4.3 Paper III
5.2.4 OSA, depression and somatoform pain
A distribuição geográfica da indústria alimentar revela um domínio claro dos países desenvolvidos que, em 1994, eram responsáveis por cerca de 80% do valor acrescentado mundial do sector. Os EUA e a União Europeia detinham quotas relativamente semelhantes, na ordem dos 35%, sendo seguidos pelo Japão, com cerca de 20%. No entanto, o peso relativo dos países em vias de desenvolvimento tem vindo a aumentar ao longo da última década, sendo já responsáveis por um quinto do valor acrescentado do negócio à escala global (ver Fig.11, Anexos 1).
A evolução dos principais produtores mundiais de produtos alimentares tem sido distinta, pelas seguintes razões: a) União Europeia: acréscimo da produção devido ao aumento do consumo e das exportações (cerca de 35% entre 1985 e 1994), sendo de destacar a importância da Alemanha e do Reino Unido, com 42% do valor acrescentado desta região; b) EUA: aumento da produção essencialmente para exportação, sobretudo para a América Latina, Europa e Ásia; c) Japão: aumento da produção essencialmente devido ao aumento do consumo interno, já que as exportações caíram em 32% entre 1985 e 1994. Por seu lado, os ganhos na contribuição dos países em desenvolvimento para o output do sector à escala mundial resultaram das taxas de crescimento económico e populacional mais elevadas nestes países desde os anos 1980. De facto, em todos os ramos da industria alimentar – alimentos, bebidas e tabaco – registaram-se níveis de expansão maiores no países em desenvolvimento que nos países desenvolvidos (ver Quadro 8, Anexos 1).
4.3.1 . A indústria alimentar na União Europeia
O universo de análise adoptado corresponde a todas as actividades económicas relacionadas com as indústrias alimentares, de bebidas e tabaco, abrangidas pelas secções 15 (Indústrias Alimentares e Bebidas) e 16 (Indústria do Tabaco) da
Classificação das Actividades Económicas (CAE)8. Nesta definição de indústria
alimentar estão abrangidos, quer produtos para consumo final, quer produtos intermédios destinados a serem reutilizados noutros processos produtivos. O valor da produção deste grande sector industrial atingiu, de acordo com as estatísticas estruturais do Eurostat, em 1998, 600 biliões de Euros, representando aproximadamente 15% do total da produção das indústrias transformadoras. A indústria alimentar empregava, em 19959, cerca de 2,6 milhões de pessoas (63% dos quais do sexo masculino). A União Europeia constitui, enquanto grande bloco regional da economia mundial, não só o maior mercado consumidor, como o maior produtor (650 biliões de euros, contra 460 biliões dos Estados Unidos e 260 biliões de euros do Japão) e empregador mundial para as indústrias de produtos alimentares, bebidas e tabaco, posição aliás reforçada ao longo da última década. O subsector da Fabricação de Outros Produtos Alimentares (CAE 15.8) é o que mais contribui para o total da produção com 22% (ver Fig.12, Anexos 1) com um valor de produção de mais de 125 biliões de euros. O segundo maior valor de produção, com 100 biliões de euros, pertence ao subsector de Abate de Animais, Preparação e Conservação de Carne e de Produtos à Base de Carne (CAE 15.1), representando 17% do total do sector. A Indústria das Bebidas (CAE 15.9) e a Indústria de Lacticínios (CAE 15.5) produziram, cada uma, cerca de 90 biliões de euros, em 1998. As actividades com valores de produção mais baixos foram a Transformação de Cereais e de Leguminosas, Fabricação de Amidos, Féculas e Produtos Afins (CAE 15.6) e a Indústria Transformadora da Pesca e da Aquacultura (CAE 15.2), com, respectivamente, 20 e 10 biliões de euros.
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Uma vez que o nosso estudo incide essencialmente sobre questões alimentares, tudo o que diz respeito à Indústria do Tabaco não será abordado, excepto naquelas situações em que a subsecção da CAE (Indústrias Alimentares, das Bebidas e do Tabaco) for tratada estatisticamente de forma conjunta e onde não for possível efectuar qualquer tipo de desagregação, ou em situações em que a comparabilidade dos indicadores assim o exija. Um dos motivos que esteve na base da adopção deste procedimento diz respeito ao tratamento fiscal diferenciado que está subjacente a este tipo de bens, quando comparado com os da Indústria Alimentar.
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O ciclo de vida do mercado deste sector encontra-se na sua fase de maturidade, apresentando, na globalidade, taxas de crescimento relativamente modestas. Durante os anos 1990, a indústria alimentar tem registado um crescimento médio anual da procura de 2,7%, que fica ligeiramente aquém da taxa de crescimento da procura registada para o total da indústria transformadora (2,8%). Os vários subsectores registaram, no entanto, taxas de crescimento diferenciadas, oscilando entre um máximo de 3% para a Indústria de Conservação de Frutos e de Produtos Hortícolas (CAE 15.3) e um mínimo de 0,4% da Fabricação de Alimentos Compostos para Animais (CAE 15.7). O valor da procura interna totalizou 560 biliões de euros, em 1998. A nível europeu existe, como vimos, uma tendência vincada para a diminuição do coeficiente orçamental das despesas das famílias em produtos alimentares e bebidas (refira-se que, em 1970, as famílias gastavam 21% do seu orçamento naquele tipo de bens, em 1980 esse valor descia para 18% e em 1997 já se aproximava de 12%).
O envelhecimento da população europeia constitui, como vimos, outra tendência de fundo, com influência na estrutura da procura, ao lado de outras mudanças demográficas que se traduziram na diminuição da dimensão média do agregado familiar, no aumento do número de famílias mono-parentais e do número de pessoas a viverem sozinhas, bem como no facto de cada vez mais mulheres participarem activamente no mercado de trabalho. A estrutura de consumo de produtos alimentares tem-se, consequentemente, transformado, ganhando peso o consumo fora de casa em detrimento do consumo no lar. O resultado mais imediato tem sido o aumento dos alimentos pré-confeccionados (“comida para microondas”) e o desenvolvimento do conceito de fast food, aplicável nas refeições em casa e no “fora de casa”. A “conveniência” afirma-se como factor central da oferta ao lado da qualidade e da segurança na cadeia alimentar, abrindo novos eixos de inovação. Como vimos anteriormente, o aumento do nível de vida tem ainda contribuído, por outro lado, para desenvolver nos consumidores a preferência por produtos
diversificados e diferenciados (sofisticados, exóticos, dietéticos e eco-produtos orgânicos, frescos, vegetarianos). Paralelamente, tem-se registado uma evolução dos padrões de consumo dos cidadãos, o que reflecte uma preocupação crescente com a qualidade de vida, em que se privilegiam factores como a interligação entre alimentos saudáveis, o desporto e o lazer, e entre a segurança alimentar e as preocupações ambientais.