Os citotóxicos ou também designados de citostáticos são substâncias empregadas no tratamento de neoplasias malignas quando os tratamentos cirúrgicos ou radioterápicos não são possíveis ou se mostraram ineficazes, podendo ainda se utilizados como adjuvantes da cirurgia ou na radioterapia como tratamento inicial [18].
Os fármacos citotóxicos têm como função farmacológica inibir ou prevenir a multiplicação celular, retardando assim a evolução de um tumor. A principal desvantagem deste tipo de tratamento é que estes medicamentos são inespecíficos e consequentemente atingem tanto as células neoplásicas como as células normais, causando assim inúmeros efeitos adversos, o que classifica estes medicamentos como medicamentos perigosos. Por isso, a sua preparação é necessariamente feita em condições específicas e por profissionais treinados [18,19]
Nos SF do CHCB existe uma unidade centralizada de preparação de citotóxicos (UCPC), na qual as instalações são definidas e isoladas através de um sistema modular de salas limpas, sendo este sistema constituído por uma pré-sala e pela sala de preparação. A pré-sala é onde o farmacêutico se equipa com bata própria sendo esta impermeável nas mangas e na zona
sala tem-se então acesso à sala de preparação onde se realiza a reconstituição e/ou diluição dos citotóxicos, estando esta sala equipada com uma câmara de fluxo de ar laminar vertical classe II tipo B, onde quer a preparação quer o operador e o ambiente estão protegidos [19,20].
O acesso à UCPC é restrito aos profissionais de saúde envolvidos na manipulação de citotóxicos, sendo que, no final do dia, está autorizado o acesso ao AO envolvido na limpeza das câmaras.
Durante a manipulação é proibida a entrada de terceiros no sistema de salas limpas, de modo a não ocorrerem perturbações do fluxo de ar e consequentemente risco para a assépsia. Desta forma, a entrada e saída de material da câmara de preparação é conseguida através de um transfere com duplo fecho, de modo a permitir apenas a abertura de um lado de cada vez. A câmara de fluxo laminar deve ser ligada 30 minutos antes do início da preparação, e todas as superfícies são limpas e desinfectadas com etanol a 70 %, antes e depois da manipulação. No final da manipulação de citotóxicos, a câmara deve manter-se ligada por 15-20 minutos [19].
No exterior do sistema modular de salas limpas encontra-se armazenado um pequeno stock de citotóxicos injectáveis, soro, pré-medicação e outros medicamentos utilizados como quimioterapia, material clínico necessário à sua preparação e o arquivo em papel que suporta esta área.
A preparação de um citotóxico é precedida de uma prescrição médica, onde devem constar todos os dados necessários. Esta é validada pelo farmacêutico afecto ao sector, de forma a verificar a adequação da terapêutica e das doses [19, 20].
É elaborado para cada doente o perfil farmacoterapêutico, onde são registados os seus dados, assim como o seu histórico de prescrições de citotóxicos. Para a preparação do citotóxico é emitido um mapa onde consta algum tipo de informação como a identificação do serviço e do doente, os dados do doente (incluindo a idade, peso e superfície corporal), a patologia, o protocolo prescrito e a sua periodicidade, a pré-medicação, a via de administração, designação e volume do solvente onde se vai diluir o citotóxico, o tempo de administração e também a identificação do médico prescritor [19].
Este mapa é emitido em duplicado, ficando uma cópia arquivada juntamente ao perfil farmacoterapêutico do doente, enquanto a outra segue com a medicação preparada para o serviço de hospital de dia [19,20].
Para cada citotóxico é também emitido um rótulo, onde deve constar a identificação do serviço onde se encontra o doente, a identificação do doente, a designação do citotóxico a preparar, qual a sua dosagem e volume, a designação do solvente a utilizar (caso necessário), o volume total da preparação, a via de administração, data e hora da preparação, estabilidade após preparação e condições de conservação, rubrica do preparador e a designação de medicamento “citotóxico” [19].
Um aspecto muito importante na preparação deste tipo de medicação é a gestão de resíduos, onde todo o lixo citotóxico é colocado em recipiente próprio existente dentro da câmara de
fluxo de modo a ser incinerado, todo o restante material que possa estar contaminado com resíduos de citotóxicos, como o vestuário, é colocado no contentor de cor vermelha.
Os citotóxicos preparados são transportados para o serviço de hospital de dia, onde irá decorrer a sua administração, em maletas herméticas utilizadas para o efeito, e devidamente identificadas com a designação de “material citotóxico”.
No sistema modular de preparação de citotóxicos deve ser também realizado o controlo diário da temperatura e pressão, tanto da sala de preparação como da pré-sala, onde a pressão da pré-sala deverá ser superior a 1 mmH2O, e da sala de preparação inferior a 0 mmH2O, a
temperatura deverá ser inferior a 25ºC [1,19].Durante o período de estágio fiz o acompanhamento do processo de reconstituição de diversos citotóxicos, tomei conhecimento das normas de segurança relativas ao seu manuseamento, acondicionamento e processo de distribuição. Tive ainda a oportunidade de fazer a preparação da pré-medicação, validar os cálculos de um protocolo CHOP (Ciclofodfamida, Doxorubicina, Vincristina e Prednisolona), sendo este um protocolo este utilizado normalmente para tratamento de linfomas. Além disso, efectuei ainda a validação de vários esquemas farmacoterapêuticos e tive a oportunidade de entrar dentro da câmara de preparação de citotóxicos para a preparação de um levofolinato disódico 154 mg diluído em cloreto de sódio (NaCl) 0,9 % com um volume total de 250 mL para infusão intravenosa (IV).
Observei também a realização do controlo microbiológico de superfície na câmara de preparação.