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3. HYDRAULIC WELL MODEL

3.2 Outline of Model Derivation

Decisões em instituições financeiras, em parte, obedecem a instruções, que visam à qualidade e diminuição do risco – não é possível eliminá-lo completamente. Essas instruções são baseadas em estudos de mercado e têm como objetivo a excelência no negócio. Entretanto, há a outra parte da decisão. Essa ouve uma “voz interna” que antecipa possíveis riscos ou resultados vantajosos que possam ser alcançados, um processo independente da experiência: é a intuição, que vai validar de forma pessoal e intransferível a qualidade da decisão.

A intuição “permite o acesso ao conhecimento de forma imediata, sem análises ou mediações e transcende a razão...” (VERGARA, 131).

Vale enfatizar que a intuição não é algo sobrenatural, nem uma faculdade especial que poucos privilegiados possuem, mas como elucida Fisher (1989):

“A intuição não se baseia num sexto sentido. É o conhecimento sem estarmos consciente de como o captamos .(...) Existe uma surpreendente massa de conhecimento que todos nós possuímos, mas que nunca alcança a consciência.Isso é o conhecimento subliminar compilado pelos sentidos que se desvia completamente

da consciência. Quando algum dado ou aspecto desse conhecimento vem à tona, tem-se a intuição.”(p.16).

Assim, pode-se supor que, se o gestor bancário aprender a deixar vir á tona seus conhecimentos ocultos, deixando fluir a intuição, tomará melhores decisões.

De acordo com Morente (1930), Descartes foi o primeiro a fazer da intuição o método primordial da filosofia. Esse método da intuição floresceu entre filósofos posteriores, empregado principalmente por filósofos idealistas alemães.

Morente afirma que a intuição é um meio de chegar ao conhecimento de algo, e se contrapõe ao conhecimento discursivo. O autor discorre por vários exemplos3 de intuição, nomeando cada um deles:

• Intuição sensível: aquela que praticamos em todos os instantes, quando com um só olhar percebemos ou captamos um objeto. “Esta intuição é imediata, é uma comunicação direta entre mim e o objeto”

• Intuição espiritual: é uma evidência imediata, direta sem necessidade de demonstração. Seu objeto não á um objeto sensível, essa intuição não se faz por meio dos sentidos, mas do espírito. É intuição formal.

• Intuição real: capta a essência, a existência, a consistência das coisas. Divide-se em três classes: a atitude intelectual, a atitude emotiva e a atitude volitiva.

1. Intuição intelectual: é um esforço de captar diretamente, mediante um ato direto do espírito, a essência, aquilo que o objeto é. Põe em jogo as faculdades intelectuais. Desentranha aquilo que o objeto é.

2. Intuição emotiva: tem seu correlato no objeto, no valor do objeto, aquilo que o objeto vale. (bom/mau; feio/belo). Desentranha o que o objeto vale

3. Intuição volitiva: os motivos se entrechocam são derivados da vontade, do querer, tem seu correlato no objeto. Desentranha a experiência do ser

Vale lembrar que a definição de intuição que deu base a esta pesquisa, foi aquela adotada por Vergara (1991) e Motta (2007), conforme já descrito no capitulo um. O objetivo de informar sobre a intuição no campo da filosofia é demonstrar quão é abrangente seu estudo e para lembrar que a revolução científica invadiu o terreno da filosofia desmerecendo o estudo da intuição, mas ratifica-se que não é intenção focar especificamente a intuição filosófica neste

trabalho, isto porque não há interesse em dividir o campo da intuição do campo da razão. Muito pelo contrário: é a intenção de encontrar a inter-relação razão e intuição que permeia este trabalho.

Goldberg (1983, p.17) acredita que :

A intuição está cada vez mais reconhecida como uma faculdade mental natural, um elemento-chave na descoberta e resolução de problemas, na tomada de decisões, um gerador de idéias criativas, um premonitor, um revelador da verdade. Ingrediente importante naquilo que chamamos de gênio, é também um guia sutil na vida cotidiana.Aquelas pessoas que sempre parecem estar no lugar certo na hora certa, e para as quais acontecem coisas boas com estranha freqüência, não tem apenas sorte; elas têm um senso intuitivo do que escolher e como agir”

O autor diz também que todos somos intuitivos, mas com capacidade variada e podemos ficar mais intuitivos através do aprendizado.Ocorre que a busca desse aprendizado está permeada de obstáculos que “têm sua raiz em conjecturas epistemológicas arraigadas, perpetuadas pelas instituições que nos ensinam como usar a nossa mente”.(p.19). Foi assim que aprendemos que a única maneira de ter acesso ao conhecimento é o pensamento racional. “O aspecto desastroso dessa tendência não é a veneração da racionalidade ou a insistência nas evidências experimentais, mas a depreciação da intuição”. (p.21)

A idéia de Goldberg é que o cientificismo protegeu o conhecimento contra as oscilações da subjetividade. Com isso, o cientificismo reprimiu o acesso ao conhecimento intuitivo. Segundo ele “desde a escola primária até a faculdade, e na maioria dos nossos ambientes de trabalho, somos ensinados a desenvolver o modelo idealizado de cientificismo no nosso modo de pensar, na solução de nossos problemas e nas tomadas de decisão” (p.22). Por isso, a maioria dos eruditos e cientistas, apesar de reconhecer o valor de sua intuição, não externalizam por medo do ridículo diante de seus pares.

Goldberg (p.33) define a intuição como:

Traduzida do latim intueri, que significa considerar, ver interiormente, estudar, contemplar;

• A intuição aplica-se a qualquer coisa conhecível, incluindo sensações e pressentimentos vagos sobre questões mundanas, significando descobertas de conceitos e fatos, e revelação divina;

• O sentido básico da palavra, sugere espontaneidade e imediatismo; o conhecimento intuitivo não é mediado por um processo consciente ou racional deliberado. Usamos a palavra quando sabemos alguma coisa, mas não sabemos como sabemos;

• A intuição é definida principalmente em termos do que ela não é: racionalidade, que requer o uso da razão, lógica e análise.

• A intuição é experimentada como não seqüencial. É um evento único em oposição a uma série. Diferente do pensamento racional que se desenvolve com o tempo é linear e requer esforço e intenção deliberada.

A fim de demonstrar a importância de sua pesquisa, o autor cita a teoria dos tipos psicológicos de Jung, na qual a personalidade e o comportamento têm quatro funções: pensamento, sentimento, sensação e intuição. Jung (apud Goldenberg, p.108) explica:

“Em sensação eu incluo todas as percepções feitas com os órgãos dos sentidos; por pensamento , entendo a função de cognição intelectual e a formação de conclusões lógicas; sentimento é uma função de avaliação subjetiva; como a intuição considero a percepção por meio do inconsciente, ou a percepção de conteúdo inconsciente”

Goldberg afirma que essas funções não são distribuídas de maneira uniforme e que a preferência de cada pessoa seria determinada no nascimento e fortalecida através do uso.

De acordo com Jung (1967), é muito difícil definir conscientemente a essência da intuição, isso porque a intuição é um processo do inconsciente. Para ele, a função intuitiva está representada por atitude de expectativa, pois a intuição busca possibilidades no objetivamente dado. O intuitivo corre atrás de possibilidades, ou seja, é atraído para as possibilidades. Jung diz que “onde subsistir uma possibilidade, aí se agarra o intuitivo” (1967, p.429).

É possível que, partindo dessas possibilidades apontadas por Jung, gestores tomem decisões que tragam resultados esperados. De acordo com Jung (1967, p.429) o intuitivo é destemido:

“A razão e o sentimento não o deterão e nem o amedrontarão em face de uma nova possibilidade, mesmo que esta contradiga suas anteriores convicções. O sentimento e o pensamento, que são indispensáveis componentes da convicção, no intuitivo não passam de funções inferiormente diferenciadas,que não influem decisivamente nem podem, portanto, opor resistência duradoura à força da intuição”

É muito comum no mercado financeiro que gerentes de sucesso, que fizeram nome devido aos resultados de grandes operações realizadas, sejam convidados à migrar de um Banco para outro. Esses gestores não se guiaram apenas pelas normas de operações de suas organizações. São profissionais que estão sempre partindo em busca de novas possibilidades.

Rowan (1986) considera a intuição como um conhecimento obtido sem raciocínio. “Ela provém de alguma camada de percepção apenas abaixo do nível de consciência, ela é no mínimo escorregadia e evasiva” (p.21). Corrobora com a idéia de seguir possibilidades, por isso é preciso reconhecer a importância do uso da intuição ao lado do pensamento racional. De acordo com Jung (2001, p.16): “As pessoas estão cansadas da especialização científica e do intelectualismo racional. Elas querem ouvir a verdade que não limite, mas amplie; que não obscureça, mas ilumine; que não escorra como água, mas que penetre até os ossos”.