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Organisering  etter  Lean  metode  -­‐  ledelse  og  faglig  autonomi

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6           Diskusjon

6.1   Organisering  etter  Lean  metode  -­‐  ledelse  og  faglig  autonomi

Antes de discutir algumas das implicações práticas dos resultados do estudo importa, desde já, elucidar que o objetivo deste trabalho não é hierarquizar USF, mas sim identificar as melhores práticas ao nível dos cuidados primários dirigidos aos diabéticos e poder contribuir para o desenvolvimento de estratégias para tornar os CSP mais eficientes na prestação de cuidados de saúde.

Os resultados demonstram que existe um significativo potencial para algumas das USF incluídas na amostra melhorarem os seus cuidados aos diabéticos. Para tal poderão aprender com a experiência das USF que apresentam taxas de eficiência de 100%.

Se as USF estabelecessem contatos com as suas unidades de referência para aprendizagem com a finalidade de encontrar estratégias adequadas para a melhoria dos cuidados disponibilizados aos seus utentes isso resultaria em significativos ganhos em saúde, com redução da incidência e gravidade das complicações macro e micro vascular da DM, redução do número e tempo de internamentos por complicações, diminuição de gastos e diminuição de perda de capital humano.

Deste modo, percebe-se que os resultados do estudo, se forem tidos em conta pelos gestores, coordenadores e profissionais da saúde, constituem uma valiosa e útil fonte de informação.

De acordo com os resultados obtidos existem 3 USF (29, 73 e 91) que são os benchmarks, individual ou associadamente, de quase a totalidade das USF com potencial de melhoria9. Estas 3 USF estão, todas elas, localizadas na área

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Apenas as USF 53 apresenta como benchmarks as USF 33 e 52 e a USF 75 apresenta como

metropolitana do Porto, na região norte do país. Estes resultados estão de acordo com os dados da ACSS que revela que é a ARS Norte que apresenta os melhores resultados em termos de desempenho assistencial e económico-financeiro (ACSS, 2014).

As USF 29, 73 e 91 relevam, no entanto, através da análise da distribuição de pesos que lhes permitiu uma avaliação à melhor luz possível, seguir estratégias diferentes no cuidados aos diabéticos.

A USF 29 apresenta uma estrutura de pesos distribuída apenas por 2 inputs e 2 outputs. Relativamente aos outputs esta USF atribui peso ao ‘número de diabéticos com 2 HbA1c cobrindo 2 semestres’ e ao ‘número de diabéticos com uma consulta enfermagemde vigilância em diabetes no último ano’.

A estrutura de pesos ótima para a USF 73 carateriza-se pela distribuição do peso por 2 inputs e um só output sendo ele o ‘número de diabéticos com 2 HbA1c cobrindo 2 semestres’ sugerindo, deste modo, que esta USF possui uma estratégia bem consolidada ao nível deste output podendo, portanto, servir de modelo para outras USF não-eficientes que necessitem de melhorar a prestação neste serviço em particular, especialmente as USF que possuem a USF 73 como referência para aprendizagem.

A USF 91 apresenta uma distribuição de pesos ótima bem distribuída por todos os inputs e outputs, sendo a única USF eficiente que dá mais proporção de peso ao output ‘número de diabéticos com um exame aos pés no último ano’. Isto demonstra que esta USF deve ser referência para outras neste âmbito pois demonstra ter uma experiência valiosa nesta área tão importante para a prevenção das amputações major dos membros inferiores que é, aliás, um dos pontos fracos apontados aos CSP em Portugal no Relatório de Primavera 2014 – Saúde Síndroma de Negação, anteriormente citado.

Os resultados obtidos no estudo permitiram ainda destrinçar que os determinantes da saúde influenciam as taxas de eficiência das USF, no entanto, essas correlações manifestaram-se fracas e possivelmente transpostas com um planeamento e estratégias adequadas às características da população que as USF abrangem, ou seja, as diferenças relativas entre as taxas de eficiência das USF poderão justificar-se mais pela presença de problemas de gestão do que propriamente pelas diferenças nas características sociais e económicas do seu macro ambiente.

A correlação fraca negativa, mas estatisticamente significativa, entre a taxa de eficiência e os determinantes idade média da população residente e índice de dependência de idosos sugerem que as USF têm necessidade de adaptar as suas estratégias a uma população com necessidades especiais. Por exemplo, uma população mais envelhecida e dependente certamente apresenta problemas de mobilidade e terá mais necessidade de cuidados domiciliários do que em ambulatório o que acarreta, necessariamente, mais recursos e custos associados.

Os resultados obtidos sugerem ainda que à medida que o nível de instrução e de rendimento dos utentes aumenta, a taxa de utilização de serviços públicos de saúde tende a diminuir uma vez que estes utentes tendem a procurar serviços de saúde privados, embora possam, concomitantemente, estar inscritos em alguma USF, mas não recorrendo aos seus serviços com regularidade. De facto, existe literatura que descreve esta relação entre as variáveis em causa como por exemplo Amado e Dyson (2009).

Todos os resultados descritos refletem o enorme potencial da metodologia DEA e o seu contributo para monitorizar e incrementar uma filosofia de benchmarking e melhoria contínua nos CSP, aos diabéticos em particular e a toda a população de um modo geral.

Esta metodologia permite aos políticos, decisores, gestores e profissionais de saúde identificar as melhores práticas e, deste modo, ajudar na definição/adaptação de estratégias a difundir pelas USF com potencial de melhoria.

A importância do contributo da metodologia DEA é, aliás, já ambicionada pela ACSS (2014) que no seu documento intitulado Metodologia de Contratualização para os Cuidados de Saúde Primários no Ano de 2014 afirma a sua intenção de introduzir alterações nomeadamente estimular os fenómenos de ‘contágio’ e benchmarking entre as unidades funcionais, designadamente USF.

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