuito de estruturar ações de cooperação e competitividade. Como resultado, a AMAP, em parceria com a FIEP e o SEBRAE, instituiu, no final de 2008, o Selo da Indústria Moveleira (SIM), a fim de valorizar a produção de micro e pequenas empresas que atuam na Grande João Pessoa. O Selo propõe-se a representar uma referência em comum para as marcas dos fabricantes de móveis do APL e simbolizar a qualidade dos produtos e o uso de madeira de reflorestamento (ASN, 2008).
O APL de Móveis da região metropolitana de João Pessoa congrega 26 empresas do setor localizadas nos municípios de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita e Cabedelo, indicados na figura a seguir (ASN, 2008).
9
Dentre as empresas do APL, 56% não estão registradas no Cadastro Industrial Paraíba, o que indica a existência de uma grande quantidade de empresas do setor moveleiro além daquelas que estão indicadas no cadastro disponível da FIEP.
119
Figura 4.2: Localização das empresas do APL de móveis da região metropolitana de João Pessoa
No APL, as empresas que fabricam móveis de madeira predominam (77% do total), seguindo a tendência do setor nos âmbitos nacional e internacional. Também se repete a predominância de MPEs, sendo que a metade dos estabelecimentos estudados é de porte micro e a outra metade é de pequeno porte, notando-se a ausência de médias e grandes empresas. A descrição detalhada das características do APL compõe os resultados da pesquisa, apresentado em seção posterior.
4.3 Caracterização geral do APL de Móveis de João Pessoa-PB
Nesta seção apresentam-se os dados coletados na primeira etapa da pesquisa, que caracterizam o APL de Móveis de João Pessoa, Paraíba, em seus aspectos administrativos, produtivos e ambientais.
Em seção posterior, serão apresentados os dados referentes à segunda etapa da pesquisa, que consistiu no aprofundamento dos aspectos sociais e ambientais da pesquisa10.
10
Considerar que a primeira etapa da pesquisa (aplicação de questionário) contou com a participação de 18 empresas e que, na segunda etapa (visita às fábricas para aplicação de formulário e
120 4.3.1 Aspectos administrativos
A partir dos dados coletados, verificou-se que as empresas estudadas são em sua totalidade dirigidas pelos seus proprietários. Notou-se também que a maioria das empresas do APL (88,9%) foi caracterizada como de natureza familiar.
Quanto ao tempo de criação, observou-se que a metade das fábricas possui menos de uma década de atividade. No que diz respeito ao porte das empresas, constatou-se que a metade constitui-se de microempresas e a outra metade de pequenas empresas11, verificando-se a ausência de empreendimentos de médio ou grande porte no APL. Esses dados são detalhados na tabela a seguir.
Tabela 4.1: Freqüência de empresas do APL em relação ao tempo de criação e ao porte
VARIÁVEIS VALOR