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Oppsummering

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Não é raro encontrar pessoas que associam a atividade do auditor a uma atuação policialesca. Estão acostumadas a atribuir ao auditor um papel de detetive justiceiro, que se insere na intimidade da empresa/organização para apontar erros, defeitos, problemas, sem a contrapartida de contribuir para uma solução. Isso torna mais complicado ainda o trabalho do auditor, razão por que sua presença é vista com pouca simpatia. (AMORIM, 1996, p. 82)

3.4.1 - Conceitos de Auditoria

No início do século XX, teve início a atividade de auditoria no Brasil, centrada na Área da Contabilidade, que ganhou expressividade em 1970 com o desenvolvimento das companhias abertas e o ingresso de capitais estrangeiros no país. Foram responsáveis pela sua regulamentação, o Conselho Federal de Contabilidade e a Comissão de Valores Mobiliários.

No decurso do tempo, o conceito de auditoria sofreu algumas modificações, especialmente quanto à sua abrangência e escopo. De acordo com Peter e Machado (2014, p. 92), a existência de atividades ligadas à auditoria coexiste com a origem da própria Contabilidade.

Entretanto, atualmente há diversos tipos de auditoria já consolidados ou em fase de desenvolvimento. Os conceitos apresentados a seguir mostram a evolução do escopo tratado pela Auditoria.

Conforme Ferreira (2008, p. 228), “auditoria é o exame analítico e pericial que segue o desenvolvimento das operações contábeis, desde o início até o balanço”.

Ainda como foco contábil, Basso (1989, p. 7) afirma que a auditoria é uma disciplina curricular da Contabilidade que compreende a “investigação da verdade dos atos e

fatos contábeis, operacionais e administrativos das entidades em geral e em especial das empresas de grande porte”.

O Instituto de Auditores Internos (Audibra), em uma visão mais ampla, conceitua Auditoria como:

(...) uma atividade de avaliação independente e de assessoramento da administração, voltada para o exame e a avaliação da adequação, eficiência e eficácia dos sistemas de controle, bem como da qualidade do desempenho das áreas em relação às atribuições e aos planos, metas, objetivos e políticas definidos pelas organizações (Audibra, 1991).

Também com uma visão mais abrangente, Gil (1996, p. 13) conceitua a auditoria como “função organizacional de revisão, avaliação e emissão de opinião ao ciclo administrativo62 (planejamento/execução/controle) em todos os momentos/ambientes das entidades.”

Conforme Dias (2000, p. 8), a auditoria abrange o exame das operações, processos, sistemas e responsabilidades gerenciais de determinado órgão, a fim de avaliar sua conformidade com as políticas institucionais, objetivos, normas, orçamentos e padrões.

Crepaldi (2006, p. 23) também conceitua a auditoria de forma ampla, sendo “o levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações, rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade”.

Ferreira (2008, p. 410) afirma que o objetivo da auditoria é

comprovar a legalidade e legitimidade dos atos e fatos administrativos e avaliar os resultados alcançados, quanto aos aspectos de eficiência, eficácia e economicidade da gestão orçamentária, financeira, patrimonial, contábil e finalística das unidades e das entidades da administração pública, em todas as suas esferas de governo e níveis de poder.

62 Segundo Gil (1996, p. 16), o ciclo administrativo é auto-reciclável e sempre imperfeito. Assim, o controle

(auditoria interna ou externa) avalia a diferença entre minuendo planejado e o subtraendo efetivamente realizado. A diferença encontrada é traduzida em recomendações e determinações e esse planejamento reinicia todo o ciclo.

3.4.2 Classificação de Auditorias

Não há, na literatura, um consenso quanto à classificação de auditorias. Entretanto, a discussão sobre a melhor ou mais adequada classificação extrapola os objetivos dessa pesquisa. Assim, serão apresentadas algumas classificações, que, de certa forma, estão alinhadas ao dever/fazer dos órgãos de controle interno.

Amorim, et al (1996, p. 39-51), classificam as auditorias como: auditoria ambiental, auditoria de gestão, auditoria independente na fiscalização do bem público, auditoria em instituições financeiras e auditoria operacional em empresas do Governo.

 auditoria ambiental: tem como objetivo verificar o atendimento da legislação ambiental pelas organizações.

 auditoria de gestão: consiste em um trabalho de análise da performance gerencial.

 auditoria independente na fiscalização do bem público: tem como objetivo suplementar o trabalho realizado pelos Tribunais de Contas.

 auditoria em instituições financeiras: tem como objetivo prover análise quanto a: objetivos, procedimentos, papéis de trabalho, fraude e erro, planejamento de trabalho, relevância, riscos, supervisão e controle de qualidade, estudo e avaliações do sistema contábil e de controles internos.

 auditoria operacional em empresas do Governo: tem como objetivo analisar as causas e não os efeitos, ou seja, desenhar um perfil crítico da estrutura organizacional, reavaliar seu potencial e desempenho, analisar o uso de seus controles internos e suas operações/atividades conforme os benefícios por ela produzidos.

Contudo, de forma mais detalhada, Dias (2000, p. 11-12) classifica as auditorias quanto: ao órgão fiscalizador, à abordagem do tema e ao tipo ou área envolvida.

Ao órgão fiscalizador:

 auditoria interna: tem como objetivo a redução das probabilidades de fraudes, erros, práticas ineficientes ou ineficazes. Deve ser realizada por departamento interno da entidade, mas atuar de forma independente e prestar contas diretamente à direção da instituição.

 auditoria externa: tem como objetivo avaliar e emitir um parecer sobre a gestão de recursos da entidade, sua situação financeira, a legalidade e regularidade de suas operações. Deve ser realizada por instituição externa e independente da entidade fiscalizada.

 auditoria articulada: tem como objetivo o trabalho conjunto de auditorias internas e externas, devido à superposição de responsabilidades dos órgãos fiscalizadores.

À abordagem do tema:

 auditoria horizontal: possui um tema específico e é realizada em várias entidades ou serviços paralelamente.

 auditoria orientada: é focada em uma atividade específica ou em atividade com fortes indícios de erros ou fraudes.

Ao tipo ou área envolvida:

 auditoria de programas de governo: acompanhamento, exame e avaliação da execução de programas e projetos governamentais específicos.

 auditoria de planejamento estratégico: verifica se os principais objetivos da entidade são atingidos e se as políticas e estratégias de aquisição, utilização e alienação de recursos são respeitadas.

 auditoria administrativa: auditoria que engloba o plano da organização, seus procedimentos e documentos de suporte à tomada de decisão.

 auditoria contábil: relativa à salvaguarda dos ativos e à fidedignidade das contas da instituição.

 auditoria financeira: consiste na análise das contas, da situação financeira, da legalidade e regularidade das operações e aspectos contábeis, financeiros, orçamentários e patrimoniais, verificando se todas as operações foram corretamente autorizadas, liquidadas, ordenadas, pagas e registradas.

 auditoria de legalidade: auditoria de regularidade e conformidade. Consiste na análise da legalidade e regularidade das atividades, funções, operações ou gestão de recursos, verificando se estão em conformidade com a legislação em vigor.

 auditoria governamental interna: incide em todos os níveis de gestão, nas fases de programação, execução e supervisão, sob o ponto de vista da economia, eficiência e eficácia. É também conhecida como auditoria de eficiência, de gestão, de resultados ou de práticas de gestão, onde são auditados todos os sistemas e métodos utilizados pelo gestor para tomar decisões.

 auditoria integrada: inclui simultaneamente a auditoria financeira e a operacional.

Ferreira (2008, p. 410-11), também classifica as auditorias por tipo ou área envolvida, quais sejam: auditoria de avaliação da gestão, auditoria de acompanhamento da gestão, auditoria contábil, auditoria operacional e auditoria especial.

 auditoria de avaliação da gestão: objetiva emitir opinião com vistas a certificar a regularidade das contas, verificar a execução de contratos, acordos, convênios ou ajustes, a probidade na aplicação de recursos públicos e na guarda ou administração de valore e outros bens.

 auditoria de acompanhamento da gestão: é realizada durante os processos de gestão e tem o objetivo a atuação em tempo real sobre os atos efetivos e seus efeitos potenciais, sejam positivos ou negativos.

 auditoria contábil: tem como escopo o exame de registros e documentos relacionados ao controle do patrimônio de um determinado órgão.

 auditoria operacional: objetiva a avaliação das ações gerenciais e os procedimentos relacionados ao processo operacional realizado pelos órgãos públicos, programas de governo, projetos, atividades, com o objetivo de avaliar a gestão sob os aspectos de eficiência, eficácia e economicidade e emitir opiniões e recomendações aos gestores visando ao aprimoramento de suas práticas.

 auditoria especial: tem como finalidade o exame de fatos ou situações relevantes, de natureza incomum ou extraordinária.

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