5. ANBEFALTE PLANPROSESSER
5.3 OVERORDNET STREKNINGSVIS VURDERING
As estruturas narrativas, também chamadas de narrativização, apresentam os mecanismos de estruturação sintática da narrativa e as questões semânticas de modalização.
A sintaxe narrativa tem como enunciado elementar a relação de
transitividade entre dois actantes que são o sujeito e o seu objeto de valor: a narrativa é operada pelo fazer transformador de um sujeito que age em busca dos valores investidos nos objetos (narrativa como mudança de estado).
Há duas formas de enunciado elementar ou funções transitivas: os do ser (de estado) e os do fazer (de transformação). Os enunciados de estado, conforme Fiorin (2001, p. 21), “são os que estabelecem uma relação de junção (disjunção ou conjunção) entre um sujeito e um objeto [...], e os enunciados de fazer são os que
S1 S2
Š2 Š1
Termo Complexo Termo Complexo
mostram as transformações, os que correspondem à passagem de um enunciado de estado a outro”.
Os dois tipos de junção entre o Sujeito e o seu Objeto de Valor são: a
conjunção, em que o Sujeito tem ou conserva o Objeto de Valor representado
graficamente por S ∩ O, e a disjunção, que apresenta um modo de ser da relação juntiva no qual se espera uma transformação para conjunção entre Sujeito e Objeto, representado por S U O. Às disjunções paradigmáticas correspondem um desdobramento da estrutura atuacional em Sujeito versus Anti-Sujeito, Destinador
versus Anti-Destinador, Destinatário versus Anti-Destinatário, Objeto Positivo versus Objeto Negativo e Adjuvante versus Oponente que são as dêixis11 positiva
e negativa .
Segundo Fiorin (2001, p. 21), há duas espécies de narrativas mínimas nos enunciados de estado que são: a narrativa de privação (de um estado inicial conjunto, o sujeito passa a um estado final disjunto) e a narrativa de liquidação (em que há um estado inicial disjunto e um estado final conjunto). Porém, há casos em que há uma temática de começo disjunto com final disjunto e começo conjunto com final conjunto.
O enunciado de fazer e o enunciado de estado constituem o programa narrativo que é a unidade operatória elementar da organização narrativa de um texto. Esses programas narrativos se organizam em percursos narrativos que são sequências de programas narrativos relacionados por pressuposição.
Segundo Barros (2000, p. 21-22), os programas narrativos podem variar quanto “à natureza da função, à complexidade e hierarquia de programas, ao valor investido no objeto e quanto à relação entre os actantes narrativos e os atores que os manifestam no discurso.”
Quanto à natureza da função, se há conjunção do sujeito com seu objeto de valor, tem-se um programa de aquisição; se o sujeito termina disjunto do seu objeto de valor, há um programa de privação.
11 Dêixis: uma das dimensões fundamentais do quadrado semiótico que reúne, pela relação de implicação, um dos termos do eixo dos contrários como o contraditório do outro termo contrário. (GREIMAS & COURTÉS: 2008, p. 120)
Em relação à complexidade e hierarquia, os programas podem ser simples ou complexos, constituídos por dois ou mais programas distribuídos hierarquicamente.
No que diz respeito ao valor investido no objeto, Barros considera que “podem ser modais, como o dever, o querer, o poder e o saber, que modalizam ou modificam a relação do sujeito com os valores e os fazeres, ou descritivos.” (2000, p. 22).
Para Fiorin (2001), existem quatro fases numa narrativa complexa: a manipulação, a competência, a performance e a sanção.
A manipulação é o domínio de um sujeito sobre o outro que o leva a querer e/ou dever fazer alguma coisa. As formas mais comuns de manipulação são: a tentação, a intimidação, a sedução e a provocação. A competência é a fase em que o sujeito realiza a transformação esperada da narrativa, isto é, ele apresenta as qualidades necessárias que o levarão a agir. Na fase da performance, dá-se a transformação central da narrativa. Nela, o sujeito pode ficar conjunto ou disjunto de seu objeto de valor. Por fim, na fase sanção, constata-se que a performance foi realizada, reconhecendo-se o sujeito que operou a transformação. É nessa fase que acontecem as premiações e as punições dos sujeitos.
Na estrutura narrativa, o actante pode ser o sincretismo de vários atores e vice-versa, que se chama sincretismo actancial/atorial, como mostramos no seguinte gráfico de Greimas (1977, p. 179):
A1 A1 A2 A3
a1 a2 a3 a1
O que se explica da forma seguinte: o actante 1 (A1) pode ser o sincretismo
de atores diversos (a1, a2 e a3), como também vários actantes (A1, A2 e A3) pode
ser o sincretismo de um ator.
A análise da estrutura actancial de um texto permite captar sua temática e ideologia, considerando que esta não apresenta a conotação política que
lhe é atribuída normalmente, mas se define pelo sistema de valores de um indivíduo, de uma cultura, de uma sociedade. Quanto mais diferenciados e em maior quantidade forem os actantes, mais carregado será o texto em ideologia. (BATISTA, 2001, p. 150)
De acordo com Barros (2000, p. 42), “no percurso narrativo, a semântica narrativa é o momento em que os elementos semânticos são selecionados e relacionados com os sujeitos. Para isso, esses elementos inscrevem-se como valores, nos objetos, no interior dos enunciados de estado.”
A semântica narrativa está direcionada para os valores contidos nos objetos que aparecem numa narrativa. Esses objetos são objetos modais e objetos de
valor. Os objetos modais estão ligados ao querer, ao dever, ao saber e ao poder fazer, ou seja, “são aqueles elementos cuja aquisição é necessária para realizar a performance principal” (FIORIN, 2001, p. 28). Os objetos de valor são aqueles
“com que se entra em conjunção ou disjunção na performance principal” (FIORIN, 2001, p. 28). O objeto modal serve como um “instrumento” através do qual se obtém um outro objeto que seria o desejo/objetivo final do sujeito da narrativa, enquanto o objeto de valor seria a concretização/obtenção final do desejo de um sujeito. O mesmo objeto concreto pode conter diferentes objetos de valor.
A modalização de enunciados de estado é chamada de “modalização do
ser e atribui existência modal ao sujeito de estado e a modalização de enunciados
do fazer é [...] responsável pela competência modal do sujeito do fazer.” (BARROS, 2000, p. 42-43).
Há dois aspectos na modalização do fazer: o fazer-fazer do destinador sobre o destinatário e o ser-fazer da competência do sujeito.
Na organização modal da competência do sujeito, os dois tipos de modalidades são: as virtualizantes, que instauram o sujeito (o sujeito apresenta o dever-fazer e o querer-fazer), e as atualizantes, que o qualificam para a ação (o sujeito apresenta o saber-fazer e o poder-fazer).
Em relação à modalização do ser, a modalização veridictória determina a relação do sujeito com o objeto de valor, se é verdadeira ou falsa, mentirosa ou secreta. Ela se relaciona ao fazer interpretativo. A modalização pelo querer, dever, poder e saber incide sobre os valores investidos nos objetos.