3. Beskrivelse av beregningene for de enkelte kildene
3.2. Oppvarming i andre næringer og husholdninger
Ainda no campo das controvérsias do ER e de seus lugares de origem, temos aquelas relacionadas à finalidade desta disciplina a partir da própria constatação de que a escola mudou, ou antes, a sociedade mudou. Ninguém hoje em dia se arriscaria a insistir, por exemplo, na idéia de hegemonia da igreja católica ou que em turmas de 30 ou 40 educandos não tenhamos crianças, adolescentes ou jovens de diferentes confissões religiosas ou ainda não pertencentes a nenhuma delas. Como dissemos anteriormente, a pluralidade é um fato em nossas escolas. Ora, assumir e traduzir essas constatações na prática educativa é tarefa das mais difíceis, desafio para as escolas católicas e para as escolas públicas. Olhar para essa realidade impõe a reflexão acerca da finalidade do ER, segundo aspecto de sua identidade, ao lado da sua natureza como disciplina.
Conforme demonstramos por meio da explicitação dos aspectos legais e dos próprios Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Religioso, entendemos que sua natureza, como disciplina, não está em discussão, ainda que questões acerca do conhecimento que possa gerar, sua forma de tratamento, entre outras ainda mais específicas relativas à prática pedagógica, exijam melhores definições. No que tange à questão da finalidade, contudo, ainda não temos clareza teórica e, conseqüentemente, menos ainda na prática do ER. Sendo assim, nesse item, ao invés de descrevermos as controvérsias apresentaremos, a exemplo do que fizemos ao tratar da concepção de conhecimento religioso, os questionamentos relativos às concepções de mundo e de escola propostas pelo Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso que parecem apontar para a finalidade desse componente curricular. Na seqüência, apresentaremos nossa hipótese para essa finalidade.
Concepção de mundo e produção do conhecimento religioso
Segundo os PCNER, a pergunta surge da necessidade do conhecimento e é instigante. As respostas poderão não ter coerência entre si, sendo contraditórias, do que decorre a necessidade da concepção do mundo, aqui entendida como uma instância capaz de ordenar os conhecimentos recebidos como resposta e possibilitar uma visão de mundo. Assim:
A concepção de mundo assume o papel de acolher ou rejeitar as respostas que se enquadram ou não na compreensão que se tem do mundo. A tradição religiosa, a política, a ideologia se apresentam como estruturantes da concepção de mundo. [...] Em determinados momentos, a tradição religiosa aparece como determinante da estrutura da concepção de mundo, noutros, aparece a ideologia, a política ou a tradição e o contexto sociocultural.108
A questão de fundo para as duas proposições que aparecem acima é a mesma, a saber, parece que estamos diante de pré-determinações. Ao dizer que a concepção de mundo tem o papel de acolher ou rejeitar as respostas que se enquadram ou não, é como se os educandos tivessem previamente definida sua concepção, enquanto, ao contrário, nos quer parecer que essa concepção está aberta e passa por um processo de se fazer na escola, bem como fora dela, conquanto compreendamos educação de uma maneira mais ampla. Também entender a tradição religiosa, a política, a ideologia ou o contexto sócio-cultural como estruturantes da visão de mundo para alguém em particular, parece minimizar o fato de que esses agentes têm entre si uma relação marcada por vários outros elementos, assim, não estamos certos de que possamos falar em determinantes.
108 FÓRUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO - FONAPER. Parâmetros Curriculares
A Escola
Espaço de construção de conhecimentos e dos conhecimentos historicamente produzidos e acumulados. O conhecimento religioso é um conhecimento disponível, a escola não pode se recusar a socializá-lo, contudo, o próprio Fórum apontou que, por questões éticas e religiosas, e em razão da própria natureza da escola, não é sua função propor aos educandos “a adesão e vivência desses conhecimentos, enquanto princípios de conduta religiosa e confessional,” o que, também segundo o Fórum, é sempre propriedade de uma determinada religião.109
Parece-nos que aqui não está claro o que é compreendido como conhecimento religioso. Se as questões religiosas são tomadas como parâmetros para a definição das finalidades, dos conteúdos e da vivência na escola, teremos que nos perguntar acerca dos critérios para escolher a religião ou as religiões que cumprirão esse papel, tornando-se conhecimento, por outro lado, é cabível nos perguntarmos se conhecimento religioso, como conhecimento mesmo, pode se configurar em princípio de conduta religiosa e confessional.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, não cabe à escola propor aos educandos a adesão e vivência, a ela cabe ajudar o educando a adquirir os instrumentos universais capazes de o auxiliarem na superação das contradições nas respostas isoladas e dar coerência a sua concepção de mundo. Como espaço de construção do saber, não pode negar conhecimento, não pode deixar, portanto, de responder às perguntas dos educandos independentemente de que campo elas sejam. Cabe à escola conhecer e valorizar a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade brasileira, sem o que não poderá colaborar com o educando na busca pelas respostas. Compete à escola integrar, dentro de uma visão de totalidade, os vários níveis de conhecimento sendo o sensorial, o intuitivo, o afetivo, o racional e o religioso. A escola deve disponibilizar o conhecimento religioso, por ser patrimônio da humanidade, uma vez que o substrato religioso colabora no aprofundamento para a autêntica cidadania.110
109 Cf. FÓRUM NACIONAL PERMANENTE DO ENSINO RELIGIOSO - FONAPER. Parâmetros
Curriculares Nacionais – Ensino Religioso, p. 22.
110 Cf. Ibid., pp. 21-29. Apontamos que a questão da educação para a cidadania é, a nosso ver, uma das mais
controversas. Presente na legislação educacional, necessita do esclarecimento de sua compreensão e, conseqüentemente, de seus elementos fundantes. Quer nos parecer que os PCNER - Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso propostos pelo Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso seguem a
Entendemos que essa síntese do texto dos PCNER, no que concerne à concepção de escola, seja mais completa e deixe mais clara as duas preocupações fundamentais do Fórum que são a compreensão de que o conhecimento religioso pertence aos conhecimentos acumulados pela humanidade, merecendo assim seu espaço na escola, e de que esse conhecimento não tem a ver com a adesão, do que decorre que não pode ser trabalhado de forma proselitista.
Todavia, falar em conhecimento religioso parece implicar em falar em experiência religiosa, isto porque se, como todo e qualquer componente curricular, devemos buscar conteúdos que tenham significado para os educandos, apenas encontraremos isso a partir de suas experiências religiosas, sejam elas negativas, positivas, de aceitação, de negação, entre outras. Assim, o que temos por hipótese é que o conhecimento religioso diz respeito a dois aspectos: a instituição religiosa e a experiência religiosa e as diferentes relações entre esses dois elementos. Se há algo que, previamente, podemos ter como certo é o fato de que não podemos propor adesão, não cabe à escola levar a isso, mas nos parece impossível não tratar das experiências dos educandos, até porque, aceitemos ou não, elas serão referenciais para o trabalho que desenvolveremos com eles, simplesmente porque os educandos não abandonam suas experiências porta afora de suas salas de aula.
Importa salientar ainda que em nossa proposta epistemológica pretendemos confirmar nossa hipótese de que o ER não deva ser diferenciado em escolas públicas e confessionais, especificamente católicas. Se considerarmos a diferenciação existente hoje nas escolas dessas duas naturezas, temos aqui uma realidade controversa, afinal, não cogitamos diferentes tratamentos, de acordo com a natureza da escola, para as disciplinas língua portuguesa ou história, por exemplo. Em se tratando de um conhecimento específico não conseguimos entender tal diferenciação.111 No que concerne ao ER na escola pública, apresentaremos a
legislação, especialmente considerando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96 sem, contudo, explicitar a concepção de cidadania. Nesse sentido é curioso notar que na bibliografia dos PCNER, não existe nenhuma referência ao assunto. Diretamente ligado ao ER é possível conhecer o trabalho de Tarcizo Gonçalves Filho. Segundo ele, cabe ao Ensino Religiosoformar a pessoa para a prática política, para o exercício responsável da cidadania que significa mais do que votar. Ser político é sinônimo de ser humano e isso tem relação com a religião que, por sua vez, deve levar à ação política em busca da justiça e da paz. (Cf. Tarcizo Gonçalves FILHO. Ensino Religioso e formação do ser político.).
111
A título de apontar as questões controversas relativas à escola confessional e o ER nesse contexto, sugerimos: Luís Alberto S. ALVES; Sérgio Rogério A. JUNQUEIRA (Org.). Educação Religiosa: Construção da identidade do Ensino Religioso e da Pastoral Escolar. Viviane Cristina CÂNDIDO. Confessionalidade e Ensino Religioso: de onde partir? In: Identidade Pedagógica do Ensino Religioso: memória e perspectivas, pp. 85-96; e Viviane Cristina CÂNDIDO. A confessionalidade da Escola Católica como Ponto de Partida para a Distinção entre o Ensino Religioso e a Pastoral. In: Congresso de Educação da Associação de Educação Católica do Estado do Paraná, p. 154.
seguir um panorama da realidade controversa desta disciplina no panorama internacional. Antes porém, finalizamos esse item de nosso trabalho, apresentando nossa proposição para a finalidade do ER, decorrente de nossa reflexão acerca das questões que aqui expusemos, a saber, entendemos que o ER deva possibilitar aos educandos uma ampliação de sua visão de mundo levando-os a uma maior compreensão das questões religiosas no âmbito da vida moderna, sem deixar de elevar tais estudos e reflexões à categoria de elementos colaboradores na compreensão e vivência do autenticamente humano. Daqui em diante, buscaremos refutar ou afirmar essa nossa proposição, para tanto teremos que continuar considerando as controvérsias que lhe dizem respeito e especificar as categorias propostas como, por exemplo, o autenticamente humano.
1.5. AS CONTROVÉRSIAS DO ENSINO RELIGIOSO NO PANORAMA